Saturday, October 14, 2006

JESUS CRISTO, VERDADEIRO HOMEM E VERDADEIRO DEUS - Jo 1.1-5, 9-14   
OS TRÊS ESTÁGIOS DA SOBERANIA DE CRISTO         
1. A REVELAÇÃO DA SUA DIVINIZAÇÃO 
a) É expressada na eternidade com a Sua identidade - Jo 1.1  Ap 1.8  Jo 6.51
b) É expressada na eternidade com a Sua atividade - Jo 1.3  Jo 1.10  Hb 1.10
c) É expressada na eternidade com a Sua finalidade - Mc 12.6  Mt 20.28  Jo 1.29
2. A REVELAÇÃO DA SUA HUMANIZAÇÃO
a) Foi confirmada através da Sua encarnação - Jo 1.14  Lc 24.39  Gl 4.4
b) Foi demonstrada através da Sua humilhação - Fl 2.7  Fl 2.8  Gl 3.13
c) Foi autenticada através da Sua exaltação - Mt 28.18  Fl 2.9  Hb 2.9
3. A REVELAÇÃO DA SUA GLORIFICAÇÃO
a) Se consolidou derrotando a morte nos trazendo vida - Jo 3.16  Jo 10.10  Jo 10.28
b) Se consolidou dissipando as trevas nos trazendo luz - Jo 1.5  Jo 12.46  Mt 14.16
c) Se consolidou abalando o inferno nos trazendo paz - Jo 14.27  Rm 5.1  Jo 16.33
Pr Adilson Guilhermel
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Monday, October 2, 2006

A importância da Bíblia para os dias atuais


                 A Palavra de Deus - viva, infalível, eterna - é totalmente fidedigna. É somente ela que deve nortear as decisões, que sacia a fome do coração e preenche as lacunas da alma. Ela revela quem é o Criador, quem é Satanás, exibe o plano de Deus para salvação dos perdidos e expõe os erros que vão surgindo, frutos dos pecados e imperfeições humanas.             

 Os fatos históricos demonstram que os relatos e os ensinos bíblicos são de origem divina. A Bíblia contém uma revelação divina. Não se trata de uma fé cega, calcada no subjetivismo. Trata-se de uma fé objetiva que pode ser analisada e explicada. A pessoa que abraça o cristianismo não precisa aposentar a cabeça. Ela deve continuar pensando e exercendo o seu senso crítico. A fé cristã, embora transcenda a razão, não é irracional. Ela faz sentido. Alguém (não me lembro quem) até colocou isso muito bem com a seguinte frase: “O meu coração não consegue se alegrar totalmente com aquilo que a minha mente não entende a contento”.

Existem aqueles que afirmam não crer na Bíblia por que ela foi escrita por homens. Quando alguém me diz isso, pergunto logo: “E você, queria que ela tivesse sido escrita por um cavalo? Aí sim, não daria para crer”. A Bíblia foi de fato escrita por homens, e o próprio apóstolo Pedro não negou isso ao escrever: “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.20, 21).

UM LIVRO INCOMPARÁVEL

O que vem a seguir sãos algumas declarações que demonstram ser a Bíblia Sagrada um livro sem paralelo, diferente de todos que já foram escritos:

  • A Bíblia é o único livro no mundo que oferece provas objetivas de ser a Palavra de Deus. Somente a Bíblia fornece provas reais de ser divinamente inspirada.
  • A Bíblia é a única Escritura sagrada que oferece salvação eterna como um Dom totalmente gratuito da graça e da misericórdia de Deus.
  • A Bíblia contem os mais elevados padrões morais dentre todos os livros.
  • Somente a Bíblia apresenta o mais realístico ponto de vista sobre a natureza humana, tem o poder de convencer as pessoas de seus pecados e a habilidade de transformar a natureza humana.
  • Somente a Bíblia oferece uma solução realística e permanente para o problema do mal e do pecado humano.
  • As características internas e históricas da Bíblia são excepcionais em sua unidade e consistência interna, apesar dela ter sido produzida por um período de mais de 1,500 anos, por mais de 40 autores diferentes, em três línguas, em três continentes, discutindo uma enorme quantidade de assuntos controvertidos, e ao mesmo tempo mantendo uma harmonia entre eles.
  • A Bíblia é o livro mais traduzido, mais comprado, mais memorizado e o mais perseguido em toda a história.
  • Somente a Bíblia tem resistido dois mil anos de intenso escrutínio pelos seus críticos, não apenas sobrevivendo aos ataques, mas prosperando e tendo a sua credibilidade fortalecida por tais críticas.
  • A Bíblia tem moldado a história das civilizações mais do que qualquer outro livro. A Bíblia tem tido mais influência no mundo do que qualquer outro livro.
  • Somente a Bíblia tem uma Pessoa específica (centrada em Cristo) como assunto em cada um de seus 66 livros, detalhando a vida dessa Pessoa através de profecias e tipos, por um período de 400 - 1,500 anos antes dela nascer.
  • Somente a Bíblia proclama a ressurreição de sua figura central (Jesus Cristo), provada na história. [1]

A IMPORTÂNCIA DA HERMENÊUTICA

O mundo vive cercado de um desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes na história da humanidade. E apesar de todos os avanços conseguidos até agora, o ser humano continua sendo um fracasso moral e espiritual desde o Éden. Por esta razão, a Bíblia Sagrada tem sido, e sempre vai ser, um livro indispensável.

Por se tratar de um livro de extrema importância, é preciso, ao mesmo tempo, interpretá-lo de acordo com as regras da hermenêutica, a ciência que estuda a interpretação de textos. Assim, pode-se dizer que a Bíblia é como uma navalha. Com ela se faz a barba, mas com ela se corta também o pescoço. Depende da maneira como ela é usada. Quando os princípios da hermenêutica e da exegese bíblica são abandonados, os abusos, as manipulações e os ensinos controvertidos começam a se multiplicar ao redor da Palavra de Deus. A ética desaparece do ministério cristão e da vida dos adeptos do cristianismo. Infelizmente, a situação atual reflete bastante este abandono da fidelidade bíblica, gerando mau testemunhos, suspeita, heresias e transtorno para o progresso do evangelho. Parte disso será tratado, a partir de agora, neste artigo. O leitor vai constatar que vários segmentos do evangelicalismo brasileiro abandonaram os princípios sólidos de interpretação bíblica, sucumbindo as pressões do marketing, do mercado e do capitalismo, em suas formas de atuar e de desenvolver o ministério cristão.

 O QUADRO ATUAL

Uma das características de uma boa parte da Igreja Evangélica Brasileira é a sua avidez por novidades. Muitas igrejas hoje, ditas evangélicas, não se contentam mais com a sã doutrina pregada pelos apóstolos e pais da Igreja - mais tarde defendida pelos reformadores - e vivem numa busca constante de novidades e modismos doutrinários.                                            

 Uma das últimas novidades a invadir o arraial evangélico brasileiro chegou de Bogotá, na Colômbia.  Idealizado por César Castellanos Dominguez, o  G 12 (Grupo dos Doze) é um movimento que propõe o crescimento das igrejas através de células, com reuniões nas casas. Até aí, tudo bem! De fato, não existe nada de errado em dividir a igreja em células ou grupos familiares para reuniões nos lares ou outros locais. Muitos grupos ao redor do mundo tem feito isso e até com bons resultados. Pode dar certo para uma igreja, enquanto que para outra não. Depende das circunstâncias, do contexto geográfico, social ou de outros fatores.

Agora, o que preocupa em relação ao G 12 é o emprego de práticas e ensinos contrários a Palavra de Deus, tais como quebra de maldições hereditárias, cura interior, mapeamento espiritual e liberar perdão à Deus. O G 12 é ainda apresentado como o último avivamento de Deus na terra. É de fato, muita pretensão!

Outra coisa curiosa é a facilidade com que muitos líderes têm de criar os locais sagrados de peregrinação. Enquanto o catolicismo romano conta com Aparecida do Norte, Lourdes, Fátima, o movimento da Nova Era  com a  Fundação Findhorn, na Escócia, o Instituto Esalen, na Califórnia, Machu Pichu, no Peru, muitos evangélicos partiram em caravanas para Toronto, no Canadá, em busca da gargalhada sagrada. Outros foram em grupos para Pensacola, nos Estados Unidos, em busca de avivamento. E agora, por último, a febre virou-se para Bogotá, na Colômbia, em busca, segundo eles, da única fórmula capaz de fazer a igreja crescer aos milhões. Qual será a próxima onda?

A igreja evangélica hoje, em sua grande maioria, é uma igreja mundana, que segue os mesmos padrões de mercado e competição do mundo secular. Há uma mudança da visão bíblica para a visão empresarial. Antigamente, as qualidades valorizadas num líder cristão eram a sua vida de oração e ética, as suas habilidades e dons para interpretar e transmitir a Palavra de Deus, o seu convívio com as ovelhas, cuidando de suas feridas e levando as suas cargas.                        

     Hoje, o líder bem sucedido deve ser um animador de auditório, um especialista em marketing, sempre apressado, vestido com roupas de grife, freqüentando os melhores restaurantes e vivendo em mansões, com uma agenda cheia, sem tempo para orar, meditar e conviver com as ovelhas. Aliás, há muitos líderes hoje que amam a multidão e odeiam os indivíduos. Eles gostam da massa, mas nunca têm tempo para as pessoas. Os tempos realmente mudaram!

Assim, as pressões do mercado levam os líderes e as igrejas a se tornarem extremamente criativos na tarefa de arregimentar seguidores. Estes já não são vistos como uma vida, uma alma pela qual Cristo morreu, mas como uma fonte de renda para encher os cofres de uma instituição que vai saciar a ganância e a luxúria de seus dirigentes. Surgem assim as sete sextas-feiras do poder, as sete quartas-feiras da prosperidade, os cultos de libertação, a reunião dos empresários. Etc.

Outra coisa preocupante é o grande uso de símbolos, práticas e artefatos para se pregar o evangelho. Há de tudo: tapete ungido, arruda, sal grosso, corredor do amor, vassoura de fogo, mirra para embelezamento do corpo, cair, soprar, sandália de fogo, uma série enorme de correntes (da prosperidade, libertação, saúde, do amor etc.). Ora, o evangelho não foi feito para os olhos. O evangelho foi feito para o coração e para o intelecto, para a mente. Tanto que a fé cristã tem poucos símbolos. Ela tem os símbolos do batismo e da ceia. Não há preocupação com uma variedade de símbolos, pois o cristão adora a Deus em espírito (ou Espírito) e em verdade. Isto quer dizer que o nosso serviço a Deus deve ser segundo a orientação do Espírito Santo em dentro dos parâmetros da Palavra de Deus, que é a verdade (Jo 17.17). Assim, uma grande necessidade do momento no mundo evangélico é uma volta ao fundamento firme da Palavra de Deus.

DE VOLTA À BÍBLIA

Quando o apóstolo Paulo chegou a Mileto, enviou um recado aos anciãos de Éfeso para que se encontrassem com ele, pois queria falar-lhes. O texto de Atos 20.17-38 revela vários aspectos do caráter de Paulo e algumas de suas prioridades ministeriais. O texto também fala de sua humildade, suas lágrimas e tentações na pregação do evangelho.

Paulo relata aos líderes de Éfeso que, nas suas viagens, ele nunca sabe o que vai lhe acontecer, senão aquilo que o Espírito Santo lhe revela, de cidade em cidade, dizendo que lhe esperam prisões e sofrimentos (v. 23). Assim, pode-se perceber que não existe na vida do apóstolo a preocupação com o conforto, a busca do luxo ou de reconhecimento. Ele nem mesmo considera a sua vida importante. Para ele, o mais importante é cumprir a sua carreira e dar testemunho do evangelho (v.24). Por isso, Paulo nunca deixou de anunciar-lhes toda a vontade de Deus (v.27).

Em seguida, Paulo faz uma séria advertência: “Sei, que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, por três anos, jamais cessei de advertir a cada um de vocês, noite e dia, com lágrimas” (Atos 20.29-31).

  Por um lado, vejo hoje o crescimento das seitas e a infiltração de heresias no seio da igreja evangélica com muita tristeza. Por outro lado, sou obrigado a reconhecer de que se trata de um cumprimento profético. A Bíblia diz que isso iria acontecer. Ao escrever à Timóteo, Paulo declara: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Timóteo 4:1).                                 

    Na Segunda vez que escreveu a Timóteo, o apóstolo volta ao assunto. Mesmo sabendo que sua morte estava próxima, a preocupação de Paulo ainda é com a sã doutrina. Observe suas palavras: “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2Timóteo 4.1-4). Paulo não diz à Timóteo: pregue sonhos, visões, revelações ou experiências. Embora haja espaço para tudo isso na vida espiritual, a ênfase do apóstolo é na Palavra de Deus.

Não foi apenas Paulo quem se preocupou com a sã doutrina. O apóstolo Pedro também tratou do assunto na sua segunda carta, ao escrever: “Mas surgiram também profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos destes homens, e por  causa deles, será difamado o caminho da verdade” (2Pedro 2.1-2).

Talvez esteja aqui a resposta que muitos me têm feito ao redor do Brasil. Por que os movimentos religiosos controvertidos e as igrejas evangélicas que abrem suas portas para ventos de doutrinas crescem tanto? A resposta é: por que é bíblico. A Bíblia disse que muitos seguiriam os seus falsos ensinos. Muitos hoje querem dar validade bíblica a um movimento por causa do seu crescimento.

                             Ora, o crescimento numérico não é um critério válido para definir se algo é de Deus ou não. Se assim fosse, como ficaria o dilúvio, quando a maioria estava fora da arca e apenas uma minoria dentro dela? Se a quantidade fosse um critério válido, teríamos então que admitir que o Islamismo é a única verdade de Deus na terra, pois não há grupo maior ou que cresce mais.                    

    O argumento da quantidade é muito usado pelos líderes do G-12. Ora, se juntássemos todas as igrejas do G-12, o movimento não seria maior do que a Igreja Mórmon. Logo, quantidade não pode ser a evidência de que Deus esteja aprovando algum movimento.

Como é bom constatar que os líderes de Éfeso levaram a sério as palavras de Paulo em Mileto. Quando lemos a carta à Igreja de Éfeso, no Apocalipse, vamos encontrar a seguinte declaração do Senhor: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por cauda do meu nome e não tem desfalecido” (Apocalipse 2.2, 3).

                Diante dos textos mencionados aqui e ao olhar o cenário evangélico brasileiro hoje, nada se torna mais importante para igreja evangélica do que uma volta à Palavra de Deus. A Igreja no Brasil precisa, urgentemente, de voltar a pregar o evangelho da salvação e não da solução. A enfatizar os tesouros eternos e não o sucesso presente. Lamentavelmente, há igrejas hoje mais interessadas em fabricar milionários do que transformar pecadores em santos. Infelizmente, em muitos púlpitos evangélicos, Satanás já levou a melhor. Que Deus tenha misericórdia de nós!                        

  Fonte: Dr. Paulo Romeiro

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Lição nº 2 - Deus, o ser supremo por excelência

                  Deus Se revelou ao homem, seja pela criação (revelação geral), seja pelas Escrituras (revelação especial).

INTRODUÇÃO

- Deus, por definição, é o Ser Supremo, o Ser Soberano. Por isso, nós, seres humanos, jamais conseguiríamos atingi-lO e conhecê-lO (Is.55:8,9). Por isso, fez-se preciso que o Senhor Se revelasse ao homem.

- Todos os homens têm condição de perceber a existência de Deus, porque o Senhor criou todas as coisas e a criação manifesta a Sua existência (Sl.19:1-3; Rm.1:19,20). Mas, além da criação, o Senhor Se revelou de forma especial ao homem através da Bíblia Sagrada, a Sua Palavra. Por isso, podemos muito bem saber quem é Deus e, nesta lição, aprendermos o ensino bíblico a respeito deste excelente Ser.

I – A EXISTÊNCIA DE DEUS

- A primeira doutrina de que se deve tratar ao se estudar a Bíblia Sagrada é, sem dúvida, a que diz respeito ao seu próprio autor, ou seja, a Deus. Sendo a Bíblia, como é, a Palavra de Deus, tem-se como até certo ponto evidente que se deva iniciar o estudo dos ensinos bíblicos pelo que a Bíblia diz a respeito do seu autor, dAquele que Se revela ao homem através das Escrituras, isto é, do próprio Deus. Este ensinamento é o que se convencionou chamar de “Teologia propriamente dita” ou “Teontologia”, ou seja, a “doutrina de Deus”.

- O primeiro ponto que devemos deixar bem claro é que a Bíblia não se preocupa, em momento algum, em demonstrar ou querer provar a existência de Deus. Deus é um dado que surge logo no início do relato da Criação: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1). Deus, assim, surge como o único existente, o único que sempre existiu, que não tem princípio nem fim. Esta mesma circunstância, para quem entende que o primeiro livro da Bíblia a ser redigido foi o livro de Jó, também se apresenta naquele livro, que, no seu início, também revela um ser que já existia ao tempo dos demais (Jó 1:1,6).

- Tem-se, aliás, neste ponto, uma das principais diferenças entre a teologia, que é o estudo racional a partir da revelação divina, e as demais atividades do conhecimento humano (filosofia, ciência, arte, mitologia), que têm como ponto de partida a razão humana e não a revelação divina. Os homens buscam, de todas as formas, uma forma de se provar a existência de Deus por intermédio da razão, mas isto é totalmente dispensável para quem se baseia nas Escrituras, que, já no seu intróito, mostra Deus como o Ser que existe, Aquele que é o que é (Ex.3:14). Daí porque não haver qualquer sentido em se ficar indagando sobre provas de que Ele exista ou não, pois a Bíblia se contenta em apenas revelar que Deus existe e ponto final (I Co.8:6; II Co.4:4; Hb.11:5).

- A Bíblia Sagrada, também, mostra-nos, com absoluta clareza, que, além de existir, Deus é único, sendo, esta, aliás, uma peculiaridade da revelação divina que causa espécie nos homens até hoje. Os estudiosos e historiadores ficam a indagar porque o povo hebreu chegou, ao contrário de todos os povos à sua volta, à concepção de um único Deus, mas, a verdade, como sabemos, é que isto não foi fruto de qualquer mente humana, mas o resultado da revelação divina, que, desde quando chamou Abrão para que saísse de Ur dos caldeus, revelou-Se ser um único Deus. Deus é um só, é outra lição que aprendemos a respeito do Senhor (Dt.4:35; Is.42:8; 44:6,8; I Rs.18:39).

