Tuesday, September 19, 2006

TRÊS TIPOS DE ESPIRITUALIDADE

INTRODUÇÃO

1. O homem é um ser religioso

O homem é um ser religioso. Desde os tempos mais remotos, ele tem levantado altares. Há povos sem leis, sem governos, sem economia, sem escolas, mas jamais sem religião. O homem tem sede do Eterno. Deus mesmo colocou a eternidade no coração do homem.

Cada religião busca oferecer ao homem o caminho de volta para Deus. As religiões são repetições do malogrado projeto da Torre de Babel.

2. O homem é um ser confuso espiritualmente

Só há duas religiões no mundo: a revelada e aquela criada pelo próprio homem. Uma tenta abrir caminhos da terra ao céu; a outra, abre o caminho a partir do céu. Uma é humanista, a outra é teocêntrica. Uma prega a salvação pelas obras; a outra, pela graça.

O cristianismo é a revelação que o próprio Deus faz de si mesmo e do seu plano redentor. As demais religiões representam um esforço inútil de o homem chegar até Deus através dos seus méritos.

3. O homem é um ser que idolatra a si mesmo

A religião que prevalece hoje é a antropolatria. O homem tornou-se o centro de todas as coisas. Na pregação contemporânea, Deus é quem está a serviço do homem e não o homem a serviço de Deus. A vontade do homem é que deve ser feita no céu e não a vontade de Deus na terra. O homem contemporâneo não busca conhecer a Deus, mas sentir-se bem.

A luz interior tornou-se mais importante do que a revelação escrita. O culto não é racional, mas sensorial. O homem não quer conhecer, quer sentir. O sentimento prevaleceu sobre a razão. As emoções assentaram-se no trono e a religião está se transformando num ópio, um narcótico que anestesia a alma e coloca em sono profundo as grandes inquietações da alma.

Marcos capítulo 9 oferece-nos uma reposta sobre os modelos de espiritualidade:

I. A ESPIRITUALIDADE DO MONTE – ÊXTASE SEM ENTENDIMENTO – (9.2-8)

Pedro, Tiago e João sobem o Monte da Transfiguração com Jesus, mas não alcançam as alturas espirituais da intimidade com Deus. Há uma transição bela entre o capítulo 8 de Marcos e este capítulo 9; no anterior Cristo falou da cruz, agora ele revela a glória. O caminho da glória passa pela cruz.

Que monte era este? A tradição diz que é o Monte Tabor;[1] outros pensam que se trata do Monte Hermon. Mas, a geografia não interessa, diz Adolf Pohl, já que não se pensa em peregrinações. A fé no Senhor vivo que está presente em todos os lugares faz com que montes sagrados entrem em esquecimento.[2]

A mente dos discípulos estava confusa e o coração fechado. Eles estavam cercados por uma aura de glória e luz, mas um véu lhes embaçava os olhos e tirava-lhes o entendimento.

1. Os discípulos andam com Jesus, mas não conhecem a intimidade do Pai – (Lc 9.28,29).

Jesus subiu o Monte da Transfiguração para orar. A motivação de Jesus era estar com o Pai. A oração era o oxigênio da sua alma. Todo o seu ministério foi regado de intensa e perseverante oração.[3] Jesus está orando, mas em momento nenhum os discípulos estão orando com ele. Eles não sentem necessidade nem prazer na oração. Eles não têm sede de Deus. Eles estão no monte a reboque, mas não estão alimentados pela mesma motivação de Jesus.

2. Os discípulos estão diante da manifestação da glória de Deus, mas, em vez de orar, eles dormem – (Lc 9.28,29).

Jesus foi transfigurado porque orou. Os discípulos não oraram e por isso foram apenas espectadores. Porque não oraram, ficaram agarrados ao sono. A falta de oração pesou-lhes as pálpebras e cerrou-lhes o entendimento. Um santo de joelhos enxerga mais longe do que um filósofo na ponta dos pés. As coisas mais santas, as visões mais gloriosas e as palavras mais sublimes não encontraram guarida no coração deles. As coisas de Deus não lhes davam entusiasmo; elas cansavam seus olhos, entediavam seus ouvidos e causavam-lhes sono.

3. Os discípulos experimentam um êxtase, mas não têm discernimento espiritual – (9.7,8).

Os discípulos contemplaram quatro fatos milagrosos: a transfiguração do rosto de Jesus, a aparição em glória de Moisés e Elias, a nuvem luminosa que os envolveu e a voz do céu que trovejava em seus ouvidos. Nenhuma assembléia na terra jamais foi tão esplendidamente representada: lá estava o Deus triúno, Moisés e Elias, o maior legislador e o maior profeta. Lá estavam Pedro, Tiago e João, os apóstolos mais íntimos de Jesus.[4] Apesar de estar envoltos num ambiente de milagres, faltou-lhes discernimento em quatro questões básicas:

Em primeiro lugar, eles não discerniram a centralidade da Pessoa de Cristo (9.7,8). Os discípulos estão cheios de emoção, mas vazios de entendimento. Querem construir três tendas, dando a Moisés e a Elias a mesma importância de Jesus. Querem igualar Jesus aos representantes da Lei e dos Profetas. Como o restante do povo, eles também estão confusos quanto à verdadeira identidade de Jesus (Lc 9.18,19). Não discerniram a divindade de Cristo. Andam com Cristo, mas não lhe dão a glória devida ao seu nome (Lc 9.33). Onde Cristo não recebe a preeminência, a espiritualidade está fora de foco. Jesus é maior do que do Moisés e Elias. A Lei e os Profetas apontaram para ele.

Warren Wiersbe diz que tanto Moisés como Elias, tanto a lei como os profetas tiveram seu cumprimento em Cristo (Hb 1.1-2; Lc 24.25-27). Moisés morreu e seu corpo foi sepultado, mas Elias foi arrebatado aos céus. Quando Jesus retornar, ele ressuscitará os corpos dos santos que morreram e arrebatará os santos que estiverem vivos (1 Ts 4.13-18).[5]

O Pai corrigiu a teologia dos discípulos, dizendo-lhes: “Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi” (Lc 9.34,35). Jesus não pode ser confundido com os homens, ainda que com os mais ilustres. Ele é Deus. Para ele deve ser toda devoção. Nossa espiritualidade deve ser cristocêntrica. A presença de Moisés e Elias naquele monte longe de empalidecer a divindade de Cristo, confirmava que de fato ele era o Messias apontado pela lei e pelos profetas.[6]

Em segundo lugar, eles não discerniram a centralidade da missão de Cristo. Moisés e Elias apareceram para falar da iminente partida de Jesus para Jerusalém (Lc 9.30,31). A agenda daquela conversa era a cruz. A cruz é o centro do ministério de Cristo. Ele veio para morrer. Sua morte não foi um acidente, mas um decreto do Pai desde a eternidade. Cristo não morreu porque Judas o traiu por dinheiro, porque os sacerdotes o entregaram por inveja nem porque Pilatos o condenou por covardia. Ele voluntariamente se entregou por suas ovelhas (Jo 10.11), pela sua igreja (Ef 5.25).
 
Toda espiritualidade que desvia o foco da cruz é cega de discernimento espiritual. Satanás tentou desviar Jesus da cruz, suscitando Herodes para matá-lo. Depois, ofereceu-lhe um reino. Mais tarde, levantou uma multidão para fazê-lo rei. Em seguida, suscitou Pedro para reprová-lo. Ainda quando estava suspenso na cruz, a voz do inferno vociferou na boca dos insolentes judeus: “Desça da cruz, e creremos nele” (Mt 27.42). Se Cristo descesse da cruz, nós desceríamos ao inferno. A morte de Cristo nos trouxe vida e libertação.

