Monday, October 2, 2006

Análise bíblica dos pontos de contato: objetos que trazem bençãos e maldição

Fonte: http://www.thirdmill.org/  

Um Estudo sobre o Uso de Objetos e a Fé

Um assunto que tem provocado muita polêmica em nossos dias é o ensino do moderno movimento de batalha espiritual acerca de objetos que têm o poder de abençoar e amaldiçoar aqueles que os tocam ou possuem. Nesse pequeno artigo, procuro compreender esse ensino e oferecer uma avaliação.

* Objetos que Trazem Bênção

Nos cultos de muitas igrejas de libertação, objetos variados são empregados como canais de bênção. Eles são ungidos (abençoados) nos cultos com o objetivo de passarem ao fiel algum tipo de benefício. Os mais comuns são a água fluidificada (colocada sobre o rádio ou TV durante a oração do “homem de Deus”), a rosa ungida, ramos de arruda, sal grosso, óleo, água, vinho, pedrinhas trazidos da “terra santa” (Israel), fitinhas, pulseiras e lenços.

Embora os líderes dessas igrejas insistam que esses objetos abençoados funcionam apenas como apoio para a fé dos crentes, ao fim, acabam sendo usados como talismãs, fetiches e outros objetos “carregados” de poder espiritual. Os seus possuidores devem usá-los de acordo com algum tipo de ritual, após o culto. A água pode ser bebida em casa, após a oração de consagração. O “cajado de Moisés” deve ser usado para bater naquilo que o crente gostaria de ter (um carro novo, por exemplo). Lenços ungidos devem ser carregados junto ao corpo por determinado tempo, geralmente durante o tempo de uma corrente de oração.(1)

Muitas vezes objetos são “abençoados” nessas igrejas com o objetivo de espantarem e expelirem demônios. A idéia que está por detrás desse uso religioso de artigos e objetos é o de que as entidades espirituais (anjos e demônios) podem ser atingidas através dos sentidos como cheiros, cores, gosto e vozes. Nesse ponto os cristãos do primeiro século se afastaram significativamente das práticas exorcistas do Judaísmo da sua época, que foram desenvolvidos no período intertestamentário. Os métodos rabínicos de tratar com demônios incluía o uso de tochas de fogo à noite, amuletos, filactérios,(2) fórmulas mágicas, fumigações, entre outros. A idéia era que essas coisas teriam em si algum tipo de poder mágico contra os demônios.(3) No cristianismo primitivo, entretanto, a idéia de que demônios pudessem ser atingidos através de sons, cheiros ou coisas materiais e tangíveis, está ausente.

É importante dizer que não duvido da sinceridade e da boa-fé dos que empregam esses objetos. Entretanto, podemos estar sinceramente enganados no que diz respeito ao culto a Deus, como os judeus na época de Paulo (Rm 10.1-2). É minha convicção que o uso desses objetos como apoio para fé ou canal de bênçãos não faz parte do culto agradável a Deus que nos é ensinado nas Escrituras.

* Entendendo o uso de objetos na Bíblia

Salta aos olhos de quem conhece as práticas religiosas populares que o uso de objetos ungidos pelas igrejas de libertação é bastante semelhante ao benzimento de objetos no baixo espiritismo, artes mágicas e no ocultismo em geral. Entretanto, essas igrejas argumentam que a prática tem base na Bíblia. Provavelmente a passagem bíblica mais citada é Atos 19.12, onde se relata o uso dos aventais e lenços de Paulo para expulsar demônios em Éfeso. É preciso salientar, entretanto, que esse acontecimento é o único do gênero que temos registrado no Novo Testamento. Fez parte dos “milagres extraordinários” que o Senhor realizou em Éfeso pelas mãos de Paulo (At 19.11).

Devemos interpretar essa passagem da mesma forma como interpretamos os relatos do Antigo Testamento sobre o cajado de Moisés (Ex 8.5,16) e o manto de Elias (2 Re 2.8,14). Esses objetos foram veículos materiais do poder miraculoso desses homens. O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles foi mostrar o extraordinário poder de Deus nas vidas dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente da parte de Iavé. O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido.

Além dessas ocorrências no Antigo Testamento mencionadas acima, outros eventos são citados como justificativa para o uso de objetos como veículos do poder divino. Moisés fez uma serpente de bronze (Nm 21.9). Eliseu usou um prato novo com sal para miraculosamente sanar as águas de Jericó (2 Re 2.19-22), um pouco de farinha para purificar uma comida envenenada (2 Re 4.38-41), um pau para fazer flutuar um machado que caiu no rio (2 Re 6.1-7). Sob seu comando, as águas do Jordão serviram para curar a lepra de Naamã (2 Re 5.1-14). Seu bordão parece que era usado para realizar milagres (2 Re 4.29) e seus ossos ressuscitaram um morto (2 Re 13.20-21). O profeta Isaías usou uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Re 20.7).

Alguns eventos narrados no Novo Testamento são também citados como prova. As vestes de Jesus tinham poder curador. Não somente a mulher com um fluxo de sangue foi curada ao tocá-las (Lc 8.43-46), mas muitas outras pessoas doentes (Mt 14.36; Mc 6.56; cf. Lc 6.19). Em pelo menos duas ocasiões, Jesus usou saliva para curar cegos (Mc 8.22-26; Jo 9.6-7), e em outra, para curar um mudo (Mc 7.33). Aparentemente, a sombra de Pedro, após o Pentecostes em Jerusalém, acabava por curar a quem atingisse (At 5.15).

Devemos entender, entretanto, qual o objetivo dessas narrativas. Em todas elas, o conceito é sempre o mesmo. Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas. O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus em suas vidas, e assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, vinha de Deus. A prova eram os poderes miraculosos tão extraordinários que até mesmo vestes, bordões, ossos, saliva, sombra e lenços desses homens transmitiam o poder curador de Deus que neles havia. É dessa forma que devemos entender o relato de Atos 19 sobre o poder curador dos lenços e aventais de Paulo.

Evidentemente, essas passagens não servem como prova de que, hoje, as igrejas evangélicas podem abençoar objetos e usá-los para expelir demônios, proteger seus possuidores contra forças negativas e curar moléstias. Notemos as principais diferenças entre o uso destes objetos nos relatos bíblicos e o uso que é feito hoje pelas igrejas de libertação.

1. Foram usados como símbolos - Em vários casos, o papel de objetos na execução dos milagres bíblicos é melhor entendido como tendo sido simbólico. De alguma forma estavam relacionados à natureza do milagre: uma serpente de bronze para curar mordeduras de serpentes, um pedaço de pau para fazer um machado flutuar, sal e farinha para purificar águas e comida (os dois elementos eram usados nos sacrifícios), ossos para trazer vida e água do Jordão para “limpar” a lepra. Nas igrejas de libertação, muito embora se diga que os objetos funcionam simbolicamente como apoio para a fé, acabam sendo aceitos pelos fiéis menos avisados como possuindo em si mesmos alguma virtude ou poder.

2. A natureza dos milagres em que foram empregados - Os objetos fizeram parte de milagres que não vemos serem repetidos hoje. A melhor maneira de provar que o uso de objetos ungidos hoje opera a mesma liberação do poder divino como nos eventos relatados na Bíblia, seria abrir rios, ressuscitar mortos, curar leprosos, cegos e aleijados, sanear águas amargas e limpar comidas envenenadas usando objetos pessoais dos missionários e obreiros dessas igrejas. Entretanto, os “milagres” efetuados pelos objetos ungidos nas igreja de libertação nem de perto se assemelham aos prodígios extraordinários narrados nas Escrituras.

3. Seu uso limitou-se ao momento do milagre - Nenhum dos objetos empregados na Bíblia preservaram algum “poder” em si mesmos após o milagre ter ocorrido. A serpente de bronze, até onde sabemos, não foi mais usada para curar mordidas de serpentes após o incidente no deserto, muito embora os judeus supersticiosos passassem a adorá-la como a um deus. É natural supor que Eliseu, após usar o manto de Elias para abrir as águas, usou-o normalmente como peça do seu vestuário, sem que o mesmo exercesse qualquer poder mágico nas coisas em que tocava. O sal, a farinha e o pedaço de pau que ele usou para fazer milagres foram tirados da vida normal e retornaram a ela após seu uso. Não retiveram qualquer propriedade miraculosa em si mesmos. Semelhantemente, os lenços e aventais de Paulo tiveram um uso especial somente em Éfeso, e provavelmente somente durante um determinado período, ao longo dos três anos que o apóstolo passou ali. Em contraste, as igrejas da libertação ungem e abençoam objetos e atribuem a eles efeitos que permanecem muito tempo após a cerimônia. É algo bem diferente do uso ocasional feito pelos profetas e apóstolos.

4. Os objetos estavam ligados à pessoa dos homens de Deus - Alguns dos objetos usados eram coisas pessoais dos homens de Deus, como a capa de Elias, o bordão de Eliseu, as vestes de Jesus, os lenços e aventais de Paulo e, num certo sentido, a sombra de Pedro. Eles só foram empregados por isso. O alvo era mostrar o extraordinário poder de Deus sobre tais homens. Quando refletimos no fato de que somente coisas pessoais dos profetas, do Senhor Jesus e dos apóstolos foram usadas, perguntamo-nos se nossos objetos pessoais teriam o mesmo poder. A resposta humilde deve ser “não”. Os profetas, o Senhor e os apóstolos foram pessoas especiais e pertenceram a uma época especial e única dentro da história da revelação. A suspeita de que nossos objetos pessoais são impotentes para realizar milagres fica ainda mais fortalecida quando não descobrimos nas Escrituras qualquer exemplo de coisas dos crentes comuns sendo usadas com esse fim.(4)

5. Nenhum dos objetos empregados foi ungido ou abençoado - Essa é uma diferença fundamental. Nas igrejas de libertação, os objetos são ungidos, abençoados, fluidificados e consagrados através da oração e da imposição de mãos dos pastores e obreiros, depois do que, passam supostamente a ter poderes especiais. No entanto, em nenhum dos casos mencionados nas Escrituras, os objetos empregados nos milagres passaram, antes, por uma cerimônia de consagração. A Bíblia desconhece totalmente a “unção” de coisas com o fim de serem empregadas em atos miraculosos, para atrair as bênção de Deus, ou ainda, para expelir demônios e doenças. É verdade que no Antigo Testamento alguns objetos, utensílios e mobília do tabernáculo, e depois, do templo, foram ungidos com sangue e óleo. Mas o propósito não era investir essas coisas de poderes especiais, e sim separá-las do seu uso comum para o uso sagrado nos rituais de sacrifício. Eliseu não ungiu nem consagrou, pela oração, o sal, a farinha e o pedaço de árvore que usou para operar milagres. Nem Isaías ungiu a pasta de figo para curar a úlcera de Ezequias. Nem mesmo a serpente de bronze passou por uma consagração, antes de ser erigida diante do povo envenenado pelas serpentes. Os lenços e aventais de Paulo não passaram pela imposição de mãos do apóstolo antes de serem levados aos doentes e endemoninhados. O que dava “poder” àqueles objetos era o fato de que pertenciam, ou foram manipulados, por pessoas sobre quem o poder de Deus repousava de forma extraordinária.

A conclusão inescapável é que não existe qualquer fundamento bíblico para que, hoje, unjamos e abençoemos objetos com o propósito de transmitir, através deles, uma medida do poder de Deus. Mais uma vez repito: creio que Deus faz milagres hoje. Creio que ele poderia usar o que quisesse para fazer isso. Entretanto, creio também que Deus nos revela em Sua Palavra os seus caminhos e seus meios de agir, para que não sejamos iludidos pelo erro religioso. E se vamos usar as Escrituras como regra da nossa prática, bem como critério para discernirmos a verdade do erro, acabaremos por rejeitar a idéia de que, pela oração e unção, determinados objetos repassam uma bênção de Deus aos seus possuidores.

* Objetos que Trazem Maldição

Tratemos agora de outro ensino ainda relacionado com o uso de objetos no campo religioso. Segundo adeptos do movimento de “batalha espiritual”, objetos utilizados em qualquer forma de magia, ocultismo ou religião idólatra ficam impregnados de emanações malignas, como se demônios de fato residissem nos mesmos. Para usar a linguagem de alguns do movimento, esses objetos estariam “demonizados”. Esse conceito é similar ao praticado na magia. Objetos magicamente “carregados” são considerados como transmissores do poder da mágica que representam, e afetam aos que os tocam.

Portanto, caso um cristão venha a ter em sua casa, escritório ou local de trabalho, qualquer um desses objetos, estará dando ocasião para que os demônios (as verdadeiras entidades espirituais associadas com esses objetos) prejudiquem sua vida material e espiritual. A idéia é que objetos como ídolos, imagens, esculturas, quadros e fotos se tornam pontos de contato para os demônios, que sempre estão procurando materializar-se através de alguma coisa e assim atormentar os homens.(5) Admitir tais coisas dentro de casa, seria convidar os demônios a entrar e nos atormentar. Nas palavra de Jorge Linhares,

Não basta que abençoemos os nossos bens, nossos pertences. precisamos verificar se não temos permitido adentrar em nosso lar objetos que são por natureza amaldiçoados - objetos que temos de lançar fora e de preferência, queimar ou destruir.(6)

Uma outra coisa que segundo o pensamento da “batalha espiritual” permite a entrada de demônios na vida da pessoa é o ingerir comidas “trabalhadas” em centros de umbanda. Num capítulo entitulado “Como os demônios se apoderam das pessoas”, do livro Orixás, Caboclos & Guias, Edir Macedo inclui comidas sacrificadas a ídolos como um desses meios. Ele conta o caso de um homem que ingeriu uma comida “trabalhada” e foi atacado por um espírito maligno que o fazia sofrer do estômago. Ele conclui dizendo, “Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas ‘baianas’ estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago.”(7)

Mark Bubeck, que ficou conhecido no Brasil por seu livro O Adversário, escreveu recentemente um outro livro sobre como podemos criar nossos filhos em meio aos constantes ataques que os demônios fazem ao nosso lar. Ao fim do livro, Bubeck adicionou um apêndice, contendo questionários cujas perguntas procuram levar os leitores a descobrir as portas pelas quais têm permitido aos demônios entrarem no lar e atacar os filhos. Uma das portas é a presença em casa de objetos amaldiçoados, como amuletos, fetiches e talismãs, livros sobre ocultismo, bruxaria, astrologia, mágica, adivinhação, e utensílios ou objetos usados em templos pagãos, rituais de feitiçaria, ou ainda na prática da adivinhação, mágica ou espiritismo. A sugestão de Bubeck é que a presença dessas coisas no lar permite aos demônios que penetrem na casa e atormentem os filhos.(8)

* Uso de objetos no paganismo

A lista de Bubeck é bem modesta. Os objetos considerados “amaldiçoados” por muitos cristãos são via de regra aqueles usados nas religiões afro-brasileiras, nas práticas ocultas e no catolicismo popular. Nas religiões populares que empregam artes mágicas e práticas ocultas, objetos religiosos desempenham importante papel no culto e na fé dos participantes. São usados, por exemplo, em despachos e trabalhos feitos pelos pais-de-santos da umbanda. Objetos como o sal grosso, a rosa ungida, a água fluidificada, fitas e pulseiras especiais (como a do chamado “Senhor” do Bonfim) e ramos de arruda são bastante populares. Ainda podemos incluir talismãs e amuletos do tipo “pé-de-coelho”. Para não mencionar ainda os fetiches usados na magia e no candomblé, as relíquias e imagens do catolicismo popular.(9) Na feitiçaria, velas coloridas são usadas para evocar vibrações energéticas das cores e promover transformações pessoais. Amuletos são empregados na proteção contra maus espíritos. Ainda são usados óleos especiais, incensos, cremes, pó, cristais, pirâmides, pêndulos, pulseiras, brincos e pendentes, colares contendo saquinhos com fórmulas mágicas e encantamentos, e muito mais.(10) As gárgulas (imagens de animais grotescos) são freqüentemente associadas com demônios.(11) Esses objetos são ungidos, benzidos, abençoados, purificados, fluidificados com o objetivo de passar ao seu possuidor alguma espécie de poder ou proteção. Ou ainda, são usados em rituais de magia associados com encantamentos, feitiços, despachos e trabalhos espirituais em geral. Em alguns casos, esses objetos são associados com os nomes das entidades espirituais aos quais são dedicados.(12)

* Maldições trazidas por objetos consagrados a demônios

Como dissemos acima, para os aderentes do movimento de batalha espiritual a ingestão, a posse e mesmo o contato com coisas que foram oferecidas e consagradas aos demônios trazem maldição aos crentes. Um caso sempre mencionado é o do missionário que, ao regressar ao seu país de origem, trouxe da tribo africana onde trabalhava um pequeno fetiche (objeto usado nos rituais religiosos) como recordação. O missionário, evidentemente, não tinha qualquer atitude religiosa para com o objeto, como os africanos; trouxe-o apenas como lembrança, um souvenir. O fetiche foi colocado na estante da sala, em sua casa. Não muito tempo depois, sua filha ficou doente. Sua situação financeira foi de mal a pior. Havia uma “opressão espiritual” no ar, dentro da casa. Nada mais dava certo. Vozes e ruídos eram por vezes ouvidos à noite. Um dia, uma profetiza de uma igreja carismática veio visitar a família. Dirigiu-se imediatamente à estante onde estava o fetiche. Sem hesitar, declarou que a casa estava amaldiçoada por causa do objeto. Era preciso quebrar a maldição. Os passos necessários seriam: confissão do pecado de trazer para casa um objeto amaldiçoado, a quebra do mesmo e a total renúncia dos laços com os espíritos malignos. Esses laços haviam sido estabelecidos, mesmo inconscientemente, no momento que o missionário trouxe o objeto para dentro de casa. Os demônios adquiriram a autoridade de invadir a casa e oprimir seus moradores.