- A despeito de a Bíblia não se preocupar em provar se Deus existe ou não, temos que apresenta diversos fatores que fazem com que percebamos a existência de Deus, ou seja, embora não seja preocupação das Escrituras trazer argumentos pelos quais possamos conceber a existência de Deus, há circunstâncias que nos revelam que Deus existe.

- O primeiro fator que nos mostra que Deus existe é o fato de que há uma crença universal em um Ser Supremo. A idéia de Deus, mesmo para aqueles que a rejeitam, é uma idéia que exsurge em todas as civilizações, em todos os povos, em todos os tempos e lugares. O apóstolo Paulo, quando se encontrava perante os maiores sábios de seu tempo, os filósofos do Areópago, atestou esta realidade ao afirmar que, os atenienses, do alto de sua filosofia, honravam a um “Deus desconhecido”, prova de que, mesmo de uma forma até certo ponto inconsciente, os homens buscam ao Senhor, como os cegos buscam um caminho a seguir tateando os objetos que estão à sua volta e que são incapazes de enxergar.

OBS: A propósito, interessante é a leitura da obra de Don Richardson, “o fator Melquisedeque”, onde se demonstra como, em todas as culturas, as mais primitivas, há a noção de um Deus único que está no controle de todas as coisas criadas.

- O segundo fator que nos mostra que Deus existe é a consciência, esta faculdade do espírito humano que nos indica o que é o certo e o que é o errado, verdadeira “filial” divina em nosso ser. Com efeito, a consciência dá-nos a demonstração clara e evidente de que existe alguém que está acima de nós, indicando o que é o correto e o que não o é, ou seja, a consciência traz-nos a vontade de um ser que comanda todas as coisas e que a todos julgará pelas suas ações. A compreensão que temos de que fizemos algo justo ou injusto, bom ou mau, ao contrário do que dizem muitos “sábios” do nosso tempo, não é resultado puro e simples de nossa educação ou do ambiente em que vivemos, pois, se assim fosse, não haveria o arrependimento ou a convicção interna, muitas vezes não confessada, de que erramos ao tomarmos esta ou aquela atitude, ainda que tal gesto tenha tido a aprovação do ambiente em que vivemos. A consciência é uma verdadeira “lei escrita nos corações” (Rm.2:15), que nos indica a presença de um Ser superior, a dizer o que se deve, ou não, fazer. Este ser outro não é senão o próprio Deus.

OBS: Neste passo, é a constatação de que existe injustiça no mundo e de que, portanto, há de se ter um julgamento na vida além-túmulo, que levou o filósofo alemão Immanuel Kant a demonstrar a existência de Deus, ainda que no campo da ética.

- O terceiro fator que nos evidencia a existência de Deus, segundo as Escrituras, é a criação do mundo. A grandeza da criação de todas as coisas, a imensidão do universo e, no nosso planeta, de tudo o que foi criado, tem por finalidade mostrar ao homem a glória de Deus (Sl.19:1). A natureza, dizem os estudiosos da doutrina de Deus, é o primeiro livro escrito por Deus ao homem, de tal maneira que a criação, por si só, é suficiente para revelar Deus ao ser humano e torná-lo sem desculpa diante de uma eventual rejeição ao Seu senhorio (Rm.1:20).

- Estes dois últimos fatores relativos à revelação divina ao homem, combinados entre si, trazem o que se conhece por “revelação geral de Deus”, ou seja, é uma forma de Deus mostrar-Se ao homem e dar sinal de Sua existência e soberania, de modo absolutamente uniforme a todos os homens. Todo ser humano consegue, assim, perceber que Deus existe, seja pela criação do mundo, seja pela consciência. Esta revelação é a todos os homens e, por isso, a Bíblia diz que jamais nenhum ser humano poderá dizer que nunca teve a oportunidade ou a possibilidade de perceber que Deus existia. É por isso que não devemos achar que, no julgamento do Trono Branco (o chamado “juízo final”), haverá pessoas que possam apresentar a Deus esta desculpa, pois todo ser humano foi capaz de perceber, por sua consciência e pela criação do mundo, que Deus existia e que era o Senhor de todas as coisas e a quem, portanto, se devia obediência e submissão.

- O quarto fator pelo qual tomamos consciência da existência de Deus é a própria Bíblia Sagrada. Com efeito, é ela a maior revelação de Deus aos homens, pois demonstra qual é a vontade de Deus e, desta maneira, faz com que O conheçamos (I Jo.1:7). Aliás, a Bíblia é a verdade (Jo.17:17) e, como Deus é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), vemos que a Bíblia é o meio para percebermos que Deus existe e quem Ele é.

- O quinto fator pelo qual se evidencia a existência de Deus é através da pessoa de Jesus Cristo, o Emanuel, ou seja, Deus conosco (Mt.1:23). Através de Cristo, sabemos quem é Deus (Lc.10:22; Jo.1:16; 14:6,9). Como disse o escritor aos hebreus, o Filho é “o resplendor da Sua glória, a expressa imagem da Sua Pessoa” (Hb.1:3). Por isso, Jesus foi bem claro ao afirmar que quem O conhecia, conhecia ao Pai.

- O sexto fator pelo qual se evidencia a existência de Deus é por intermédio da experiência pessoal da salvação. Quando somos salvos, Deus vem habitar em nosso interior (Jo.14:23) e, então, notaremos que Deus existe e que está disposto a estar conosco para sempre. Sentimos que Deus não está distante de nós, não mais tateamos, mas com Ele mantemos um relacionamento, um permanente diálogo, que nos traz a certeza de que não só Deus existe como também que somos Seus filhos (Ef.2:13; Gl.4:6; Mt.6:9).

- Estes três últimos fatores compreendem o que se costuma chamar de “revelação especial de Deus”, ou seja, uma revelação que Deus apenas àqueles que aceitam a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, ou seja, não é uma revelação a todos os homens, mas apenas aos que atendem ao chamado para a salvação. Esta revelação é o resultado do convencimento que o Espírito Santo faz no homem do pecado, da justiça e do juízo, conseqüência da fé que veio pelo ouvir pela Palavra de Deus.

II – A REVELAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DE SEUS ATRIBUTOS

- Dissemos que a preocupação da Bíblia Sagrada não é provar a existência de Deus, mas que, apesar disto, as Escrituras nos mostram várias evidências que demonstram que Deus existe, evidências estas que são gerais, ou seja, abrangem a todos os seres humanos, ou especiais, isto é, reservadas apenas àqueles que crêem em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas.

- No entanto, como vimos, o objetivo da Bíblia é revelar Deus ao homem e, através das páginas sagradas, podemos ver que Deus tem prazer em mostrar ao homem quais são as Suas qualidades, os Seus atributos, a fim de que o homem não tenha qualquer receio em servi-lO e perceba quão proveitoso é desfrutar da comunhão com o seu Criador.

- A primeira qualidade que a Bíblia dá de Deus é que Ele é um Deus vivo. O Nosso Deus é um Deus vivo, ou seja, que tem vida, não é um Deus morto, como os milhares e milhares de deuses criados pelos homens ao longo de sua triste e trágica história de pecados. Jeremias não teve dúvida ao afirmar que “Ele mesmo é o Deus vivo” (Jr.10:10), como o salmista ao dizer que “faz tudo o que Lhe apraz” (Sl.115:3). Deus é um Ser que vive, que tem vida, que existe independentemente da existência dos homens e que não está circunscrito à imaginação fértil dos homens, que sempre buscam suas invenções
(Ec.7:29).

- O fato de que Deus é vivo é de grande importância para nós que O servimos. Muitas vezes, por não ouvirmos a voz do Senhor, por parecer que Ele está calado, somos tentados ao desânimo e até a desistirmos da caminhada com Ele. Entretanto, nunca devemos nos esquecer que Ele é vivo e, portanto, tudo percebe, tudo sente, tudo observa, não podendo, vivo que é, permanecer indiferente ao que se passa conosco. Lembremo-nos: Deus é vivo! (At.14:15; Ii Co.6:16; I Ts.1:9; Hb.10:31; 12:22).

- A segunda qualidade divina é a de que Deus é a fonte da vida. Deus não somente é vivo, como, também, é a fonte de toda a vida. Só Deus pode dar a vida (Gn.1:11,12,20-22, 24-26), seja a vida biológica, seja a vida espiritual (Jo.5:26; At.17:25; Rm.6:23).
Apesar de todas as tentativas da avançada ciência, não se conseguiu criar a vida em laboratório e, a se ver pelos rumos da ciência na atualidade, em busca da “clonagem”, que é a obtenção de uma “vida” a partir de outra pré-existente, sem a necessidade dos processos de reprodução, tem-se uma verdadeira admissão de que é impossível criar-se a vida do nada, pois a única fonte de vida é o próprio Deus.

OBS: “…– A origem da vida por acaso – uma impossibilidade! Resume-se a seguir parte do livro de Fernando De Angelis intitulado A Origem da Vida, que tem trechos muito ilustrativos da impossibilidade estatística da origem da vida ao acaso:”Em 1953, Miller submeteu uma mistura de hidrogênio, água, metana e amônia a descargas elétricas, durante uma semana, e obteve uma mistura de pequenos compostos orgânicos, entre os quais uma discreta quantidade dos dois aminoácidos simples – glicina e alanina – presentes em todas as proteínas. Geralmente, a experiência de Miller é mencionada afirmando-se que nela se formaram “aminoácidos” (e não apenas dois aminoácidos simples), que representam a unidade constitutiva das proteínas, componentes fundamentais da matéria viva. Essa maneira de expor não leva em consideração os obstáculos que se devem superar para sintetizar os aminoácidos em proteínas, nem os obstáculos infinitamente maiores para passar das proteínas às células vivas. Ao leitor é transmitida, assim, a idéia enganosa de que a vida foi reproduzida em laboratório, ou quase! “À parte a suposição feita com relação à atmosfera ‘primitiva’, na experiência de Miller, e mesmo que, mediante outras experiências fosse encontrado um sistema mais eficaz para produzir aminoácidos ao acaso, haveria ainda numerosos outros problemas a resolver. Por exemplo, além dos 20 aminoácidos que constituem as proteínas, existem outros 150 não protéicos, que, se fossem misturados com os outros, criariam outro obstáculo praticamente insuperável para a formação das proteínas exatas. Seria como se quiséssemos escrever um livro tirando, ao acaso, letras do alfabeto latino que estivessem em uma caixa, juntamente com as letras de outros sete alfabetos! “Mas os problemas não cessariam aí. Todos os aminoácidos, com exceção da glicina, o mais simples deles, são assimétricos, existindo sob as formas levógira e dextrógira, e quando se formam externamente às células, ao acaso, metade deles é de uma forma, e metade da outra. Em contraste, todas as moléculas fundamentais, em todos os organismos vivos, apresentam a mesma forma – levógira. Em outras palavras, seria de esperar que, se os seres vivos tivessem se originado ao acaso, poderiam ser constituídos com compostos de uma ou de outra forma, ou da mistura de ambas as formas, o que não se verifica! “Outras dificuldades para a formação das proteínas ao acaso podem ser ilustradas com a resposta à pergunta: Que volume de proteínas seria necessário para compor determinada proteína ao acaso? Escolhendo-se uma proteína das mais simples, constituída apenas de 100 aminoácidos, seria necessário um volume de proteínas equivalente ao de um cubo de 1033 quilômetros de aresta para a obtenção daquela proteína determinada, pelos mecanismos do acaso! Como ilustração, para um foguete que se deslocasse com a velocidade da luz (correspondente a sete voltas em torno da Terra, por segundo), seriam necessários 100 quintilhões de anos para percorrer a distância igual à da aresta desse cubo imaginário! “Suponhamos que, no caldo primordial, por algum lance de sorte, tivessem sido formadas, além de numerosas outras substâncias semelhantes, também as substâncias que entram na constituição de uma célula. Nem por isso teria sido formada a primeira célula viva. As células são constituídas por milhares de substâncias estritamente coordenadas entre si. Se as substâncias que devem ser justapostas estiverem espalhadas em meio a uma infinidade de outras substâncias semelhantes, é difícil imaginar que exatamente aquelas, e somente elas, se juntassem ao acaso. E, mesmo que elas se juntassem, não teríamos ainda chegado a formar uma célula. De fato, se triturarmos células vivas em um liqüidificador, obteremos todas as substâncias necessárias para a sua constituição, mas não se formarão novamente células, porque os vários componentes não apresentam a “tendência espontânea” de novamente combinar-se entre si. Além do mais, devemos pressupor que no hipotético caldo primordial existissem muitas substâncias venenosas que, mesmo em pequenas concentrações, impedissem a ocorrência da vida. Portanto, mesmo que se tivesse formado uma célula, ela poderia não ter sobrevivido. “Os que apóiam a abiogênese mantêm em mente essas objeções, mas mesmo os mais bem-informados e equilibrados entre eles tomam as medidas necessárias para remediar o assunto, passando a falar de um evento que é estatisticamente improvável, mas que poderia ter ocorrido como evento praticamente único mediante uma combinação particularmente feliz de circunstâncias. Crick, famoso pela determinação da composição do DNA, exprime-se desta maneira: Um homem honesto, munido de todos os conhecimentos atuais, só pode afirmar, por ora, que, dado o enorme número de condições que seriam necessárias para que o mecanismo pudesse ser posto em ação, a origem da vida parece quase um milagre! Quando se passa a falar de evento praticamente único, e quase milagre, não mais estamos no campo da ciência, e sim da conjectura ou da especulação! …” (VIEIRA, Ruy. Comentários ao estudo 5 – Uma criação recente. In: Lições da Escola Sabatina. 3. trimestre de 1999. Disponível em: http://www.scb.org.br/htdocs/periodicos/licoes/indgcom399.html Acesso em 24 ago. 2006).

- A terceira qualidade de Deus que nos mostram as Escrituras é a Sua pessoalidade (Jó 13:8). Deus é pessoal, não uma força cósmica que não sente, que não pensa ou que não participa do que ocorre com Sua criação, mas, bem ao contrário, um Ser pessoal, que tem entendimento (Is.55:8,9), sensibilidade (Jo.3:16) e vontade (Ed.10:11; Sl.40:8; Mt.6:10; 7:21; Jo.5:30; 6:39). Por ser pessoal, Deus não Se confunde com a natureza que Ele criou.

- A quarta qualidade divina a ressaltar é a Sua eternidade, como acima ressaltado. Deus não tem princípio, nem fim, é o único Ser eterno que existe  (Sl.90:2). Deus é desde sempre (Hc.1:12), o princípio e o fim (Ap.1:8). Daí porque ter Se apresentado a Moisés como “Eu sou o que sou” (Ex.3:14). O tempo para Deus simplesmente não existe, havendo para Ele um eterno presente.

- A quinta qualidade de Deus é a Sua imortalidade, que é decorrência de Sua eternidade, mas que com ela não se confunde. Com efeito, quando vamos à civilização grega antiga, verificamos que os deuses gregos também eram imortais, embora não fossem eternos. Deus é eterno e, por isso, também é imortal, ou seja, sendo vivo jamais morrerá. Ao contrário do que afirmaram alguns pensadores, como o alemão Friedrich Nietzsche, que teve a petulância de afirmar que “Deus havia morrido”, Deus não é uma idéia que tenha tido origem na imaginação humana, mas um Ser que jamais deixará de existir, que vive para todo o sempre, como desde sempre existiu (Sl.102:12; I Tm.1:17; 6:16).

- A sexta qualidade de Deus é a Sua imutabilidade, ou seja, Deus não muda, nem pode mudar, pois, sendo eterno, sendo desde sempre, da forma como é, permanecerá a ser indefinidamente. Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Ml.3:6; Tg.1:17). Ele sempre é o mesmo (Sl.102:27; Hb.1:12). Esta imutabilidade de Deus é uma garantia para o homem, como se vê, por exemplo, quando do juramento que Deus fez a Abraão (Hb.6:17,18). Desta imutabilidade, decorre a fidelidade divina para com a Sua criação, como veremos infra.

- Ao se falar na imutabilidade de Deus, alguns poderão questionar tal qualidade pela circunstância de que, por mais de uma vez, a Bíblia nos fala que Deus Se arrependeu de ter feito algo, como, por exemplo, em passagens como Gn.6:7; I Sm.15:11,35, II Sm.24:16, I Cr.21:15, Jr.26:19; Am.7:3,6; Jn.3:10. Haveria, assim, uma contradição nas Escrituras, já que o arrependimento é incompatível com um Deus que não muda?

- Muitos procuram enxergar nestas passagens bíblicas um “furo” na Bíblia Sagrada, uma “contradição” bíblica, nesta busca insana que os inimigos da Palavra de Deus têm para tentar desacreditar o seu Criador. Entretanto, uma vez mais, são eles fracassados neste seu intento. A expressão bíblica de “arrependimento” em relação a Deus nada mais é que uma “antropopatia”, ou seja, uma expressão de nossa linguagem para tentar nos fazer compreender uma atitude divina. Deus está acima da nossa compreensão e, por isso, temos de nos valer da pobreza de nosso vocabulário para tentar compreender e entender as ações divinas. É o que acontece com a palavra “arrependimento”.

- Na verdade, todas as vezes em que a Bíblia menciona que “Deus Se arrependeu”, o que está em foco não é uma mudança de Deus em Suas atitudes, mas, sim, uma resposta de Deus em virtude da mudança proporcionada pelo comportamento humano. Deus criou o homem para servi-lO e adorá-lO, bem como para conviver com Ele. Porém, o homem pecou e, por isso, em virtude da própria imutabilidade de Deus, Deus, que não pode conviver com o pecado, teve de expulsar o homem da convivência conSigo. O homem prosseguiu no seu pecado, até atingir o limite da tolerância divina e, portanto, em virtude desta mudança do homem, Deus, para manter a Sua posição, teve de determinar a destruição de toda a carne sobre o planeta. Assim, o “arrependimento” de Deus não é uma mudança de Deus, mas a manutenção da posição de Deus, da sempre e mesma posição de Deus, diante da constante mudança do homem. E assim por diante. É o que ocorreu com Saul, com os juízos sobre Saul, o povo de Israel no tempo de Davi ou durante os ministérios de Jeremias e de Amós, o que ocorreu com o povo de Nínive durante o ministério de Jonas.