A palavra usada para “partida” é a palavra êxodo. A morte de Cristo abriu as portas da nossa prisão e nos deu liberdade. Moises e Elias entendiam isso, mas os discípulos estavam sem discernimento dessa questão central do Cristianismo (Lc 9.44,45). Hoje há igrejas que aboliram dos púlpitos a mensagem da cruz. Pregam sobre prosperidade, curas e milagres. Mas, esse não é o evangelho da cruz, é outro evangelho e deve ser anátema!

Em terceiro lugar, eles não discerniram a centralidade de seus próprios ministérios – (9.5). Eles disseram: “Bom é estarmos aqui”. Eles queriam a espiritualidade da fuga, do êxtase e não do enfrentamento. Queriam as visões arrebatadoras do monte, não os gemidos pungentes do vale. Mas é no vale que o ministério se desenvolve.

É mais cômodo cultivar a espiritualidade do êxtase, do conforto. É mais fácil estar no templo, perto de pessoas co-iguais do que descer ao vale cheio de dor e opressão. Não queremos sair pelas ruas e becos. Não queremos entrar nos hospitais e cruzar os corredores entupidos de gente com a esperança morta. Não queremos ver as pessoas encarquilhadas nas salas de quimioterapia. Evitamos olhar para as pessoas marcadas pelo câncer nas antecâmaras da radioterapia. Desviamos das pessoas caídas na sarjeta. Não queremos subir os morros semeados de barracos, onde a pobreza extrema fere a nossa sensibilidade. Não queremos visitar as prisões insalubres nem pôr os pés nos guetos encharcados de violência. Não queremos nos envolver com aqueles que vivem oprimidos pelo diabo nos bolsões da miséria ou encastelados nos luxuosos condomínios fechados. É fácil e cômodo fazer uma tenda no monte e viver uma espiritualidade escapista, fechada entre quatro paredes. Permanecer no monte é fuga, é omissão, é irresponsabilidade. A multidão aflita nos espera no vale!

Em quarto lugar, eles estão envolvidos por uma nuvem celestial, mas têm medo de Deus – (Lc 9.34). Eles se encheram de medo (Lc 9.34) ao ponto de caírem de bruços (Mt 17.5,6). A espiritualidade deles é marcada pela fobia do sagrado. Eles não apenas não encontram prazer na comunhão com Deus através da oração, mas revelam medo de Deus. Vêem Deus como uma ameaça. Eles se prostram não para adorar, mas para temer. Eles estavam aterrados (9.6). Pedro, o representante do grupo, não sabia o que dizia (Lc 9.33). Deus não é um fantasma cósmico. Ele é o Pai de amor. Jesus não alimentou a patologia espiritual dos discípulos; pelo contrário, mostrou sua improcedência: “Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos, e não temais” (Mt 17.7). O medo de Deus revela uma espiritualidade rasa e sem discernimento.

II. A ESPIRITUALIDADE DO VALE – DISCUSSÃO SEM PODER – (9.9-29)

Os nove discípulos de Jesus estavam no vale cara a cara com o diabo, sem poder espiritual, colhendo um grande fracasso. A razão era a mesma dos três que estavam no monte: em vez de orar, estavam discutindo. Aqui aprendemos várias lições:

1. No vale há gente sofrendo o cativeiro do diabo sem encontrar na igreja solução para o seu drama – (9.18).

Aqui está um pai desesperado (Mt 17.15,16). O diabo invadiu a sua casa e está arrebentando com a sua família. Está destruindo seu único filho.

Aquele jovem estava possuído por uma casta de demônios, que tornavam sua vida um verdadeiro inferno. No auge do seu desespero o pai do jovem correu para os discípulos de Jesus em busca de ajuda, mas eles estavam sem poder. Exemplo: a experiência de Erlo Stegen em Kwa Sizabantu.

A igreja tem oferecido resposta para uma sociedade desesperançada e aflita? Temos confrontado o poder do mal? Conhecimento apenas não basta, é preciso revestimento de poder. O reino de Deus não consiste de palavras, mas de poder.

2. No vale há gente desesperada precisando de ajuda, mas os discípulos estão perdendo tempo, envolvidos numa discussão infrutífera – (9.14-18).

Os discípulos estavam envolvidos numa interminável discussão com os escribas, enquanto o diabo estava agindo livremente sem ser confrontado. Eles estavam perdendo tempo com os inimigos da obra em vez de fazer a obra (9.16).

A discussão, muitas vezes é saudável e necessária. Mas, passar o tempo todo discutindo é uma estratégia do diabo para nos manter fora da linha de combate. Há crentes que passam a vida inteira discutindo empolgantes temas na Escola Dominical, participando de retiros e congressos, mas nunca entram em campo para agir. Sabem muito e fazem pouco. Discutem muito e trabalham pouco.

Os discípulos estavam discutindo com os opositores da obras (9.14). Discussão sem ação é paralisia espiritual. O inferno vibra quando a igreja se fecha dentro de quatro paredes, em torno dos seus empolgantes assuntos. O mundo perece enquanto a igreja está discutindo. Há muita discussão, mas pouco poder. Muita verborragia, mas pouca unção. Há multidões sedentas, mas pouca ação da igreja.

3. No vale, enquanto os discípulos discutem, há um poder demoníaco sem ser confrontado – (9.17,18).

Há dois extremos perigosos que precisamos evitar no trato dessa matéria:
Em primeiro lugar, subestimar o inimigo. Os liberais, os céticos e incrédulos negam a existência e a ação dos demônios. Para eles o diabo é uma figura lendária e mitológica. Negar a existência e a ação do diabo é cair nas malhas do mais ardiloso satanismo.

Em segundo lugar, superestimar o inimigo. Há segmentos chamados evangélicos que falam mais no diabo do que anunciam Jesus. Pregam mais sobre exorcismo do que arrependimento. Vivem caçando demônios neurotizados pelo chamado movimento de batalha espiritual.

Como era esse poder maligno que estava agindo no vale?

Primeiro, o poder maligno que estava em ação na vida daquele menino era assombrosamente destruidor (9.18,22; Lc 9.39). A casta de demônios fazia esse jovem rilhar os dentes, convulsionava-o e lançava-o no fogo e na água, para matá-lo. Os sintomas desse jovem apontam para uma epilepsia. Mas não era um caso comum de epilepsia, pois além de estar sofrendo dessa desordem convulsiva, era também um surdo-mudo. O espírito imundo que estava nele o havia privado de falar e ouvir.[7] A possessão demoníaca é uma realidade dramática que tem afligido muitas pessoas ainda hoje. Os ataques àquele jovem eram tão freqüentes e fortes que o menino não queria mais crescer, mas ia definhando.

Segundo, o poder maligno em ação no vale atingia as crianças (9.21,22). A palavra usada para meninice é bréfos, palavra que descreve a infância desde o período intra-uterino. O diabo não poupa nem mesmo as crianças. Aquele jovem vivia dominado por uma casta de demônios desde sua infância. Há uma orquestração do inferno para atingir as crianças (Ex 10.10,11). Se Satanás investe desde cedo na vida das crianças, não deveríamos nós, com muito mais fervor investir na salvação delas? Se as crianças podem ser cheia de demônios, não poderiam ser também cheias do Espírito de Deus?[8] Exemplo: minha experiência no começo do ministério em Vitória com o menino de três anos.