Timothy Warner conta a história de uma estudante crente, por natureza uma pessoa bem ativa e enérgica, que começou a ficar mais e mais deprimida, tendo dificuldade em dormir e estudar, durante seus estudos de francês, em preparação para o trabalho missionário na África. Um missionário descobriu, após examinar o dormitório onde ela morava, que o ocupante anterior havia escondido no mesmo diversos objetos ocultistas. Warner então explica: “alguns dos demônios associados com os objetos haviam se apegado ao quarto e à mobília”. O missionário orou determinando aos demônios que fossem embora, e a moça pode voltar a dormir normalmente.(13)

O pressuposto por detrás desse tipo de relato é que esses objetos abrem a porta para os demônios, visto que foram consagrados a eles nos rituais de magia e ocultismo, e mesmo no catolicismo. O fato de que uma pessoa é crente não evitará que seja oprimida pelos espíritos associados a objetos deste tipo.

Existem algumas dificuldades com esse conceito. No que se segue, vamos explicar algumas delas.

1) O conceito da habitação de demônios em objetos físicos. Warner conta a história de uma família de missionários nas Filipinas cujo filho era assediado por um demônio que morava numa árvore do jardim da casa onde moravam.(14) O conceito de entidades espirituais morando em árvores remonta à mitologia grega e ao paganismo em geral. As Escrituras desconhecem esse conceito e falam dos demônios como atuando especificamente em seres vivos, humanos ou animais. Entretanto, é comum lermos na literatura do movimento de “batalha espiritual” que espíritos malignos podem habitar em coisas como árvores, imagens, objetos, casas, etc.

Às vezes Apocalipse 18.2 é citado como prova de que demônios podem morar em lugares amaldiçoados:

Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável.

Aqui temos o anúncio da queda de Babilônia feito por um anjo de Deus. Notemos, porém, o seguinte, antes de concluirmos que o texto prova que demônios moram em ruínas! (1) A passagem é evidentemente alegórica. Nos dias de João, Babilônia já não mais existia. (2) João está citando Jeremias 50.39 e Isaías 13.21. Esses dois profetas referem-se à queda e destruição da cidade de Babilônia que existiu em seus dias. A desolação que lhe haveria de sobrevir, como resultado do castigo divino, ia ser tão grande, que a grande cidade, outrora populosa e opulenta, iria se tornar em um grande montão de ruínas. Com o propósito de enfatizar a desolação, os profetas descrevem as ruínas como sendo habitadas por feras e animais do deserto: chacais, avestruzes, corujas e hienas. A Septuaginta, ao traduzir o texto hebraico de Isaías 13.21, traduziu “bodes” por “demônios”.(15) O apóstolo João, ao citar essas passagens e aplicá-las figuradamente à Babilônia espiritual, o reino das trevas que será destruído por Cristo, acrescenta, além dos animais mencionados pelos profetas, os demônios e espíritos imundos, seguindo a tradução da Septuaginta (Ap 18.2). (3) Evidentemente, a passagem não está dizendo que essas entidades habitam em ruínas de cidades. Seu sentido óbvio é que Deus entrega a humanidade ímpia e endurecida que o rejeita à desolação espiritual e aos demônios. (4) Lembremos ainda que o Senhor Jesus ensinou que os espíritos imundos não encontram repouso em lugares áridos (Mt 12.43-45). A conclusão é que não existe argumentos bíblicos suficientes para provar que espíritos imundos moram e habitam em coisas como objetos, casas, árvores, etc.

2) O estabelecimento de um pacto com esses demônios pela posse de objetos a eles consagrados. Nenhum adepto do movimento de “batalha espiritual” estaria disposto a admitir que um incrédulo entra em algum tipo de pacto ou concerto com Deus simplesmente por ter uma Bíblia em casa, ou mesmo por ter participado inadvertidamente da Ceia do Senhor numa igreja evangélica. Entretanto, está pronto a afirmar que cristãos verdadeiros podem ser atacados, amaldiçoados e demonizados se tiverem em casa livros sobre ocultismo ou objetos ocultistas, para com os quais não tenha nenhuma atitude religiosa. É óbvio que a simples posse desses objetos não nos expõe a ataques satânicos da mesma forma que a posse de uma Bíblia não expõe um incrédulo às investidas do Espírito Santo, a não ser que abra suas páginas e comece a ler, com seu coração aberto e desejoso de aprender as coisas de Deus.

3) Uma outra dificuldade é o conceito de que crentes, que nem estão conscientes de que esses objetos foram usados em rituais ocultistas, possam ser oprimidos pelos demônios associados com esses objetos. Não é suficiente escutarmos os relatos e as experiências, como a do missionário acima. Como já insistimos em quase cada capítulo desse livro, por mais sérias e válidas que sejam, experiências não podem servir como autoridade final nessa questões. É preciso examinar as Escrituras, seguindo as regras simples de interpretação, que procuram deixar o texto sagrado falar livremente. E o que encontramos nelas pode ser resumido nas palavras de Balaão, falando pelo Espírito de Deus: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Nm 23.23).

* Coisas amaldiçoadas na Bíblia

É preciso reconhecer que, para alguns defensores da “batalha espiritual”, existe suficiente apoio na Bíblia para defender o conceito de maldição através de objetos. Examinemos os dois principais argumentos.

1) Passagens que condenam o uso de amuletos. É defendido que os pendentes de ouro que as mulheres israelitas traziam nas orelhas, ao sair do Egito, e com os quais se fez o bezerro de ouro, eram amuletos (Ex 32.2-4), bem como as arrecadas (brincos) que Jacó arrancou das orelhas da sua família, junto com os ídolos (Gn 35.1-4).(16) O uso de cordões ou cadeias com pendentes é chamado pelo profeta Oséias de “adultério entre os peitos” (Os 2.2). A atitude das Escrituras em relação a esses objetos é de condenação e rejeição. O profeta Isaías, ao condenar a vaidade do vestuário das mulheres israelitas, faz referência às luetas que elas traziam em seu pescoço (Is 3.18). Eram cordões ou cadeias de ouro com o símbolo da lua crescente, usados para proteger contra maus espíritos. Esse era um costume pagão. Eles usavam amuletos assim até mesmo no pescoço de camelos (Jz 8.21,26).

É preciso notar, entretanto, que condena-se não tanto o uso em si desses objetos, mas a atitude religiosa que os israelitas tinham para com eles. Eles o usavam conscientemente como amuletos protetores, como fetiches mágicos, como se fossem encantamentos contra maus espíritos. Foi contra essa prática de magia e ocultismo que os profetas falaram. Evidentemente, ter objetos desse tipo em casa pode não ser conveniente ao cristãos por vários motivos (veja a conclusão desse capítulo). Entretanto, se eles não têm qualquer sentido, significado ou relação religiosos, o cristão não se enquadra na condenação emitida pelos profetas.

2) Passagens que condenam imagens. Existem inúmeras passagens nas Escrituras que condenam a idolatria, isso é, o ato de prestar culto à imagens bem como às realidades espirituais que elas representam. Um fator que contribui significativamente para essa condenação é a relação entre a idolatria e os demônios. Nos tempos antigos, mágica, adivinhação, feitiçaria, bruxaria e necromancia (invocação de mortos) estavam tão intimamente ligados à idolatria, que era quase impossível separar uma coisa da outra. Moisés identifica os deuses pagãos com demônios (Dt 32.17; cf. Sl 106:36-37). O mesmo faz Paulo (1 Co 10.19-20) e o apóstolo João (Ap 9.20). Acredito que o mesmo é verdade ainda hoje. Por detrás da moderna idolatria estão os antigos demônios.

Entretanto, mais uma vez é preciso observar que as Escrituras condenam propriamente o confeccionar e possuir imagens de entidades pagãs com propósito religioso:

Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Ex 20.3-6).

Os puritanos entenderam esse mandamento como determinando que nos livrássemos, se possível, de todos os monumentos à idolatria, e proibindo o culto a imagens representativas de Deus ou de falsos deuses e o possuir supersticiosamente artigos ou objetos.(17) A preocupação sempre é contra a idolatria em si. O mandamento contra a idolatria não dever ser entendido como proibindo esculturas, representações, quadros e outros objetos artísticos em geral. O fato de que o culto a Deus deve ser em Espírito (Jo 4.24) não quer dizer, nem mesmo, que Deus proíba a confecção de objetos representativos de realidades espirituais. Ele próprio determinou que os israelitas fizessem imagens de ouro de querubins, que deveriam ser colocadas sobre a tampa da arca, o propiciatório (Ex 25.18-20). Noutra ocasião, mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze (Nm 21.8-9). Ela foi mais tarde destruída somente por que os israelitas passaram a adorá-la, provavelmente como uma relíquia provinda dos tempos de Moisés (2 Re 18.4). O motivo pelo qual o Senhor determinou que os israelitas destruíssem totalmente as imagens dos deuses cananitas, ao se apossarem da terra, foram evitar que os israelitas fossem atraídos à idolatria (Dt 7.1-5) e evitar a cobiça para com o ouro e a prata que revestiam essas imagens. Por esses motivos, não deveriam meter esses ídolos dentro de suas casas, pois eram amaldiçoados por Deus e representariam uma tentação para praticarem a idolatria (Dt 7.25-26). Mais uma vez percebemos que é o perigo da idolatria que o Senhor queria prevenir. As imagens em si mesmo nada eram.

Preciso reiterar minha convicção de que os cristãos deveriam evitar possuir qualquer objeto relacionado com a idolatria e práticas ocultas. Entretanto, acredito que isso deve ser feito pelas razões corretas e não por mera superstição e crendice.

Atos 19 e a quebra de maldições de objetos: Talvez a passagem mais citada para justificar a quebra de maldições desses objetos seja Atos 19.18-19:

Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários.

As “artes mágicas” no mundo antigo incluíam a adivinhação, o exorcismo, o uso de fórmulas secretas, a conjuração e a invocação dos mortos, pactos com entidades espirituais, encantamentos e rituais com o objetivo de ganhar o favor dos espíritos. Essas coisas eram usadas tanto para atingir e ferir inimigos quanto para curar doentes. Elas são bastante populares ainda hoje.

Havia muitos magos e bruxos no mundo do século I, na época de Jesus e dos apóstolos. Um exemplo é Simão Mago, que iludia o povo de Samaria com artes mágicas (At 9.9). A cidade de Éfeso, por sua vez, era um conhecido centro dessas artes. Ali, no início do reinado de Nero, um homem chamado Apolônio Tianeo abriu uma escola e ensinava artes mágicas e coisas do gênero. Taciano, em sua obra Contra Graecos, menciona que a deusa Diana dos efésios era considerada como sendo praticante de magia.

Lemos em Atos 19 que os ex-adeptos da magia em Éfeso que haviam se convertido ao cristianismo pela pregação de Paulo, queimaram seus livros publicamente. Esses “livros” eram obras onde se ensinava a prática dessas artes. Continham encantamentos, símbolos secretos e mágicos, passos para a invocação de mortos e métodos para esconjurar demônios. Provavelmente continham tabelas e fórmulas essenciais para a prática da astrologia. Os “Papiros Mágicos”, encontrados no Egito na década de 50 desse século, continham pedaços de pergaminhos com símbolos e fórmulas mágicas chamados “cartas de Éfeso”, que eram usados como amuletos ou talismãs.(18)

É alegado por alguns da “batalha espiritual” que a queima dos livros de magia em Éfeso foi necessária pois a posse de tais livros continuaria a dar validade aos pactos feitos pelos efésios com entidades malignas e a dar autoridade a essas entidades sobre suas vidas, mesmo que eles agora se tornaram cristãos. Queimar os livros fazia parte da quebra das maldições que pesavam sobre eles por terem praticado artes mágicas antes da sua conversão. Na cerimônia da queima dos livros, eles renunciaram publicamente a todos esses compromissos e pactos que fizeram com os espíritos malignos.

Evidentemente, a queima dos livros de magia representou o rompimento oficial e público dos efésios crentes com seu passado de ocultismo. Entretanto, nada há no texto que apoie a idéia de que o evento foi uma espécie de cerimônia de quebra de maldições. A queima dos livros foi o resultado da consciência que os efésios agora tinham de que tais artes mágicas era iniquidade diante de Deus, e que os livros que ensinavam essa coisas eram perniciosos à humanidade e que, por mais caros que fossem (cerca de cinqüenta mil moedas de prata), deveriam ser destruídos para não causar mais danos a outros. O verso 19 que narra a queima dos livros deve ser entendido à luz do verso 18, onde se diz que os efésios vieram confessar seus pecados e revelar as suas obras más. A queima dos livros foi uma amostra de seu genuíno arrependimento.

Comentando nessa passagem, John Gill, um estudioso puritano, diz o seguinte:

Eles queimaram seus antigos livros de mágica para mostrar o quanto agora os detestavam. Também, para mostrar a genuinidade de seu arrependimento pelos pecados cometidos nessa área, para evitar que esses livros não se tornassem uma armadilha para eles no futuro e para que não fossem usados por outros.(19)

Os livros, portanto, não foram queimados porque possuíam qualquer poder maléfico intrínseco em si mesmos. Os motivos mencionados por Gill para a queima estão em harmonia com o ensino das Escrituras em geral, com o bom senso e com o que tem sido a prática normal da Igreja na história, além de ser a interpretação mais natural e óbvia da passagem.(20)

Existe ainda um outro motivo para a queima dos livros. Uma parte essencial da prática de artes mágicas daquela época era o exorcismo, a expulsão de espíritos malignos. Acreditava-se (como também se acredita hoje em alguns círculos protestantes) que todas as doenças - particularmente as mentais - eram causadas por espíritos maus que entravam nos homens. Grande parte do trabalho dos exorcistas era tentar curar essas doenças pela expulsão dos espíritos maus que as infligiam. Nos seus livros mágicos haviam fórmulas especiais para esconjurar esses espíritos.

Quando Paulo chegou em Éfeso, duas coisas aconteceram que vieram contribuir para a queima dos livros: (1) Ele curou as enfermidades e expulsou demônios usando apenas o nome de Jesus (At 19.11-12), em contraste com os rituais elaborados e complicados dos exorcistas da época, como se encontravam nos livros; (2) quando alguns exorcistas tentaram usar o nome de Jesus e de Paulo para expelir um demônio de um homem, fracassaram redondamente. O próprio demônio atestou a autoridade que havia no nome de Jesus (At 19.13-16).(21) É possível que alguns dos efésios que haviam se convertido ainda mantinham algum tipo de contato com artes mágicas. O episódio dos exorcistas acabou por convencê-los. Ficou evidente a todos que a mágica ensinada nos livros não passava de fórmulas vazias e inúteis. Como escreve Marshall,

A demonstração da futilidade das tentativas pagãs de dominarem os espíritos maus levou muitos dos convertidos efésios de Paulo a reconhecerem que a magia pagã, com a qual ainda tinham contatos, era tão inútil quanto pecaminosa. Como conseqüência, trouxeram os vários manuais de magia e as compilações de invocações e fórmulas que ainda tinham, e fizeram com eles um rompimento final.(22)

O verdadeiro poder contra Satanás estava apenas no nome de Jesus. A queima dos livros, portanto, foi um testemunho do poder inigualável de Jesus Cristo sobre as obras das trevas. Somente ele era o Senhor. Quanto a isso, os efésios cristãos não tinham mais qualquer dúvida.

* O ensino de Paulo sobre coisas sacrificadas a demônios
Examinemos, agora, 1 Coríntios 8-10, a passagem da Bíblia que aborda de forma mais direta e clara a questão que estamos discutindo. Nesses capítulos, o apóstolo Paulo trata da atitude dos cristãos para com a carne de animais sacrificados como oferendas aos deuses pagãos. A questão que Paulo tratou nessa passagem era bem complexa. Os cristãos em Corinto (bem como nas demais cidades do mundo greco-romano) sempre corriam o risco de comer esse tipo de carne. O sacrifício de animais e o consumo da sua carne fazia parte do ritual religioso nos templos pagãos da época. Corinto não era exceção.