- A sétima qualidade de Deus é a Sua natureza espiritual. “Deus é Espírito”, disse Jesus em Seu diálogo com a mulher samaritana (Jo.4:23) e, como sabemos, “…ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt.11:27 “in fine”). Assim, se Jesus disse que Deus é Espírito, quem somos nós para discutir ou pôr isto em dúvida? Entretanto, muitos, até inconscientemente, não percebem que desconsideram esta afirmação de Jesus, a ponto de considerarem que Deus tem olhos, boca, dedo, mãos, pés, coração etc. só porque assim se encontram em algumas passagens das Escrituras. Temos aqui o chamado “antropomorfismo”, ou seja, a utilização de palavras próprias do ser humano para simbolizar o ser divino, a fim de que pudéssemos entender as ações de Deus, para que Sua revelação fosse eficiente e eficaz. Como alguém que tem interesse em nosso aprendizado, Deus vem até o nosso nível baixíssimo de compreensão e inteligência para que nós possamos entendê-lO e adorá-lO de forma plena e completa. Que Deus maravilhoso é o nosso Deus, que, mesmo sabendo quem somos, concede-nos tantos bens, em especial, o de poder conhecê-lO e compreendê-lO !

- A oitava qualidade de Deus é a Sua imensidão ou infinitude. Deus é imenso, é infinito, está além das dimensões de espaço que possamos imaginar. Se verificarmos que o universo é milhões e milhões de vezes maior do que o nosso planeta, que, para nós, já é gigantesco, que dizer de Deus, que mediu tudo a palmos (Is.40:12)? Como disse Zofar, as dimensões de Deus superam tudo o que conhecemos (Jó 11:8; I Rs.8:27). Os pensamentos de Deus são mais do que se podem contar (Sl.40:5, 139:17,18), Sua ciência não podemos atingir (Sl.139:6).

- A nona qualidade de Deus é Sua invisibilidade. Como Deus é Espírito, temos que é, mesmo, invisível (Rm.1:20; Cl.1:15). Esta invisibilidade de Deus explica a expressão bíblica segundo a qual ninguém viu a Deus (Jo.1:18 “in initio”; I Jo.4:12 “in initio”). Deus é invisível, embora possa ser conhecido por alguém, como, por exemplo, ocorreu com Moisés, de uma forma bem peculiar (Ex.33:18-23; Dt.34:10). Ao alcançarmos a glorificação, porém, desfrutaremos de um privilégio até hoje não concedido a pessoa alguma: o de vermos como o Pai é (I Jo.3:1,2). Aleluia!

- A décima qualidade de Deus é a Sua santidade. Deus é santo, ou seja, Sua natureza não permite a convivência nem a tolerância com o pecado. Deus é santo (Lv.11:44,45; 20:26), não abomina o pecado, nem o tolera, tanto que, quando foi achada iniqüidade no querubim ungido, foi ele lançado fora da presença do Senhor (Ez.28:15,17), bem como o mesmo ocorreu com o primeiro casal (Gn.3:22-24). Quando o nosso pecado foi lançado sobre o Senhor Jesus, Deus dEle Se apartou, desamparando-O (Is.53:6 “in fine”; Mc.15:34).

III – A REVELAÇÃO DE DEUS PELOS SEUS ATRIBUTOS EM RELAÇÃO À CRIAÇÃO

- Mas, além dos atributos de Deus referentes ao Seu próprio Ser, temos, também, os atributos que Se revelam no Seu relacionamento com as criaturas. De pronto, vemos que a Bíblia nos ensina que Deus é um Ser distinto daqueles que Ele criou. Deus não Se confunde com a Sua criação, ao contrário do que ensinam, equivocadamente, os chamados “panteístas”, aqueles que confundem Deus com a natureza, pensadores, aliás, que estão muito em voga nos nossos dias, principalmente entre os adeptos da Nova Era.

- Que Deus não Se confunde com a criação vemos logo no primeiro versículo do livro do Gênesis, que nos informa que “no princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1). Ao assim descrever o processo da criação, as Escrituras mostram que Deus é distinto dos “céus e a terra”, ou seja, da criação, seja dos seres celestiais, seja dos seres terrenos. Céus e terra tiveram princípio, mas Deus já era desde sempre. Céus e terra foram criados, Deus é o Criador.

- Como Deus não Se confunde com a Sua criação, temos que Deus e a criação se relacionam entre si, e, neste relacionamento, verificamos algumas qualidades divinas, que nos são também reveladas.

- A primeira dessas qualidades é a onipotência. No relato da criação, vemos que Deus do nada fez tudo, algo que ninguém jamais poderia nem poderá fazer. Deus tem todo o poder, daí porque um de Seus nomes é “Todo-Poderoso” (El Shadai- Gn.17:1; 28:3; Jó 5:17; 6:4,14), nome, aliás, que é abundante no livro de Jó, considerado o mais antigo livro das Escrituras, e que um título divino característico da época dos patriarcas.

- A onipotência de Deus ensina-nos que Ele tem todo o poder, ou seja, não existe ser mais poderoso do que Ele. Daí porque ter o Senhor, por boca do profeta Isaías, ter afirmado: “operando eu, quem impedirá?” (Is.43:13 “in fine”) ou ter o apóstolo Paulo, ao verificar esta verdade bíblica, ter indagado: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm.8:31), bem como o apóstolo João ter ressaltado que “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” (I Jo.4:4).

- A onipotência de Deus ensina-nos que todo o poder pertence a Deus (Sl.62:11). Um dos graves equívocos do ser humano é tentar construir estruturas de poder fora de Deus. Em Babel, a rebeldia se iniciou quando Ninrode começou a irrogar o poder para si (Gn.10:8). O orgulho, a soberba e a arrogância do homem, que o levam a se achar poderoso e a querer a glória para si, ao invés de reconhecer a onipotência de Deus e a glória que só a Ele é devida, tem sido a principal causa de derrota e fracasso na vida de tantas pessoas. Que Deus nos guarde de assim agirmos, correndo o risco de virarmos animais (Dn.4:30-37), como Nabucodonosor ou sermos comidos de bicho como Herodes (At.12:21-23).

- A segunda dessas qualidades é a onisciência. Deus conhece e sabe todas as coisas (Sl.139:1-6; I Jo.3:20), nada se Lhe pode ocultar  (Sl.38:9; 139:15,23,24; Mt.6:6). Porque Deus sabe todas as coisas, é ele a fonte de toda a ciência, conhecimento e sabedoria, razão pela qual jamais as manifestações do conhecimento humano, quando verdadeiras, se chocarão com a Palavra de Deus, pois Deus é o próprio autor do conhecimento, da ciência e da sabedoria.

- A onisciência de Deus, aliada à Sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens.

- A onisciência de Deus traz-nos a necessidade de termos um comportamento distinto dos homens que não conhecem a Deus. Como Deus sabe todas as coisas e conhece tanto o passado, quanto o presente e o futuro, algo que não temos sequer condição de saber, pois nem sempre avaliamos bem o passado (e a memória pode trair-nos, fazendo-nos esquecer aspectos importantes e relevantes deste passado), muitas vezes ficamos atônitos com relação ao presente, sem saber o que fazer e o futuro a nós escapa totalmente, precisamos confiar nEle e, nas adversidades e momentos difíceis da vida, lembrar que Deus, e só Ele, sabe todas as coisas. Se bem avaliarmos a onisciência divina, certamente que poderemos marchar na dura caminhada pelo deserto desta vida certos de que, onde quer que as circunstâncias nos levem, a direção e orientação parte de quem sabe todas as coisas e que prometeu que somente nos daria o melhor (Rm.8:27-30).

- A terceira qualidade ressaltada pelas Escrituras no relacionamento entre Deus e as Suas criaturas é a onipresença, ou seja, Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor. Porventura não encho Eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jr.23:24).

- Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. Esta presença de Deus é total, pois, como diz a referência que transcrevemos, Ele enche os céus e a terra. Na verdade, como afirmou Salomão na oração que fez para a dedicação do templo, nem mesmo os céus e a terra O podem conter (IRs.8:27).

- Esta presença de Deus, porém, não se dá com o mesmo propósito. Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo, mas com diferentes propósitos e finalidades. Assim, por exemplo, Sua presença em Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, assim como no mundo antediluviano, tinha como propósito a verificação do abuso dos limites do pecado, com a determinação de destruição daqueles impenitentes. Já no que se refere ao povo de Israel, como testemunhou Moisés, a presença de Deus tinha o propósito de fazer o povo descansar (Ex.33:14). A presença de Deus é sempre uma bênção para aquele que dirige os seus caminhos segundo a vontade do Senhor (II Rs.3:14; 5:16; 13:23; II Cr.27:6). Seu objetivo, ao mostrar a Sua presença, é mostrar a Sua força aos Seus servos (II Cr.16:9) bem como criar oportunidades para que os que não O conhecem, venham a fazê-lo (At.17:27; Rm.10:6-8).

- A quarta qualidade ressaltada nas Escrituras no relacionamento entre Deus e Suas criaturas é a Sua fidelidade. Deus é fiel (Dt.7:9; Is.49:7; I Co.1:9; 10:13; I Ts.5:2; II Ts.3:3;  I Pe.4:19; I Jo.1:9; Ap.19:11). A fidelidade de Deus garante-nos que Ele cumpre todos os compromissos assumidos com o homem, que é leal em seus pactos e alianças. Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). Se o homem falhar, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13).

- A quinta qualidade divina em relação a Sua criação é o amor. Deus é amor (I Jo.4:8 “in fine”) e, por isso, Suas ações em relação ao homem sempre foram de amor. Todo o plano da salvação do homem é decorrência deste amor sem igual, sem qualquer comparação (Jo.3:16). O amor divino não é apenas um sentimento, mas um sentimento acompanhado de ações concretas e atitudes reais. Por isso, ao amar o mundo, enviou o Filho para que pudéssemos ter a vida eterna. Por isso, o Filho Se humanizou e morreu em nosso lugar. Por isso, Deus Se fez carne e preço para o pagamento dos nossos pecados e a nossa redenção. Isto é o verdadeiro amor, um amor de gestos, de atitudes, não de palavras ou sentimentos que não ultrapassam o campo das emoções (I Jo.3:18,19).

- A sexta qualidade divina em relação a Sua criação é a justiça. Deus não somente é amor, mas, também, é justiça. Como já dissemos, uma das maneiras de Deus Se revelar ao homem é por intermédio da consciência, este tribunal que Deus pôs em cada um de nós para nos dizer o que é o certo e o que é o errado, o que é o bem e o que é o mal. Ora, ao estipular o que é o certo e o que é o errado, Deus, também, determinou o que é o justo e o que é o injusto e, como Ser Supremo, assumiu a única posição que Lhe cabe, qual seja, a de justo juiz (Sl.9:8; 50:6; Jr.11:20; II Tm.4:8). Deus é justiça, ou seja, tem de dar a cada um o que é seu (Gn.18:25; Jó 8:3;Sl.31:1; 35:24).

- Muitos não conseguem entender como Deus pode ser amor e justiça ao mesmo tempo, porque, equivocadamente, acham que ter amor é “ser bonzinho”, é perdoar sempre e invariavelmente, sem jamais aplicar um castigo ou uma penalidade e, muito menos, lançar uma condenação eterna. Para estes, se Deus é amor, todos serão salvos ao final, todos alcançarão a bem-aventurança de viver eternamente ao lado do Senhor. Entretanto, não é isto que nos mostra a Bíblia Sagrada. Deus é amor, e isto provou ao pagar o preço dos nossos pecados, humanizando-Se, morrendo por nós. No entanto, exatamente porque tomou esta atitude radical, a de Se fazer homem para nos salvar, é que, por justiça, deve condenar a tantos quantos se neguem a obedecer-Lhe e a desfrutarem deste amor.

- Deus, Que não muda, afirmara que, em dando o livre-arbítrio ao homem, faria com que este respondesse pelos seus atos. Assim, todos quantos recusarem o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário terão de responder perante o justo juiz, que tem levado adiante a Sua misericórdia e a Sua verdade. Tendo vindo morrer por nós, tendo levantado um povo para pregar esta boa-nova e tendo enviado a Pessoa do Espírito Santo para convencer os pecadores, Deus mostra que a Sua iniciativa é de amor, que adiante dEle vão a misericórdia e a verdade. No entanto, dias chegarão, e estão muito próximos, em que esta oportunidade se findará e em que chegará o momento do acerto de contas, o instante do juízo e da justiça, em que cada um responderá pela opção que fez. Misericórdia e verdade foram à frente, mas a base do trono de Deus é de justiça e de juízo (Sl.89:14; 96:13). Aproveitemos, enquanto é tempo, o ano aceitável do Senhor, antes que chegue o dia da vingança do nosso Deus!

- A sétima qualidade de Deus em relação à Sua criação é a verdade. Deus é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10). “Verdade”, em hebraico, é “emunah”, cujo significado é o de garantia futura de imutabilidade, de invariabilidade. Ao Se afirmar como a Verdade, Deus mostra aos seres criados que Ele não muda e que o que prometeu, fará. Temos, assim, na Verdade, a demonstração, a um só tempo, da imutabilidade e da fidelidade divinas. Ora, a máxima demonstração da verdade para o homem está na Bíblia Sagrada, na Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17). As Escrituras são a suprema garantia que Deus dá ao homem de que é um ser verdadeiro. Por ser a Verdade, Deus abomina a mentira e só é mentiroso aquele que se apartou do Senhor. Daí porque o primeiro ser a se apartar dEle, ou seja, o diabo, ser chamado de o pai da mentira, precisamente porque não há verdade nele (Jo.8:44).

IV – AS LIMITAÇÕES DE DEUS

- Ao vermos quão maravilhosos e esplêndidos são os atributos de Deus, parece-nos ser um contra-senso falarmos nas limitações de Deus. Poderia, por um acaso, Deus ter limitações, Ele que é onipresente, onisciente e onipotente?

- A onipresença, onisciência e onipotência de Deus são atributos de Deus em relação à Sua criação, como vimos no tópico anterior. São qualidades que se mostram aos seres criados dotados de consciência e moralidade (os homens e os anjos), que os levam a adorar e a servir ao Senhor. No entanto, tais qualidades, em momento algum, podem entrar em contradição com a natureza intrínseca de Deus, ou seja, com o Seu Ser tomado em Si mesmo, não em relação com a criação. Neste aspecto, vemos que jamais o relacionamento de Deus com a criação poderá ferir as Suas qualidades essenciais, os Seus atributos que existem independentemente da existência da Criação.

- Desta maneira, quando dizemos que Deus é onipotente, ou seja, pode fazer todas as coisas, evidentemente não estamos a dizer que Ele possa pecar. Muito pelo contrário, por sabermos que Deus é santo, ou seja, um Ser que não pode jamais pecar, compreendemos que a onipotência não envolve a possibilidade de pecar, pois a onipotência tem a ver com os seres criados, não com o próprio Deus em Si mesmo(Sl.145:17). Tanto é assim que é a própria Bíblia quem nos diz que Deus não pode mentir (Hb.6:18; Nm.23:19; Tt.1:2), já que Ele próprio é a verdade.

- Em sendo Deus eterno, a própria auto-existência, Deus também não pode negar-Se a Si mesmo. Ele é o que é, como, pois, negaria a Si mesmo? Daí porque as Escrituras indicarem que Deus não pode negar-Se a Si mesmo, é algo impossível (II Tm.2:13).

- Como Deus é justiça, tem-se que Ele jamais pode fazer injustiça, jamais poderá perverter o direito, vez que a injustiça é algo que é totalmente contrário à natureza divina, pois o Deus que tudo pode (Jó 42:2), faz porém tudo que Lhe apraz (Sl.115:3). Assim, Deus não pode ser injusto, jamais pode perverter o direito (Jó 8:3; 34:12; Sl.145:7).

- Ainda dentro da justiça que é própria da natureza divina, vemos eu Deus é imparcial, não tem favoritismos nem parcialidades com os homens, não podendo, assim, fazer acepção de pessoas (II Cr.19:7; Rm.2:11).

- Ao ter criado o homem e os anjos com livre-arbítrio, Deus, por Sua soberana vontade, também lançou um limite para a ação sobre a vontade dos seres morais. Deste modo, não pode Deus, Que não muda, alterar o Seu propósito e impedir que homens e anjos optem entre o bem e o mal, entre servi-lO e negar-Lhe obediência. A perdição dos pecadores não é algo que tenha sido desejado por Deus, mas, indubitavelmente, por Sua vontade, Deus não impedirá que o pecador sofra a morte eterna, vez que resolveu criar os seres morais com livre-arbítrio, propósito que é imutável, dada a Sua natureza.

- Para encerramos este assunto, devemos ter muito cuidado com a chamada “teologia aberta” ou “neoteísmo”, concepção herética que tem ingressado sutilmente no meio evangélico de uns anos para cá, segundo a qual Deus teria Se autolimitado ao criar os homens e os anjos com o livre-arbítrio e, portanto, já não saberia o que decidiríamos fazer. Deus não saberia o futuro, não teria como saber, por exemplo, se seríamos, ou não, salvos. Trata-se, evidentemente, de uma heresia, pois Deus é onisciente, sabe todas as coisas, embora não violente o nosso livre-arbítrio, diante de Sua imutabilidade e de Seu propósito de criar seres morais. Não queiramos saber os desígnios divinos, pois Eles estão além da nossa capacidade de raciocínio, Seus caminhos e pensamentos estão acima dos nossos caminhos e pensamentos. Não podemos, como simples vasos, querer saber o que decide e determina o oleiro (Is.45:9; Rm.9:20-24). Por isso, não queiramos saber mais do que convém (Rm12:3; I Co.8:2).

OBS: Por ocasião da tsunâmi que matou milhares de pessoas na Ásia no Ano Novo de 2005, houve até pregadores evangélicos que, chocados com o evento, chegaram mesmo a questionar a onisciência divina. Tolice que, mercê do Senhor, foi duramente combatida por muitos, o que levou alguns a recuarem de suas posições. No mesmo ano de 2005, aliás, ficamos a saber que a tsunâmi teve, entre seus muitos efeitos, a abertura da pregação do Evangelho na província indonésia mais atingida pela catástrofe, que era totalmente fechada para o Evangelho. Quem foi que disse que nós, homens, podemos querer entender os desígnios de Deus?

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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Friday, September 29, 2006

Esboço - Lição 1

A IMPORTÃNCIA DA DOUTRINA BÍBLICA PARA A VIDA CRISTÃ  At 2.42-47     
Lição 1 - 01/10/2006
DOUTRINA, O ALICERCE DA FÉ   At 2.42-47
1. A NECESSIDADE DO APRENDIZADO DOUTRINÁRIO
a) Deve haver a dedicação  em aprender - Js 1.8   2 Jo 1.9
b) Deve haver o desejo de compreender - At 8.31   Mt 22.29
c) Deve haver a disposição de praticar - Mt 7.24   Tg 1.22
2. A IMPLICÂNCIA DO ESVAZIAMENTO DOUTRINÁRIO
a) A sua rejeição provoca sofrimento -  Nm 11.6   Nm 21.5
b) A sua rejeição provoca esfriamento -  Pv 21.16    Pv 28.9
c) A sua rejeição provoca afastamento - Ez 3.27   Mt 15.8
3. A IMPORTÂNCIA DO ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO
a) Faz adquirir discernimento - Hb 5.14   Ez 44.23
b) Faz desenvolver habilidades - 2 Co 3.5   Tg 1.17
c) Faz enxergar responsabilidades - Ec 12.13   1 Co 9.16
Pr Adilson Guilhermel
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Tuesday, September 26, 2006

Lição 1 - A importância da doutrina bíblica para a vida cristã

 

TEXTO ÁUREO

“Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho “ (2 Jo. 1.9).