Terceiro, o poder maligno em curso age com requinte de crueldade (Lc 9.38). Esse jovem era filho único. O coração do Filho único de Deus enchia-se de compaixão por esses filhos únicos, por seus pais, e por muitos, muitos outros![9] Ao atacar esse rapaz o diabo estava destruindo os sonhos de uma família. Onde os demônios agem há sinais de desespero. Onde eles atacam a morte mostra sua carranca. Onde eles não são confrontados, a invasão do mal desconhece limites.

4. No vale, os discípulos estão sem poder para confrontar os poderes das trevas (9.18; Lc 9.40; Mt 17.16).

Por que os discípulos estão sem poder?

Em primeiro lugar, porque há demônios e demônios (9.29). Há demônios mais resistentes que outros (Mt 17.19,21). Há hierarquia no reino das trevas (Ef 6.12). Exemplo: o homem possesso de Aribiri.

Em segundo lugar, porque os discípulos não oraram (9.28,29). Não há poder espiritual sem oração. O poder não vem de dentro, mas do alto.

Em terceiro lugar, porque os discípulos não jejuaram (9.28,29). O jejum nos esvazia de nós mesmos e nos reveste com o poder do alto. Quando jejuamos estamos dizendo que dependemos totalmente dos recursos de Deus.

Em quarto lugar, porque os discípulos tinham uma fé tímida (Mt 17.19,20). A fé não olha para a adversidade, mas para as infinitas possibilidades de Deus. Jesus disse para o pai do jovem: “Se podes, tudo é possível ao que crê” (9.23). O poder de Jesus opera, muitas vezes, mediante a nossa fé. Exemplo: o seminarista de Recife.

III. A ESPIRITUALIDADE DE JESUS (9.30,31; Lc 9.29,31,44,51,53).

A transfiguração foi uma antecipação da glória, um vislumbre e um ensaio de como será o céu (Mt 16.18). A palavra “transfigurar” é metamorphothe, de onde vem a palavra metamorfose. O verbo refere-se a uma mudança externa que procede de dentro. Essa não é uma mudança meramente de aparência, mas uma mudança completa para outra forma.[10] Sua idéia básica é: mudar de figura.[11] Muitas vezes, os discípulos viram Jesus empoeirado, faminto e exausto, além de perseguido, sem pátria e sem proteção. De repente passa uma labareda por esta casca de humilhação, indubitável, inesquecível (2 Pe 1.16-18). Por alguns momentos, todo ele estava permeado de luz.[12] Aprendemos aqui algumas verdades fundamentais sobe a espiritualidade de Jesus:

1. A espiritualidade de Jesus é fortemente marcada pela oração – (Lc 9.28).

Jesus subiu o Monte da Transfiguração com o propósito de orar e porque orou seu rosto transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura (Lc 9.29). A oração é uma via de mão dupla, onde nos deleitamos em Deus e ele tem prazer em nós (Mt 17.5). Deus tem prazer em ter comunhão com seu povo (Is 62.4,5; Sf 3.17). A essência da oração é comunhão com Deus. O maior anseio de quem ora não são as bênçãos de Deus, mas o Deus das bênçãos. Jesus muitas vezes saía para os lugares solitários para buscar a face do Pai.

Dois fatos são dignos de destaque na transfiguração de Jesus:

Em primeiro lugar, o seu rosto transfigurou (Lc 9.29). Mateus diz que o seu rosto resplandecia como o sol (Mt 17.2). O nosso corpo precisa ser vazado pela luz do céu. Devemos glorificar a Deus no nosso corpo. A glória de Deus precisa brilhar em nós e resplandecer através de nós.

Em segundo lugar, suas vestes também resplandeceram de brancura (Lc 9.29). Mateus diz que suas vestes resplandeceram como a luz (Mt 17.2). Marcos nos informa que as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar (9.3). Adolf Pohl diz que para o oriental, roupa e pessoa são uma coisa só. Assim, ele pode descrever vestimentas para caracterizar quem as usa (Ap 1.13; 4.4; 7.9; 10.1; 12.1; 17.4; 19.13).[13] As nossas vestes revelam o nosso íntimo mais do que cobrem o nosso corpo. Retratam o nosso estado interior e demonstram o nosso senso de valores. As nossas roupas precisam ser também santificadas para não defraudarmos os nossos irmãos. Devemos nos vestir com modéstia e bom senso. Devemos nos vestir para a glória de Deus.

A oração de Jesus no monte ainda nos evidencia outras duas verdades:

Em primeiro lugar, na transfiguração Jesus foi consolado antecipadamente para enfrentar a cruz (Lc 9.30,31). Quando oramos Deus nos consola antecipadamente para enfrentarmos as situações difíceis. Jesus passaria por momentos amargos: seria preso, açoitado, cuspido, ultrajado, condenado e pregado numa cruz. Mas, pela oração o Pai o capacitou a beber aquele cálice amargo sem retroceder. Quem não ora desespera-se na hora da aflição. É pela oração que triunfamos. Exemplo: no dia que meu pai morreu o avião cruzou o nevoeiro denso e lá encima o sol estava brilhando.

Em segundo lugar, em resposta à oração de Jesus, o Pai confirmou o seu ministério (Mt 17.4,5). Os discípulos sem discernimento igualaram Jesus a Moisés e Elias, mas o Pai defendeu Jesus, dizendo-lhes: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi”. Marcos registra: “E de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus” (9.8). O Pai reafirma seu amor ao Filho e autentica sua autoridade, falando de dentro da nuvem luminosa aos discípulos. Aquela era a mesma nuvem que havia guiado Israel quando saía do Egito (Ex 13.21), que apareceu ao povo no deserto (Ex 16.10; 24.15-18), que apareceu a Moisés (Ex 19.9) e que encheu o templo com a glória do Senhor (1Rs 8.10).[14] Vincent Taylor afirma que no Antigo Testamento a nuvem “é o veículo da presença de Deus, a habitação de sua glória, da qual ele fala”.[15]

Você não precisa se defender, você precisa orar. Quando você ora, Deus sai em sua defesa. Quando você cuida da sua piedade, Deus cuida da sua reputação. Além de não defender o seu ministério, Jesus não tocou trombetas para propagar suas gloriosas experiências. Sua espiritualidade não era autoglorificante (Mt 17.9). Quem elogia a si mesmo demonstra uma espiritualidade trôpega.

2. A espiritualidade de Jesus é marcada pela obediência ao Pai – (9.30,31; Lc 9.44,51,53).

A obediência absoluta e espontânea à vontade do Pai foi a marca distintiva da vida de Jesus. A cruz não era uma surpresa, mas uma agenda. Ele não morreu como mártir, ele se entregou. Ele foi para a cruz porque o Pai o entregou por amor (Jo 3.16; Rm 5.8; 8.32). A conversa de Moisés e Elias com Jesus foi sobre sua partida para Jerusalém. A expressão usada foi êxodos. O êxodo foi a libertação do povo de Israel do cativeiro egípcio. Como seu êxodo, Jesus nos libertou do cativeiro do pecado. Sua morte nos trouxe libertação e vida. Logo que desceu do monte, Jesus demonstrou com resoluta firmeza que estava indo para a cruz (9.31; 9.53). Ele chorou (Hb 7.5) e suou sangue (Lc 22.39-46) para fazer a vontade do Pai. Ele veio para isso (Jo 17.4) e ao morrer na cruz, declarou isso triunfantemente (Jo 19.30). A verdadeira espiritualidade implica em obediência (Mt 7.22,23).