Modernamente, podemos nos referir ao caso das comidas “trabalhadas” nos terreiros de umbanda. De acordo com as crenças do candomblé, umbanda e quimbanda, os orixás exigem comidas variadas, que devem ser preparadas de acordo com rituais apropriados. Por exemplo, Exú gosta de cebola e mel entregues no mato com velas acesas e aguardente. Ogum gosta de feijoada, xinxim, acarajé e milho branco. Oxóssi, de peixe de escamas, arroz, feijão e dendê.(23) Essas comidas são feitas de acordo com as indicações dos demônios e a eles oferecidas. Para muitos cristãos, é uma questão aguda se algum mal vai lhes ocorrer se acabarem por ingerir uma comida que foi “trabalhada”. Os coríntios estavam perturbados por um problema similar. Eles escreveram uma carta a Paulo com várias perguntas, entre elas, se era lícito comer carne de animais que haviam sido consagrados aos deuses pagãos.(24) Os coríntios tinham em mente três situações:

1. Era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Na antigüidade, o sacrifício de animais aos deuses fazia parte da vida pessoal, familiar e social. O sacrifício ocorria nos templos e a carne do animal sacrificado era dividida em três partes. Uma parte, geralmente simbólica (podendo ser até uma mecha dos pelos!), era queimada no altar em homenagem aos deuses. A segunda parte, incluindo costelas e músculos, ia para o sacerdote. A terceira parte ficava com o ofertante, e com ela, oferecia um banquete, geralmente em casamentos. Muitas vezes, essas festas ocorriam no templo, no qual o sacrifício fora feito.(25) Os crentes de Corinto certamente mantinham relacionamentos com amigos não-crentes, e sempre havia a possibilidade de serem convidados a participar de uma destas festas no templo, onde havia muita carne e bebida. Alguns daqueles cristãos não tinham quaisquer escrúpulos de consciência em participar e comer carne dos ídolos no templo dos ídolos, uma atitude que estava provocando os de consciência mais fraca.

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? A carne ali comprada poderia ser de animais sacrificados aos deuses, cujo excedente dos altares havia sido repassado pelos sacerdotes aos açougueiros da cidade. Devido à enorme quantidade de animais sacrificados, uma parte deles acabava no mercado público, onde eram vendidos como carne boa e barata.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Como na situação anterior, um crente poderia ser convidado por um amigo pagão para comer um churrasco em sua casa. A carne provavelmente seria de um animal que o amigo havia primeiro consagrado ao seu deus, lá no templo. Um papiro grego muito antigo contém um convite para uma dessas festas, nos seguintes termos: “Antônio, filho de Ptolomeu, convida-o para cear com ele à mesa de nosso senhor Serápis.”(26) Quem quer que tenha sido o convidado, ele sabia que ao sentar-se à mesa de Antônio, estaria comendo carne de um animal que havia sido sacrificado ao deus Serápis.

A questão aguda era se um crente poderia comer carne em Corinto, correndo assim o risco de contaminar-se. William Barclay, um autor bastante conhecido e citado, sugere que o problema era a crença, muito difundida na antigüidade, de que os demônios estavam sempre procurando uma brecha para entrar nos homens, para destruir seus corpos e mentes. Uma das maneiras pela qual faziam isso era através da comida. Tais espíritos se alojavam na comida e quando a pessoa a engolia, os demônios entravam nela. Por esse motivo, diz Barclay, as pessoas consagravam os alimentos - especialmente a carne - a algum deus bom. Acreditava-se que a presença de um deus bom na carne formava uma barreira contra os maus espíritos.(27)

O assunto dos sacrifícios de animais aos deuses é bem complexo, e não poucos estudiosos discordariam de Barclay. Essa não parece ser a razão primordial pela qual os pagãos consagravam comida aos seus deuses. Sacrifícios eram praticados nas religiões de quase todas culturas antigas, e no geral, visavam honrar uma divindade, apaziguá-la ou santificar a oferta. Em algumas destas culturas, os sacrifícios estavam relacionados com o culto aos ancestrais, alimentar os deuses e mesmo “comer os deuses”.(28) Paulo, ao discutir o assunto, em momento algum sugere que haveria o risco de demônios penetrarem mesmo naqueles que comessem a carne consagrada aos demônios nos próprios templos dos deuses pagãos. A questão que incomodava os coríntios não era se estariam comendo demônios, mas se não estariam participando direta ou indiretamente do culto ao ídolo. Note ainda que quem introduz o conceito de que os demônios estão por detrás da idolatria é Paulo. Provavelmente os coríntios nem estavam pensando nesses termos. A explicação de Barclay, portanto, é menos do que convincente.(29)

Os crentes de Corinto estavam divididos quanto ao assunto. Um grupo deles estava passando por grande aflição. Eram ex-freqüentadores dos templos, recém convertidos ao Evangelho. Por vezes, acabavam caindo no velho costume de comer carne, encorajados pelo exemplo dos que achavam que não havia nada de errado com isso. Como resultado, suas consciências os acusavam: eles haviam acabado de consumir carne espiritualmente contaminada, consagrada aos demônios em um templo pagão. Paulo, no tratamento que faz do assunto, considera-os como “fracos”, pois suas consciências eram “fracas” (1 Co 8.7,9-12). O grupo contrário, a quem Paulo chama de “dotados de saber” (1 Co 8.10), tinha já plena consciência de que os ídolos dos templos pagãos nada eram nesse mundo, e que os animais a eles ofertados, na verdade, continuavam a ser de Deus, o criador e Senhor de todas as coisas. Assim, sentiam-se livres para comer carne, até mesmo nos festivais pagãos nos templos. Os “fracos”, estimulados por esse exemplo, tentavam usar da mesma liberdade, mas com resultados desastrosos - suas consciências não eram fortes o suficiente para permitir que comessem carne livremente.

O problema parece que girava em torno de duas questões. Primeira, a relação entre os animais e os deuses, diante de cujas imagens os animais eram consagrados, oferecidos e sacrificados. A carne desses animais continuava a “pertencer” aos deuses após o ritual no templo, quando estava pendurada no açougue público para ser vendida? Quem comesse dessa carne estaria, mesmo de forma inconsciente, fazendo um pacto com os deuses? Segunda, comer essa carne não implicaria numa espécie de participação à distância dos crentes na adoração pagã e no culto aos deuses? Não deveríamos evitar a todo custo aquilo que tem relação com os cultos idólatras?

As respostas de Paulo são surpreendentes. O apóstolo concorda com os “fortes” quanto ao conhecimento de que Deus é o Senhor de tudo e que não há outros deuses ou senhores (1 Co 8.4-6). Mas condena a falta de amor dos “fortes” para com os “fracos” (1 Co 8.9-13). Deveriam limitar sua liberdade pela consideração à consciência dos outros. Após dar o exemplo de como abriu mão dos seus direitos como apóstolo de receber sustento por amor do Evangelho (1 Coríntios 9), e após alertar os “fortes” contra a arrogância, usando o exemplo de Israel no deserto (1 Co 10.1-15), Paulo responde às três principais indagações dos Coríntios já mencionadas acima.

O fato de que Paulo não invoca aqui a decisão do concílio de Jerusalém (Atos 15) para resolver o assunto de vez tem intrigado os estudiosos. Conforme lemos no livro de Atos, o concílio havia se reunido para tratar das condições sob as quais os não-judeus poderiam ser salvos e recebidos na Igreja. A polêmica havia sido causada por alguns judeus cristãos da Judéia que foram até as igrejas gentílicas forçar os gentios a se circuncidarem, e a guardar as leis de Moisés (naquela época, as mais importantes eram as leis dietárias e o calendário religioso). Paulo e Barnabé resistiram e houve uma grande discussão. O assunto foi levado aos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Alguns fariseus que haviam crido em Cristo insistiam na circuncisão e nas leis de Moisés para os gentios, mas Paulo, Pedro e Tiago, através de seus testemunhos e do apelo às Escrituras, convenceram o concílio de que os gentios eram salvos pela fé sem as obras da lei (como também os judeus o eram), e que não precisavam se tornar judeus para poder pertencer à Igreja de Cristo. O concílio, entretanto, em sua decisão, resolveu incluir algumas condições éticas, entre elas, a de os gentios se absterem das coisas sacrificadas aos ídolos (At 15.29).

O concílio havia acontecido uns poucos antes de Paulo escrever 1 Coríntios. O apóstolo estava perfeitamente consciente do conteúdo da sua decisão. A pergunta é, por que não invocou aquela decisão para acabar de vez com o problema em Corinto? Algumas respostas tem sido dadas. Peter Wagner, por exemplo, sugere que Paulo não havia ficado satisfeito com essa decisão, considerando-a inadequada e superficial. Para Wagner, a decisão do concílio havia sido equivocada por tratar o comer carne sacrificada aos ídolos como algo imoral, quando na verdade era algo neutro.(30) Entretanto, a melhor solução tem sido observar que as condições éticas requeridas pelo concílio eram para ser observadas num ambiente onde houvesse judeus e gentios. Eram regras a ser seguidas pelos gentios cristãos numa igreja onde houvesse judeus cristãos. Elas não eram uma lei moral geral e válida em todas as circunstâncias, mas uma orientação para quando a abstinência se fizesse necessária para preservar a unidade, conforme sugere Calvino em seu comentário em Atos 15.

A situação de Corinto era diferente. O problema lá não era o mesmo tratado no concílio de Jerusalém. O problema não era os escrúpulos de judeus cristãos ofendidos pela atitude liberal de crentes gentios quanto à comida oferecida aos ídolos. Portanto, a solução de Jerusalém não servia para Corinto. É provavelmente por esse motivo que o apóstolo não invoca o decreto de Jerusalém.(31) Antes, procura responder às questões que preocupavam os coríntios de acordo com o princípio fundamental de que só há um Deus vivo e verdadeiro, o qual fez todas as coisas; que o ídolo nada é nesse mundo; e que fora do ambiente do culto pagão, somos livres para comer até mesmo coisas que ali foram sacrificadas.

1. A primeira pergunta dos coríntios havia sido: era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e ali comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Não, responde Paulo. Isso significaria participar diretamente no culto aos demônios onde o animal foi sacrificado (1 Co 10.16-24). Paulo havia dito que os deuses dos pagãos eram imaginários (1 Co 10.19). Por outro lado, ele afirma que aquilo que é sacrificado nos altares pagãos é oferecido, na verdade, aos demônios e não a Deus (10.20). Paulo não está dizendo que os gentios conscientemente ofereciam seus sacrifícios aos demônios. Obviamente, eles pensavam que estavam servindo aos deuses, e nunca a espíritos malignos e impuros. Entretanto, ao fim das contas, seu culto era culto aos demônios. (32) Paulo está aqui refletindo o ensino bíblico do Antigo Testamento quanto ao culto dos gentios:

Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus… (Dt 32.17).
…pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios (Sl 106.37).

O princípio fundamental é que o homem não regenerado, ao quebrar as leis de Deus, mesmo não tendo a intenção de servir a Satanás, acaba obedecendo ao adversário de Deus e fazendo sua vontade. Satanás é o príncipe desse mundo. Portanto, cada pecado é um tributo em sua honra. Ao recusar-se a adorar ao único Deus verdadeiro (cf. Rm 1.18-25), o homem acaba por curvar-se diante de Satanás e de seus anjos.(33) Para Paulo, participar nos festivais pagãos acabava por ser um culto aos demônios. Por esse motivo, responde que um cristão não deveria comer carne no templo do ídolo. Isso eqüivaleria a participar da mesa dos demônios, o que provocaria ciúmes e zelo da parte de Deus (1 Co 10.21-22). Paulo deseja deixar claro para os coríntios “fortes”, que não tinham qualquer intenção de manter comunhão com os demônios, que era a atitude deles em participar nos festivais do templo que contava ao final. Era a força do ato em si que acabaria por estabelecer comunhão com os demônios.(34)

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? Sim, responde Paulo. Compre e coma, sem nada perguntar (1 Co 10.25). A carne já não está no ambiente de culto pagão. Não mantém nenhuma relação especial com os demônios, depois que saiu de lá. Está “limpa” e pode ser consumida.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Sim e não, responde Paulo. Sim, caso não haja, entre os convidados, algum crente “fraco” que alerte sobre a procedência da carne (1 Co 10.27). Não, quando isso ocorrer (1 Co 10.28-30).

O ponto que desejo destacar é que para o apóstolo Paulo a carne que havia sido sacrificada aos demônios no templo pagão perdia a “contaminação espiritual” depois que saia do ambiente de culto. Era carne, como qualquer outra. É verdade que ele condenou a atitude dos “fortes” que estavam comendo, no próprio templo, a carne sacrificada aos demônios. Mas isso foi porque comer a carne ali era parte do culto prestado aos demônios, assim como comer o pão e beber o vinho na Ceia é parte de nosso culto a Deus. Uma vez encerrado o culto, o pão é pão e o vinho é vinho. Aliás, continuaram a ser pão e vinho, antes, durante e depois. A mesma coisa ocorre com as carnes de animais oferecidas aos ídolos. E o que é verdade acerca da carne, é também verdade acerca de fetiches, roupas, amuletos, estátuas e objetos consagrados aos deuses pagãos. Como disse Calvino,

Alguma dúvida pode surgir se as criaturas de Deus se tornam impuras ao serem usadas pelos incrédulos em sacrifícios. Paulo nega tal conceito, porque o senhorio e possessão de toda terra permanecem nas mãos de Deus. Mas, pelo seu poder, o Senhor sustenta as coisas que tem em suas mãos, e, por causa disto, ele as santifica. Por isso, tudo que os filhos de Deus usam é limpo, visto que o tomam das mãos de Deus, e de nenhuma outra fonte.(35)

CONCLUSÃO

Ao fim desse capítulo, espero ter dado evidências claras de que não há como justificar hoje a prática no culto cristão de ungir e abençoar objetos, quaisquer que forem os propósitos. Também, que não há como provar biblicamente que objetos usados e consagrados aos demônios nos cultos idólatras e ocultistas têm algum poder especial de “amaldiçoar” os crentes verdadeiros que os tocam, ingerem, usam ou acabam por possui-los fora do contexto de adoração e devoção a essas entidades.

Devemos sempre nos lembrar da diferença fundamental entre o conceito pagão e o conceito cristão quanto ao emprego de “coisas” com sentido religioso. As religiões empregam objetos e utensílios em seus cultos ou práticas como símbolos de realidades espirituais ou portadores de poderes mágicos. O culto cristão, em contraste, é bem mais simples. Ele emprega apenas dois símbolos materiais, a água do batismo e os elementos da Ceia (pão e vinho). A atitude do paganismo para com esses objetos é também diferente da atitude dos evangélicos para com seus símbolos (batismo e Ceia). Enquanto que para os evangélicos a água, o pão e o vinho são símbolos que têm seu valor e sua função apenas no momento da ministração dos sacramentos, na prática da magia, no ocultismo, nas religiões afro-brasileiras e no catolicismo popular, os objetos cúlticos continuam a manter uma relação vital para com as entidades e realidades espirituais aos quais estão associados, mesmo após a sua consagração durante os rituais. Por exemplo, uma rosa que foi ungida continua a emanar forças positivas mesmo após o ritual de consagração. Um amuleto que foi “carregado” de fluidos positivos continuará a emaná-los ad infinitum. Uma comida que foi “trabalhada” por uma mãe de santo num terreiro de umbanda vai afetar quem a comer, fora do terreiro. Para os evangélicos, em contraste, uma vez encerrada a Ceia, o pão é pão comum e o vinho, vinho comum. Na verdade, eles permaneceram sendo vinho e pão comuns durante a celebração da Ceia. Aquele uso especial para o qual foram separados, cessa após a celebração. Nenhum pastor pode, fora do momento da celebração (suponhamos, durante o jantar em casa de amigos), tomar pão e declarar: “Disse Jesus, isso é o meu corpo, comei deles todos”. Água, pão e vinho perdem sua simbologia fora do culto. Para o paganismo, entretanto, a profunda relação entre objetos cúlticos e as realidades e entidades espirituais associadas a eles é permanente.

Portanto, os evangélicos que conhecem a sua Bíblia não são superticiosos quanto a objetos oriundos de outras religiões. Entretanto, acredito que devemos ter bastante cautela quanto a objetos assim. Eu mesmo não guardo em casa ou no ambiente de trabalho nenhuma dessas coisas. Não que tenha receio que elas poderão dar aos demônios, a quem foram oferecidas, algum tipo de poder sobre mim e minha família. Estou seguro e protegido no poder do meu Salvador Jesus Cristo. Mas, pelas seguintes razões, que ofereço como orientação geral quanto ao uso desses objetos:

1) Devemos evitar ter e exibir esses objetos quando os mesmos forem uma tentação real para a idolatria ou ocultismo. Novos convertidos egressos da idolatria e cultos afro-brasileiros poderão ser tentados a retornar às práticas antigas, estimulados pelos símbolos do seu passado religioso. Devemos evitar toda e qualquer possibilidade de sermos tentados nessa área, bem, como evitar sermos causa de tropeço para outros. Foi isso que o apóstolo Paulo recomendou aos “fortes” de Corinto (1 Co 10.31-33).