 

OBJETIVOS

Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:

Conceituar o termo doutrina de acordo com o étimo bíblico.

Distinguir doutrina de costumes.

Explicar a necessidade da doutrina.

 

UMA REFLEXÃO- NOSSA BASE CRISTÃ

O cristão deve ter em mente em toda sua jornada os fundamentos de sua fé. Em primeiro lugar, ele precisa conhecer, examiná-los: de outra forma, como as bases doutrinárias poderão ser colocadas em prática? Em segundo lugar, o cristão tem a missão de expor e defender sua fé, conforme salientou Judas a necessidade de batalharmos pela fé “que uma vez foi dada aos santos” (v.3).

Para tomarmos posição declarada a favor das verdades fundamentais da fé cristã, é necessária a disposição para aprendê-la.

A igreja do Novo Testamento cresceu devido ao destaque dado ao ensino doutrinário; assim pôde ter um crescimento constante. Isto não quer dizer que a igreja não sofresse oposição, nem que não enfrentasse falsos ensinos e heresias, ao contrário, os cristãos foram martirizados por causa de suas profundas convicções doutrinárias; não abriram mão delas. Ninguém arrisca sua vida por algo em que não acredita fortemente. Os cristãos não negaram Cristo nem Sua palavra; para eles, os fundamentos de sua fé eram nítidos.

O fato é que a igreja desde sua origem, era estruturada na palavra, capaz de divulgar e defender suas doutrinas básicas: estava edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”

(Ef. 2.20b). Os apóstolos transmitiram os ensinamentos de Jesus com fidelidade:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (1 Co. 11.23a -A R A ); “o que era desde o princípio , o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada , e nós a vimos e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada)” (1 Jo. 1.1-2).

 

O QUE É DOUTRINA BÍBLICA

A p alavra doutrina sign ifica “ensino ou instrução”. No caso é bíblica, porque a sua base é a Bíblia.

OBS : A palavra doutrina se origina do grego “didache”, significando ensino ou instrução; seu sinônimo comum é didaskalia. Os dois termos expressam tanto o ato de ensino (sentido ativo) como aquilo quer é ensinado (sentido passivo). Didache aparece cerca de trinta vezes no Novo Testamento, já didaskalia cerca de dezesseis vezes nas epístolas pastorais; cerca de vinte e duas vezes em todo o Novo Testamento.

Doutrina se refere às doutrinas expostas na Bíblia e que representam o alicerce, o sustentáculo de nossa fé. Se descuidarmos, desprezarmos as doutrinas, perderemos a nossa identidade como servos de Deus, como seguidores de Cristo.

OBS : “Doutrina bíblica é um ensino normativo, terminante, final, extraído das Sagradas Escrituras e concernente à fé em Deus e à prática da vida cristã. Esse ensino deve ser desdobrado e embasado com a apropriada referenciação bíblica. Ela é chamada de „sã doutrina‟ (Tt. 2 .1 )”. (Antonio GILBERTO em Obreiro n ú m ero 1 3 ,p.17).

As doutrinas são uma exposição das verdades centrais ou fundamentais de nossa fé.

São estudadas se forma sistemática, agrupada São analisadas de forma que aprecem na Bíblia em ambos os Testamentos. Teologia Bíblica fornece o alicerce para a Teologia Sistemática.

Saber em que se crê é fundamental para a existência de uma vida cristã frutífera.

Assim se expressou o apóstolo Paulo: “Eu sei em que tenho crido” (2 Tm. 1.12). Ele tinha uma crença firme, razão pela qual foi capaz de suportar as tribulações.

Durante todas as épocas, houve determinadas formas de expressão para sintetizar a fé. Uma das mais conhecidas declarações é o “Shemá” (ouve em hebraico): Originalmente a declaração de fé israelita era Dt. 6.4-9. O centro da proclamação de

fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus é o único Senhor” (Dt. 6.4). A afirmação mostrava que a adoração a Deus em contraste com a proibição a adoração a ou tros deu ses: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt. 6.5). As palavras deveriam ser repetidas ao longo do dia e transmitidas aos filhos. Estes não deveriam ignorar o princípio de adoração a Deus. Depois foram acrescentadas: Dt. 11.13-21 e Nm.

15.37-41. No Novo Testamento, também há importantes declarações relativas à fé como a de Pedro: “Tu és o Cristo , o Filho do Deus vivo” (Mt. 16.16); a de Marta: “Creio que tu és o Cristo , o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (Jo.11.27).

Paulo fez uma importante síntese do Cristianismo: “Porque primeiramente vo s entreguei o que também recebi; que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co. 15.3,4). A declaração se reveste de importância, uma vez que os evangelhos ainda não tinham sido escritos. Seu conteúdo era disseminado na forma oral.

OBS: Com o tempo foram formuladas regras de Fé para fazer distinção entre o Cristianismo e as heresias que tentavam penetrar na Igreja. Irineu (125 - 202 A.C.) e Tertuliano (155- 222 A.C.) estão entre os que estabeleceram essas regras. O Credo dos Apóstolos é a mais antiga síntese das doutrinas básicas explanadas na B íblia. (Credo significa “Creio”).

Em termos gerais, podemos dizer que há: 1)a doutrina de Deus: At.13.12.; 2)a doutrina dos homens: baseada nos conceitos humanos: Mt. 15.9; Mc. 7.7; Cl. 2.22. O problema maior se localiza no valor em que se dá maior valor importância a normas humanas do que a Palavra de Deus. Outras vezes, certos conceitos humanos se opõem frontalmente às verdades bíblicas; 3) a doutrina dos demônios:

1 Tm. 4.1. Esses ensinos de inspiração diabólica tanto disseminam a imoralidade quanto atacam a base de nossa fé, especialmente Cristo e Sua obra redentora.

Esses ensinos sofrem um ataque direto ou velado das forças do mal: “Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina d estru ição “ (2 Pe. 2.1- ARA).

Existem cristãos que não apreciam o ensino bíblico, declarando que só o amor é importante, como se o Cristianismo fosse algo para viver em superficialidade. Quanto ao amor, em primeiro lugar, observemos que Jesus ordenou a obediência aos Seus mandamentos, como prova de nosso amor para com Ele: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14.15). A seguir, verificamos pelas escrituras que o valor que damos a Seu ensino, mostra o relacionamento que temos com Ele: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele n ele” (1 Jo. 3.24). Estar nEle garante plena confiança, permite que O sirvamos, que prossigamos no Caminho com autenticidade: Estar firmados nEle é um fator de estabilidade na vida cristã.

 

Doutrina e costumes.

Doutrinas são ensinamentos expostos pela palavra de Deus aos quais não podemos desprezar; constituem a nossa regra de fé. Há cristãos que pensam que só o amor é importante, porém Jesus ensinou que devemos demonstrar o amor na prática: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo. 15.10). O valor que damos a Seu ensino, a Sua doutrina mostra o relacionamento que temos com Ele: “E aquele que guarda os seus mandamentos n ele está, e ele nele” (1 Jo. 3.24). Estar nEle, concede confiança no relacionamento com Deus.

Os costumes são influenciados pela época, local e especialmente pelo clima e por tradições recebidas. O problema é a imposição de costumes para a salvação, sendo dada maior importância a costumes, tradições do que a Palavra. Algo pode ser transmitido por tradição sem respaldo bíblico, conforme Jesus mostrou: “E assim invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mt. 15.6 - ARA). Existem pessoas que julgam certas determinadas tradições, não as examinam, conforme as Escrituras.

OBS: Como exemplo de doutrinas impostas pelos homens, determinando condições para a salvação, observemos a declaração contida na Bula Unam Sanctam de 1302 d e Bonifácio V III: “Declaram os, afirmamos, definimos e pronunciam os que é absolutamente necessário para a salvação de cada criatura humana que ela sujeita ao pontífice romano” (H en ry B ETTENSON . Documentos da Igreja Cristã, p .194 ).

Os judeus, como qualquer povo, possuíam seus usos, costumes e tradições. Quando o Evangelho influenciou muitas vidas, os judeus queriam que as pessoas continuassem observando as cerimônias judaicas; estas eram impostas como condição à salvação: At. 15.1. Ocorre que a lei não dava justificação plena: At.13.39. O problema surge, quando damos maior valor aos costumes do que a palavra de Deus. Outro lado da questão é se os costumes entram em conflito com a palavra de Deus. Quando o evangelho chegou a vários lugares, ele foi o gerador de novos costumes. Em cidades como Corinto, havia muitos hábitos arraigados em termos de idolatria e imoralidade sexual. Os cristãos começaram a colocar a palavra de Deus em ação e ocorreram profundas mudanças.

No Novo Testamento, observamos atitude dos fariseus e mestres em referência à lei. Eles acusaram indiretamente os discípulos de não obedecerem à tradição. Os escribas e fariseus consideraram essencial a lavagem das mãos, não como forma de higiene, mas como uma lavagem cerimonial. Jesus censurou a sua hipocrisia, pois davam tanto valor às tradições e transgrediam os mandamentos “ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mc. 7.7b). Eles que invalidavam, anulavam a palavra de Deus em favor de sus tradições: consideravam esta de maior importância que a palavra do Senhor. Jesus explicou como eles deixavam de lado os mandamentos de Deus para seguir as suas tradições. Era mais fácil observá-las à risca do que cuidar de seus deveres para com os pais. Ao pronunciar a palavra “corb ã” (oferta- Mc. 7.11) os judeus declaravam seus bens eram transferidos para o templo até a morte de seus pais. Assim , “livravam -se” do dever de amparar seus pais (Mc. 7.11). Mais tarde, poderiam recuperar seus bens. Usavam a própria religião, como desculpa, para não cumprir um mandamento estabelecido na Lei. A base para tal atitude era a tradição dos anciãos, não a palavra de Deus.

Em relação aos costumes qual deve ser a atitude do cristão? A Bíblia responde:

“Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos nem à igreja de Deus” (1Co. 10.32).

Quando uma pessoa recebe Cristo, é necessário que ela rompa com os ensinos que ela recebeu por tradição, se forem contrários aos princípios bíblicos. Paulo soube romper com a tradição, quando esta era conflitante com a Palavra de Deus.

Desde que os costumes não agridam a palavra de Deus, não sejam colocados acima dela, não haverá problema em conservá-los. Devemos evitar discussões desnecessárias, destituídas de significado, a ponto de promovermos divisões no corpo de Cristo. Também é necessário evitar contendas por causa de determinadas situações e fugir de comportamentos que possam causar atritos aos nossos irmãos na fé.

Em termos de costumes de cunho pessoal, devemos lembrar-nos que somos o templo do Espírito Santo e que, em toda ocasião seja por palavras, ou por adoção de costumes devemos glorificar o nome de Cristo: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, quer habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deu s” (1Co. 6.19-20).

O ensino da doutrina bíblica produz a prática de bons costumes. Essa prática se deriva na nosso relacionamento com Deus; os costumes indecorosos, escandalosos não fazem parte do viver do cristão.

O crente e a doutrina:

 Obediência:§ “Mas graças a Deus porque, outrora escravos do pecado,contudo viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” (Rm. 6.17- ARA). Observemos: a obediência necessita ser de coração; não é uma mera obediência formal, de aparência, mas uma obediência voluntária, consciente.

 Exame constante. O§ cristão deve fazê-lo para constatar o ensino das Escrituras:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim “ (At. 17.11).

 Deve compreender que a observância à doutrina produz crescimento espiritual:

“Para que não sejam os mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia,enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef. 4.14-15).

 O padrão é o ensino§ de Cristo: “Se alguém ensina outra doutrina e não se conforma com as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina, que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas” (1 Tm. 6.3-4)

 

A NECESSIDADE DA DOUTRINA

Aqueles que alegam : „O importante não é a teoria; e, sim : a prática. Observemos:

Em primeiro lugar, precisa-se conhecer a doutrina para, então praticá-la. Como podemos saber se estamos na luz, se não examinarmos nossos conceitos, nossas ações pela doutrina bíblica apresentada? “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vo s a vó s m esm o s” (2 Co. 13.5).

Quando se expõe algo, nossa base não pode ser o julgamento próprio, mas, por meio da verdade, apresentada pela Bíblia.

Tendo conhecimento da doutrina, devemos praticá-la: “Ora, se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes (Jo. 13.17); “Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Rm . 3.13- ARA).

Ao terminar o “Sermão da Montanha”, Jesus esclarecer o que Ele esperava daqueles que ouviram Seus extraordinários ensinos: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt. 7.24). Analisemos: primeiramente necessita-se ouvir o ensino; depois praticá-lo.

Quanto àqueles que não praticam seus ensinos, Jesus foi claro ao afirmar que edificam sua casa sobre a areia. De igual modo, terão “grande queda” (Mt. 7.27).

A reação dos ouvintes em razão do ensino do Mestre: “A multidão se admirou da sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas” (Mt. 7.28-29).

 

A DOUTRINA CRISTÃ E O SERVIÇO CRISTÃO

Na evangelização

Na exposição da mensagem do Evangelho é necessário ter convicção da verdade apresentada. Quando falamos de Cristo, da salvação, perdão, esperança futura, estamos apresentando conteúdo doutrinário. A pessoa que compartilha o evangelho com alguém, na realidade está focalizando em que o Evangelho difere de outras crenças.

A forma da exposição do Evangelho faz diferença: “Porque o nosso evangelho não foi somente a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis fomos entre vós, por amor de vós” (1 Ts. 1.5).

A pessoa que comunica a verdade do evangelho, precisa ter „muita certeza para poder comunicá-la efetivamente. Então, o Evangelho poderá ser recebido como palavra de Deus: “Pelo que também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus, qual também opera em vós, os que crestes” (1 Ts. 2.13).

A razão do crescimento da igreja foi a cuidadosa exposição da palavra de Deus:

“Assim , a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (At. 19.20). Que a palavra de Deus possa ser anunciada e possa prevalecer nos corações que a ouvem!

Foi o que sucedeu em Éfeso: em meio a perseguições, feitiçaria (At.19.19) a palavra de Deus prevaleceu, porque foi pregada com firmeza e autoridade. A palavra é a poderosa semente na evangelização (Lc. 8.11).

 

Na instrução dos santos

Jesus era Mestre (Jo. 13.13), além de evangelizar, ocupava-se do ministério de en sin o: “E percorria Jesu s p or tod a a G aliléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino” (Mt. 4.23).

A Igreja Primitiva jamais se descuidava do ensino metódico das Escrituras. Os apóstolos eram incansáveis no ensino das verdades cristãs: “E todos os dias, nos templos e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo”

(At. 5.42). De igual forma, o apóstolo Paulo: “como nada, que útil seja deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas” (At. 20.20). Que grande empenho: não paravam de ensinar, aponta para o ensino constante e metódico das Escrituras. O ensino envolve pessoas dedicadas a ele; envolve tempo; este é necessário para uma planta desenvolver-se para um cristão adquirir bases sólidas.

Assim, em Antioquia “todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At. 11.26); em Corinto, Paulo permaneceu “um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (At. 18.11b); em Éfeso permaneceu “por espaço de dois anos” (At. 19.10).

Pedro era insistente no ensino: “Por esta razão sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas cousas, embora estejais certos da verdade já presente convosco, e nela confirmados” (2 Pe. 1.12). Ele sabia que seus ouvintes já possuíam certeza dos ensinos fundamentais, porém dava instrução contínua. Pedro sabia que em breve partiria para a glória; seu desejo era que, após ele estar com o Senhor; o ensino bíblico estivesse vivo na mente de todos: “Mas de minha parte, esforçar-me-ei diligentemente por fazer que, a todo tempo, mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo” (2 Pe. 1.15-ARA).

A instrução bíblica deve ser ministrada para a edificação e advertindo contra os falsos ensinos: “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo , redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (1Tm. 4.2). Paulo destaca ação dos falsos mestres que não se amoldariam aos padrões bíblicos, rejeitando a necessidade de santidade: reunirão em torno de si “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (2 Tm. 4.3). Não desejam seguir a doutrina, mas desejam obter líderes que apóiem seu proceder iníquo. Eles formulavam doutrinas antibíblicas, rejeitando a doutrina sadia, movidos por desejos egoístas. O ensino pode impedir, pela ação do Espírito Santo, que esses ensinos se alastrem . O falso en sin o se p rop ag a d e form a ráp id a, con tam in an d o tal com o “o ferm en to d os fariseu s” (Mt. 16.12).

Paulo faz recomenda a Tito que seja “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder,assim para exortar pelo reto ensino como para convencer os que contradizem “ (1.9 - ARA). A palavra ensinada tanto instrui, como pode convencer os que abraçam ensinos errados; para tal é necessário agarrar-se, ser firme na sã doutrina.

Na defesa da santíssima fé.

As verdades bíblicas podem ser deturpadas; é o campo das falsas doutrinas.

Especialmente, versículos bíblicos tomados de forma isolada constituem a base para estranhas doutrinas. Timóteo permaneceu em Éfeso a pedido de Paulo para que aconselhasse que não fosse ensinada “outra doutrina” (1 Tm. 1.3). Timóteo também foi incentivado a defender a sua fé: “Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, e de que fizeste a boas confissão , perante muitas testemunhas” (2 Tm. 4.12- ARA).

Para atacar as heresias que tentavam atacar as doutrinas cristãs, a Igreja estabeleceu o cânon do Novo Testamento. Era necessário saber com segurança os livros que expunham as doutrinas de forma correta. Além disso, muitos cristãos arriscavam suas vidas pala preservação das Escrituras. A argumentação contra os falsos ensinos permitiu o desenvolvimento da teologia cristã. Os vários tipos de ensino falso contribuíram para um estudo mais profundo das verdades bíblicas. Na ânsia de defender a fé cristã, houve maior fortalecimento das bases cristãs.

 

CONCLUSÃO

O cristão deve ter conhecer as bases de sua fé, somente assim poderá transmiti-las.

O mundo precisa ver em nossa vida a prática de ações que demonstrem nossa convicção de raízes profundas no evangelho.

Os inimigos da Igreja Primitiva a contragosto declararam : “E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina” (At. 5.28).

Que o Senhor nos ajude que possamos alimentar nossos alunos “com as palavras da fé e da boa doutrina” (1 Tm. 4.6- ARA).