3. A espiritualidade de Jesus é marcada por poder para desbaratar as obras do diabo (9.25-27).

O ministério de Jesus foi comprometido com a libertação dos cativos (Lc 4.18; At 10.38). Ao mesmo tempo em que ele é o libertador dos homens, é o flagelador dos demônios. Jesus expulsou a casta de demônios do menino endemoninhado e disse: “Sai [...] e nunca mais tornes a ele” (9.25-27). O poder de Jesus é absoluto e irresistível. Os demônios bateram em retirada, o menino foi liberto, devolvido ao seu pai e todos ficaram maravilhados ante a majestade de Deus (Lc 9.43).

Para Jesus não causa perdida nem vida irrecuperável. Ele veio libertar os cativos!

Rev. Hernandes Dias Lopes
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QUE LUGAR O DINHEIRO OCUPA NA SUA VIDA?

INTRODUÇÃO

Duas perguntas são feitas antes de se fechar um negócio: Quanto ganharei se fechar esse negócio? Quanto perderei se deixar de fechar esse negócio?

O dinheiro é ídolo que tem o maior número de adoradores neste mundo. Pessoas se casam, divorciam, matam e morrem pelo dinheiro. No sermão do monte Jesus disse que não podemos servir a Deus e às riquezas ao mesmo tempo.

De todas as pessoas que vieram a Cristo, este homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito do fato de ter vindo à pessoa certa, de ter abordado o tema certo, de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.

I. RICO, PORÉM, INSATISFEITO – (10.17-22)

Destacamos vários predicados excelentes desse jovem. Entretanto, todos os atributos que alistamos, não puderam preencher o vazio da sua alma.

1. Ele era jovem (Mt 19.20)

Esse jovem estava no alvorecer da vida. Tinha toda a sua vida pela frente e toda a oportunidade de investir o seu futuro no reino de Deus. Ele tinha saúde, vigor, força, sonhos.

2. Ele era riquíssimo (Lc 18.23)

Esse jovem possuía tudo que este mundo podia lhe oferecer: casa, bens, conforto, luxo, banquetes, festas, jóias, propriedades, dinheiro. Ele era dono de muitas propriedades. Embora jovem, já era muito rico. Certamente era um jovem brilhante, inteligente e capaz.

3. Ele era proeminente (Lc 18.18)

Lucas diz que ele era um homem de posição (Lc 18.18). Ele possuía um elevado status na sociedade. Ele tinha fama e glória. Apesar de ser jovem, já era rico; apesar de ser rico, era também líder famoso e influente na sociedade. Talvez ele fosse um oficial na sinagoga. Tinha reputação e grande prestígio.

4. Ele era virtuoso (10.20; Mt 19.20)

“Tudo isso tenho observado, que me falta ainda?”. Aquele jovem julgava ser portador de excelentes predicados morais. Ele se olhava no espelho da lei e dava nota máxima para si mesmo. Considerava-se um jovem íntegro. Não vivia em orgias nem saqueava os bens alheios. Vivia de forma honrada dentro dos mais rígidos padrões morais. Possuía uma excelente conduta exterior. Era um modelo para o seu tempo. Um jovem que a maioria das mães gostaria de ter como genro.

5. Ele era insatisfeito com sua vida espiritual (Mt 19.20)

“Que me falta ainda?”. Ele tinha tudo para ser feliz, mas seu coração ainda estava vazio. Na verdade, Deus pôs a eternidade no coração do homem e nada deste mundo pode preencher esse vazio. Seu dinheiro, reputação e liderança não preencheram o vazio da sua alma. Estava cansado da vida que levava. Nada satisfazia seus anseios. Ser rico não basta; ser honesto não basta; ser religioso não basta. Nossa alma tem sede de Deus.

6. Ele era uma pessoa sedenta de salvação (10.17)

Sua pergunta foi enfática: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Ele estava ansioso por algo mais que não havia encontrado no dinheiro. Ele sabia que não possuía a vida eterna, a despeito de viver uma vida correta aos olhos dos homens. Ele não queria enganar a si mesmo. Ele queria ser salvo.

7. Ele foi a Jesus, a pessoa certa (10.17)

Ele foi a Jesus; buscou o único que pode salvar. Ele já tinha ouvido falar de Jesus. Sabia que ele já salvara muitas pessoas. Sabia que Jesus era a solução para a sua vida, a resposta para o seu vazio. Ele não buscou atalhos, mas entrou pelo único que leva ao céu.

8. Ele foi a Jesus com pressa (10.17)

“E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro” (10.17). Naquela época pessoas tidas como importantes não corriam em lugares públicos, mas esse jovem correu. Ele tinha pressa. Muitos querem ser salvos, mas deixam para amanhã e perecem eternamente. Esse jovem não pode mais esperar, ele não pode mais protelar. Ele não agüenta mais. Ele não se importa com a opinião das pessoas. Ele tem urgência para salvar a sua alma.

9. Ele foi a Jesus de forma reverente (10.17)

“… e ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (10.17). Esse jovem se humilhou caindo de joelhos aos pés de Jesus. Ele demonstrou ter um coração quebrantado e uma alma sedenta. Não havia dureza de coração nem qualquer resistência. Ele se rende aos pés do Senhor.

10. Ele foi amado por Jesus (10.21)

“E Jesus, fitando-o, o amou” (10.21). Jesus viu o seu conflito, o seu vazio, a sua necessidade; viu o seu desespero existencial e se importou com ele e o amou.

II. RICO, PORÉM, ENGANADO – (10.17-22)

As virtudes do jovem rico eram apenas aparentes. Ele superestimava suas qualidades. Ele deu a si mesmo nota máxima, mas Jesus tirou sua máscara e revelou-lhe que a avaliação que fazia de si, da salvação, do pecado, da lei e do próprio Jesus eram muito superficiais.

1. Ele estava enganado a respeito da salvação (10.17)

Ele viu a salvação como uma questão de mérito e não como um presente da graça de Deus. Ele perguntou: “… Bom Mestre, que farei de bom para herdar a vida eterna?” (10.17). Seu desejo de ter a vida eterna era sincero, mas estava enganado quando à maneira de alcançá-la. Ele queria obter a salvação por obras e não pela graça.

Todas as religiões do mundo ensinam que o homem é salvo pelas suas obras. Na Índia multidões que desejam a salvação deitam sobre camas de prego ao sol escaldante; balançam-se sobre um fogo baixo; sustentam uma mão erguida até se tornar imóvel; fazem longas caminhas de joelhos. No Brasil, vemos as romarias, onde pessoas sobem conventos de joelhos e fazem penitência pensando alcançar com isso o favor de Deus.

Muitas pessoas pensam que no dia do juízo Deus vai colocar na balança as obras más e as boas obras e a salvação será o resultado da prevalência das boas obras sobre as obras más. Mas a salvação não consiste daquilo que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós em Cristo Jesus.

2. Ele estava enganado a respeito de si mesmo (10.19-21)

O jovem rico não tinha consciência de quão pecador ele era. O pecado é uma rebelião contra o Deus santo. Ele não é simplesmente uma ação, mas uma atitude interior que exalta o homem e desonra a Deus.[1] O jovem rico pensou que suas virtudes externas podiam agradar a Deus. Porém, a Escritura diz que todos somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia aos olhos do Deus santo (Is 64.6).

O jovem rico pensou que guardava a lei, mas havia quebrado os dois principais mandamentos da lei de Deus: amar a Deus e ao próximo. Ele era idólatra. Seu deus era o dinheiro. Seu dinheiro era apenas para o seu deleite. Sua teologia era baseada em não fazer coisas erradas, em vez de fazer coisas certas.