2) Devemos evitar esses objetos se os mesmos evocam lembranças do nosso passado. Muitos de nós gostariam de esquecer períodos e eventos acontecidos nos tempos de ignorância. Deus nos deu a bênção do esquecimento. Livremo-nos, pois, de tudo que mantém vivas lembranças assim.

3) Devemos evitar esses objetos se os mesmos servirem de estímulo a outros a que façam o mesmo, sem que estejam firmes em suas consciências de que tais objetos, em si, nenhum mal trazem.

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Notas

1 Para um estudo mais detalhado das práticas das igrejas de libertação, veja a análise feita por Leonildo Silveira Campos, ‘Teatro’, ‘Templo’ e ‘Mercado’: Uma análise da organização, rituais, marketing e eficácia comunicativa de um empreendimento neopentecostal - Igreja Universal do Reino de Deus, tese publicada pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, 1996. Veja também o relatório da Comissão de Doutrina da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a Igreja Universal do Reino de Deus (Igreja Universal do Reino de Deus [São Paulo: CEP, 1998] 58-61).

2 Filácterio era uma pequena caixa de couro, quadrangular, contendo cédulas de pergaminho com passagens da Escritura, que os judeus traziam atadas uma na cabeça e uma no braço esquerdo durante a oração da manhã.

3 Cf. Merril Unger, Biblical Demonology (Wheaton, IL: Scripture Press, 1952; 7a. edição, 1967) 33.

4 Os milagres operados pelo Senhor Jesus eram sinais que apontavam para Sua pessoa e obra (Jo 20.30-21). A promessa de que seus seguidores fariam obras similares e até maiores parece que não incluía curas através de saliva e vestes por parte de todos os crentes. Somente os apóstolos - e mesmo assim, somente Pedro e Paulo - realizaram sinais similares, que por sua vez, eram sinais dos apóstolos, visavam autenticar seu apostolado e estabelecer a mensagem (2 Co 12.12). A passagem de Marcos 16.17-18 (sem considerarmos os problemas textuais) não se refere ao uso de objetos.

5 Essa idéia estranha é defendida por Robson Rodovalho, Por Trás das Bênçãos e Maldições (Brasília: Koinonia, 1995) 32. Ele conta uma história na qual atribui a objetos amaldiçoados o poder de rachar uma ponte do Plano-Piloto em Brasília, mesmo após a quebra de maldições (Ibid., 33).

6 Linhares, Bênção e Maldição, 41.

7 Cf. Edir Macedo, Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios? (Rio de Janeiro: Universal, 1996; 13a. edição) 48.

8 Mark I. Bubeck, Raising Lambs Among Wolves: How to Protect Your Children from Evil (Chicago: Moody Press, 1997) 237-39.

9 Ver a excelente discussão de Loraine Boettner sobre o uso de objetos no culto católico, incluindo rosários, crucifixos, escapulários, e relíquias que vão desde pedaços da cruz de Cristo, da coroa de espinhos e o Santo Sudário, até roupas e frascos de leite da Virgem Maria!!! (Roman Catholicism [Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1962; 9a. edição de 1980] 284-95).

10 Kurt Koch afirma que alguns mosteiros católicos na Suíça distribuem amuletos ou fetiches ao povo, para protegê-los contra doenças e epidemias. Esses amuletos são geralmente pequenos sacos, contendo, em alguns casos, pedaços de unhas e de casca de ovos. Cf. Kurt Koch, Between Christ and Satan (Michigan: Kregel Publications, 1962) 87.

11 Existem lojas virtuais pela Internet onde toda a parafernálias usada nos rituais mágicos e de bruxaria estão acessíveis e podem ser facilmente adquiridos com cartão de crédito.

12 O conceito pagão por detrás dessas práticas é o de transferência de poderes espirituais para objetos. James Fraser argumenta que essa idéia está presente nas religiões mais antigas e primitivas e consiste basicamente em transferir para objetos ou animais toda dor, culpa e sofrimento, bem como os maus espíritos que os produzem. Fraser dá vários exemplos interessantes, como por exemplo, a prática de povos indianos de curar epilepsia aplicando folhas de determinadas plantas ao paciente e depois lançando-as fora. Acredita-se que a doença passa para as folhas e depois vai embora com elas (James G. Fraser, The Golden Bough: A Study in Magic and Religion [Nova York: Mcmillan, 1925] 538-40)

13 Warner, Spiritual Warfare, 94.

14 Ibid., 94-95.

15 A palavra hebraica para “bodes”, ocorre mais de 40 vezes no Antigo Testamento. Em 4 dessas ocorrências, foi traduzida pela versão Almeida Atualizada (bem como outras versões importantes) como “demônios” ou “sátiros”:

Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais eles se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo nas suas gerações (Lv 17.7)
Jeroboão constituiu os seus próprios sacerdotes, para os altos, para os sátiros e para os bezerros que fizera (2 Cr 11:15)
Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali (Is 13.21)
As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; fantasmas ali pousarão e acharão para si lugar de repouso (Is 34.14)

O sátiro era um figura da mitologia grega, uma fera do deserto, metade homem e metade bode. Na antigüidade, era associada ao deus Dionísio. É provável que no período do Antigo Testamento existisse um culto aos sátiros, tendo origem no Egito, e com o qual os israelitas tivessem alguma familiaridade quando ali estiveram como escravos (cf. Js 24.14). Segundo Harrison nos informa, essa seita egípcia floresceu na região oriental do Delta e seu ritual incluía bodes copulando com mulheres adeptas (cf. R. K. Harrison, Levítico: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica [São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1980] 165-166). Assim sendo, a tradução de Levítico 17.7 poderia ser simplesmente “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros (ou, deus-bode)”. A tradução “demônios” é interpretativa, e pode dar a sugestão de que realmente existiam demônios em forma de bode que assombravam os desertos. O texto hebraico não se refere a demônios, mas ao culto aos sátiros praticado naquela época por alguns israelitas.

16 Warner, Spiritual Warfare, 113.

17 Ver Catecismo Maior, pergunta 109.

18 Cf. G. Adolf Deissmann, Bible Studies (Edimburgo: T. & T. Clark, 1901), 323.

19 John Gill’s Expositor, in loco.

20 Por outro lado, não quero com isso apoiar irrestritamente os movimentos entre os jovens para queimar discos e fitas de rock evangélico, considerados espiritualmente perniciosos por alguns líderes evangélicos (cf. Rick Lawrence, “Gothard slams Christian rock”, em Group, Set. 1990, 41-42). Em geral, sou emocionalmente contra a iconoclastria (destruição de ídolos) por cristãos, como por exemplo, a ocorrida na Escócia, sob os auspícios de John Knox, quando o povo entrou nas igrejas católicas e quebrou todas as imagens, utensílios e objetos ligados ao culto idólatra. Se tivermos, porém, de queimar alguma coisa, a queima de horóscopos poderia fazer algum bem - numa pesquisa de 1992, 11% dos crentes americanos disseram consultar horóscopos e acreditar em astrologia (“Most Americans believe in moral absolutes…”, em National & International Religion Report, 13 de Julho de 1992, p. 8).

21 Segundo Barclay nos informa, um dos métodos usados pelos exorcistas era conhecer o nome de um espírito mais poderoso do que aquele que estava no doente, e invocá-lo contra esse espírito de doença. Cf. William Barclay, “Hechos de los Apostoles”, em El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay, vol. 7 (Argentina: La Aurora, 1974) 154-55.

22 I. Howard Marshall, Atos: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982) 294.

23 Ver a descrição detalhada (inclusive com fotos) em Macedo, Orixás, Caboclos & Guias, 106-8.

24 Aparentemente, a comunidade havia preparado algumas perguntas para Paulo sobre questões práticas Esta carta havia sido possivelmente trazida por uma delegação (1 Co 16.17). Em 1 Coríntios Paulo responde algumas dessas perguntas. Podemos detectá-las nas partes da carta que Paulo começa com a expressão “com relação à….”, ver 7:1, 25, 8:1, 12:1, 16:1, 16:12.

25 Barclay, I & II Corintios, 83-84.

26 Ibid., 84. Serápis era uma divindade do Egito, importada da Grécia. Era o deus dos mortos e da cura. Um dos seus adoradores mais famosos foi o rei Ptolomeu I, considerado também o iniciador do culto a esse deus.

27 Ibid.

28 Cf. Fraser, The Golden Bough, onde ele discute esse assunto em relação ao culto de Diana.

29 Os que estão familiarizados com os comentários de Barclay percebem como freqüentemente ele apela para a antiga crença pagã em um mundo povoado de demônios para explicar passagens bíblicas onde demônios são mencionados, sugerindo que os cristãos primitivos, bem como os autores bíblicos, partilhavam das superstições pagãs quanto aos demônios, as quais seriam, diz Barclay, incompatíveis com os conceitos modernos de psicologia e da ciência. Infelizmente, ao fim de sua carreira, Barclay abandonou as principais doutrinas do cristianismo histórico, revelando que esse tipo de tendência tinha raiz mais profunda. No seu livro, A Spiritual Autobiography (Grand Rapids: Eerdmans, 1975) onde ele narra sua vida e ministério, os evangélicos ficarão desapontados ao ver o quanto ele se distancia do Cristianismo ortodoxo. Ele se declara universalista (p. 58); declara que o Novo Testamento nunca identifica Jesus como Deus (p. 50); nega a ressurreição literal e física de Jesus (p. 108); identifica o Espírito Santo com o Cristo ressurrecto (p. 109); e declara que “os milagres geralmente não foram histórias do que Jesus fez, mas símbolos do que ele ainda pode fazer” (p. 45). Evidentemente podemos aprender muitas coisas de suas obras, mas o leitor deverá lê-las com discrição e discernimento.

30 C. Peter Wagner, Se Não Tiver Amor (Curitiba: Luz e Vida, 1982) 67-68.

31 Note que Paulo não teve qualquer problema em anunciar o decreto em Antioquia, o que produziu muito conforto entre os irmãos (At 15.30-31).

32 Não somente Paulo, mas os cristãos em geral tinham esse conceito. João escreveu: “Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar” (Ap 9.20).

33 Cf. Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1857; reimpressão 1978) 193.

34 Hodge (1 & 2 Corinthians, 194) chama a nossa atenção para o fato de que o mesmo princípio se aplica hoje aos missionários que, por força da “contextualização”, acabam por participar nos festivais pagãos dos povos. Semelhantemente, os protestantes que participam da Missa católica, mesmo não tendo intenção de adorar a hóstia, acabam cometendo esse pecado, ao se curvar diante dela.

35 João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, em Comentário à Sagrada Escritura, trad. Valter G. Martins (São Paulo: Paracletos, 1996) 320.

36 Essa diferença fundamental não foi notada por Kurt Koch em seu livro sobre magia e ocultismo. Ele diz que “O uso de fetiches, isto é, objetos carregados de magia, corresponde talvez ao uso da água no batismo ou do pão e vinho na Ceia do Senhor” (Between Christ and Satan, 85).

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Wednesday, September 20, 2006

A Unção do Riso: Caos teológico

Fonte: Paulo Romeiro
(Esboço baseado no livro El avivamiento de la risa. Caos teológico en la iglesia contemporánea, de Jorge Erdely. Cidade do México: MBR, 1996. O texto integral pode ser lido aqui)

I - INTRODUÇÃO

Atualmente há em todo o planeta distintos “avivamentos”. Um dos mais notórios é o das religiões orientais, particularmente do hinduísmo. O mundo ocidental está vendo nestes últimos dias uma invasão de gurus, lamas tibetanos, mestres iluminados, e uma infinidade de técnicas de meditação, yoga e cursos para alcançar “graus elevados de consciência”.

Em meio a tudo isto temos uma ala do movimento carismático (também chamado de neo-pentecostal) que decidiu ter sua própria versão comercial do misticismo oriental para não ficar atrás na conquista das massas. Este novo fenômeno religioso se chama “O Avivamento do Riso”, “A Unção do Riso”, “A Bebedeira Espiritual”, “A Bênção de Isaque” e “A Bênção de Toronto”.

Devem ser bem poucos os cristãos que no Brasil a esta altura ainda não ouviram falar da “Experiência de Toronto”. Até o programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou reportagem especial sobre a “Bênção de Toronto”. Uma onda de manifestações físicas, incluindo prostrações, estremeções e especialmente riso tem assolado, e ainda assola, as igrejas em várias partes do mundo.

II - O FENÔMENO DE TORONTO E SUAS RAÍZES

A. A expressão:

O nome “Benção de Toronto”, ou “Unção do Riso”, como prefiro chamá-la, tem sido aplicado a estes fenômenos porque a mais importante erupção destas manifestações ocorreu na Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto. Na verdade, não há nada que seja novo nestes fenômenos.

B. Suas Raízes:

Rodney Howard-Browne, segundo todos os estudos que existem a respeito do fenômeno, a figura mais respeitada atrás do controvertido fenômeno. Ele é considerado o “bartender (garçom de bar) de Deus”.

C. Principais Promotores

Nos Estados Unidos a maioria dos pregadores da prosperidade, como por exemplo Oral e Richard Roberts, Pat Robertson, Paul Crouch, Kenneth Copeland, Francis e Charles Hunter, Benny Hinn. Temos ainda na Inglaterra Colin Day (que já esteve várias vezes no Brasil), Breed Flooker (que também já esteve no Brasil). São muitos os pregadores no Brasil que foram influenciados por esta nova onda, a ponto de hoje termos várias empresas de turismo fazendo vôos turísticos para Toronto levando vários pastores brasileiros para visitar a Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto.

III - DIVINO OU DEMONÍACO?

A comunidade evangélica em todo mundo está dividida a este respeito. Uns consideram esta experiência um sinal divino ainda que reconheçam que não tem respaldo bíblico, nem na história do cristianismo. Outros embora a considerem demoníaco, reconhecem que algo acontece (algo sobrenatural), porém, descartam totalmente a possibilidade que seja de origem do Espírito Santo; mas que se trata, crêem, de algo parecido com uma manifestação de terreiro de candomblé, umbanda ou até um transe como acontece nas reuniões dos gurus da Nova Era. Veja I Co 14:29; I Ts 5:21; I Jo 4:1ss.

IV - BEM VINDOS AO CIRCO DA ALEGRIA

Os cultos promovidos pelos pregadores são de aparência igual a qualquer culto numa igreja carismática ou pentecostal. Muito louvor e na hora da mensagem começam a falar que algo novo vai acontecer na vida das pessoas que ali estão, e que elas serão cheias de alegria naquela noite. Em meio às pregações começam a ouvir aqui ou ali pessoas rindo de uma forma incontrolável, algumas pessoas começam a dar gargalhadas a ponto de caírem no chão, incontroláveis.

A chamada Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto é uma comunidade carismática que enfatiza as experiências místicas mais do que a Palavra de Deus e os valores cristãos objetivos. Eles têm sido um dos centros de atenção mundial ao que o “Avivamnento do Riso” se refere. O que acontece nos cultos do pastor Randy Clark é bastante similar ao que acontece em todo mundo, apesar de existirem traços distintivos. Além das gargalhadas, os participantes emitem sons de vários animais como “prova” de estarem possuídos por Deus. Mulheres rugem como leoas, homens bufam como touros, e uivam como lobos, gritam como aves. Em muitos destes cultos há uma participação muito grande de padres e freiras católicas que também recebem esse “poder”.

V - NEGANDO A BÍBLIA, A HISTÓRIA E A RAZÃO

É quase impossível que pessoas razoáveis e em são juízo se deixem levar por este fenômeno. Ainda que seja normal o fato do ser humano rir ao ouvir algo engraçado, se uma pessoa o fizer sem causa alguma isso muitas vezes pode ser considerado como um sintoma de demência. Ainda mais se isto acontece por um período prolongado. Minha experiência ao visitar vários manicômios e hospitais psiquiátricos, é que a maioria dos seus internos chegou ali com estes sintomas.

VI - TORCENDO OS FATOS

Se é praticamente impossível que uma pessoa em sua sã consciência participe do Avivamento do Riso, o mesmo podemos dizer de qualquer cristão que conhece a Palavra de Deus e a história dos avivamentos cristãos. Sinceramente, o fenômeno da “Gargalhada Santa” não tem precedente algum, nem na Bíblia nem na História. Não só isso: é totalmente contrário e incompatível com os princípios que ensinou nosso Senhor Jesus Cristo. Convencê-los do erro é outro assunto.