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Profa. Ana Maria Gomes de Abreu.

 

 

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As verdades centrais da fé cristã

INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE - COMENTARISTA : Claudionor Correa de Andrade

A)                 Chegamos ao término de mais um ano letivo na Escola Bíblica Dominical, ano que se iniciou com o estudo de um livro da Bíblia, a epístola de Paulo aos Romanos, estudado sob o enfoque da doutrina da salvação e da justificação. Em seguida, estudamos a respeito das falsas doutrinas que têm proliferado no mundo da atualidade, inclusive os “modismos”, que ameaçam a saúde espiritual dos servos do Senhor. Em celebração ao centenário do movimento pentecostal mundial, ocorrido neste ano de 2006, estudamos as doutrinas bíblicas pentecostais e, agora, encerramos o ano analisando as verdades centrais da fé cristã, as “doutrinas bíblicas”, estudo este que é denominado de Teologia Sistemática.

                 A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, ou seja, a revelação de Deus ao homem e, por isso, tudo que quisermos saber a respeito de Deus e que é relevante para a nossa salvação se encontra neste livro sagrado, fruto de uma revelação progressiva que o Senhor foi dando aos homens, durante um espaço de mais de mil anos.

                 Como a Bíblia Sagrada tem como seu único autor o próprio Deus, temos que esta obra apresenta uma unidade, um conjunto de ensinamentos que foi sendo revelado aos homens durante o tempo da inspiração das Escrituras. Estes ensinos dizem respeito a Deus, ao homem e ao processo pelo qual Deus deseja ter o homem em Sua companhia, mesmo depois que o homem quis se tornar independente de Deus, negando-Lhe obediência.

                  Todos estes ensinos constantes das Escrituras constituem o que se denomina de “doutrina” ou, ainda, a “sã doutrina”. “Doutrina” é palavra de origem latina que significa “o ensino dos doutores”, ou seja, o “ensino dos sábios”, o “ensino de quem sabe”. No caso da Bíblia Sagrada, dizemos que a “doutrina” ou a “sã doutrina” é o ensino constante das Escrituras, fruto da inspiração do Espírito Santo aos escritores dos diversos livros bíblicos, ou seja, aquilo que Aquele que sabe (ou seja, Deus) quer que o homem saiba para se salvar e ter a vida eterna.

                  Tais ensinos, naturalmente, encontram-se espalhados pelos diversos escritos inspirados da Bíblia Sagrada, visto que a Bíblia, como seu próprio nome indica, é um conjunto de livros, uma verdadeira “biblioteca”, cuja harmonia é, sem dúvida alguma, um milagre da parte do Senhor para cada ser humano.

                  Usando da sua capacidade de raciocínio, conferida por Deus ao homem, como vemos em Gn.2:19,20, o ser humano, ao observar a Bíblia Sagrada, logo descobriu que, nos diversos livros, que poderiam ser estudados individualmente, um a um, existia um conjunto de verdades a respeito de Deus, do homem, das demais criaturas e do relacionamento entre Deus e o homem, verdades estas que eram sempre as mesmas, até porque o autor de cada livro das Escrituras é o mesmo, embora os instrumentos sejam vários.

                  Por isso, logo surgiram duas formas de se estudar a Bíblia Sagrada: uma, através de cada livro da Bíblia isoladamente, mais apropriada para o estudo devocional diário; outra, por meio da coletânea destas verdades básicas e fundamentais que se encontram em todos os livros da Bíblia, de modo a que possamos perceber quais são os grandes e principais ensinamentos de Deus a nós a respeito dEle próprio, das demais criaturas e do relacionamento entre Deus e o homem. Este estudo deu origem à chamada “teologia sistemática”, cuja organização remonta já aos primeiros anos depois que se completou a inspiração das Escrituras.

                  A “Teologia Sistemática”, portanto, nada mais é que o estudo das verdades bíblicas fundamentais, das chamadas “doutrinas bíblicas”, ou seja, um estudo das principais verdades reveladas por Deus ao homem através da Bíblia Sagrada, que foram racionalmente organizadas pelos estudiosos, mediante a análise de cada livro das Escrituras.

                  Ao contrário do que ainda alguns mal informados que existem entre nós e que são inimigos do estudo das Escrituras, vemos que a “teologia” não é mal algum à vida espiritual do crente. Pelo contrário, a “teologia” se constitui no uso da razão, um dos principais atributos que Deus deu ao homem, para o entendimento da revelação divina, para o conhecimento daquilo que o Senhor quis nos ensinar a respeito de Si próprio, do mundo criado e do relacionamento dEle com o homem.

                  A importância do estudo da doutrina, além de ser o assunto da nossa primeira lição, voltará a ser analisada por nós nas lições 13 e 14, como veremos abaixo.

                  Tradicionalmente, os estudiosos das Escrituras identificam dez, doutrinas bíblicas fundamentais, que serão o objeto do nosso estudo neste trimestre, a saber:

a) Bibliologia – é a doutrina da Bíblia, ou seja, o ensino que nos mostra que a Bíblia é a Palavra de Deus, a única fonte de revelação de Deus aos homens, a verdade (Jo.17:17). Analisaremos a Bibliologia na lição 11.

b) Teologia propriamente dita ou Teontologia – é a doutrina de Deus, ou seja, o ensino bíblico a respeito de Deus, de Sua natureza, de Seus atributos, de Sua triunidade. Estudaremos a Teologia propriamente dita ou Teontologia nas lições 2 e 5.

c) Cristologia – é a doutrina de Cristo, ou seja, o ensino a respeito do Filho de Deus, inclusive sobre a Sua encarnação e a dupla natureza daí resultante. Estudaremos a Cristologia na lição 3.

d) Pneumatologia, Pneumagiologia ou Paracletologia – é a doutrina do Espírito Santo, ou seja, o ensino a respeito dessa Pessoa da Trindade. Estudaremos a Pneumatologia na lição 4.

e) Angelologia – é a doutrina dos anjos, ou seja, o ensino a respeito destes seres celestiais, inclusive aqueles que pecaram. Estudaremos a Angelologia na lição 6.

f) Antropologia – é a doutrina do homem, ou seja, o ensino a respeito do ser humano, sua criação, seu papel na ordem cósmica, seus atributos. Estudaremos a Antropologia na lição 7.

g) Hamartiologia – é a doutrina do pecado, ou seja, o ensino a respeito do pecado, sua origem e suas conseqüências no relacionamento entre Deus e o homem. Estudaremos a Hamartiologia na lição 8.

h) Soteriologia – é a doutrina da salvação, ou seja, o ensino a respeito da salvação do homem, do plano de Deus para a salvação do ser humano e do significado desta salvação. Estudaremos a Soterologia na lição 9.

i) Eclesiologia – é a doutrina da Igreja, ou seja, o ensino a respeito da Igreja, este povo formado por causa da salvação da humanidade na pessoa de Cristo Jesus. Estudaremos a Eclesiologia na lição 10.

j) Escatologia – é a doutrina das últimas coisas, ou seja, o ensino a respeito dos fatos que se sucederão após o período da Igreja sobre a face da Terra, começando pelo arrebatamento da Igreja e envolvendo a Grande Tribulação, o reino milenial de Cristo, o julgamento final e o Estado Eterno. Estudaremos a Escatologia na lição 12.

                                      Depois de termos estudado as dez doutrinas bíblicas fundamentais, teremos duas lições em que abordaremos os efeitos positivos do estudo doutrinário para a vida espiritual. Na lição 13, veremos que o estudo da doutrina, ao contrário do que dizem os mal informados anti-intelectualistas, produz avivamento e, na lição 14, veremos a importância da leitura na vida espiritual do cristão.

                                      O conhecimento das verdades bíblicas fundamentais é uma necessidade para a vida de qualquer cristão. A falta de conhecimento destas verdades foi apontada pelo autor da epístola aos hebreus como um dos motivos pelos quais aqueles crentes corriam o risco de apostatar da fé (Hb.5:12-6:2), numa repetição do que já havia afirmado o profeta Oséias, que denunciou que o motivo da destruição do reino do norte, o reino de Israel, se deu pela falta que o povo tinha de conhecimento das coisas de Deus (Os.4:6).

                                        Que o estudo deste trimestre sirva para renovar o nosso alicerce espiritual e, assim, nestes dias tão difíceis, permitir que continuemos firmes e inabaláveis, aguardando a volta do Senhor. São os sinceros votos que damos aos irmãos, aproveitando a oportunidade para lhes desejar um Feliz 2007.

B) LIÇÃO  Nº 1 – A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA BÍBLICA PARA A VIDA CRISTÃ

                                         O homem precisa aprender de Deus para ter uma vida espiritual correta e este aprendizado só é possível porque existe a doutrina bíblica.

INTRODUÇÃO

 - A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus para a humanidade. Esta revelação contém ensinos preciosos e indispensáveis para que o homem viva. Estes ensinos é que constituem a “doutrina bíblica” ou “sã doutrina”.

- A “doutrina” verdadeira é a que provém da Palavra de Deus, é o ensino de Deus ao homem, não podendo se confundir com imaginações, filosofias ou invenções humanas, mesmo as que decorrem de costumes e culturas.

I – O QUE É DOUTRINA E A PALAVRA “DOUTRINA” NA BÍBLIA SAGRADA

- Doutrina é palavra de origem latina, cujo significado é “conjunto coerente de idéias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas”. Em latim, “doctrina” significa “ensino, instrução dada ou recebida, arte, ciência, doutrina, teoria, método”. Assim, a doutrina é um ensinamento, uma instrução que alguém dá a outrem. Aliás, a palavra “doctrina” é derivada de “docere”, que significa ensinar. Doutrina, portanto, é um ensinamento, um ensino, uma instrução que alguém que sabe (o sábio ou “doutor”) dá a alguém que não sabe (o aprendiz).

- Vemos, portanto, pelo seu significado latino, que “doutrina” significa ensino e, portanto, quando falamos em “doutrina bíblica” estamos a falar no “ensino da Bíblia”. Ora, a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, o “ensino da Bíblia” nada mais é que o ensino da Palavra de Deus, o ensino de Deus ao homem. “Doutrina”, portanto, é o ensino que Deus dá ao homem a partir da Sua Palavra, da revelação divina à humanidade, que consta da Bíblia Sagrada.

- A primeira vez que surge a palavra “doutrina” nas Versões Almeida (Revista, Corrigida, Fiel e Contemporânea) é em Dt.32:2, onde, no cântico de Moisés, consta a expressão “goteje a minha doutrina”, palavra que é a tradução de “leqach”, cujo significado é “ensino”, “instrução”, tanto que a palavra é traduzida por “ensino” em outras versões bíblicas (como a Tradução Brasileira, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje e a Nova Versão Internacional). Neste primeiro aparecimento da palavra, ainda que em um contexto poético, percebe-se claramente que Moisés considera que todos os ensinos que havia dado ao povo de Israel, ensinos estes que eram resultado da revelação divina ao próprio Moisés, constituíam ensinos que deveriam ser continuamente ministrados ao povo e que representavam para este povo a sua própria fonte de vida, a sua própria renovação, pois deveriam estes ensinos “gotejarem”, ou seja, pouco a pouco, de forma contínua e permanente, cair sobre o povo, a fim de lhe dar vida, assim como a chuva e o orvalho, pela manhã, fazem em relação à terra.

- Esta expressão de Moisés, também, mostra-nos que a doutrina é algo que vem do alto, que vem do céu, seja na forma de chuva, seja por meio da condensação do vapor d’água encontrado no ar(o orvalho), indicando-se que a doutrina não é obra do homem, mas resultado da revelação divina, de um ensino vindo diretamente da parte do Senhor.

- Por fim, a expressão de Moisés dá-nos a nítida noção de que o trabalho da doutrina é manter a vida e uma vida renovada no ser humano, pois é comparada ao chuvisco sobre a erva e a gotas d’água sobre a relva. Todos nós já divisamos, pela manhã cedinho, o orvalho que está a manter molhadas as ervas e a relva, mantendo-as bem verdes, dando-lhes vida, vigor e exuberância (i.e., beleza). Os campos verdes, pela manhã, aquele frescor que sentimos quando nos encontramos em uma área verde logo pela manhã, que tão bem nos faz à saúde, é o resultado desta ação refrescante da chuva e do orvalho. Este é o papel da doutrina em nossa vida espiritual: refrigério para a nossa alma, renovação de nossas forças espirituais, concessão de beleza e de prazer aos nossos corações e a todos quantos travam contacto conosco. Bem se vê, portanto, que bem ao contrário dos que dizem que a doutrina torna o homem insensível a Deus, vemos que o papel da doutrina é precisamente o de nos conceder vida, vida abundante, refrescor e sensibilidade diante de Deus e dos homens.

- A segunda vez que vemos a palavra doutrina nas Versões Almeida é em Jó 11:4 (é importante lembrarmos que Jó seja, talvez, o livro mais antigo da Bíblia e, portanto, a sua referência seria anterior mesmo a de Dt.32:2), que é a mesma palavra “leqach” já mencionada. Aqui, um dos “amigos” de Jó, Zofar, acusa Jó de dizer que a “sua” doutrina era pura e que ele se sentia limpo aos olhos de Deus. A palavra “doutrina”, aliás, também é empregada pela Tradução Brasileira, pela Nova Tradução na Linguagem de Hoje e pela Nova Versão Internacional. Temos o mesmo significado do texto anterior. Embora se esteja a referir a um conjunto de ensinos de Jó, Zofar está a considerar que o patriarca é presunçoso ao querer dizer que seus ensinos são provenientes da parte de Deus. Doutrina continua a ser considerada como um ensino vindo da parte de Deus, um ensinamento com origem no céu.

- A palavra “doutrina” somente reaparecerá no livro de Provérbios, onde, na Versão Almeida Revista e Corrigida e na Edição Contemporânea de Almeida, é encontrada em Pv.1:8, 4:2, 13:14 e 16:23. Em Pv.1:8, é tradução da palavra “muwcar”, que a Versão Almeida Revista e Atualizada preferiu traduzir por “instrução” e a Fiel e Corrigida por “ensinamento”.  Com efeito, aqui se tem, basicamente, a idéia de uma orientação, de um ensino feito com base em repreensão e castigo, algo próprio da autoridade paterna.

- Já em Pv.4:2, temos a repetição da palavra “leqach” e a opção das versões pelo uso da palavra “doutrina”, que, no contexto, se refere ao ensino da Sabedoria, verdadeira personificação de Deus na linguagem do proverbista. Este ensino, além de vir do alto, é tido como bom. Fala-se da “boa doutrina”, a nos indicar que o ensino de Deus ao homem é bom por duas razões: a primeira, porque sendo um ensino de um ser que é bom (e não há ser bom a não Deus – Mt.19:17; Mc.10:18, Lc.18:19), ele só poderia, mesmo ser bom; a segunda, porque é um ensino que produz o bem aos que o aprendem. Além do mais, o proverbista faz uma correlação importantíssima: a boa doutrina não nos permite que deixemos a Sua lei. “Boa doutrina”, portanto, não é aquela que se apresente brilhante do ponto-de-vista intelectual nem que consegue acomodar as nossas crenças e o nosso modo de vida, mas única e exclusivamente aquela que estiver de acordo com a lei do Senhor, com a Palavra de Deus.

- Em Pv.13:14, na Versão Almeida Revista e Corrigida bem como na Almeida Fiel e Corrigida, a palavra “doutrina” é utilizada  para traduzir “torah”, palavra que é comumente traduzida por “lei”, mas cujo significado é mais precisamente “instrução”, “ensino”. Aqui se diz que “a doutrina do sábio” é fonte de vida para se desviar dos laços da morte. A doutrina do sábio não é, propriamente, do sábio, pois, como nos ensina o próprio proverbista, o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv.9:10), no que é acompanhado pelo salmista (Sl.111:10). Portanto, a “doutrina do sábio” outra não é senão a Palavra de Deus e só ela é capaz de dar origem à vida e nos desviar dos laços da morte. A doutrina, como se vê, portanto, é o próprio fator criador da vida espiritual e da sua manutenção até o fim.

OBS: A propósito, ensina-nos Nathan Ausubel que a Bíblia, para os judeus, no seu sentido singular de Torah, “…tem sido considerada pelos fiéis como redentora, quando entendida como forma total de vida…” (AUSUBEL, Nathan. Bíblia. In: A JUDAICA, v.5, p.77).

- Jesus, certa feita, disse que tinha vindo para trazer vida e vida em abundância (Jô.10:10). Disse, também, que Ele próprio era a vida(Jo.14:6), bem como o pão da vida(Jo.6:48). Ao Se dizer a vida, também disse ser a verdade (Jo.14:6) e a verdade, disse em outra oportunidade, é a Palavra de Deus(Jo.17:17). Por isso, a doutrina, enquanto ensino da Palavra de Deus, só pode, mesmo, ser a fonte de vida, de modo que não tem qualquer sentido alguém vir a dizer que o estudo, o aprendizado da Palavra de Deus seja causa de morte (interpretando, fora de contexto e sem qualquer fundamento, a expressão “a letra mata” de II Co.3:6). Bem ao contrário, é a doutrina quem nos desvia dos laços de morte, como, aliás, tivemos oportunidade de estudar no segundo trimestre deste ano, quando vimos que só o conhecimento da doutrina da Palavra de Deus nos impede de sermos enganados pelas falsas doutrinas, heresias e modismos que proliferam com cada vez maior intensidade à medida que se aproxima o dia da volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

- Em Pv.16:23, a Versão Almeida Revista e Corrigida utiliza a palavra “doutrina”, que é a mesma palavra hebraica “leqach”. Entretanto, tal versão ficou isolada nesta tradução, pois a Versão Atualizada traduziu o termo por “persuasão”, a Fiel e Corrigida por “ensino” e a Edição Contemporânea por “instrução”. De qualquer modo, em que pese o isolamento da versão, temos aqui um outro ensino relevante a respeito da doutrina. É a circunstância de que a doutrina vem do coração, ou seja, o que o sábio ensina é o que lhe vem do coração e, sabemos, que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor. Por isso, o que vem do coração do sábio é o que aí foi colocado pelo próprio Espírito Santo e, portanto, temos que a doutrina nada mais é que o resultado da operação do Espírito Santo na vida de alguém. O próprio Jesus nos ensina isto ao dizer que o Espírito Santo, que Ele mandaria para ficar com os Seus servos, nos ensinaria todas as coisas e nos faria lembrar de tudo quanto Jesus, a Palavra, havia dito (Jo.14:26). Vemos, pois, que a doutrina nada mais é que o resultado do ensino do Espírito Santo, o nosso Mestre por excelência. Mais uma vez, portanto, sem qualquer fundamento quem acha que o estudo doutrinário é uma exaltação humana. Bem ao contrário, o que temos é uma demonstração de submissão do homem, de reconhecimento da soberania e supremacia divinas.