Jesus disse para o jovem rico: “… só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me” (10.21). O que faltava a ele? O novo nascimento, a conversão, o buscar a Deus em primeiro lugar. Ele queria a vida eterna, mas não renunciou os seus ídolos. Hurtado diz que o jovem rico não foi chamado à pobreza como um fim, mas ao discipulado de Jesus”.[2]

3. Ele estava enganado a respeito da lei de Deus (10.19,20)

Ele mediu sua obediência apenas por ações externas e não por atitudes internas. Aos olhos de um observador desatento ele passaria no teste, mas Jesus identificou a cobiça em seu coração. Este é o mandamento subjetivo da lei. Ele não pode ser apanhado por nenhum tribunal humano. Só Deus consegue diagnosticá-lo. Jesus viu no coração desse homem o amor ao dinheiro como a raiz de todos os seus males (1Tm 6.10). O dinheiro era o seu deus; ele confiava nele e o adorava.

4. Ele estava enganado a respeito de Jesus (10.17)

Ele chama Jesus de Bom Mestre, mas não está pronto a obedecer-lho. Ele pensa que Jesus é apenas um rabi e não o Deus verdadeiro, feito carne. Jesus queria que o jovem se visse a si mesmo como um pecador antes de ajoelhar-se diante do Deus santo. Não podemos ser salvos pela observância da lei, pois somos rendidos ao pecado. A lei é como um espelho; ela mostra a nossa sujeira, mas não remove as manchas. O propósito da lei é trazer o pecador a Cristo (Gl 3.24). A lei pode trazer o pecador a Cristo, mas não pode fazer o pecador semelhante a Cristo. Somente a graça pode fazer isso.[3]

5. Ele estava enganado acerca da verdadeira riqueza (10.22)

Depois de perturbar a complacência do homem com a constatação de que uma coisa lhe faltava, Jesus o desafia com uma série de cinco imperativos: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e vem, e segue-me” (10.21). Esses cinco imperativos são apenas uma ordem que exige uma só reação. Ele deve renunciar aquilo que se constitui no objeto de sua afeição antes de poder viver debaixo do senhorio de Deus.[4]

O jovem rico perdeu a riqueza eterna, por causa da riqueza temporal. Ele preferiu ir para o inferno a abrir mão do seu dinheiro. Mas que insensatez, ele não pode levar um centavo para o inferno. Ele rejeita a Cristo e a vida eterna. Agarrou-se ao seu dinheiro e com ele pereceu. Saiu triste e pior, por ter rejeitado a verdadeira riqueza, aquela que não perece. O homem rico se torna o mais pobre entre os pobres.

III. RICO, PORÉM PERDIDO (10.23-27)

1. Os que confiam na riqueza não podem confiar em Deus (10.23-25)

O dinheiro é mais do que uma moeda, é um deus. O dinheiro é maior dono de escravos do mundo. Ele é um espírito, ele é Mamom. Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo. Ninguém pode servir a Deus e às riquezas. A confiança em Deus implica no abandono de todos os ídolos. Quem põe a sua confiança no dinheiro, não pode confiar em Deus para a sua própria salvação. Nossos corações somente têm espaço para uma única devoção e nós só podemos nos entregar para o único Senhor.[5]

Jesus não está condenando a riqueza, mas a confiança nela. A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor a ele (1Tm 6.10). Há pessoas ricas e piedosas. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. A questão não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele.

Jesus ilustrou a impossibilidade da salvação daquele que confia no dinheiro: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (10.25). O camelo era o maior animal da palestina e o fundo de uma agulha o menor orifício conhecido na época. Alguns intérpretes tentam explicar que esse fundo da agulha era uma porta da muralha de Jerusalém onde um camelo só podia passar ajoelhado e sem carga. Mas, isso altera o centro do ensino de Jesus: a impossibilidade definitiva de salvação para aquele que confia no dinheiro.[6]

2. A salvação é uma obra milagrosa de Deus (10.26,27)

Os discípulos ficam aturdidos com a posição radical de Jesus e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” (10.26). Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível” (10.27). A conversão de um pecador é uma obra sobrenatural do Espírito Santo. Ninguém pode salvar-se a si mesmo. Ninguém pode regenerar-se a si mesmo. Somente Deus pode fazer de um amante do dinheiro, um adorador do Deus vivo.

IV. POBRE, PORÉM POSSUINDO TUDO (10.28-31)

1. A abnegação (10.28)

“Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (10.28). Seguir a Cristo é o maior projeto da vida. Vale a pena abrir mão de tudo para ganhar a Cristo. Ele é a pérola de grande valor.

Alguns intérpretes acusam Pedro de demonstrar aqui um espírito mercantilista (Mt 19.27). A afirmação de Pedro revela uma visão comercial da vida cristã.[7] A teologia da prosperidade está ensinando que ser cristão é uma fonte de lucro. A igreja está se transformando numa empresa, o evangelho num produto, o púlpito num balcão, o templo numa praça de barganha e os crentes em consumidores.

2. A motivação (10.29)

Não basta deixar tudo por amor a Cristo, é preciso fazê-lo pela motivação certa. Jesus é claro em sua exigência: “… por amor de mim e por amor do evangelho” (10.29). Precisamos fazer a coisa certa com a motivação certa. O objetivo da abnegação não é receber recompensa. Não servimos a Deus por aquilo que ele dá, mas por quem ele é (Dn 3.16-18).

Muitos hoje pregam um evangelho de barganha com Deus. Você dá, para receber de volta. Você oferece algo para Deus para receber uma recompensa maior. O homem continua sendo o centro de todas as coisas. Mas Jesus fala que precisamos deixar tudo por amor a ele e por causa do evangelho (At 20.24).

3. A recompensa (10.30)

Jesus garante aos seus discípulos que todo aquele que o segue não perderá o que realmente é importante, quer nesta vida quer na vida por vir. Jesus fala de duas recompensas e duas realidades.

Em primeiro lugar, há uma recompensa imediata. Seguir a Cristo é um caminho venturoso. Deus não tira, ele dá. Ele dá generosamente. Quem abre mão de alguma coisa ou de alguém por amor de Cristo e pelo evangelho, recebe já no presente cem vezes mais.

Em segundo lugar, há uma recompensa futura. No mundo por vir, receberemos a vida eterna. Esta é uma vida superlativa, gloriosa, feliz, onde não há dor, sem lágrimas, sem morte. Receberemos um novo corpo, semelhante ao corpo da glória de Cristo. Reinaremos com ele para sempre.

Em terceiro lugar, há uma realidade insofismável. Jesus acrescenta que a recompensa imediata vem acompanhada “… com perseguições” (10.30). A vida cristã não é uma sala vip nem uma colônia de férias. Fomos chamados não para fugir da realidade, mas para enfrentá-la. O sofrimento é o cálice que o povo de Deus precisa beber, enquanto caminha rumo à glória. A cruz vem antes da coroa, o sofrimento antes da recompensa final. Nós entramos no reino de Deus por meio de muitas perseguições (At 14.22). Há um equilíbrio entre bênçãos e batalhas na vida cristã.

Em quarto lugar, há uma realidade surpreendente. Jesus foi categórico: “Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos primeiros” (10.31). Para o público em geral, o rico ocupa um lugar de proeminência e os pobres discípulos, o último lugar. Mas Deus vê as coisas na perspectiva da eternidade – e o primeiro se torna o último enquanto o último se torna o primeiro.[8]

CONCLUSÃO

Quanto você ganhará se fechar esse negócio? A vida eterna! Quanto perderá se deixar de fechar esse negócio? Perderá a vida, o céu!