VII - OS FENÔMENOS DOS AVIVAMENTOS HISTÓRICOS

Os defensores dos fenômenos atuais astutamente lembram aos seus leitores que ocorreram fenômenos extraordinários nos avivamentos históricos. Isso é verdade; no entanto, o mais estranho é que nenhum historiador de religião ou erudito de avivamento o tenha percebido em centenas de anos. Uma leitura atenta das evidências mostra que esses fenômenos eram significativamente diferentes do que se vê hoje no movimento do “riso”.

A. América do Norte

O nome que estão procurando associar hoje, na tentativa de defender o que está acontecendo, é Jonathan Edwards.

B. As Ilhas Britânicas

Um quadro similar emerge aqui, pois nos avivamentos todos os tipos de fenômenos se manifestaram. Todavia, mais uma vez, os líderes dos avivamentos geralmente procuravam distinguir a obra de Deus da de Satanás, e desencorajar ou proibir as manifestações que pareciam se originar em Satanás.

VIII - FENÔMENOS ACONTECENDO EM OUTRAS RELIGIÕES

O problema da unção do riso tem afetado não apenas o meio evangélico, mas também a outros movimentos religiosos, como por exemplo: Hinduísmo, Meditação Transcendental, seitas da Nova Era, etc. O fenômeno também é usado em técnicas de hipnose.

IX - REFUTAÇÃO BÍBLICA

Os que favorecem a “Experiência de Toronto” freqüentemente citam certos textos ou incidentes bíblicos em apoio à sua causa. (Salmo 23:2)

A. Velho Testamento

1. Abraão caiu num sono profundo, conforme (Gn 15:12)

2. II Cr 5:13,14

3. Daniel caiu amedrontado com o rosto em terra (Dn 8:17)

B. Novo Testamento

1. Caiam em adoração (Mt 2:11) ou para rogar-lhe socorro (Mc 1:40)

2. Caiam de medo (Mt 17:6; Mt 28:4)

3. A experiência de Pedro (At 10:10)

4. A experiência de (João Ap 1:7)

X - O PERIGO DO ENGANO

Um dos mais sérios perigos que defrontam o avivamento é a incapacidade demonstrada por líderes e liderados de discernir entre a obra de Deus nas almas dos homens e a obra do diabo no contra-avivamento.

A. A Necessidade de Discernimento

Há pelo menos meia dúzia de passagens no Novo Testamento que falam da astúcia e das manhas do maligno. (II Co 11:13, 14 e Ef 6:11).

B. O Mandado para Julgar

Não se deve confundir realidade com legitimidade. Numa época de experiências religiosas sem conteúdo, a atração exercida por fenômenos espirituais poderosos é muito maior do que a da sua legitimidade.

XI - DISCERNIMENTO E MENTE SÃ

Um dos aspectos mais estarrecedores dos pregadores é a seguinte exortação: “Não tente usar a sua mente para entender isto. Apenas o receba”. Isso é completamente contrário ao ensino do Novo Testamento. O apóstolo Pedro, ao instar com seus leitores, e conosco, a que nos preparemos para servir a Deus, escreve: “Cingi os lombos do vosso entendimento” (I Pe 1:13 (RA), cf. 4:7; 5:8).

XII - CONCLUSÃO: CRISES E VALORES TEOLÓGICOS EM CAOS

A existência e popularidade do fenômeno conhecido como Avivamento do Riso deve preocupar qualquer pessoa sensata, mesmo que seja remota a possibilidade de que se deixe enganar por ele. Deve ser motivo de reflexão tanto para o pastor como para as ovelhas ver milhões de pessoas caindo na gargalhada santa ou latindo como cachorros, rugindo como animais e agindo como verdadeiros beberrões num show onde usam o nome de Deus. Infelizmente muitas pessoas deixam sua razão em troca de experiências místicas que as levam a um profundo caos teológico e intelectual; essas mesmas pessoas podem levar vidas aparentemente normais fora desses cultos religiosos.

O perigo não tem limite e legitima a pergunta: Uma vez que uma seita pode induzir seus seguidores a praticarem o suicídio coletivo (como aconteceu recentemente com 39 pessoas nos Estados Unidos), ou outras vezes induzir seus seguidores a entregarem grande quantia de dinheiro, a latir, a babar como um louco sem motivo algum, o que acontecerá depois? Qual será a próxima experiência que nos oferecerão? Já que têm sido removidos os limites de sã teologia e do sentido comum, a resposta é: Qualquer coisa. Nós estamos à mercê disto e outros mil tipos distintos de gurus carismáticos sem escrúpulos que têm acesso direto a consciência de seus seguidores.

Jim Jones, em Guiana, Mangayonon Butog, nas Filipinas, Park Soon Ja, na Coréia do Sul, David Koresh, em Texas, Luc Jouret, em Cantão de Friburgo e Marshall Appelewhite, no Rancho Santa Fé sobreenfatizaram as experiências subjetivas, anularam a razão dos seus respectivos adeptos e logo sobreveio a tragédia. Com o movimento Avivamento do Riso, as portas estão abertas a todo tipo de abuso.

Haverá no século XXI uma religião mundial única que imponha as experiências subjetivas sobre a razão, a sã teologia e a verdade objetiva? Será substituído o cristianismo por técnicas metafísicas da Nova Era para induzir a estados alterados de consciência? Continuará enfatizando estranhas revelações em vez da Palavra de Deus? Continuará a presente tendência a utilizar a religiosidade como simples escalão para obter prazer através das experiências esotéricas? Seremos perseguidos pelos poderosos impérios desses gurus ao negarmos a reconhecer as tais experiências como divinas? A resposta é clara a todos aqueles que ainda têm raciocínio, famílias, e valores cristãos a defender. Façamos algo para impedi-lo. Promovamos ativamente o genuíno cristianismo, o estudo sério da Bíblia e denunciemos claramente os perigos e erros das falsas doutrinas e experiências

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Chega ao Brasil o evangelho apócrifo de Judas

Segue (transcrita) abaixo notícia veiculada no Jornal Bem Paraná:

 

No início desse ano, o mundo teve acesso aos textos do Evangelho de Judas, fato que provocou grande entusiasmo e discussão entre historiadores, arqueólogos e a comunidade cristã. Depois de traduzido do copta, língua dos egípcios do início da Era Cristã, para o inglês, a Prestigio Editorial e a National Geografic trazem para o Brasil O Evangelho de Judas, em português.

Achado por camponeses egípcios, em 1970, o pergaminho de quase 1.700 anos só chegou às mãos de renomados estudiosos de copta e religião, no ano de 2001, para que pudesse ser restaurado, autenticado, traduzido e interpretado.

A recente descoberta mudou a imagem de traidor associada a Judas Iscariotes que era tido como delator de Jesus, levando-o à crucificação. De acordo com o manuscrito, Judas traiu Jesus a seu pedido para tornar sua morte possível, permitindo assim a fuga das amarras físicas de seu corpo e o retorno a sua morada celestial. Essa revelação fortalece a crença dos cristãos gnósticos, cuja defesa é de que o mundo material e o corpo humano foram criados por divindades inferiores e que só a busca da sabedoria esotérica ajudaria a libertar o homem da escravidão do corpo.

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Tuesday, September 19, 2006

Uma resposta Bíblica ao Código Da Vinci

Prefácio

Este trabalho está dividido em seis partes referentes aos seis principais mitos que Dan Brown coloca em seu livro “O Código Da Vinci”,  tentando provar, através de seus personagens, que o cristianismo é uma farsa.

Os mitos são:

1. O quadro de Da Vinci é um código secreto
2. A divindade de Jesus foi forjada
3. Os evangelhos apócrifos são documentos valiosos do cristianismo primitivo
4. Constantino estabeleceu o cânon sagrado.
5. Madalena foi esposa de Jesus.
6. O cristianismo é uma imitação do mitraísmo
Chamamos a estas sentenças de mitos porque não passam disso, como veremos nas páginas a seguir. A reprodução total deste material está autorizada, desde que citada a fonte.

Parte 1 - O primeiro mito:

O quadro de Da Vinci é um código secreto

Introdução:

O código Da Vinci é um interessante romance recheado de falsas e bombásticas afirmações sobre o cristianismo.
Desejo neste trabalho elucidar 6 mitos principais que têm causado confusão na mente das pessoas com menos conhecimento de história e teologia

O quadro de Da Vinci é um código secreto
Não é de hoje que as pessoas colocam palavras na boca de Da Vinci.
Seus quadros, por causa de seu gênio, são motivo de todo o tipo de interpretação. No entanto, não existe nenhuma declaração de da Vinci confirmando nenhuma delas. Isso reduz cada uma destas afirmações a meras especulações, sem nenhuma base histórica.
No caso da Última Ceia, muitos já tentaram decifrá-lo, assim como com o sorriso de Monalisa, que muitos afirmam inclusive ser um travesti.
Quanto a Ceia, os astrólogos dizem ter toda a certeza de que se trata de um fenomenal estudo sobre o zodíaco. Por sua vez, os afeiçoados à psicologia dizem que se trata de um fabuloso estudo de temperamentos e reações da alma humana.

Quem está com a razão?

É possível que o velho Da Vinci em nada disto tenha pensado. Pode ser inclusive que estivesse falando mal do governo, como fez o escultor Aleijadinho em sua famosa obra de escultura sobre a paixão de Cristo, exposta em Congonhas – MG.

Quem sabe? Só ele!

Desta forma, Dan Brown não é nada original nem poderia jamais ser conclusivo naquilo que afirma.

Conhecendo o assunto

Toda a trama do livro está em torno do conhecimento secreto sobre a verdade, detida por uma organização secreta denominada “Priorado de Sião”, da qual supostamente Leonardo Da Vinci fazia parte e que, em face da perseguição católica a todo aquele que conhece a verdade, os tais que conheciam os “segredos” dos bastidores do cristianismo, para preservar o conhecimento e sua própria vida, codificaram estes segredos em obras de arte, arquitetura e literatura.

No caso, o autor insiste em colocar o quadro a “Última Ceia” que Leonardo pintou no refeitório do Mosteiro Dominicano de Nossa Senhora da Graça, em Milão, Itália, em 1497, como uma destas obras codificadas.

Ele chama atenção para algumas curiosidades tais como a aparência feminina de João e a ausência do cálice na ceia, afirmando com isto que a figura feminina seria Maria Madalena, que teria se casado com Jesus e que teria sido apontada por ele para a sucessão na igreja.

A ausência do cálice significa, segundo Brown, que o cálice na verdade é Madalena, pois foi ela que guardou em seu ventre o sangue de Cristo (uma filha), sendo ela mesma o santo Graal (O código Da Vinci, pp. 225 e 231)

Comentando o assunto

Algumas coisas são de fato curiosas. Por exemplo, a aparência feminina do apóstolo João.

O porquê desta aparência feminina é explicado de maneira histórica por Erwin Lutzer, que é bacharel e mestre em artes, mestre em Teologia e doutor em direito, em seu livro “ A fraude do Código Da Vinci” . Ele diz que a pintura de Da Vinci tem um forte teor cultural da Itália, mais precisamente de Florença, que, na história de Jesus, enfatiza os atos e não a liturgia, ou seja, enfatiza a traição e o sacrifício, em lugar do cálice e da instituição do sacramento (LUTZER, Erwin. A fraude do Código Da Vinci, p. 70).

O cálice, no contexto florentino, não tinha a menor importância. Lembre-se de que estamos próximos ao renascentismo, onde os dogmas católicos são confrontados pelos artistas em sus próprias obras de arte religiosa.

Eis a razão da ausência do cálice que representava o sacramento e a grande ênfase nas expressões faciais tanto de Judas quanto de Cristo, que indicava a valorização humanista da renascença.
Bruce Boucher, do Instituto de artes de Chicago, citado por Lutzer, afirma que a aparência feminina de João condiz com outros retratos de origem florentina.
Aquilo que Dan Brown chama de código, os historiadores chamam de traço cultural de uma região e de uma época. Aliás, tudo o que o Código da Vinci afirma sobre Leonardo Da Vinci é muito questionável.

Eis as palavras de Jack Waserman, professor aposentado de História da arte, na Temple University, citado por Lutzer:

“Quase tudo que Dan Brown afirma sobre Leonardo (da Vinci) está errado”
(LUTZER, Erwin. A fraude do Código Da Vinci, p. 70)

Parte dois – O segundo Mito:  A divindade de Jesus foi forjada

A igreja cristã sustenta sua fé na realidade de Jesus ser verdadeiramente o filho de Deus, o Deus vivo que desceu dos Céus para salvar a humanidade.

O Código Da Vinci procura por todos os meios colocar em xeque o fato da divindade de Jesus ao afirmar que foi uma invenção política de Constantino, com o propósito de perpetuar o culto ao sagrado masculino.

Na página 221, o personagem Sir Teabin faz a seguinte afirmação:

… Até aquele momento da história, Jesus era visto pelos seus discípulos como um mero profeta mortal… um grande e poderoso homem, mas que não passava de um homem. Um mortal. “Constantino promoveu Jesus a divindade quase três séculos depois de sua morte…”.

O autor menciona o Concílio de Nicéia (325 AD) como o palco da falsificação do cristianismo.

O concílio de Nicéia de fato reuniu-se para tratar da divindade de Jesus. Essa foi a única verdade escrita por ele sobre o Concílio. No entanto, em nada se pareceu com aquilo descrito pelo livro.
A referida reunião teve ocasião porque o bispo Ário, de Alexandria, provocou enorme polêmica ao afirmar que Jesus não era completamente Deus, mas um deus menor, criado pelo Deus Todo Poderoso.

Neste ponto, Dan Brown cometeu um segundo terrível erro histórico ao afirmar que, no Concílio, a votação foi apertada, como se houvesse alguma dúvida.
Isso é pura invencionice. A opinião quase unânime dos mais de 300 bispos foi pela reafirmação da divindade de Jesus. Apenas 5 bispos votaram contra.(LUTZER, Erwin. A fraude do Código Da Vinci, p. 32).

O mais importante desta questão é que a divindade de Jesus não foi uma estratégia de Constantino, mas uma verdade crida desde o princípio. O Concílio apenas ratificou esta verdade, em face da heresia de Ário.

Como podemos provar isto?

1 - O testemunho da história nos opositores do cristianismo

Muito antes do Concílio de Nicéia, acontecido em 325 AD, os não-cristãos testemunharam em suas cartas que os cristãos adoravam a Cristo como Deus.
O interessante é que a maioria destas cartas até ridiculariza a fé cristã, dando a elas isenção, o que é por demais precioso no estudo que ora fazemos: temos o testemunho de quem era contra o cristianismo, sobre a adoração cristã, antes do Concílio de Nicéia.

1.1 - Luciano de Samosata (170 aD) escreveu uma carta hostil sobre o cristianismo, que apenas creditou historicamente que Jesus era adorado antes do Concílio de Nicéia

“Os cristãos, como todos sabem, adoram um homem até hoje - o distinto personagem que iniciou  seus novos rituais – e foi crucificado por causa disto”
( Lucian, The Death of Peregrine 11-13 (AS), citado por Josh McDowel e Bill Wilson em Ele andou entre nós, p. 60)
Os cristãos eram condenados por adorarem a Cristo, em detrimento aos imperadores romanos os quais antes adoravam, bem como os outros deuses romanos.

            1.2 - Trajano, Imperador romano em 112 AD (bem antes do Concílio de Nicéia), respondendo a Plínio II, governador da província da Bitínia sobre seu procedimento contra os cristãos escreveu o seguinte:

         “Se forem acusados e condenados devem ser castigados, desde quem quer que negue ser cristão cristão e dê prova prática disto invocando os nossos deuses deve receber perdão com base neste repúdio”.

         (citado por Josh McDowel e Bill Wilson em Ele andou entre nós, p. 54).

2 - O testemunho da história nas pessoas neutras

            1.3 - Flávio Josefo, o grande historiador judeu afirmou em seus escritos sobre a impossibilidade de Jesus ser um homem. Ele o identificou como o Messias. Desta maneira, na qualidade de historiador, ratificou sua ressurreição, que é uma das provas de sua divindade.

         “…Cerca desta época viveu Jesus, um homem, se de fato podemos chamá-lo homem. Pois ele foi alguém que realizou feitos surpreendentes e ensinou as pessoas que aceitavam   alegremente a verdade. Ele atraiu muitos judeus e gregos. Era o Messias. Quando Pilatos, depois de ouvir acusações contra ele feitas por homens das mais elevadas posições entre nós, condenou-o para ser crucificado, os que haviam passado a amá-lo não desistiram de sua afeição a ele. No terceiro dia, ele apareceu a eles restaurado à vida, pois os profetas de Deus haviam profetizado essas e inúmeras outras coisas sobre ele. A tribo dos cristãos, que recebeu este nome por causa dele, ainda não desapareceu até hoje”.  (Antiguidades 18.3.3(63-4)

3 - O testemunho da história nos defensores do cristianismo

As cartas dos pais da igreja afirmavam esta verdade muito antes do Concílio

            3.1 - Inácio, martirizado por sua fé em cerca de 117 A. D., chamou Jesus de Deus.