- A palavra “doutrina” reaparece na Versão Almeida Revista e Corrigida em Is.29:24, onde, mais uma vez, traduz “leqach”, sendo seguido pela Fiel e Corrigida, já que a Atualizada e a Edição Contemporânea traduzem o termo por “instrução”. No texto, é dito que os murmuradores aprenderiam doutrina quando houvesse a santificação que o profeta prometia para o povo do Senhor. A santificação e o temor a Deus fariam com que os murmuradores, ou seja, aqueles que se queixam de Deus, que se rebelam contra o Senhor, viessem a aprender “doutrina”. Vemos que a “doutrina” só é aprendida por quem se separa do pecado, por quem se submete ao Senhor, por quem prima por uma vida de comunhão com Deus. Por isso, sentimos muita preocupação ao saber que muitos crentes, na atualidade, fogem dos “cultos de doutrina”, dos “cultos de ensino”, prova de que não estão a se santificar.

- A Versão Almeida Revista e Corrigida menciona “doutrina” em Is.42:4, para traduzir, desta feita, “torah”, sendo seguida pela Versão Atualizada. Já a Edição Contemporânea e a Fiel e Corrigida preferiram traduzir o termo por “lei”, mas, como dissemos supra, o termo “torah”, embora tenha adquirido a conotação de “lei” tem como seu significado o de “instrução”, de “doutrina”.

OBS: “…Há entre muitos judeus, e também cristãos, uma noção errônea muito difundida de que a tradução exata de ‘Torah’ é ‘Lei’. Esse erro, provavelmente involuntário em sua origem, foi sem dúvida cometidos pelos tradutores judeus de Alexandria, no século III a.E.C., que prepararam a versão grega da Bíblia, denominada Septuaginta. Estimulados, provavelmente, pela predileção  pela lei característica do ambiente cultural helenista, traduziram de maneira incompleta o conceito da palavra hebraica, fazendo-a aparecer como ‘Lei’. Uma vez que a versão Septuaginta das Escrituras era quase universalmente usada pelos judeus fora da Judéia e das regiões de língua aramaica do mundo greco-romano — poucos judeus ali sabiam hebraico ou mesmo aramaico (targum) — era natural que a tradução de Torah como ‘Lei’ entrasse nas obras judaicas pós-bíblicas escritas em grego ou traduzidas do hebraico para a língua grega.(…). O conceito de Torah entre os judeus, no entanto, é muito mais amplo e mais profundo do que tão somente a ‘Lei’: no seu sentido etimológico completo, ‘Torah’ também tem a conotação de ‘doutrina’, ‘instrução’ e ‘orientação’. Mesmo o exame mais superficial do Pentateuco comprova que a Torah tenta ser um inspirado guia absoluto para toda a crença e o culto, e abranger todas as ramificações da conduta individual e social. É, portanto, uma supersimplificação encarar a Torah como sendo somente ‘Lei’. A Torah também é uma crônica genealógica dos primórdios de Israel e inclui as biografias de seus ilustres antepassados e dos primeiros líderes. Além disso, é um sermão fervoroso: ensina e moraliza ininterruptamente. Exorta, incansavelmente, o israelita como indivíduo como a coletividade inteira de Israel, a esquivar-se das más ações e tomar os caminhos da verdade, da virtude, da misericórdia e da justiça, imitando os próprios atributos de Deus; a abandonar a adoração de ídolos e a encontrar Deuys vivo na prática do preceito ‘Ama teu próximo como a ti mesmo’, o qual, como disse Rabi Akiva no século II, é o princípio central da religião judaica.…” (AUSUBEL, Nathan. op.cit., p.81-2).

- Ao nos depararmos com este texto do profeta Isaías, vemos claramente que o Servo do Senhor prometido para o futuro seria alguém que traria a “doutrina” de Deus para as ilhas, isto é, até as extremidades da Terra. Neste texto, vemos que a missão de Jesus, o Messias, o Servo do Senhor, era o de levar a “doutrina” do Senhor para toda a Terra, “torah” que havia sido dada inicialmente só a Israel. Por isso, ao iniciar Sua pregação, o Senhor conclamou Seu povo ao arrependimento e a crer no Evangelho(Mc.1:14,15), o mesmo que determinou que fizéssemos depois de Sua ascensão ao céu (Mc.16:15). O “evangelho” é a “doutrina de Cristo”, é a “doutrina de Deus”. Por isso, não podemos crer em qualquer outra doutrina, em qualquer outro evangelho, ainda que seja trazido por anjos (Gl.1:8).

- Após o prenúncio da atuação de Cristo com relação à doutrina em Isaías, encontraremos apenas a palavra “doutrina” em o Novo Testamento, mais precisamente, em Mateus, onde o termo aparece, na Versões Almeida (Revista e Corrigida, Fiel e Corrigida, Atualizada e Contemporânea) em 7:28, 16:12 e 22:33(neste versículo, a Edição Contemporânea traduz a palavra ‘didaché’ por “ensino”), termo que é tradução de “didaché” (διδαχή), cujo significado é muito similar ao de “leqach”, pois quer dizer “instrução”, “ensino”, “o que é ensinado”.

- Nas três referências de Mateus, a palavra “doutrina” é utilizada para designar o conjunto de ensinamentos ministrados ao povo, sejam os ensinos de Jesus (7:28 e 22:33), seja os ensinos dos fariseus (16:12). “Doutrina”, portanto, é um conjunto de ensinos, a coleção dos ensinamentos que os mestres dos tempos de Cristo ensinavam, seja Ele próprio, seja o dos fariseus.

- Nas referências de Mateus, a doutrina de Jesus é apresentada como algo que admira, que causa assombro para os ouvintes, mostrando ser algo diferente, algo que não se confundia nem com a religiosidade existente, nem com as filosofias que também faziam parte dos discursos e ensinos ministrados naquela época. A doutrina de Jesus, portanto, como se pode observar é algo que não obedece a culturas, a costumes, nem à lógica humana.

- Em Mateus, também, vemos que a doutrina religiosa baseada na formalidade, na aparência exterior, no preconceito, nos rituais, nas cerimônias é uma doutrina que não tem o amparo nem a aprovação divinos, tanto que o Senhor fez questão de chamar tal doutrina de “fermento”, determinando aos Seus discípulos que jamais acolhessem, em seus corações, uma doutrina desta natureza. Já aqui vemos que o Senhor bem diferençava entre doutrina e costumes, entre doutrina e aspectos de somenos importância criados pelos homens para seu engrandecimento próprio.

- É assaz importante observar que a palavra grega “didaché” possui um significado passivo, ou seja, em muitas ocasiões seu significado é “o que é ensinado”, como a demonstrar que a “doutrina” não é algo que seja criação humana, mas, sim, algo que é recebido pelo homem da parte de Deus. A “doutrina”, portanto, não é algo que venha da imaginação ou da mentalidade de um homem, mas, sim, única e exclusivamente aquilo que tem origem em Deus. Não foi à toa que, no mesmo evangelho segundo Mateus, vemos a expressão esclarecedora do Senhor: “aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt.11:29b).

- Este é o mesmo significado que encontramos nos outros dois evangelhos sinóticos. Em Marcos e em Lucas, a doutrina é apresentada como o conjunto de ensinamentos de Cristo, ensinamentos estes que causavam admiração por parte do povo, que também sentia que era um ensino que vinha de quem tinha autoridade, ou seja, de quem vivia aquilo que ensinava (Mc.1:27; 4:2; 11:18; Lc.4:32).

- Não é diferente no evangelho segundo João. Neste evangelho, escrito para mostrar que Jesus é o Filho de Deus, está uma das mais importantes afirmações bíblicas a respeito da doutrina. Interpelado sobre Seus ensinos, o Senhor Jesus limitou-se a dizer: “…A Minha doutrina não é Minha, mas dAquele que Me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se Eu falo de Mim mesmo.” (Jo.7:16,17).

- Jesus mostra-nos, claramente, que a Sua doutrina outra não era senão a doutrina do Pai. A doutrina não fala do próprio doutrinador, mas, sim, de Deus e somente quem vivenciar a doutrina, quem nela crer e por ela viver, verá que esta doutrina é a verdade, que esta doutrina é a vontade de Deus. A doutrina é a manifestação da vontade de Deus para o homem. Seguir a doutrina é seguir a vontade de Deus para o homem e é por isso que muitos se têm levantado contra a doutrina, porque ela implica na renúncia do eu, na renúncia do ego, na renúncia de nós mesmos, sem o que é impossível seguir a Jesus (Mt.16:24). Daí porque Jesus foi interrogado pelo sumo sacerdote a respeito de Sua doutrina (Jo.18:19).

- Se temos a doutrina de Cristo, se a seguimos, não podemos, portanto, ser diferentes. A doutrina tem de ser a mesma e, neste passo, os doutrinadores não podem querer aparecer ou dizer o que é certo ou o que é errado, como muitos têm feito e já o faziam nos tempos apostólicos, onde já se registravam doutrinas de homens (Mt.15:9; Mc.7:7; Cl.2:22) e até doutrinas de demônios (I Tm.4:1). Devemos permanecer na doutrina de Cristo, pois quem não persevera nesta doutrina não tem a Deus (II Jo.9).

- Esta doutrina foi mantida pelos apóstolos e tal circunstância nos mostra, claramente, que é a doutrina que deve ser seguida pelo povo de Deus, pela Igreja. A primeira nota característica que se escreve a respeito dos salvos reunidos para fora do mundo, a partir do dia de Pentecostes, foi o fato de que “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At.2:42). Na igreja primitiva, o trabalho dos crentes outro não era senão encher Jerusalém da doutrina (At.5:28). A preocupação dos apóstolos era orar e ensinar a Palavra de Deus à igreja, ou seja, dar doutrina (At.6:2,4). Com estas informações que nos vêm do texto sagrado, temos alguma dúvida por que a igreja prosperava e a todo instante o Senhor acrescentava aqueles que haviam de se salvar (At.2:47) ? Simplesmente porque dava o primeiro lugar, em sua atividade, à doutrina !

- Esta primazia da doutrina foi sempre uma característica da igreja nos tempos apostólicos. Vemos que o procônsul Sérgio Paulo se admirou da doutrina pregada por Paulo (At.13:12), que não era de Paulo, mas do Senhor, como também, em Atenas, quiseram os filósofos do Areópago ter conhecimento da nova doutrina, precisamente a que era ensinada pelo apóstolo (At.17:19). Paulo, por sinal, em seus escritos, sempre demonstrou sua preocupação para que a doutrina tivesse sempre um espaço privilegiado não só na vida de cada crente, mas nas igrejas locais, pois entendia que ser salvo era ter adotado uma nova doutrina (Rm.6:17), que os inimigos dos crentes são os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina (Rm.16:17), que um culto não tem sentido se não houver doutrina (I Co.14:6,26), que a vida familiar deve ser construída, notadamente a educação dos filhos, pela doutrina do Senhor (Ef.6:4), que a vida do ministro está indissociavelmente vinculada ao ensino e à observância da sã doutrina (I Tm.1:3,10; 4:6,16; 5:17; 6:1,3; II Tm.4:2,3; Tt.2:1,7,10).

- O autor aos hebreus também demonstrou sua preocupação para com a doutrina, mostrando ser ela o verdadeiro alicerce que impede a apostasia do crente (Hb.6:1,2). O apóstolo João, também, mostrou a necessidade de o crente sempre observar a sã doutrina e nela perseverar (II Jo.2,9), bem assim, no Apocalipse, registrando as palavras do Senhor Jesus para as igrejas da Ásia, mostrou quão abominável é ao Senhor que os santos se desviem dos santos caminhos por causa de outras doutrinas (Ap.2:14,15 e 24).

II – A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA PARA A VIDA CRISTÃ ANTE AS REFERÊNCIAS BÍBLICAS ESTUDADAS

- Pelo que vemos das menções bíblicas à doutrina, é ela de fundamental importância para a vida espiritual de um servo de Deus. Em primeiro lugar, a Bíblia nos afirma que a doutrina é a fonte da vida espiritual, ou seja, não há sequer vida espiritual, não há comunhão com Deus se não houver a doutrina. Com efeito, como sabemos, a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus e a exposição e pregação da Palavra de Deus faz parte do ministério da palavra, que era tão considerado pelos apóstolos. Para que alguém ouça a palavra, é preciso que alguém a pregue e, quando pregamos a Palavra de Deus, estamos expondo a doutrina, pois a Palavra de Deus é o ensino que Deus deu aos homens para que estes possam obter a sua salvação.

- Como se não bastasse a doutrina ser a própria fonte da vida espiritual, temos que a sua continuidade é fundamental para que nos mantenhamos separados do pecado. Jesus disse que deveríamos ser santificados na verdade, ou seja, na doutrina e Moisés, como já dissemos supra, também afirmou que a doutrina deveria gotejar, cair como chuvisco e como orvalho, operando a renovação espiritual que é necessária para cada servo de Deus. Como dizem os judeus, devemos estudar a “Torah” até a morte, porque o homem esquece e, se esquecermos dos ensinos do Senhor, fatalmente pereceremos. A doutrina, portanto, além de ser a fonte da vida espiritual, é a base para o seu crescimento, de forma que a sobrevivência do cristão está vinculada à doutrina, ou seja, ao seu constante aprendizado da Palavra de Deus. Uma das características da igreja primitiva era a perseverança na doutrina dos apóstolos (At.2:42)

- Mas a doutrina, além de ser fonte e base de crescimento é, também, o alicerce da nossa vida espiritual. Jesus, no sermão do monte, disse que aquele que ouve e pratica as Suas palavras é semelhante ao sábio que edifica sobre a rocha. A rocha, portanto, nada mais é que o próprio Cristo, que a própria Palavra que por Cristo foi dita e que é lembrada e anunciada a nós por obra do Espírito Santo (Jo.14:26). Sem este fundamento, não poderemos crescer, pois são os rudimentos da doutrina (Hb.6:1). A Igreja, este povo de Deus, é edificado sobre a doutrina de Cristo e dos apóstolos, que já havia sido prenunciada pelos profetas (Ef.2:20). Sem doutrina, portanto, não se tem como possível a construção de uma edificação espiritual sobre a rocha, que resista aos abalos das provações, das tentações e das conseqüências dos nossos atos.

- A doutrina, portanto, é fonte, base de crescimento e alicerce da vida espiritual do cristão. Mas, além de tudo isto, vemos que a doutrina, também, é um guia de direção para todos os crentes. Somente pela doutrina sabemos como proceder nas muitas e diversas situações que vivemos a cada dia. A doutrina é nosso guia de comportamento, é nosso critério de ação, a nossa única regra de fé e prática, como se costuma dizer. O cristão não confia em homens, nem segue orientações humanas, mas tem à sua disposição o ensino do Salvador, a doutrina, que se encontra registrada na Palavra de Deus. Que privilégio sabermos que nosso Mestre é o próprio Senhor Jesus, Que, aliás, sempre reconheceu esta Sua qualidade (Jo.13:13). Por isso, não podemos admitir crentes que se espelham em outros homens, seguem preceitos e mandamentos humanos, com muito mais ardor do que a doutrina bíblica, residindo aí, aliás, um dos grandes focos de decepções e de escândalos, para não dizer de desvios espirituais e, mesmo, de apostasia. O verdadeiro crente tem de ser um conhecedor da doutrina e uma pessoa dirigida única e exclusivamente pelo Espírito Santo, cuja direção nada mais é que nos fazer lembrar o que Jesus anunciou em Sua Palavra.

- A importância da doutrina, da Palavra de Deus é tanta que o salmista afirmou que o Senhor pôs a Sua Palavra sobre Ele próprio, acima dEle mesmo (Sl.138:2). Se Deus dá tamanha importância à Sua Palavra, que, quando ensinada para nós, torna-se doutrina, por que haveríamos de menosprezá-la?

- Uma das características dos dias em que vivemos é o abandono da sã doutrina. Muitos dentre os que crentes se dizem ser, como nos afirmam as Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina(II Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus e o distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si doutores que justifiquem seus pecados e iniqüidades. São dias difíceis, mas nós, que conhecemos a Palavra, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que estas coisas que iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo, submissos aos ensinos do Senhor, pois, como aprendemos, a doutrina é essencial à vida cristã.

- A doutrina concede poder aos crentes. Diz o apóstolo Paulo que, quando retemos fielmente a Palavra, tornamo-nos poderosos, ou seja, temos a autoridade do Espírito Santo em nossas vidas e, por isso, podemos enfrentar e resistir ao mal. A autoridade espiritual acompanha o ensino e o aprendizado da doutrina, como nos dá conta o próprio Senhor Jesus, que, ao ensinar a doutrina, causou a admiração da multidão, por causa de Sua autoridade. Mas não nos iludamos: a exposição da doutrina somente confere autoridade àquele que, além de expor a doutrina, vive-a em sinceridade. Ensinar a Palavra e não viver de acordo com ela nada mais é que reprodução de farisaísmo (Mt.23:2,3).

III – DOUTRINA E COSTUMES

- A doutrina é a exposição da Palavra de Deus e não das tradições dos homens. Há muitos que confundem a doutrina com os costumes de uma determinada localidade, de uma determinada região, de um determinado grupo social ou, mesmo, de um segmento religioso. As tradições existem em qualquer grupo social e, como Deus fez o homem um ser social, é natural que, em toda igreja local, tenhamos costumes e tradições. Jesus, por exemplo, tinha o costume de ir à sinagoga (Lc.4:16), sem dúvida, um bom costume, mas que não passava de costume.

- O costume é, ao contrário da doutrina, algo que surge não da parte de Deus para os homens, mas, sim, da parte dos homens para os homens. Costume é uma prática, uma atitude, uma ação que é escolhida por um determinado grupo, que resolve um determinado problema na vida em sociedade e que, por isso, passa a ser praticada ininterruptamente pelos integrantes daquele grupo, adquirindo um caráter obrigatório.

- Sendo uma obra do homem, o costume tem todas as limitações que têm as criações humanas, em especial, o fato de ser algo que está submetido ao tempo e ao espaço. Por causa disto, o costume varia de região para região, de lugar para lugar e, ao longo dos tempos, ao longo dos anos, vai se modificando e, não poucas vezes, acaba se desfazendo, caindo em desuso.