[1] Warren W. Wiersbe. Be Diligent. 1987: p. 100.
[2] Larry W. Hurtado. Mark. Harper & Row. 1983: p. 152.
[3] Warren W. Wiersbe. Be Diligent. 1987: p. 101.
[4] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 160.
[5] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 161.
[6] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 508.
[7] Warren W. Wiersbe. Be Diligent. 1987: p. 102.
[8] Warren W. Wiersbe. Be Diligent. 1987: p. 103.

 
Rev. Hernandes Dias Lopes.
 
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Wednesday, August 30, 2006

MORTE NA PANELA

Referência: II REIS 4.38-41

EXÓRDIO:
Aquela era uma época de grande fome na terra (II Re 8.1; 6.24-30). O povo andava inquieto. As pessoas andavam desesperadas, sôfregas, procurando alimento por toda parte. Estavam prontas a comer qualquer coisas que lhes acalmasse a fome. A cabeça de um jumento era vendida por 80 ciclos de prata.
Foi nesse tempo que Eliseu estava palestrando no seminário, para os discípulos dos profetas. Embora houvesse escassez de pão na terra, havia abundante pão do céu.
Eliseu manda fazer um cozinhado. Mas o homem que saiu ao campo a procurar ervas, trouxe veneno em vez de alimento. E quando todos já estavam se fartando da refeição, soou o grito: “Morte na panela ó homem de Deus.” A morte espiritual principia no prato onde comemos.
Queremos extrair algumas lições para a nossa reflexão:

I. A MORTE NA PANELA PODE EXISTIR DENTRO DE UMA ESTRUTURA SÓLIDA E ORGANIZADA

1. Havia ensino religioso
Aqui, estão os estudantes de teologia, no seminário de Eliseu, na Escola de Profetas. Estão diante de um grande professor. Um homem de poder. Um santo homem de Deus. Um homem que jamais negociou seus absolutos nem mercadejou seu ministério. Nesse tempo é que houve esse dramático clamor: “Morte na panela ó homem de Deus.”
2. Havia comunhão religiosa
A fome, a pobreza, a crise, longe de quebrar a comunhão dos filhos dos profetas, os estreitou ainda mais. Eles estavam juntos na crise. Mas numa comunidade onde reina comunhão pode existir “morte na panela.”
3. Havia liderança forte e ungida
Eliseu era um profeta de grande destaque em Israel. Era um santo homem de Deus, em quem repousava o Espírito do Senhor. Um homem poderoso em obras e instrumento valioso para a realização de estupendos milagres. Mas mesmo neste contexto havia morte na panela.

II. A MORTE NA PANELA É UMA REALIDADE DOLOROSA NA VIDA DA IGREJA

Muitos estão buscando alimento. Os homens estão como ovelhas inquietas, famintas e sem o cuidado do pastor. Estão buscando pastos verdes. E quando encontram novidades, logo as abraçam com sofreguidão. “Então saiu ao campo para apanhar ervas, e achou uma trepadeira silvestre…”.
A trepadeira é viçosa, é luxuriante, é frondosa, deve dar fruto bom. Há muitas coisas, muitos ensinos que são arrojados, desafiadores, bonitos, impactantes, mas não são bíblicos, são venenosos.

1. O fruto venenoso
Os discípulos dos profetas comeram veneno pensando estar se alimentando de coisa boa. Acharam parecidos. O joio é parecido com o trigo. Mas um é veneno, o outro é alimento. Vemos nesse fato, duas lições:
a) O perigo de ser enganado pelas aparências =
Às vezes. As coisas não são o que parecem ser. Os erros mais perigosos são aqueles que parecem com a verdade. A meia verdade é mais perigosa que a mentira, pois se torna mais sutil, menos perceptível, por isso mais penetrante. Normalmente, as seitas como Testemunhas de Jeová, Mórmons e Adventistas têm muito ensino bíblico em sua doutrina, têm muita coisa boa, certa, verdadeira. Mas nem tudo é verdade, há veneno no meio do alimento, há morte na panela. Há negação e distorção de verdades essenciais do cristianismo. O todo do Evangelho fica comprometido. A sã doutrina é solapada. A pureza do Evangelho é diluída num caldo mortífero de heresias que grassam no conjunto doutrinário dessas seitas.

Precisamos exercer discernimento (Hb 5.14). Não podemos comer todo alimento que se serve em nome de Deus. Existem muitas pregações fantásticas, ensinos arrebatadores que mexem com as emoções e sacodem com as estruturas da vida humana que estão contaminadas por veneno perigoso.

O diabo gosta de citar a Bíblia. Ele citou a Bíblia para Jesus no deserto. Mas o diabo usa a Bíblia contra a Bíblia. Ele usa a Bíblia para tentar. Ele cita a Bíblia fora do contexto, por pretexto. Ele cita a Bíblia pelas metades, torcendo o seu sentido. Assim, nem toda pessoa que anda com a Bíblia, prega a Bíblia. A Bíblia na mão do diabo não é Palavra de Deus, é palavra do diabo, é tentação (Mt 4.1-10).
Exemplo: A TEOLOGIA DO DOMÍNIO

Muitos pregadores estão hoje levando os crentes a afirmarem: O BRASIL É DO SENHOR JESUS. POVO DE DEUS DECLARE ISTO. Não é através de uma declaração ou de uma frase mágica que nós vamos ver a transformação moral e espiritual do nosso país, mas através da pregação do Evangelho.

A verdade hoje está sendo atacada não apenas nas ruas, mas nos púlpitos, nos livros, nas conferências. Muitos pensam que o crescimento numérico das igrejas é o único referencial da bênção de Deus. Mas esse não pode ser o ponto nevrálgico, pois também os Muçulmanos, os budistas e os espíritas crescem. Nem tudo o que cresce é de Deus. Em João 6, a multidão ao ouvir um duro discurso de Jesus, o deixou e não mais o seguiu.

b) As nossas melhores intenções não transformam a natureza do alimento que recebemos
Muitas pessoas hoje pregam heresias e depois dizem: esta não foi a minha intenção. Exemplo: A mulher que bebeu sulfito de bário.
Minha intenção não altera a qualidade do alimento que recebo.
A sinceridade não nos isenta das conseqüências das nossas ações.
O fato de você não saber que um alimento é venenoso, não o torna saudável.

EXEMPLO:
- Confissão positiva de Kenneth Hagin ou Teologia da Prosperidade = Esta teologia diz que todo crente deve viver endinheirado, morar em mansão, desfilar em carrões, jamais ficar doente e possuir a natureza divina. Esse teologia gera frustração, decepção. Essa visão não tem base bíblica. Isso é uma heresia. O apóstolo Pedro disse para o paralítico que jazia à porta do templo: “Não tenho ouro e nem prata…”. Homens santos de Deus foram acometidos de graves enfermidades ou sofreram profundamente como João Calvino, David Brainerd, Robert McKeyne, Charles Haddon Spurgeon, Ashbel Green Simonton. Outros hoje, enfrentam uma outra decepção: a de ser declarado curado pelos pregadores em nome de Deus e continuarem convivendo com o drama da enfermidade. Estes pregadores oferecem um consolo vazio. Prometem as pessoas aquilo que Deus não promete. Dizem em nome de Deus o que Deus não está falando. Torcem, inventam, mentem em nome de Deus. E quando as pessoas frustradas e decepcionadas se chocam com a dramática realidade de que não estão curadas, recebem ainda um outro fardo: você não foi curado, porque você está em pecado ou porque você não tem fé. Esses pregoeiros estudaram na escola dos amigos de Jó. São consoladores que em vez de trazer alívio atam fardos pesados sobre as pessoas, que falam em nome de Deus o que Deus não lhes disse e prometem em nome de Deus o que o Senhor nunca prometeu. Eles furtam as palavras de Deus ao povo.