            Pois o nosso Deus, Jesus o Cristo, foi concebido no ventre de Maria, segundo uma dispensação, da  semente de Davi, mas também do Espírito Santo; e Ele nasceu e foi batizado” .
Como se vê é completamente absurda e desprovida de fundamento histórico a afirmação de Dan Brown de que o Concílio de Nicéia existiu, sob o mando de Constantino, para forjar a divindade de Jesus.
O mundo romano era tolerante com qualquer credo, desde que não confrontasse a divindade de César. A prova disto é que foram tolerantes inclusive com o monoteísmo judeu, desde que não atacassem a César.
O cristianismo foi perseguido por constituir Jesus como único Deus e Senhor, negando qualquer outra divindade, inclusive César.
Dan Brown afirma que somente depois do Concílio de Nicéia é que o cristianismo passou a acreditar na divindade de Jesus. Ora, então que sentido faria a perseguição romana ao cristianismo, se não tinham outro Deus além de César e nem a ele se opunham?

4 - O Testemunho das escrituras

            3.1 O que a Bíblia afirma sobre a divindade de Jesus:

         3.1.1– Que Ele é Deus eterno  -  João 1:1-3:

        “ No princípio era aquele que é a Palavra{1}. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.”

         3.1.2 – Que Ele é Senhor (esta expressão é atribuída a Jeová no Antigo Testamento) - Atos 10:36:
         “Vocês conhecem a mensagem enviada por Deus ao povo de Israel, que fala das boas novas de paz por meio de Jesus Cristo, Senhor de todos.”
         3.1.3 – Que É Ele o criador de todas as coisas -  Col 1:16,17:
         “pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.”
         3.1.4 – Que é Ele quem sustenta todas as coisas -  Hb 1:3:
          “O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas    as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas,”

            3.2 - O que disseram Seus discípulos sobre Ele

         3.2.1 - O testemunho de Tomé – Jo.20:27,28

         E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. 28 Disse-lhe Tomé: “Senhor meu e Deus meu!”

            3.3 - O que o próprio Jesus disse de si mesmo

         3.3.1 - testemunho de Jesus a João Evangelista  - Ap.1:8:

         “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “o que é, o que era e o que há de vir, o Todo - poderoso.”

            3.4 - As mais de 300 profecias do Antigo Testamento que se cumpriram em Jesus também atestam Sua divindade.

Elas anunciaram:

Fato

Profecia

Cumprimento

Ser Jesus o filho de Deus

Sl. 2:7

Mt. 3:17

Ser descendente de Davi (filho deJessé)

Is. 11:1

Lc. 3:23,32

O lugar de Seu nascimento – Belém

Mq. 5:2

Mt. 2:1

O Genocídio ordenado por Herodes

Jr. 31:5

Mt. 2:16

Um pregoeiro que o anunciaria – João Batista

Is. 40:3

Mt. 3:1,2 e Mt. 3:3

 Assim como as profecias estão corretas ao afirmar as circunstâncias de Sua vinda, também

Is. 40:3,4

Lc. 1:68,69,79

Ex. 3:14

Jo. 8:56-58

Jr. 17:10

Ap. 2:26

Is. 60:19

Lc. 2:32

Is. 6:10

Jo. 12:37-41

Is. 8:12,13

1 Pe. 3:14,15

Nm. 21:6,7

1 Co. 10:9

Sl. 23:1

Jo. 10:11

Ez.l 34:11,12

Lc. 19:10

Dt. 6:16

Mt. 4:10

estão corretas ao afirmar Sua natureza divina. Raimundo de Oliveira diz em seu livro  As grandes doutrinas da Bíblia que muitas das citações do Antigo Testamento referentes a Jeová são cumpridas no Novo Testamento na pessoa de Jesus:

  (OLIVEIRA, Raimundo de. As grandes doutrinas da Bíblia, p.75)

Além disto, existe em toda a terra, testemunho de vidas completamente transformadas mediante o doce conhecimento do Filho de Deus.

Que outro ser reúne estas características?

Que dizer de Jesus senão que Ele é Deus?

Parte 3 - O terceiro mito:

Os evangelhos apócrifos são documentos valiosos do cristianismo primitivo

O assunto mais polêmico do livro é a afirmação de Jesus ter sido casado com Madalena. Ele diz isso baseado no evangelho apócrifo de Filipe.
Nos dias de hoje, os evangelhos apócrifos estão em alta. Muitos os têm buscado como um caminho alternativo para o cristianismo como se fossem um testemunho verdadeiro e não autorizado sobre Jesus, contendo inclusive preceitos espirituais ditos por Jesus.
Mas será que eles merecem crédito como textos cristãos inspirados por Deus e como relatos históricos sobre Jesus?
Enfaticamente não. Vamos por partes:

1 - O que é um evangelho apócrifo?

A palavra apócrifo significa “duvidoso”
Refere-se a mais de 80 textos escritos nos primeiros três séculos e que foram encontrados em uma biblioteca gnóstica em Nag Hammadi, no Egito.
São treze códices que incluem cinqüenta e dois tratados que, segundo Borchert, muitos representam interpretações gnósticas do cristianismo.
Os três textos mais conhecidos são chamados evangelhos valentinianos: o evangelho de Tomé (composto de uma série de breves palavras atribuídas a Jesus), o evangelho de Filipe (que é, na verdade, uma coletânea de expressões, metáforas e argumentos esotéricos) e o evangelho da verdade (um discurso sobre a deidade e a unidade, que lembra a linguagem do quarto evangelho, mas especialmente orientado em direção à mitologia gnóstica).
Para se ter uma idéia do que isso significa, é como se nós, cristãos, resolvêssemos reeditar a história de Buda, tornando-o um cristão devoto. (BORCHERT, G.L. Enciclopédia histórico teológica da Igreja Cristã, p. 203)

2 - Merecem confiança os evangelhos gnósticos?

Não. Especialmente porque, em sua esmagadora maioria, contradizem abertamente todo o resto da Bíblia e não somente o Novo Testamento.
Como lhes dar crédito cristão, se eles representam exatamente as heresias combatidas pelos apóstolos no Novo Testamento?
         - Gnosticismo - que negavam a encarnação de Jesus. Para eles o espírito de Cristo apossou-se do corpo de um
homem no momento de seu batismo, e através deste trouxe ensinamentos, abandonando-o na hora da crucificação).

         - Docetismo - para quem Jesus era só espírito
         - Ebionismo - que aceitavam a Cristo como Messias, mas impunham a continuidade do judaísmo com a Lei.
O problema com os apócrifos é que as pessoas insistem em dizer que são uma versão verdadeira, mas não autorizada do cristianismo. Isso é mito. Eles são uma versão gnóstica do cristianismo.

Uma contradição interessante

Afirmamos categoricamente que estes escritos são uma adaptação gnóstica, direcionada aos gnósticos e enfatiza as doutrinas gnósticas, e não a doutrina cristã.
Os que apresentam com o evangelho de Filipe como novas e secretas verdades sobre Jesus, estranhamente não evidenciam o evangelho apócrifo de João, onde há uma reinterpretação gnóstica do livro do Gênesis. Por que não citam? Porque este faz cair por terra o fascínio de uma “biografia não autorizada de Jesus” e confirma que, assim como o Gênesis gnóstico, os evangelhos apócrifos também são uma adaptação e não uma revelação, não merecendo crédito nem como texto sagrado nem como texto histórico.

Os Evangelhos apócrifos ou gnósticos não podem ser considerados Escritura pelo simples fato conter ensinamentos gnósticos tão combatidos no Novo Testamento

Como é que seus ensinos poderiam compor uma mesma Escritura?A revista Super-Interessnte, edição de 10/12/2004, mostra nas páginas 52 e 53, um quadro com os principais evangelhos apócrifos e a razão de sua proibição:

Evangelho

Conteúdo

Por que foi proibido

Evangelho de Pedro

Provavelmente circulou no século 2…conta uma versão diferente da ressurreição de Cristo: O Salvador
teria sido conduzido ao céu por dois anjos

Acusado de uma heresia chamada docetismo, pela qual Jesus era só espírito

Evangelho de Filipe (séc 3)

Traz histórias que não estão na Bíblia, como a de que Jesus mudava de aparência para conhecer aqueles a quem Se revelava. Sugere um relacioamento com Madalena (século 3 dC)

Por ser gnóstico e afirmar que só as

mulheres virgens entravam no paraíso

(o que inviabilizaria as famílias)

Evangelho de Maria Madalena

Num dos poucos fragmentos que restaram, Cristo ressuscitado instrui os discípulos a espalhar o gnosticismo e avisa que não deixou leis. Afirma que Jesus transmitiu segredos a Madalena

O texto é escrito de acordo com o gnosticismo que foi condenado como

heresia

Evangelho de Tomé

São 144 frases atribuídas a Jesus. Nelas ele afirma que a salvação vem do autoconhecimento e que a
centelha divina está em cada um.

Foi combatido pelos primeiros padres da igreja por causa de seu conteúdo gnóstico

O tão famoso evangelho de Tomé encerra-se com as seguintes palavras:

         Simão Pedro disse a eles: Que Maria se afaste de nós, pois as mulheres não merecem viver. Jesus disse: Ó conduzi-la-ei, para eu possa torná-la homem, para que ela possa também tornar-  se espírito vivente, à semelhança de vós, homens. Pois toda mulher que se fizer homem entrará   no reino do céu.
         (Citado por Wayne Grudem em Teologia Sistemática atual e exaustiva, p. 39)
Isso Brown não cita, ou seja, os evangelhos apócrifos são heréticos e contraditórios, tendo sido rejeitados desde o início, e não no Concilio de Nicéia, como afirmou Brown.

Parte 4 – O quarto mito:  Constantino estabeleceu o cânon sagrado.

Esta é uma inverdade grosseira. Primeiro, porque o cânon já estava fechado quando Constantino estabeleceu o Concílio de Nicéia.

1 - O que é Cânon?

CÂNON - (hebraica “qãneh” e no grego: “kanón” em Gl 6.16″), tem sido traduzido em nossas versões em português como, “regra”, “norma”.  Gl 6:16:
         Paz e misericórdia estejam sobre todos os que andam conforme essa regra, e também sobre o  Israel de Deus.  Literalmente: vara de medir, ou régua.
         Indica as Regras ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração dos livros bíblicos (www.cacp.org.br)
O cânon do Antigo Testamento vai de Gênesis a Malaquias, em um total de 39 livros.
O cânon do Novo Testamento vai de Mateus a Apocalipse, em um total de 27 livros.

2 – Quem estabeleceu o cânon?

Brown afirmou que quem formou o Cânon sagrado foi Constantino, no já referido Concílio de Nicéia (352 AD). Ele diz, na página 220:
         “— Aí é que está – exclamou Teabing, cheio de entusiasmo. – A ironia fundamental da cristandade! A Bíblia, conforme a conhecemos hoje, foi uma colagem composta pelo imperador romano Constantino, o Grande.”

Esta é outra informação completamente absurda e que trai a história.
Na verdade, o Concílio de Nicéia nem sequer tocou no assunto do cânon sagrado. A única coisa referente aos Evangelhos é que Constantino ordenou que Eusébio escolhesse os melhores copistas para reproduzirem 50 cópias a serem enviadas a Constantinopla.

3 - Quem formou o cânon do Novo Testamento foram os próprios apóstolos.

O que era necessário para que um livro fosse considerado canônico?

1 – ter sido escrito por um apóstolo, pois só eles tinham autoridade profética.
2 – ter sua autenticidade comprovada pelas comunidades
3 – suas palavras estarem em harmonia com as demais escrituras
4 – vidas serem transformadas mediante sua leitura
5 –  ter sido aceito, guardado, lido e usado

Assim temos os livros escritos pelos apóstolos:

Mateus, João, todas as epístolas paulinas (de Romanos a Filemom), Tiago, 1 e 2 Pedro, 1,2,3 João e Apocalipse.
Desta lista restam apenas 5 livros que não foram escritos por apóstolos:
Marcos, Lucas, Atos, Hebreus e Judas.
No entanto, foram aceitos porque, quando foram escritos, todos estes autores estavam sob a orientação direta dos apóstolos:
  Marcos escreve seu evangelho porque Pedro o narrou.
  Lucas estava sob a autoridade de Paulo.
 Judas estava sob Tiago e também era irmão de Jesus (Jd. 1)
O único destes que ficou sem ligação direta comprovada foi Hebreus, pois até hoje não se conhece o autor. No entanto, com o tempo, sua importante mensagem bastou para sua canonicidade.

Paulo disse ter escrito inspirado por Deus - 1 Ts. 2:13:

         Também agradecemos a Deus sem cessar o fato de que, ao receberem de nossa parte a palavra de Deus, vocês a aceitaram, não como palavra de homens, mas conforme ela verdadeiramente é, como palavra de Deus, que atua com eficácia em vocês, os que crêem.

João reivindicou autoridade divina sobre o que escreveu – Ap. 1:1,2:

         Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer. Ele enviou o seu anjo para torná-la conhecida ao seu servo João,que dá testemunho de tudo o que viu, isto é, a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo.

Paulo citou Mateus como sendo Escritura - 1Tm. 5:18:

         pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o  seu salário”
A expressão “o trabalhador merece o seu salário” não é encontrada em lugar algum do Antigo Testamento. É uma citação de Mt 10:10:
         não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento.
Pedro colocou os escritos de Paulo em mesmo nível com as demais Escrituras

do AT - 2Pe. 3:15,16:

         Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em  todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de  entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles.

O cânon foi elaborado com os apóstolos ainda vivos :O testemunho da história

Clemente de Roma (95 AD) menciona em seus escritos: Mt, Lc, Rm,Cor, Hb,1 Tm 1 Pe
Policarpo (em 110 AD) cita Filipenses e menciona frases de outras 9 epístolas de Paulo
Irineu (entre 130 e 200 AD) - Discípulo de Policarpo, que foi discípulo de João, cita a maioria dos livros do NT e a eles se refere como “Escrituras” – um termo, por assim dizer, técnico, usado
p ara a Bíblia.

Parte 5 - O quinto mito:  Madalena foi esposa de Jesus.

1 - Dan Brown usando o evangelho gnóstico de Filipe, afirma que sim

Por que este evangelho é tão importante para Dan Brown?
Porque afirma Jesus ter dado um beijo na boca de Madalena.

2 - Como podemos provar que isso é mitológico?

Se o fato de ter sido escrito 200 anos depois, ou seja, por gente que não presenciou as cenas que relatam não bastar, creio que o próximo fato bastará para tirar qualquer dúvida.

2.1 - Não há nenhuma confirmação textual palpável sobre este relato do beijo no próprio evangelho de Filipe

Os pergaminhos estão muito fragmentados e, em muitos momentos, os tradutores contaram apenas com a sua fértil imaginação para completar o texto com palavras que não estão ali.
Por exemplo, a descrição de que Jesus deu um beijo na boca de Madalena. Não existe ali a palavra boca. O lugar está rasgado, pela ação do tempo.(Evangelho de Filipe 63:33-36)
Segundo Darrel Bock, dentre todos os textos que podemos sugerir um casamento entre Jesus e Madalena, este é o mais importante. No entanto, você verá que esta é uma afirmação que é praticamente impossível de se fazer baseando-se em um texto tão fragmentado.
Veja como está o fragmentado texto (as partes em vermelho estão ilegíveis):

         E a companheira de [...] Maria Madalena. [...amou] a ela mais que a [todos] os discípulos e [costumava] beijá-la [sempre] na [...]”

         (citado por Darrel L Bock, em Quebrando o código Da Vinci, p.36)

O texto traduzido ficou mais ou menos assim

         E a companheira de [Jesus foi] Maria Madalena. [Ele amou] a ela mais que a [todos] os discípulos e [costumava] beijá-la [sempre] na [boca]”

Os estudiosos colocaram por si a palavra boca, mas, pelo espaço e dimensão da lacuna deixada pelas letras ausentes, caberiam também as palavras “face”, “testa”.
Como podemos a partir daí afirmar que Jesus beijava Maria na boca, se não está escrito?
Só na mente de quem tem intenções premeditadas é que isso pode acontecer.
Mas, segundo Lutzer, Brown comete outro erro crasso no Código Da Vinci, na página 233, ao afirmar:
         “…Como qualquer estudioso do aramaico poderá lhe explicar, a palavra companheira naquela época literalmente significava esposa…”
O primeiro erro é que este texto do Evangelho de Filipe está escrito em copta (egípcio) e não em aramaico (Lutzer.op.cit., p.78).

A palavra referida, “Koinonos”, que é uma palavra grega e não aramaica, significa amizade; comunidade, companheirismo. Se a intenção fosse afirmar um casamento a palavra mais usada seria “gyné”, que significa esposa.