- Como já dissemos, todo grupo social, e as igrejas locais não são exceção, tem seus costumes e tradições (tradição é o costume que se passa de geração para geração, que se entrega — e “tradere”, em latim, quer dizer entregar — de geração para geração). Dizer que uma igreja não tem costumes ou que não os deve ter é uma irracionalidade sem igual, é uma ilusão, para não dizermos que é uma inverdade, pois, se Deus criou o homem para viver em sociedade (Gn.2:18), fez de tal maneira que o homem criaria, nas suas sociedades, os seus costumes e tradições.

- O que a Bíblia condena, porém, é que estes costumes e tradições deixem o seu campo próprio, que é o do relacionamento entre os homens, para investir na área do relacionamento entre Deus e o homem. Como disse Jesus, ao comentar a respeito das tradições do seu tempo, a tradição não é um mal em si, mas o mal está em invalidarmos a Palavra de Deus por causa dos costumes e das tradições. No episódio em que os fariseus censuraram os discípulos de Cristo porque não lavaram as mãos antes da refeição, que era um costume do seu tempo, Jesus nem discutiu a respeito do costume, o que nos mostra que o reconheceu, mas, sim, foi a uma questão muito mais relevante, qual seja, o limite do costume e da tradição. Neste particular, mostrou que os fariseus estavam indo além dos limites, invalidando a Palavra de Deus por causa da tradição, a ponto de considerar que a ajuda de um filho a pais necessitados poderia ser negado se já havia um comprometimento de se mandar o dinheiro para o templo, algo que contrariava abertamente o mandamento de honra aos pais (Mt.15:1-9).

- Nos dias em que vivemos, também estamos a notar, para nossa tristeza, a mesma adoração vã denunciada por Jesus no Seu tempo de ministério terreno. Muito se fala, muito se prega, muito se minudencia a respeito de preceitos dos homens, ou seja, de costumes e de tradições, dando margem a toda sorte de discussões, pelejas, dissensões e, não raramente, divisões em diversas igrejas locais, esquecendo-se de que costumes podem se modificar, podem se alterar, variando conforme o tempo e o lugar e, o que é ainda mais relevante, que os costumes jamais podem invalidar a Palavra de Deus.

- Enquanto muitos se engalfinham com o “lavar das mãos”, multidões ficam sem conhecer a doutrina, que é a Palavra de Deus, ficam sem ter conhecimento do que Deus nos revelou na Sua Palavra. Os cultos de doutrina transformam-se em cultos de costumes e os obreiros deixam de ter a mesma visão que tinham os apóstolos, para os quais nada poderia lhes tomar o tempo da oração e do ensino da Palavra.

- Esta ênfase nos costumes e tradições, além do mais, tem permitido que muitas igrejas locais mais pareçam hoje grupos de discípulos de fariseus do que propriamente de Cristo. É preciso reverter esta situação, até porque, além de dar margem a dissensões, pelejas, iras e divisões, que são obras da carne e não do Espírito (Gl.5:19-21), e, portanto, procedimentos que não podem existir entre aqueles que, efetivamente, pertencem ao reino de Deus, uma tal discussão muito enfraquece a própria igreja local, não só internamente, mas também do ponto-de-vista externo, pois, nos dias em que vivemos, com o desenvolvimento intenso da ciência e da tecnologia, presenciamos um nítido relativismo cultural, as culturas, ou seja, o conjunto de costumes e tradições de determinados conjuntos de grupos, estão cada vez mais se entrelaçando, se misturando, o que diminui sobremaneira a própria autonomia de cada cultura.

- A ênfase nos costumes e tradições, portanto, além de desviar o foco da igreja local da doutrina, da Palavra de Deus, o que traz, como vimos supra, a perda da fonte de vida, de alicerce, de crescimento e de autoridade, faz com que a própria igreja se distancie da sociedade onde está, do mundo onde se encontra, o que vai completamente contra aos propósitos divinos para a Igreja que, embora não seja do mundo, está no mundo para anunciar as boas-novas da salvação. Ao pregar costumes e tradições, as igrejas locais deixam de pregar o Evangelho, que é a doutrina, trocando o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16), por preceitos de homens que nada mais são que vaidade (Mt.15:9).

- Ninguém está aqui dizendo que não devemos primar pelos bons costumes. Como já dissemos, todo grupo tem costumes e, na igreja local, estes costumes devem ser, naturalmente, bons costumes, pois nossa justiça tem de exceder a dos escribas e fariseus (Mt.5:20), tendo de ser a igreja luz do mundo e sal da terra, praticando boas obras que levem os homens a glorificar ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:13-16). Portanto, não há como termos os mesmos costumes do mundo, até porque, como estamos separados do pecado, somos diferentes dos ímpios, temos um caminho distinto do deles (Sl.1).

- No entanto, antes de nosso modo de viver, devemos nos preocupar com a doutrina. O apóstolo foi claro ao mostrar para Timóteo que a primeira coisa que deveria seguir nele era a doutrina e só, depois, o seu modo de viver (II Tm.3:10). Para Tito, o apóstolo disse que suas palavras deveriam ser de acordo com a doutrina, prova de que era a doutrina que determinava como Tito deveria falar e não o costume do lugar onde se encontrava (Tt.2:1). Ainda para Tito, disse que ele deveria ser um exemplo em tudo, o que inclui ter bons costumes, mas que, sobretudo, deveria ter um comportamento de incorrupção, gravidade e sinceridade na doutrina (Tt.2:7).

- O cristão tem bons costumes, seus costumes são diferentes dos do mundo, sua conduta deve ser mais excelente do que a de qualquer ímpio, pois, em todo costume, deverá mostrar que não existe qualquer tolerância com o pecado. Assim, é evidente que não se pode admitir, entre os crentes, a mesma licenciosidade e libertinagem que existem no mundo, licenciosidade e libertinagem que aumentam a cada dia que passa, já que vivemos dias de multiplicação do pecado (Mt.24:12). Entretanto, se devemos prezar pelos bons costumes, devemos nos lembrar que não são os costumes que dizem respeito à salvação nem ao relacionamento com Deus, mas, sim, a doutrina, pois só quem conhecer a doutrina poderá saber se os costumes do seu grupo social (família, escola, trabalho, cidade, país) estão, ou não, de acordo com a Palavra de Deus.

- Somente a observância da doutrina, e não dos costumes, traz salvação à pessoa (I Tm.4:16). Somente a observância da doutrina nos confere santificação, santificação esta que deve perdurar até o fim (Mt.24:13; Jo.17:17; Hb.12:14; Ap.22:11). Por que, então, centrarmos os esforços nos costumes e não na doutrina?

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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Friday, September 22, 2006

Lição 13 - O Espírito Santo e a vinda de Jesus

A tão discutida vinda de CRISTO é sempre assunto polêmico, atual e por muitas vezes, para a grande maioria das pessoas, um tema obscuro e desconhecido. Uns crêem na sua vinda, mas não sabem como se dará, outros perderam o temor e já não acreditam mais em nada. A grande maioria, porém, permanece indiferente, fria, alheia ao Evangelho. 
Texto Áureo:
“E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25.10).
25.1 A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS. Esta parábola ressalta o fato que todos os crentes devem constantemente examinar sua vida espiritual, tendo em vista a vinda de CRISTO num tempo desconhecido e inesperado. Devem perseverar na fé, para que uma vez chegados o dia e a hora, sejam levados pelo Senhor na sua volta (v. 10). Estar sem comunhão pessoal com o Senhor quando Ele voltar, significa ser lançado fora da sua presença e do seu reino. 
25.4 AZEITE.O azeite nesta parábola representa no crente a presença permanente do ESPÍRITO SANTO, aliada à fé verdadeira e à santidade. Cinco outras parábolas contendo a lição da perseverança são: O Semeador (Lc 8.4-15); O Servo Vigilante (Lc 12.35-40); O Mordomo Fiel (Lc 12.42-48); O Construtor da Torre (Lc 14.28-30); e O Sal Degenerado (Lc 14.34,35).
Verdade Prática:
O crente deve zelar pela sua vida espiritual, mantendo-se em comunhão com o ESPÍRITO SANTO e perseverando na fé para que não seja surpreendido na volta de JESUS.
Quanto aos crentes vivos, antes da tribulação, CRISTO lhes diz que ninguém pode calcular, nem sequer fazer uma estimativa do dia da sua volta para buscá-los (vv. 42-44). Por isto, devem estar prontos a qualquer momento, porque Ele voltará para os levar ao céu, i.e., à casa do seu Pai (Jo 14.2,3), numa hora em que não pensam que Ele virá.
Leitura Diária:
Segunda 2 Pe 3.8-14 A promessa infalível
2Pe 3.8Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia.9O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.10Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão.11Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade,12aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de DEUS, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?
13Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.14Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz.

3.8 UM DIA… COMO MIL ANOS. DEUS olha o tempo sob a perspectiva da eternidade (cf. Sl 90.4). Mil anos para DEUS é diferente de mil anos para os seres humanos. DEUS pode realizar num só dia o que julgamos que levaria mil anos; assim como Ele pode levar mil anos para realizar algo que 
gostaríamos de ver feito num só dia.
3.9 NÃO QUERENDO QUE ALGUNS SE PERCAM. A demora na volta de CRISTO tem a ver com a pregação do evangelho do reino ao mundo inteiro (Mt 24.14). DEUS quer que todos ouçam o evangelho, pois não deseja que ninguém pereça eternamente (1 Tm 2.4; ver Ez 33.11; Jo 3.10). Isso não significa que todos serão salvos, porque se alguém rejeitar a graça e a salvação divinas, tal pessoa permanecerá perdida.
3.10 O DIA DO SENHOR. Esta expressão refere-se aos eventos que começam com a volta de CRISTO para arrebatar a sua igreja ao seu encontro nos ares e culmina com a destruição dos céus e terra atuais e com a criação dos novos céus e da nova terra (Ap 21,22; ver Jl 1.14; Sf 1.7; 1 Ts 5.2). O início do dia do Senhor ocorrerá num tempo ainda ignorado e será assinalado por rapidez inesperada (Ver Mt 24.42-44 )
3.11 SANTIDADE E PIEDADE. Sabendo que DEUS dentro em breve destruirá o mundo e julgará os ímpios, não devemos nos apegar ao sistema deste mundo, nem às suas coisas. Nossos valores, alvos e propósitos na vida devem centrar-se em DEUS e na esperança de novos céus e terra (v. 13)
3.12 APRESSANDO-VOS PARA A VINDA DO DIA DE DEUS. A igreja pode contribuir para encurtar o tempo que precede a volta de CRISTO, mediante (1) maior dedicação ao evangelismo e à obra missionária mundial (v. 9; Mt 24.14), e (2) ao desejo intenso da sua vinda, expresso na oração: “Certamente, cedo vem” (Ap 22.20; cf. Mt 6.10).
3.13 AGUARDAMOS NOVOS CÉUS. Ver Hb 11.10 = Abraão sabia que a terra que lhe fora prometida, aqui no mundo, não era o fim da sua jornada. Pelo contrário, o fim era bem além, na cidade celestial, que DEUS preparara para seus servos fiéis. Abraão serve de exemplo a todo o povo de DEUS; devemos 
reconhecer que estamos apenas de passagem neste mundo, caminhando para nosso verdadeiro lar no céu. Não devemos pensar em segurança plena neste mundo, nem ficar fascinados por ele (vv. 14,16; 13.14). Devemos nos considerar estrangeiros e exilados na terra. Esta não é a nossa pátria, mas território estrangeiro; o fim da nossa peregrinação será uma pátria melhor (v.16), a “Jerusalém celestial” (12.22) e a “cidade permanente” (13.14).

Terça  Ef 5.27 Como a noiva de CRISTO deve aguardá-lo

27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
2 Coríntios 11.2 Porque estou zeloso de vós com zelo de DEUS; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a CRISTO.
Colossenses 1.22 no corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis,

Quarta Tt 2.13; Fp 3.20,21 A esperança do crente

Tt 2.13aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande DEUS e nosso Senhor JESUS CRISTO,
A BEM-AVENTURADA ESPERANÇA. A “bem-aventurada esperança” pela qual todo cristão deve ansiar é o “aparecimento da glória do grande DEUS e nosso Senhor JESUS CRISTO” e a nossa união com Ele por toda a eternidade (ver Jo 14.3). Essa esperança pode ser concretizada a qualquer momento (cf. Mt 24.42; Lc 12.36-40; Tg 5.7-9). Assim sendo, os cristãos nunca devem abrir mão da sua expectativa mantida em oração de que talvez ainda hoje a trombeta soará e o Senhor voltará
Fp 3.20Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor JESUS CRISTO,21que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.
NOSSA CIDADE ESTÁ NOS CÉUS. O termo “cidade” aqui (gr. politeuma) significa “cidadania” ou “pátria”. Paulo ressalta que os cristãos já não são cidadãos deste mundo: tornaram-se estranhos e peregrinos na terra (Rm 8.22-24; Gl 4.26; Hb 11.13; 12.22,23; 13.14; 1 Pe 1.17; 2.11). (1) No que diz respeito ao nosso comportamento, valores e orientação na vida, o céu é agora a nossa cidade. Nascemos de novo (Jo 3.3); nossos nomes estão registrados nos livros do céu (4.3); nossa vida está orientada por padrões celestiais, e nossos direitos e herança estão reservados no céu. (2) É para o céu que nossas orações sobem (2 Cr 6.21; 30.27) e para onde nossa esperança está voltada. Muitos dos nossos amigos e familiares já estão lá, e nós também estaremos ali dentro em breve. JESUS também está ali, preparando-nos um lugar. Ele prometeu voltar e nos levar para junto dEle (ver Jo 14.2,3; cf. Jo 3.3; 14.1-4; Rm 8.17; Ef 2.6; Cl 3.1-3; Hb 6.19,20; 12.22-24; 1 Pe 1.4,5; Ap 7.9-17). Por essas razões, desejamos profundamente uma cidade melhor, ou seja: a cidade celestial. Por isso, DEUS não se envergonha de ser chamado nosso DEUS, e Ele já nos preparou uma cidade eterna (Hb 11.16)

Quinta Ap 3.11-13; 20-22 A advertência do ESPÍRITO SANTO às Igrejas

Ap 3.11Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.12A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu DEUS, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu DEUS e o nome da cidade do meu DEUS, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu DEUS, e também o meu novo nome.13Quem tem ouvidos ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas.
Filipenses 4.5 Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.
Apocalipse 1.3 Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.
Apocalipse 22. 12 E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra.
Ap 3.20Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.21Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.22Quem tem ouvidos ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas.
Lucas 12.37 Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá.
João 14.23 JESUS respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

Sexta Ap 22.17,20 O clamor do ESPÍRITO

17E o ESPÍRITO e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida.18Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, DEUS fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;19e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, DEUS tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro.20Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor JESUS!
Sábado Ap 21.7,8; 22.14,15 Os vencedores e os vencidos
Ap 21.7Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu DEUS, e ele será meu filho.8Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte.
QUEM VENCER. O próprio DEUS declara quem herdará as bênçãos do novo céu e da nova terra: aqueles que perseverarem fielmente como vencedores em CRISTO (ver 2.7). Quem viveu no pecado e na iniqüidade será lançado no lago de fogo
Ap 22.14Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.15Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.
Apocalipse 21.27
E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.
Apocalipse 21.2 E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de DEUS descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
Apocalipse 21.6 E disse-me mais: Está cumprido; Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.

Leitura Bíblica Em Classe: MATEUS 25.1-13
1Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.2E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas.3As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.4Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.5E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram.6Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!7Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.8E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.9Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós.10E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.11E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta!12E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.13Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir.
25.1 A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS. Esta parábola ressalta o fato que todos os crentes devem constantemente examinar sua vida espiritual, tendo em vista a vinda de CRISTO num tempo desconhecido e inesperado. Devem perseverar na fé, para que uma vez chegados o dia e a hora, sejam levados pelo Senhor na sua volta (v. 10). Estar sem comunhão pessoal com o Senhor quando Ele voltar, significa ser lançado fora da sua presença e do seu reino. 
(1) O que faz a diferença entre o néscio e o sábio é aquele (louco) não reconhecer que o Senhor, ao voltar (ver Jo 14.3), virá num tempo em que não é aguardado, nem precedido de sinais visíveis específicos (v. 13; ver 24.36,44). 
(2) CRISTO mostra aqui e em Lc 18.8 que uma grande parte dos crentes estará despreparada no momento da sua volta (vv. 8-13). CRISTO deixa, pois, claro que Ele não vai esperar até que todas as igrejas locais estejam preparadas para a sua vinda. (3) Note-se que todas as dez virgens (tanto as prudentes como as loucas) foram surpreendidas, ao vir o noivo (vv. 5-7). Isto indica que a parábola das dez virgens refere-se aos crentes vivos antes da tribulação e não àqueles durante a tribulação, os quais terão sinais específicos precedendo a volta de CRISTO no final da tribulação.
25.4 AZEITE. JESUS, numa série de ilustrações, ressalta a necessidade de fidelidade e vigilância do crente até que Ele volte. A parábola das dez virgens destaca a urgente necessidade disso, pelo fato de CRISTO vir numa data imprevisível. Na vossa paciência , disse JESUS, possuí a vossa alma (ver Lc 2l.19). O azeite nesta parábola representa no crente a presença permanente do ESPÍRITO SANTO, aliada à fé verdadeira e à santidade. Cinco outras parábolas contendo a lição da perseverança são: O Semeador (Lc 8.4-15); O Servo Vigilante (Lc 12.35-40); O Mordomo Fiel (Lc 12.42-48); O Construtor da Torre (Lc 14.28-30); e O Sal Degenerado (Lc 14.34,35).
Objetivos: Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:
1- Relacionar a obra do ESPÍRITO SANTO e a segunda vinda de CRISTO.
2- Descrever as mensagens de despertamento que os apóstolos escreveram.
3- Citar as manifestações do caráter santo do ESPÍRITO.
Comentários: Introdução:

A VOLTA DE JESUS SERÁ:
Os eleitos:
Entre nuvens: Mt 24.30; 26.64; Ap 1.7
Devem considerá-la como eminente: Rm 13.12; Fp 4.5; 1 Pe 4.7
Na glória de Deus: Mt 16.27
A Benção de estarem preparados: Mt 24.46; Lc 12.37,39
Na sua própria glória: Mt 25.31
Amam-na: 2 Tm 4.8- Reinarão com Ele: Dn 7.27; 2 Tm 2.12; Ap 5.10; 20.6;22.5
Em fogo: 2 Ts 1.8
Esperam-na: Fp 3.20; Tt 2.13
Com poder: Mt 24.30
Aguardam-na: 1 Co 1.7; 1 Ts 1.10
Acompanhada por anjos: Mt 16.27; 25.31; Mc 8.38; 2 Ts 1.7
Apressam-na: 2 Pe 3.12 - Serão semelhantes a Cristo: Fp 3.21; 1 Jo 3.2
Com seus santos: 1 Ts 5.2; Jd 14
Oram por ela: Ap 22.20 - Aparecerão com Ele: Cl 3.4
Subitamente: Mc 13.36
Preparados: Mt 24.44; Lc 12.40 - Receberão a coroa: 2 Tm 4.8; 1 Pe 5.4
Inesperada: Mt 24.44; Lc 12.40; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10; Ap 16.15
Vigilantes: Mt 24.42; Mc 13.35-37; Lc 21.36
Como o relâmpago: Mt 24.27
Aguardam-na pacientemente: 2 Ts 3.5; Tg 5.7,8
Com ressurreição de mortos: 1 Ts 4.16
Preservados: Fp 1.6; 2 Tm 4.18; 1 Pe 1.5; Jd 24
Com arrebatamento: 1 Ts 4.17
Não se envergonham da mesma: 1 Jo 2.28; 1 Jo 4.17
I. A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS
Todos os Apóstolos tinham como pregação básica a volta do amado mestre e Senhor, pois sentiam profundamente a falta daquele amigo e companheiro que os ensinava a amara ao PAI, confiando num futuro glorioso.