- O abuso dos milagres
a) Marcar o culto dos milagres = Não há base bíblica para isto. Não somos donos da agenda de Deus. Muitos desses milagres são prometidos e nunca se cumprem. Outros são forjados para sugestionar o auditório. Exemplo: Mauro - Você está curado da AIDS. Ele morreu depois de um mês em terrível desespero e revolta.
b) Sensacionalismo = O sopro de Benny Hinn - jogar paletó. Tudo aquilo que não tem base bíblica devemos rejeitar. Precisamos passar tudo pelo crivo das Escrituras. Devemos ser como os crentes bereanos. O único exemplo de soprar no VT é de Deus (Gn 2.7) no NT é de Jesus (Jo 20.11).
c) A prática de cair no espírito = Martyn Lloid-Jones fala sobre a diferença de cair pelo poder do Espírito e cair por uma histeria carnal. Se uma pessoa cai e levanta do mesmo jeito, sua vida não mudou, seu caráter não foi transformado, então esse fenômeno não passou de uma histeria carnal, de uma encenação teatral. Mas se a pessoa cai, chora, se quebranta e levanta transformada, então isso é obra do Espírito, porque histeria carnal não transforma ninguém.
d) A unção do riso = A bênção de Toronto. A gargalhada sagrada. A congregação toda rindo descontroladamente, mesmo diante de situações extremamente graves.
e) Falcatruas = Milagres eletrônicos. Petter Poppoff apontava as pessoas mencionando seus nomes, problemas, doenças - dados passados pela esposa. Em 1986 a máscara caiu. Havia um pequeno aparelho no seu ouvido de onde recebia as informações da esposa.

2. A oportuna descoberta

2.1. Um ingrediente venenoso destrói o valor de todo o alimento
A) O Exagero na Batalha Espiritual
- Pessoas que vêem demônio em tudo. Não chegam em uma casa sem exorcizarem os demônios que estão dentro de casa, na igreja
- Pessoas que confundem demônio com obras da carne = demônio da avareza, da prostituição, da mentira, da morte (DEMÔNIOS DERROTADOS)
- Pessoas que vivem amarrando demônios em vez de pregar a Palavra do Evangelho libertador.
- Pessoas que vivem dando nome de demônios que a Bíblia não revela, por revelação do próprio diabo que é o pai da mentira (PORCOS NA SALA).
- Pessoas expulsando demônios de crentes nascido de novo. O que aconteceu com a conversão? Pastor, missionário, presbítero, líder de denominação pode ficar possesso, mas crente nascido de novo não pode.
- Pessoas pregando sobre espíritos territoriais (descobrir o demônio controlador da cidade) = Dizem que o nome da cidade revela sua história espiritual. Se assim fosse Vitória e Salvador não teriam problemas espirituais.

B) O Exagero na Oferta Bíblica
- A oferta é bíblico, mas há igrejas hoje mercadejando o Evangelho. Comercializam a fé. Arrancam o dinheiro do povo sem escrúpulo. Elaboram mecanismos eivados de misticismo pagão como óleo ungido, rosa ungida, lenço ungido, água fluidificada, para tirar dinheiro dos incautos.
- O desempenho de muitos pastores e igrejas é medido pela quantidade de dinheiro que se arrecada.
- Nessas igrejas os meios estão confusos com os fins. A igreja cresce para arrecadar mais dinheiro ou se arrecada mais dinheiro para a igreja crescer.
- Estamos vendo novamente a famigerada doutrina da Idade Média das indulgências, só que agora no meio evangélico. A bênção é comprada. Quando mais dá, mais bênção.

C) O Exagero na Cura Divina
- A cura divina é bíblico, mas hoje se prega que toda doença vem do maligno.
- Prega-se hoje que o crente não pode ficar doente. Não ser curado é falta de fé ou pecado.
- A vontade de Deus é sempre curar. A doença precisa ser repreendida como se repreende um espírito maligno.
- Existe hoje muito embuste e muita frustração nesse campo. Muitas pessoas deixaram de tomar os remédios por causa de uma promessa segura de cura e depois de perceberem que não estavam curadas ficaram decepcionadas com Deus. Mas esses profetas da cura não foram enviados por Deus, não falaram em nome de Deus, eles usaram o nome de Deus, mas Deus não tem compromisso com eles.

D) O Exagero na doutrina da bênção e maldição
- Tiram o caminho da santificação para o caminho da quebra de maldição = pornografia, adultério e depressão.
- Doença hereditária ou maldição herdada = João 9, II Coríntios 5.17.
- A Bíblia fala de homens piedosos tendo filhos rebeldes Ex. Josafá - Jeorão; Ezequias-Manassés.
- A Bíblia fala de homens ímpios tendo filhos santos . Ex. Abias - Asa; Jotão - Acaz
- Há aqueles que falam sobre a maldição de nomes próprios, como se o nome em si já acarretasse maldição. Isso não tem base bíblica. Vejamos: Absalão = Pai da paz; Daniel e seus três amigos tiveram nomes mudados para nomes pagãos; Judas = louvor; Bar Jesus = Filho de Jesus - era mágico; Apolo = destruidor - mas ele era poderoso nas Escrituras.

E) O Exagero na questão dos dons
- Hoje há uma super ênfase na questão dos dons, como elemento comprovador de uma vida piedosa e poderosa.
- Carisma sem caráter. Pessoas sendo guiadas por visões, revelações, sonhos sem o referencial da Palavra de Deus.

2.2. É preciso identificar a morte na panela em tempo oportuno “…e não puderam comer…”
- I Co 14.39 = … os outros julguem
- I Jo 4.1 = Provai os espíritos
- I Tm 4.1 = doutrinas de demônios
- Jesus não só pregou a verdade, mas denunciou o erro = caldo mortífero do legalismo.
- Paulo denunciou as doutrinas falsas = judaísmo, gnosticismo, liberalismo = viver no pecado para que a graça seja mais abundante; misticismo = água do Jordão, rosa ungida, copo de água sobre o rádio e a televisão.

III. A MORTE NA PANELA É CURADA

1. A cura pela árvore cortada
2. A cura pelo sal
3. A cura pela farinha = Palavra no poder do Espírito Santo

- A morte é afastada quando colocamos na Panela a genuína Palavra de Deus. Prega a Palavra, só a Palavra. Toda a Palavra.
- Hoje muitas igrejas não querem doutrina - só querem experiência. Querem jogar seus catecismos e confissões de fé no caixote de lixo.
- Somos filhos da Reforma; SOLA SCRIPTURA. Temos que ser crentes bereanos, examinando tudo que lemos e ouvimos pelo crivo das Escrituras.
- É tempo de buscarmos um avivamento que tenha a Bíblia como centro, como aconteceu no Avivamento apostólico e nos outros grandes avivamentos ao longo da história. Que seja assim. Amém!