2.2 – A idéia de Jesus ter sido casado é mais uma falácia

De acordo com a teoria levantada pelo Código Da Vinci, Jesus, na qualidade de mestre e pelo fato de agir como um rabino, deveria ter seguido os costumes judeus e ter se casado porque todo rabino deveria ser casado.

Ora, esta é uma afirmação extremamente vaga.

Primeiro, porque o celibato era uma possibilidade nos dias de Jesus. O próprio Senhor refere-se a esta possibilidade, dentro do contexto cultural judeu do século I, em Mt.19:12:
         Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite”.
A expressão “ se fizeram eunucos por causa do reino dos Céus” alude a um serviço religioso corrente. Ele está falando de casos reais: “Outros se fizeram”.
A expressão “Quem puder aceitar, aceite” põe fim a qualquer dúvida quanto ao fato de um judeu não poder permanecer solteiro, porque é um convite a ser celibatário.

2.3 – Paulo não condenou o celibato

Quando Paulo fala sobre o direito que teria de ter uma esposa, cita Pedro e os apóstolos, mas não cita a Jesus que seria seu maior exemplo e argumento -  1Cor 9:4,5:
         Não temos nós o direito de comer e beber? Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?

2.4 - Dizer que, nos tempos de Jesus, era desonroso um homem não ser casado pressupõe um total desconhecimento da história.

Este conceito existiu sim, mas antes da era de Cristo. Veja que é verdade que os apóstolos, quase em sua maioria, eram casados. No entanto, Paulo era solteiro e, mais, aconselhou que pudéssemos fazer o mesmo, com o objetivo de servir na obra de Deus - 1 Co. 7:26-28:
         Por causa dos problemas atuais, penso que é melhor o homem permanecer como está. Você está casado? Não procure separar-se. Está solteiro? Não procure esposa. Mas, se vier a casar-  se, não comete pecado; e, se uma virgem se casar, também não comete pecado. Mas aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida, e eu gostaria de poupá-los disso.
Não há nenhuma alusão a João Batista ser casado.

2.5 - A afirmação de Dan Brown em dizer que Jesus deveria ser casado como todo bom rabino é ainda mais vaga, de acordo com Darrell L. Bock, em seu livro Quebrando o Código Da Vinci (p. 51).

Não poderia haver nenhum tipo de exigência de casamento sobre Jesus, pois ele não era um rabino.
O sinédrio jamais o reconheceu como tal.
Segundo Darrel, ele agia como um mestre, não porque tivesse alguma função judaica oficial.
Na verdade, diz Darrel, “quando Lucas descreve o papel de Jesus usa o termo professor, não rabino.”
Fosse um Rabino, pelo menos inicialmente, os sacerdotes não o tratariam como um desconhecido, mas como um colega. No entanto, jamais vemos esta ocorrência em nenhum escrito.

3 – O que diz a história

Até agora usamos argumentos bíblicos para evidenciar que o celibato de Jesus é completamente possível. Mas, para não ficar só na Bíblia, evitando assim a desconfiança de muitos em afirmar que estamos sendo tendenciosos, vejamos o que está posto na história humana.

3.1 - Segundo a história, o celibato era possível nos dias de Jesus.

Os tão comentados escritos do mar morto, achados em 1947, não dão uma preciosa comprovação histórica e extrabíblica da contradição de Dan Brown ao afirmar que Jesus tinha de ser casado por ser desonroso permanecer solteiro.
O historiador judeu Flavio Josefo, em sua Autobiografia II, registra a vida e testemunho de Banous, um essênio celibatário que habitava no deserto.
(Citado por Daniel Hops em A vida diária nos tempos de Jesus, p. 258)
Segundo Daniel Hops, em seu livro A vida diária nos dias de Jesus, era comum entre os essênios e os nazarenos o voto de celibato.
Isso é fato histórico comprovado. Portanto, não procede a alegação de que Jesus tinha de ser casado para ter autoridade moral.

4 - As sentenças sobre Jesus ter sido casado com Madalena são extremamente perigosas porque são incertas.

Já vimos que os evangelhos apócrifos não merecem a menor confiança por não terem sido inspirados por Deus nem terem sido escritos por testemunhas dos fatos. Afinal, qual juiz aceitaria o depoimento de uma testemunha que não viu a cena de um crime?
De igual modo, como poderemos aceitar o depoimento de um texto escrito 200 anos depois do fato ocorrido, sem citar nenhuma outra fonte primária de pesquisa?
Diríamos imediatamente: falácia!

Parte 6 - O sexto mito:  O cristianismo é uma imitação do mitraísmo

Dan Brown, através do personagem Teabing, enceta outro mito sobre o cristianismo: o de ser um plágio do Mitraísmo. Ele diz na página 221:
         Nada é original no cristianismo. O deus pré-cristão Mitras – chamado o Filho de Deus e a luz do     mundo nasceu no dia 25 de dezembro, morreu e foi enterrado em um sepulcro de pedra e depois ressuscitou em três dias. Aliás o 25 de dezembro é também dia de celebrar o nascimento de Osíris, Adônis e Dionísio. O recém-nascido Krishna recebeu ouro, incenso e mirra. Até mesmo o dia santo semanal dos cristãos foi roubado dos pagãos (…)a cristandade celebrava o sabá judeu, mas Constantino mudou isso de modo que a celebração coincidisse com o dia em que os pagãos   veneram o sol.
Não foi Brown o primeiro a lançar este tipo de acusação. Muitos são os que lançam este tipo de argumento e acabam arrebatando a fé dos menos doutos e desavisados.
Tenho percebido que ser anticristão, ou o anticristianismo, é uma verdadeira religião. Até pelo sufixo “ismo”, pode-se perceber isto. O ateísmo busca provar sua não crença com tanta veemência que se torna uma verdadeira apologética. O agnosticismo, de igual modo, e assim todos os que desejam mostrar que o cristianismo é uma fraude fazem-no por convicções religiosas, não, teológicas. Sua religião é o ceticismo que eles defendem com tanta veemência quanto os apologetas da fé cristã que eles criticam. No desejo de contradizer a fé cristã, aventuram-se, sem nenhuma base histórica, a levantar acusações que não se podem provar. Isso é, no mínimo, falso testemunho e, perdoe-me a alfinetada, fanatismo anti-religioso, tão nocivo quanto o fanatismo religioso.
Assim tenho concluído que não somente “a fé cega” é uma faca amolada, mas também “a falta de fé cega” é igualmente uma faca perigosa.

1 - O que é o Mitraísmo e qual sua origem

Existem duas divindades pagãs com este mesmo nome.

            - Mitras o deus indo-iraniano, adorado no mundo antigo.

         Segundo a tradição Persa, Mitras era um gênio do bem (diferente do conceito mitológico que os romano, como um deus herói, tal como os outros mitológicos do Olimpo)

            – Mitras, o deus romano.

É certo dizer duas divindades porque apesar de originado no Mitras indo-iraniano, os mitos em torno dele e sua “teologia” sofreram grandes mutações com o passar dos anos

O Mitras Indo-iraniano surgiu em torno de 1.400 a.C. de acordo com Marília Teresa Bandeira de melo (Enciclopédia Barsa). Existem referências a Mitras tanto nos escritos sagrados dos Vedas como dos persas (iranianos). Era visto por ambas as religiões como o deus da luz invocado junto com o céu. Os vedas chamavam-no Varuna e os persas, de Ahura-Mazda (divindade suprema). Desempenha papel importante em ambas as civilizações. Nos escritos sagrados dos Vedas, figura o nome de Mitra significando “tratado”. No Avesta dos persas, uma ode lhe é consagrada.

            Mitra é o gênio da luz celestial. Ele aparece antes do nascer do Sol nos picos rochosos das montanhas, diz o Avesta. Durante o dia, atravessa o grande firmamento em sua carruagem puxada por quatro cavalos brancos. Quando cai a noite, ele ainda ilumina com laivos de claridade a superfície da Terra, “sempre acordado”, “sempre atento”. Não é Sol, não é Lua, não é estrela, mas, com “suas cem orelhas” e “seus cem olhos”, observa constantemente o mundo. Mitra tudo ouve, tudo vê, tudo sabe: nada pode enganá-lo.(Texto de Marília Teresa Bandeira de melo citado no site:
         www.motoria.hpg.ig.com.br/index-pag65.html)

A primeira modificação visível de seu conceito e portanto da divindade, acontece no período anterior a Zoroastro, quando é associado a uma outra divindade, Ahura-Mazda, tornando-se um deus de primeira magnitude e agora com valor militar. (ibidem)
Depois, no mundo romano, mais uma vez o Mitras indo-iraniano é descaracterizado, resultando neste que coexistiu com o cristianismo do século 3: um deus militar, cultuado por muitos no exército romano em uma seita secreta que só admitia homens. (CLAUSS, Manfred. The Roman Cult of Mithras: the god and his mysteries, capítulo 6, citado por Anderson Fortaleza em http://www.forumnow.com.br/).

2 - As impossibilidades de o cristianismo ser uma imitação do mitraísmo são diversas.

Vamos citar apenas quatro:

2.1 – Primeira impossibilidade: o tempo. De acordo com os registros históricos, quando o mitraísmo se tornou uma religião popular em Roma, o cristianismo já existia há, pelo menos, 100 anos. Veja a citação da Enciclopédia Eletrônica Barsa, verbete Mitraísmo:

         “Baseada no culto ao deus persa Mitra, difundiu-se na civilização romana, nos séculos III e IV da   era cristã.”
Ainda que datássemos o surgimento do mitraísmo no século I, não haveria como fazer uma ligação entre os dois, porque:
         - O cristianismo nasceu em Jerusalém, nos limites de Israel, para somente depois ganhar o mundo romano.
         - O mitraísmo floresceu em Roma e teve seu auge no tempo do imperador Diocleciano, de acordo com a Enciclopédia Barsa. Estamos falando do ano 285 dC.:
         “Os imperadores romanos Cômodo e Juliano o Apóstata foram iniciados, e Diocleciano consagrou, junto ao Danúbio, um templo a Mitra, “protetor do império”. (ibidem)
Assim, quando há este encontro, os dois credos já eram estabelecidos.
Entretanto, há um agravante que faz toda diferença:
O cristianismo era (e ainda é) uma religião aberta, buscando adeptos de todas as tribos e línguas, povos e nações, enquanto o mitraísmo era uma seita militar, secreta e, portanto, fechada.
Ora, como poderíamos juntar estes dois?

2.2 - Segunda impossibilidade de imitação é que o N.T. foi escrito durante o primeiro século, com as testemunhas dos fatos sobre Jesus ainda vivas, conforme narra Lucas em Lc. 1:1-4:

          Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme nos foram transmitidos por aqueles que desde o início foram testemunhas oculares e servos da palavra. Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas.
Como inventar mitos se as testemunhas ainda estavam vivas?
Paulo ainda vai mais além, afirmando que, dentre as mais de 500 pessoas, que conviveram com Jesus muitas das quais ainda estavam vivas quando ele escrevia suas cartas.
Falando sobre a ressurreição de Jesus e do contato que Jesus teve com os apóstolos Paulo diz em 1Co.15:6:
         Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido.
“Trocando em miúdos”: Como o cristianismo poderia ter imitado o mitraísmo, se surgiu, e mais importante, se foi documentado antes e se as testemunhas dos fatos ainda estavam vivas quando as cartas começaram a circular entre as igrejas?
Portanto não há a menor possibilidade de imitação da mitologia de Mitras por parte do cristianismo.

2.3 – A terceira impossibilidade é que a origem do cristianismo é o judaísmo.

O cristianismo é o cumprimento das profecias do AT e está integralmente ligado a ele.
Desta maneira, os fatos da vida de Cristo que os céticos dizem ser plágio do mitraísmo já estavam profetizados há muito no livro dos judeus, que é anterior ao próprio mitraísmo persa e védico:
Alguém teria coragem de afirmar que Constantino também fraudou o livro dos judeus, quando nenhuma ligação houve entre eles?
O Antigo Testamento é um importante testemunho da originalidade do cristianismo, como se vê adiante:

As profecias do Antigo Testamento dizem que Jesus

         1 - Nasceria de uma virgem (Is. 7:17)
         2 - Que morreria traspassado e que seus carrascos dividiriam suas vestes (Sl.22:16-18 e Zc.12:10)
         3 - Que ressuscitaria ao terceiro dia (Sl.16:10; 30:3; 41:10;118:17;Os. 6:2)
         4 - Que seria levado aos céus (Sl. 68:18)
         5 - Que sentaria à destra do Todo-Poderoso (Sl.110:1)
         6 - Que seria pedra de tropeço para os judeus (Is.8:13-17)
         7 - Que as nações gentílicas abraçariam Seu ensino (Is. 60:3)
Mostre-me apenas uma profecia em período anterior a Mitra…
Este mesmo conjunto de mais de 300 profecias afirma categoricamente a divindade de Jesus chamando-O de Senhor (um dos títulos de Deus) por diversas vezes..

2.4 – Quarta impossibilidade de plágio:

As similaridades são, em sua maioria, pura invencionice dos que escrevem, sem nenhuma comprovação histórica, de acordo com o que escreve o renomado historiador Manfred Clauss.

Quero aqui citar o artigo de Anderson Fortaleza no qual, mencionando o livro se Clauss, diz:
         Nenhuma das imagens de Mitras alude a qualquer uma destas afirmações de similaridade com Jesus.

Então como se explicam as semelhanças?

Estas ditas semelhanças não têm comprovação histórica alguma. Estão, não se sabe porque, na cabeça de poucos. Aliás, pouco existe escrito, com fundamentação, sobre o mitraísmo. No entanto, assim como no cristianismo, as pinturas e esculturas falam do credo, assim também em qualquer outra religião. Nenhuma das imagens de Mitra sequer sugere qualquer semelhança com o cristianismo.

Quais são estas supostas semelhanças?

1 - Que Mitras teria nascido de uma virgem, no dia 25 de dezembro
2 - Pastores estavam lhe prestando assistência no nascimento
3 - Que teria morrido pelos pecados
4 - Que tinha 12 seguidores
5 - Que Ele fez milagres. (tirou água da rocha)
6 - Ele foi morto e enterrado em uma tumba.Na mitologia de Mitra ele nem sequer morreu, como lemos há pouco.
7 - Depois de três dias, ele ressuscitou. Se não morreu, não ressuscitou. Não existem registros sobre isso.
8 - Ele subiu aos céus. (como resultado de uma matança, enquanto Jesus é como resultado de sua morte)
9 - Ele foi chamado “o Caminho, a Verdade e a Luz”, “Redentor”, “Salvador”, “Messias”.Isso é ridículo, pois Messias é um termo essencialmente judeu.Quanto aos demais, simplesmente não há nenhum registro histórico que o confirme. Quanto a ser chamado de salvador, isto está historicamente correto, mas não prova uma imitação e, sim, uma coincidência.
10 - Ele foi identificado como leão e cordeiro.Também não há registros históricos disto. Há uma figura de Leão no  mitraísmo mas nunca associada a Mitras.
11 - O Mitraísmo tinha uma refeição ritual. É verdade que esta refeição era pão e vinho. Mas isso não é de se estranhar, porque tal refeição era comum  nas culturas antigas, conforme escreve Clauss (op.cit.,pp.108-9).

Para resumir, as únicas destas afirmações que existe comprovação histórica são:

         - Ele fez milagres.
         - Ele subiu aos céus.
         - Ele foi chamado “Salvador”.
         - O Mitraísmo tinha uma refeição ritual.
O resto é pura invencionice humana

Veja o que dizem os historiadores sérios sobre o nascimento de Mitras e perceba como logo os conceitos se distanciam

            A data de seu nascimento
         O mito de Mitra. No dia 25 de dezembro, celebra-se a vinda da nova luz e o nascimento do deus.
            O nascimento incomum
         Nascimento miraculoso, pois propulsionado por uma força mágica interior: o jovem deus saiu de uma  rocha, nu, usando o boné frígio. Ele leva nas mãos um punhal e uma tocha.
            Já nasceu grande
         É o genitor da luz (genitor luminis) e (saxigenus) saído da rocha (petra genitrix). Apenas nascido, ele já está pronto para os maiores feitos.
            Sobre sua missão na terra
            Matar o touro
         Recebe, do deus Ahura-Mazda, a incumbência de matar o touro primordial. Pela morte do touro, dará Mitra os frutos da Terra aos humanos.
            Criar uma fonte eterna
         Também fará jorrar água da rocha como a ajuda de seu arco, criando assim uma fonte destinada a jamais secar.
Vejamos por outra ótica
Já que as pessoas insistem em enfatizar as semelhanças, deixe-me percorrer o caminho contrário, enfatizando as diferenças e você verá que são conceitos completamente divergentes.

Tomarei por referência o artigo da Barsa Britânica.

MITRAÍSMO

CRISTIANISMO

Quanto ao sistema teológico

Politeísmo: Mitra é um deus dentre muitos outros para persas e gregos.

   Monoteísmo: Jesus é uma das pessoas da Trindade.