Rev. Hernandes Dias Lopes.
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VOCÊ PODE MUDAR A SUA HISTÓRIA

Referência: Daniel 1

INTRODUÇÃO

Ø John Locke – “O homem é produto do meio.” Ele é uma tábula rasa, uma folha em branco.
Ø Não é fácil ser puro diante de tanta sensualidade. Não é fácil ser honesto, no meio de tanta malandragem. Não é fácil ser íntegro na escola e ficar de prova final, quando os que colam passam de direto. Não é fácil ser honesto no trabalho, quando os que roubam estão andando em carros luxuosos e você está passando dificuldades.
Ø Como Daniel prevaleceu num ambiente tão hostil?

I. Ele se recusou a seguir o mesmo caminho de fracasso dos seus contemporâneos – v. 1,2

Ø O povo de Israel estava se desviando da verdade. Judá estava entregue à idolatria. Os reis eram homens maus. O povo não dava ouvidos à voz dos profetas de Deus. Então, veio o cerco da Babilônia. O povo confiava no templo e não no Senhor (Jr 7.7) = I Samuel 4.
Ø Deus os entregou. O templo foi saqueado, roubado. Os vasos do templo foram levados para os templos dos deuses da Babilônia. O preço do pecado é muito alto. A nação sofreu. Daniel, entretanto, confiava e continuou confiando em Deus apesar de viver numa nação que se afastava de Deus.
Ø Daniel não era fruto do meio.
Ø Nem a adversidade nem a prosperidade e o sucesso o corromperam.

II. Ele não deixou o seu coração azedar por causa dos dramas da vida =

1. Ele perdeu a sua identidade = Com 17 anos, sua família foi destruída, sua vida foi virada de cabeça para baixo, seu nome foi trocado- Deu é meu juiz para Príncipe de Bel. Arrancaram Daniel à força do seio da sua família, dos seus amigos. Cortaram todos as suas raízes. Romperam com todos os seus vínculos.
2. Ele perdeu a sua nacionalidade = Agora Daniel não tem mais Pátria, não tem mais governo, não tem mais bandeira. Está exilado. Sem chão, sem língua pátria, sem cultura. Tudo o que antes ele considerava importante foi jogado na lata de lixo.
3. Ele perdeu a sua liberdade = Ele foi levado cativo. Ele não é dono mais da sua vida, da sua agenda, do seu tempo, das suas escolhas, da sua vocação.
4. Ele perdeu as raízes da sua religião = O templo foi saqueado e incendiado. Os tesouros da Casa de Deus foram roubados. Os vasos e os jarros sagrados agora eram usados em bacanais na Babilônia. Ele não tinha mais o altar, a torá, a Lei, os Sacerdotes, os Profetas, os cânticos de Sião. Agora ele recebeu um nome nome, que indica uma nova religião. Devia trocar Deus por Bel, o Senhor dos Exércitos por um ídolo. Agora a aculturação Babilônica devia correr em suas veias.

III. Ele decidiu superar o seu passado de dor – v.8
Ø O que representou a invasão de Jerusalém? Veja II Cr 36. Pais mortos, irmãs estupradas, grávidas assassinadas, nação arrasada, o templo destruído, o culto aviltado, a perda da liberdade.
Ø Muitos não superaram essa dor – Salmo 137.
Ø Apesar das tragédias históricas, a vida é feita de decisões e atitudes novas – A questão não é o que fizeram comigo, mas o que eu vou fazer com aquilo que me fizeram. Melhores atitudes, maiores altitudes.

IV. Resolveu rejeitar ofertas vantajosas por fidelidade a Deus

Ø Ele foi escolhido para viver uma viva de rei, tendo faculdade particular de graça, com emprego de primeiro escalão do maior império do mundo garantido. Ele foi premiado. Parecia ser uma proposta irrecusável.
Ø Mas “Todas as maçãs do diabo não bonitas, mas têm bicho.”

1. Viver com fidelidade exige discernimento = Devemos discernir os princípios que estão por trás das nossas ações. Qual é o problema de comer carne e beber vinho? Por trás daquela mesa real estava uma rendição da fé, uma participação na mesa de ídolos. O mesmo princípio hoje com respeito a sexo antes do casamento, fidelidade nos dízimos, honestidade nos negócios, santificação do seu corpo como templo do Espírito Santo.

2. Viver com fidelidade exige uma atitude firme = Tem que ser uma atitude forte, ousada, corajosa. Você tem que tomar essa decisão antes. Isso tem que ser absoluto para você. Você não pode ser guiado nem pelos aplausos nem pelo grito da multidão. (Os três amigos de Daniel disseram mais tarde que estavam prontos a morrer, mas não a transigir. E disseram que serviam a Deus não pelo Deus poderia fazer por eles, mas pelo caráter de Deus).

3. Viver com fidelidade exige correr riscos = Eles podiam morrer. Eles estavam arriscando a própria vida. Mas Daniel prefere correr o risco, a violar sua consciência. Prefere a morte ao pecado. Agiu com fé e por fé e Deus o honrou.

4. Viver com fidelidade exige perseverança = v.11-14 – Daniel não desiste de seu propósito diante da primeira dificuldade. Ele prossegue. Ele insiste. Ele não cogita de outra possibilidade. Exemplo: José do Egito.

5. Viver com fidelidade exige criatividade = v. 8 - Imagine se Daniel dissesse: Eu não como carne! – Mas o Rei mandou. – Azar do Rei, sou crente! Sou protestante! Ele morreria não como mártir, mas por burrice. Daniel chega para o homem da cozinha e diz: Olha você sabe que beterraba com cenoura dá melhor resultado que carne e vinho? Faça uma experiência de 10 dias! O que você faz quando alguém lhe oferece um cigarro, ou chama você para ir a uma boate? Qual é a sua resposta quando alguém lhe oferece um trago, uma picada, ou lhe chama para ir ao Motel? “Olha eu tenho algo melhor. Vamos comigo à minha igreja. Você vai sentir uma alegria diferente…” Seja criativo nos seus negócios, na sua empresa, no seu casamento.

6. Viver com fidelidade exige boas amizades = Apertados pelo mandato do rei, correm para seus companheiros e eles juntos vão buscar a Deus em oração. “Pessoas precisam de Deus, mas pessoas precisam também de pessoas.” Precisamos de alguém para abrir o coração. Para servir de suporte. Quem é que está ajudando você a viver a vida cristã.

7. Viver com fidelidade é estar convencido de que Deus vai abençoá-lo pelo fato de você ser fiel a ele = v. 11 = Faça um teste com Deus. Na sua vida de oração, do dízimo, no casamento! Deus é fiel. Não transija com os valores absolutos. Deus é fiel. Não negocie a sua fidelidade a Deus, o Senhor é fiel. Não deixe a amargura tomar conta do seu coração pelas injustiças sofridas, Deus é fiel. Não deixe que o sucesso suba à sua cabeça, Deus é fiel.

CONCLUSÃO

Ø Aprendemos com Daniel três princípios:

1. Firmeza em pequenas coisas nos preparam para maiores vitórias. Mais tarde Daniel pode enfrentar a cova dos leões. Pessoas caem em pecados sérios somente porque aprenderam a tolerar pecados menores.
2. Foram aprovados com destaque no exame feito pelo Rei. Deus honra aqueles que o honram. Deus lhes deu inteligência, capacidade, entendimento. Deus quer que você seja cabeça e não cauda.
3. Daniel foi maior que a Babilônia. A Babilônia caiu, mas Daniel ficou de pé. Nabucodonozor morreu, mas Daniel continuou exercendo a sua bendita influência para outras gerações. O que as pessoas falarão a seu respeito amanhã? Que tipo de influência você deixará para as gerações futuras?

Rev. Hernandes Dias Lopes.
 
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