Quanto à Teologia

Mitra é o deus do bem

  Jesus é Deus acima de todas as coisas, inclusive do   bem e do mal

Mitra é o criador da luz

   Jesus é o criador e sustentador de todas as coisas

Quanto à compreensão do universo espiritual

O mitraísmo é dualista. Mitra é a divindade oposta aos deuses do mal

    O cristianismo é pleno. Jesus não é o oposto de Satanás. Jesus é Deus e Satanás, um anjo caído.

Quanto à eternidade

Mitra está em luta permanente contra a divindade obscura do mal

    Jesus derrotou o mal

Quanto à escatologia

Seu culto estava associado à crença na existência futura absolutamente espiritual e libertada da matéria

    A fé cristã afirma que voltaremos à nossa carne

Quanto à apologética

O centro do culto a Mitra era o sacrifício de um touro, símbolo do sacrifício original do touro da fecundidade, de cujo sangue brotava a vida e que proporcionava a imortalidade.

    O centro do culto cristão é o louvor a Deus e a prédica da Palavra, instruindo, exortando e     consolando os crentes.

Quanto à sociologia da religião

A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico

    O cristianismo tem raízes no judaísmo

Conclusão

A falsidade de todos os argumentos apresentado por Brown e pelos inúmeros pseudo pesquisadores é confrontada com a seguinte verdade sobre os atos dos cristãos frente a verdade que crêem:
Quem morreria por causa de uma imitação barata, especialmente sabendo ser uma cópia fajuta?
Posso confiar nos testemunhos dos apóstolos porque, daqueles doze homens, onze morreram como mártires com base em duas coisas:
         a – A ressurreição de Jesus.
         b – Sua crença nele como filho de Deus.
Todos os apóstolos sem exceção, foram martirizados com os mais cruéis métodos conhecidos:
 1 – Pedro – crucificado.
 2 – André – Crucificado.
 3 – Mateus – pela espada.
 4 – Tiago, filho de Alfeu – crucificado.
 5 – Filipe – crucificado.
 6 – Simão – crucificado.
 7 – Tadeu – morto a flechadas.
 8 – Tiago, irmão de Jesus – apedrejado.
 9 – Tomé – traspassado com uma lança.
10 - Bartolomeu – crucificado.
11 - Tiago, filho de Zebedeu – pela espada.
Eles e seu sangue derramado por amor a Jesus são um enorme testemunho de sua convicção.
Eles testemunharam a vida e obra de Jesus. E mais. Testemunharam Sua morte na cruz, ressurreição e ascensão.
Ora, que diga Dan Brown ou qualquer outro pseudo-estudioso o que quiser. Mas a história é imparcial e sempre se levantará para provar a verdade.
A Ele, toda a glória por todos os séculos, pois os cristãos no mundo inteiro continuarão dispostos a dar seu sangue e sua vida para testemunhar veracidade de sua singular experiência de salvação!

Ficou constatado neste estudo que

- As feições femininas no quadro de Da Vinci são parte de um estilo de pintura. Muitas outras pinturas e esculturas da época são assim retratadas (veja a escultura de Davi ……)
- Os apócrifos são ensinos gnósticos contraditórios e que foram combatidos pelos apóstolos e por seus discípulos depois deles.
- Jesus era crido como Deus pelos primeiros cristãos e que tudo o que está escrito na Bíblia foi atestado por eles
Citamos inclusive textos de não cristãos reconhecendo que os crentes adoravam a Cristo e por Ele morriam
- Os apóstolos foram os iniciadores do Cânon sagrado e seus discípulos, os continuadores.
-  A idéia de Constantino ter fraudado o cristianismo no Concílio de Nicéia é puro delírio
- Que não existe nenhum indício de que Jesus tenha beijado a boca de Madelena ou de que existiu sensualidade entre eles
- Que nenhum problema havia em Jesus ser celibatário. Isso era comum em Seus dias.

Colaboração para o Portal escolaDominical: Pr. Domingos Sávio Rodrigues Alves.
Revisão texto : Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

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Friday, September 1, 2006

E você o que pensa?

Autor

Pergunta

Moises Soares Dos Santos
30/08/2006

Estado - RN
Cidade - recife
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Nos cultos têm ou não têm ?


Ouvi falar de cultos em que Deus toma alguém de súbito,deixando tal pessoa desmaiada,ao que chamam de “Transladação” ou “arrebatamento dos sentidos”. Depois de certo tempo,a pessoa torna a consciência, e fala da experiência que passou(onde esteve,ou o que viu,ou ouviu),inclusive da total consciência da experiência extra-corpórea. Nunca em algum culto,vi nada parecido ,nem mesmo em virgílias. É isso possível,”em pleno culto”? Se é,porque hoje em dia não ocorre mais? Acontece na sua Igreja,já ouviu falar?Finalmente: Tem ou não na Igreja?

 

Autor

Resposta

Luiz Henrique De Almeida Silva
30/08/2006
Estado - MA
Cidade - imperatriz
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É normal sim, inclusive aconteceu em um culto onde estava pregando e uma jovem passou mais de seis horas assim, quando retornou ou voltou a si, disse que DEUS lhe revelou várias coisas. Comigo nunca aconteceu, mas já ouvi muitos testemunhos assim. Ocorre isso sempe em avivamentos. participei de dois grandes avivamentos onde era normal ocorrer isso. Tinha dia que passavamos a noite sorrindo, outras vezes, caiam todos pelo chão, outras vezes ESUS batizava as famílias todas, desde o pai até o filho ainda criança de seis anos, fazia isso com várias famílias, etc…

rodrigo oliveira da silva
30/08/2006
Estado - SP
Cidade - são paulo
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Para ser sincero, nem tenho uma opinião a respeito. Isso é muito particular de cada um. Comigo também nunca aconteceu, porém já vi muitos contarem isso: De que Deus “arrebata” a pessoa de onde ela está e a leva para “qualquer lugar”, inclusive ao “inferno”, ao “céu”, entre vários lugares. Não dou muita atenção a isso, não que eu desmereça, loge de mim tal, mas é complicado crer que para que alguém creia em Cristo(unico meio de ser salvo), tenha que ir ao inferno…! Mas, quem sou eu para julgar ou entender aquilo que Deus faz, estou aqui, e vivo aqui para crer!

Juceniel Silva Sampaio
30/08/2006
Estado - MG
Cidade - manhuaçu
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Em 2 co 12.1-6, encontramos base bíblica.

orivaldo da silva souza
30/08/2006
Estado - PA
Cidade - ananindeua
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Irmão Moisés. É possivel sim, nosso Deus é poderoso, e se apossa do seu povo de uma tal maneira que sai de nossas limitações. Mas o melhor mesmo é ter-mos nossa própria experiência com ele porque sua curiosidade em saber dessas maravilhas vai acabar e voce vai ter sua própria experiência col Ele, busque-o sempre, faça propósitos com Ele, diga Senhor eu quero ter novas experiências contigo. Agora quanto aos sorrisos relatados pelo irmão Luiz, isso não está escrito na biblia, e depois em que me seria útil, Deus me fazer sorrir pelo espirito? que proveito isso teria em minha vida? Fico com a palavra e “não abro”.

Moises Soares Dos Santos
31/08/2006
Estado - RN
Cidade - recife
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Irmão Orivaldo, agradeço o incentivo. Porém o que busco, é saber se tal experiência ocorria (ou ainda ocorre) durante os cultos. Sei que acontecem individualmente - Disso, pode ter certeza, eu jamais poderia duvidar… Contudo, pensei que se tratava de nossas experiências pessoais, não imaginava que ocorria nos cultos, por isso a curiosidade em saber.

valdenir bernardes
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - sud mennucci
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Esse negócio é meio suspeito, não que eu não creia, mas por favor queira me entender; Já vi muitas pessoas que disseram ter sido arrebatadas ao inferno e ao céu,e cada uma conta que viu um céu diferente da outra,assim tambem como o inferno. Será que cada um é arrebatado para um céu diferente do outro? já ouvi tanta baboseira dessas pessoas que fica difícil de se crer,digo baboseiras pois são coisas que até contrariam a palavra de Deus!!! Cuidado o diabo esta a enganar a muitos NÃO PRECISAMOS DESSAS REVELAÇOES POIS TEMOS NA MÃO A VERDADEIRA REVELAÇÃO DE DEUS,QUE É A BÍBLIA SAGRADA… ABRAM O OLHO…

valdenir bernardes
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - sud mennucci
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tambem concordo com o irmão Orivaldo,fico com a palavra, não abro mão dela !!! risadas??? manifestação estranha heim!!!

Luiz Henrique De Almeida Silva
31/08/2006
Estado - MA
Cidade - imperatriz
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Talvez seja devido a isso que não aconteça tantos avivamentos, o ESPÍITO SANTO não está sueito ao nosso achômetro, ELE faz da maneira que lhe aprouver. Nós não entendemos suas manifestações, mas na Rua Azuza também ocorria esses sorrisos e a alegria contagiante do ESPÍRITO tomava conta de todos, só tendo experiência no avivamento para poder entender. Busquemos o avivamento desejando que o ESPÍRITO SANTO seja livre para operar de sua maneira e não da nossa.

Saulo Gurgel de Lima
31/08/2006
Estado - RJ
Cidade - duque de caxias
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Os irmãos leram o Ponto de Contato da Lição 7? Um jornalista declara: “(…) corriam, pulavam, tremiam todo o corpo, gritavam com toda sua voz, tombavam sobre o assoalho coberto de serragem, sacudindo-se esperneando pelo chão(…)”. Era comum Gunnar dar risadas quando o poder era derramado sobre ele. Eu mesmo sou dos que começo a rir quando Deus está operando. Quanto arrebatamento, também já ouvi falar muito, no Congreço dos GMUH podemos comtemplar muitos sendo arrebatados. Não descartamos que haja “meninice”, porém usar isso para ser tornar ritualista, formalista… não podemos.

Carlos de Oliveira
31/08/2006
Estado - MS
Cidade - campo grande-ms
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Parabéns irmão Saulo pelo comentário. O amado foi feliz no seu comentário.O que acontece hoje em dia é que muitos estão querendo limitar o SENHOR, mas Ele continuará sendo Soberano e sua Palavra o referencial em nossas vidas.

João Batista Amaro da Silva
31/08/2006
Estado - MS
Cidade - corumbá
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Concordo plenamente que todas as coisas que Deus quer revelar ao homem tem sua maior fonte A PALAVRA DE DEUS. Porém nesses casos, acredito eu, cada um tem uma experiência pessoal com Deus, e as vezes nessas experiências Deus quer mostrar simplesmente que Ele é Deus, para que a nossa fé seja fortalecida.

orivaldo da silva souza
31/08/2006
Estado - PA
Cidade - ananindeua
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O derramamento na rua azuza ocorreu porque foi Deus quem quis, Ele determinou, Ele direcionou, acredito que tinha irmãos ali que nunca imaginara mergulhar tão profundo, havia um propósito de Deus. Agora os anos passaram e nunca estamos preparados com tamanha determinação, para por nós mesmos, alcançar um avivamento tão puro e incompreensivel vindo de Deus. Sei de uma profecia que saiu numa cruzada na Africa do Sul, quando Deus falou que vai derramar novamente um avivamento igual a este e vai começar aqui no Brasil. Eu creio nisto e espero ansioso. Quanto ao testemunho do jornalista fica duvidoso pois não se sabe se ele era crente ou se descreveu as cenas que viu de forma jornalística. Porque nestes relatos há coisas que confrontam a biblia, e passiveis de questionamentos.

Francisco Reis
31/08/2006
Estado - TO
Cidade - palmas
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Se alguns dos irmãos nunca tiveram uma experiência com Deus, não devem criticar os outros. Deus já me fez sorri por mais de meia hora me fazendo sentir uma alegria inexplicável, já falou comigo e eu tive o privilégio de ouvi a voz de Deus e já me fez interpretar línguas de uma forma inexplicável também, a pessoa falava em línguas estranhas e Deus me fez ouvir em português. Os mistérios de Deus não podem ser explicados. se Deus nunca fez com você, não critique os outros. e tem mais uma coisa, isso não faz um crente maior ou melhor que outro. os irmãos que são arrebatados não o são para crerem, são porque crêem. é bom pensar duas vezes antes de dizer que uma experiência de Alguém é desnecessária ou não tem base bíblica. vamos para a bíblia? ok. Deus mandou o profeta Oséis casar com uma prostituta. qual a repercusão disso no meio religioso da época? Mandou o profeta Ezequiel cortar barba,(coisa que o próprio Deus proibira na lei)como os “mestres da época viram isso? muitos diziam que não era Deus quem mandara o profeta fazer aquilo. os “mestres” da época de Jesus diziam que ele era enviado por “Belzebú” e muitos outros exemplos. tomemos cuidado queridos professores. nós somos os responsáveis por transmitir a palavra de Deus. que tipo de alunos queremos formar? alunos que não creem que Deus pode fazer qualquer coisa ou alunos que só acreditam em coisas que podem entender com o raciocínio? lembramos que a ação de Deus nem sempre pode ser entendida com a mente mas com a fé.

Anderson Roberto
31/08/2006
Estado - BA
Cidade - luis eduardo magalhães
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O nosso Deus não é autor de confusão.E o que ele realmente faz a verdadeira igreja conhece; entre os dons espirituais está o de descirnimento de espíritos,além do mais nós como servos de Deus temos o direito de provar se muitas manifestações que está acontecento em nossos dias são de Deus ou não.O que aconteceu na Rua Azuza foi realmente um manifestar de Deus que até hoje traz resultados. Mas o que está acontecendo em muitas igrejas ditas pentecostais é um mover de homens sem compromisso com o Espírito Santo, mas com emoções.Portanto meu irmão o nosso Deus pode fazer muitas coisas,e o que ele faz no meio do seu povo é para a edificação.Mas toda invecionice e inracional traz transtornos sérios para a obra de Deus. Vamos crescer na graçã e conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo!

Rodrigo Marques de Toledo
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - caçapava
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Então, querido irmão! Parabens pela coragem de colocar esse questão em pauta. Vamos lá! O Espírito Santo tem poder de fazer tudo que transcende ao nosso entendimento, certo? ERRADO!!! Por exemplo, Deus não pode se auto-destruir, ou fazer um triangulo redondo. Na verdade, tudo que Ele faz está de acordo com sua vontade revelada: a Palavra de Deus. No cap. 8 de Isaías, o profeta adverte que, se alguém não falar segundo as escrituras sagradas, seja maldito. Viu? Voltando ao assunto, vc pode encontrar na Bíblia uma única passagem (excessão) que mostra uma manifestação dessas (2 Co 12). Portanto, cuidado. Uma maneira de sabermos se o crente está fingindo ou não (zelar pela descência no culto) é elevar uma de suas mãos e deixar cair em direção ao rosto. Se a mão bater no rosto, ele realmente foi arrebatado. Se a mão se desviar do rosto para não bater, é porque o crente é sem-vergonha!

valdenir bernardes
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - sud mennucci
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Já ouviram falar na tal risada santa???? Aquela que as pessoas no culto é tomada e cai até pelo chão de tanto rir???? Ei acordem do sono da indolencia todos,não veem que o diabo esta a cirandar no meio da igreja de Cristo????´Nem toda manifestação é de Deus, provai os espiritos….

valdenir bernardes
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - sud mennucci
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Onde na igreja primitiva se ouviu falar de risadas???? se tiver então me mostrem pq na minha biblia até hoje não vi!!!

valdenir bernardes
31/08/2006
Estado - SP
Cidade - sud mennucci
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Foi muito sábio o comentario do irmão Rodrigo marques, parabens amado…

Sidney
31/08/2006
Estado - MG
Cidade - contagem

Querido irmão Francisco Reis, parabéns pelo comentário honesto e imparcial, principalmente espiritual. Lendo alguns dos comentários me senti até mal em saber que alguns de nossos irmãos, infelizmente não creem que Deus possa além daquilo que eles pensam. Estes colocam Deus dentro de uma caixinha e “ditam” o que Ele pode ou não fazer. Pena que exista no meio evangelico irmãos cientistas, estes querem provar por A + B tudo o que acontece na igreja, se um fato não cientificamente correto não pode. E com isso estão mandando embora dela toda e qualquer possibilidade de ocorrer um milagre, devido a essa falta de fé alavancada por um instinto religioso. Pensam que conhecem a Deus ao ponto de criticar as experiências de pessoas que mantêm um contato estreito com o Criador. Penso que precisamos urgentemente voltarmos à rua Azuza, e não, como fez alguém, colocar em xeque o que os repórteres noticiaram. Outrossim, concordo que realmente há algumas manifestações humanas (carnais), contudo sugiro que cada um de nós, nos curvemos com toda humildade diante do Rei dos Reis e busquemos nossas mais profundas e sinceras experiências. Amo a todos no amor do Mestre Jesus.
Posted by Adailton Souza at 12:57:32 | Permalink | No Comments »