1. Paulo.
Alegrou-se com a igreja de Tessalônica e confirmou para os cristãos dali: “pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (1 Ts 1.9-10). E a Timóteo ele fez saber: “já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4.8).
O apóstolo Paulo em sua l ª Epístola aos crentes de Corinto, nos revela um grande mistério: “Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão, e nós seremos transformados”.(I Cor 15.51-54)
Que revelação extraordinária, na vinda do Senhor, nossos corpos serão transformados e receberemos um corpo glorioso semelhante ao de JESUS, “porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (I Cor 15.53) “… Então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”.
Todos os cristãos serão vivificados em CRISTO. Mas cada um por sua ordem: CRISTO, as primícias, depois os que são de CRISTO, na sua vinda (I Cor 15.23).
Muitas pessoas só têm se preocupado com os cuidados e afazeres desta vida, mas é necessário buscar primeiro o reino de DEUS e a sua justiça, e todas as demais coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). As coisas inerentes a DEUS devem ter prioridade em nossas vidas, pois “a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor JESUS CRISTO, que transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o seu corpo glorioso…” (Fp 3.20,21 a).
Em sua 1ª Epístola aos Tessalonicenses, Paulo torna a falar acerca da ressurreição e vinda de CRISTO:
“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do senhor: Que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo e com a trombeta de DEUS; e os que morreram em CRISTO ressuscitarão primeiro; depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.(I Tes 4.15-17)
Imagine isso! De todos os confins da terra pessoas serão arrebatadas dentre as massas humanas, mas todas irão numa só direção: ao encontro de JESUS nos ares. Para o mundo será um mistério quando num momento, em meio as mais diferentes e costumeiras atividades cotidianas, multidões desaparecerão da terra de maneira sobrenatural e misteriosa.
Esse acontecimento passará desapercebido para muitos. Só depois é que irão dar falta, quando a imprensa falada e escrita, através dos meios de comunicação, noticiar o desaparecimento de milhões de pessoas em todo o globo terrestre.

O SENHOR JESUS DISSE( João 14:1-3 )
 PAULO APOSTOLO RECEBE A REVELAÇÃO ( I Te 4:13-18 )
Não se turbe v.1 
Não vos entristeçais v.13
Credes v.1
Cremos v.14
Deus, mim v.1
Jesus, Deus v.14
Vo-lo teria dito v.1
Dizemo-vos v.15
Vos levarei v.3
Vinda do Senhor v.15
Para mim mesmo v.3
Ao encontrar o Senhor
Onde estiver, estejais vós também v.3
Estaremos sempre com o Senhor v.17
   (Stanly Ellissen-Biography of Great Planet) página 112
2. Pedro. Uma afirmação de Pedro, que se ajusta muito bem à parábola das dez virgens, mostra quanto o tempo dos apóstolos ainda era impregnado pela expectativa da volta de Jesus: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração” (2 Pe 1.19).
Nos últimos dias, disse Pedro “… virão escarnecedores com seus escárnios, andando segundo suas próprias paixões, e dizendo: onde está a promessa da sua vinda?” Porque desde  meninos ouviram falar e hoje são adultos e Ele ainda não veio. Um dia vem após o outro e todas as coisas permanecem como desde o principio da criação. E zombam dizendo: ” Isso é conversa dos crentes”. Dando de ombro saem sem dar a menor importância.
“Mas amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não retarda a sua promessa ainda que alguns a têm por tardia: mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, se não que todos venham a arrepender-se.” (II Pe 3.8,9).
Não tendo em conta os tempos de ignorância, DEUS anuncia agora a todos os homens e em todo o lugar, que se arrependam “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham a ser os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At. 3.19) 
Com certeza, o caos e o pânico tomarão conta do planeta terra. Haverá tristeza e pranto. Angústia e desespero pela falta de parentes. Uma grande expectativa tomará conta de todos. Virão escarnecedores e enganarão o povo. Levantar-se-á a hipótese de terem sido discos voadores, mas os muitos milhões de desviados saberão que foi CRISTO que voltou e levou Sua Igreja para o céu. Mas será tarde demais, o Senhor já terá levado os seus remidos; seremos arrebatados repentinamente, num momento terá acontecido, antes que se perceba.
Nós o esperamos todos os dias, porque sabemos como será, mas não podemos dizer exatamente quando será “por isso estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.(Mt 24.44)
Há quase 2.000 anos veio humilde, montado num jumentinho. Não tinha onde reclinar a cabeça; veio como servo veio para servir. Agora virá como Rei. Rei dos reis e Senhor dos senhores, com poder e grande glória.
É bom frisar e deixar bem claro que a 2ª Vinda de CRISTO abrange duas fases distintas: Na primeira Ele virá nas nuvens para arrebatar a Sua Igreja. A Segunda fase se refere à manifestação visível e pessoal de JESUS, no final da Grande Tribulação, quando Ele assombrará o mundo com o seu poder e o resplendor de Sua presença. Então julgará as nações e estabelecerá o Milênio na terra.
“Ora, o fim de todas as coisas está próximo” (1 Pedro 4:7).
3. João. 
    Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo, o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto. (Apoc. 1:1-2)
Portanto estamos diante de uma revelação de Deus, que está sendo dada aos homens, mostrando as coisas que deverão acontecer em um futuro muito próximo.
João estava exilado na ilha de Patmos quando recebeu esta revelação através de um anjo. Este fato aconteceu por volta do ano 95 ou 96 de nossa era, portanto, aproximadamente 60 anos após a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
“… quando ele se manifestar seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”.(I Jo 3.2 b)
No apocalipse se vê que João conscientemente é influenciado pelo ESPÍRITO (1.10; 4.2); e a mensagem dirigida à sete igrejas é a mensagem do ESPÍRITO (2.7,11,17,29).
Assim como nosso Senhor Jesus Cristo é o personagem central do Apocalipse, a segunda vinda de Cristo em glória e majestade é o acontecimento mais importante deste livro protético. Cada cena do estremecedor drama profético do Apocalipse aponta para o retorno de Jesus. É a culminação do grande conflito entre o bem e o mal, e o momento em que Satanás será acorrentado e finalmente destruído.
Os anjos de Jesus recolherão a todos os escolhidos ou fiéis. Os que morreram amparados pela graça de Deus, havendo aceitado a Jesus como seu Salvador e Mediador, ressuscitarão ( 1 Tessalonicenses 4:13-16 ), e formarão um mesmo grupo com os fiéis crentes em Jesus que estarão vivos. Todos ascenderão nas nuvens para estar sempre com o Senhor ( 1 Tessalonicenses 4:17 ). A ascensão será possível porque o Senhor transformará nosso corpo à semelhança do que Ele tinha ao ascender ao Céu ( 1 Coríntios 15:51-54; Filipenses 3:20, 21 ).
A diferença entre quem será salvo ou quem será condenado não obedece a discriminações. Esta determinada pela aceitação ou rejeição de Cristo. (Veja a importante revelação feita por Jesus e registrada por João o autor do livro de Apocalipse em São João 3:16-18).
4. Judas. 
    Aguardemos a bem-aventurada esperança. Os escarnecedores não querem, de forma alguma, que creiamos na segunda vinda de Nosso Senhor. Por isso zombam eles dessa doutrina, menosprezando-a e desacreditando-a. Todavia, como ressalta Pedro, virá o Senhor como ladrão, surpreendendo-os em seus delitos, enganos e pecados (2 Pe 3.10).
Aguardemos, pois, a vinda de Cristo Jesus. Ele pode vir agora mesmo para arrebatar a sua Igreja. Você está preparado?
5. Tiago. 
Nossa tarefa é a semeadura, mas aquele dia e hora pertencem ao Pai e a ninguém mais.
                          “A vinda do Senhor está próxima”. Você crê nessa afirmativa? Talvez você esteja a pensar : Tiago escreveu isso há centenas de anos e até agora Cristo não voltou. Será que ele não exagerou ao dizer isso aos crentes de sua época?
                        É preciso reconhecer que os escritores do NT consideravam a vinda de Jesus como algo próximo. O fato de não ter se concretizado naqueles dias não deve nos levar a descrer das Escrituras, tampouco presumir que o Senhor não vem mais. Ele vem. A Bíblia afirma que Ele vem.Nossa história terá o capítulo final!                         Devemos acautelar-nos contra a precipitação de marcarmos  datas para a volta de Cristo, como fazem alguns,  até conhecidos nossos. Dois textos devem vir ä nossa mente: Mateus 24:36 e Mateus 24:46.
                          Quando passarmos por tribulações que antecederão a vinda de Cristo seremos certamente tentados a nos queixarmos. As dificuldade da vida e a pressão contra os filhos de Deus podem criar uma necessidade de se reclamar, como que num desabafo. Lembremos que as murmurações de Israel quando de sua peregrinação no deserto foram todas punidas. Deus pune o ESPÍRITO de murmuração. Por isso que Tiago diz: “Para que não sejais julgados.”

II. O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA

O derramamento pentecostal para a renovação da Igreja tem implicado num renovado e redobrado zelo evangelístico e missionário. Nestes últimos anos da presente década, a Igreja vem sendo despertada pelo ESPÍRITO SANTO para empreender um maciço, profundo e total avanço na conquista de almas para o reino de DEUS, por todos os meios disponíveis, por todos os crentes, em todos os lugares, e entre todos os povos.

1. Precisamos estar abertos para a operação do ESPÍRITO. 
O ESPÍRITO SANTO fala quase imperceptível e inaudível ao ser humano, é voz espiritual, é preciso ter sensibilidade espiritual para ouví-Lo. É preciso dar lugar ao ESPÍRITO SANTO para que ELE haja nas circunstâncias adversas de nossa caminhada aqui na terra.
2. O crente cuja lâmpada está acesa.
Lâmpada acesa fala de comunhão com o ESPÍRITO SANTO. Acesa porque o fogo é resultado da presença de DEUS.
a) É uma vida na expectativa do clamor da meia-noite (Mt 25.6).
Todo o tempo o crente está na expectativa da volta de seu Senhor, mantendo a comunhão com o ESPÍRITO SANTO.
b) É uma vida que sabe orar conforme a última oração registrada na Bíblia: “Ora, vem, Senhor JESUS!” (Ap 22.20).
Desejar a vinda de JESUS é obrigação e dever de todo o crente, pois quem é que ama e não deseja estar perto? Qual noiva ama e não deseja conhecer mais de seu amado, de estar juntinho dele?
c) É uma vida que espera (Lc 12.36) e ama (2 Tm 4.8) a vinda de JESUS.
Ansiosamente esperamos pelo nosso rapto desta terra e de nossos temores e tremores. Desejamos ardentemente a vinda de nosso Senhor e Mestre para nos levar para morarmos para sempre com ELE.

III. QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA

De que modo as dez virgens foram ao encontro do Senhor? Com suas candeias acesas. Isso simboliza a palavra profética, que deve ser colocada no velador. A exortação do Senhor Jesus é: “Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram” (Lc 12.35-37). De fato, a era da igreja primitiva era fortemente caracterizada pela espera pelo Senhor, como Jesus disse na parábola: “Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram e encontrar-se com o noivo”.

1. Evidências da nossa lâmpada acesa

a. A chama do ESPÍRITO SANTO é chama de santidade. 
1Pe 1.2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam
multiplicadas”.
Santificação (gr. hagiasmos) significa “tornar santo”, “consagrar”, “separar do mundo” e “apartar-se do pecado”, a fim de termos ampla comunhão com Deus e servi-lo com alegria.
Os filhos de Deus são santificados mediante a fé (At 26.18), pela união com Cristo na sua morte e ressurreição (Jo 15.4-10; Rm 6.1-11; 1 Co 130), pelo sangue
de Cristo (1Jo 1.7-9), pela Palavra (Jo 17.17) e pelo poder regenerador e santificador do Espírito Santo no seu coração (Jr 31.31-34; Rm 8.13; 1Co 6.11; 1Pe 1.2; 2Ts 2.13).

b. A chama do ESPÍRITO é chama de amor. 

1Co 13 =  O MAIOR… É O AMOR. Este capítulo deixa claro que um caráter semelhante ao de Cristo, Deus o enaltece acima do ministério, da fé ou da posse dos dons espirituais. (1) Deus valoriza e destaca o caráter que age com amor, paciência (v. 4), benignidade (v. 4), altruísmo (v. 5), aversão ao mal e amor à verdade (v.6), honestidade (v.6), e perseverança na retidão (v. 7), muito mais do que a fé que move montanhas ou realiza grandes feitos na igreja (vv. 1,2,8,13). (2) Os maiores no reino de Deus serão aqueles que aqui se distinguem em piedade interior e no amor a Deus, e não aqueles que se notabilizam pelas realizações exteriores (ver Lc 22.24-30 nota). O amor de Deus derramado dentro do coração do crente pelo Espírito Santo, é sempre maior do que a fé, a esperança, ou qualquer outra coisa (Rm 5.5).

c. A chama do ESPÍRITO é chama de esperança. 
Os cristãos experimentam o amor de Deus
nos seus corações, pelo Espírito Santo; especialmente em tempos de aflição. O verbo “derramar” está no tempo pretérito perfeito contínuo, significando que o Espírito continua a fazer o amor transbordar em nossos corações. É essa experiência sempre presente do amor de Deus, que nos sustenta na tribulação (v. 3) e nos assegura que nossa esperança da glória futura não é ilusória (vv. 4,5). A volta de Cristo para nos buscar é certa.
2. Quatro bênçãos de uma lâmpada espiritual acesa.
As virgens prudentes tinham suas lâmpadas bem acesas e brilhantes - elas serviam para iluminar a chegada do noivo. Elas fizeram aquilo que Jesus havia exigido: deixaram suas luzes brilhar e esperavam por Ele. Elas firmaram-se na palavra profética e deram-lhe atenção “como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração”.
a. As trevas se dissipam. 
Onde a luz entra, as trevas saem. Diz-se numa historinha infantil que a Caverna um dia convidou ao Sol para conhecer sua escuridão, porém ao entrar na Caverna o Sol perguntou para a mesma: - Onde estão as trevas de que a senhora tanto falava? Com a presença da luz de CRISTO que está no crente não há lugar para as trevas onde quer que estejamos (Mt 5.14).
b. Nossa vida é diferente.
O homem é produto do meio em que vive. Fala o que sempre escuta, se veste de acordo com a moda de onde reside, gosta das músicas de acordo com sua região, come de acordo com os costumes de seu povo e tem a religião de sua maioria; porém o crente é cidadão do céu: - Fala a Palavra de DEUS, Se veste como santo, Ouve hinos de louvor e adoração a DEUS, Não é glutão e só tem JESUS CRISTO como Senhor e Salvador de sua vida, vivendo em comunhão com o ESPÍRITO SANTO, sendo guiado pelo mesmo e é sempre fiel a DEUS onde quer que esteja. 
Nossa atitude nessa separação do mal, deve ser de (a) ódio ao pecado, à impiedade e à conduta de vida corrupta do mundo (Rm 12.9; Hb 1.9; 1Jo 2.15), (b) oposição à falsa doutrina (Gl 1.9), (c) amor genuíno para com aqueles de quem devemos nos separar (Jo 3.16; 1Co 5.5; Gl 6.1; cf. Rm 9.1-3; 2Co 2.1-8; 11.28,29; Jd v. 22) e (d) temor de Deus ao nos aperfeiçoarmos na santificação (7.1).

c. Temos clara visão das belezas de CRISTO.

O crente é atraído pelas maravilhosas Palavras de seu mestre (Jo 6.63; 7.46), sente o suave perfume de CRISTO  (2Co 2.15)
d. Passamos a ser uma bênção para os outros.
Mt 5.13 Vós sois o sal da terra; le, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;15 nem se acende a candeia ne se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, espera que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.
SAL DA TERRA. Os cristãos são o sal da terra . Dois dos valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão e a igreja, portanto, devem ser exemplos para o mundo e, ao mesmo tempo, militarem contra o mal e a corrupção na sociedade. (1) As igrejas mornas apagam o poder do Espírito Santo e deixam de resistir ao espírito predominante no mundo. Elas serão lançadas fora por Deus (ver Ap 3.16 nota). (2) Tais igrejas serão destruídas, pisoteadas
pelos homens (v.13); i.e., os mornos serão destruídos pelos maus costumes e pelos baixos valores da sociedade ímpia (cf. Dt 28.13,43,48; Jz 2.20-22).
 
IV. COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO
Sempre estar lendo a Palavra de DEUS, Orando e jejuando, ocupados fazendo a obra de DEUS, desejando ganhar almas, este é o segredo de estarmos sempre alegres e na presença de DEUS.

1. A luz tudo manifesta (Ef 5.13). 
Quem está em comunhão não teme a luz, pois vive nesta luz e não teme as trevas e nem o porvir.

2. Desperta tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos (Ef 5.14). 
O dormir pode ser comparado ao dia mal, ao tempo de tribulação, aos dias em que nos descuidamos da Palavra e DEUS e da oração. Temos que nos levantar diante do externo e nos lembrarmos de que somos filhos de DEUS, somos mais do que vencedores, somos libertos do mal.

3. E CRISTO te esclarecerá (Ef 5.14). 
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” Esta é grande saída do crente, é através do conhecimento de DEUS através de sua Palavra e da amizade e comunhão com o ESPÍRITO SANTO que temos a certeza da salvação e da presença poderosa de DEUS conosco todos os dias de nossa vida.
CONCLUSÃO
A era dos apóstolos e os tempos pós-apostólicos (de Pentecostes até o início do século 3 d. C.)
Esse foi o tempo do primeiro amor, caracterizado por uma espera diária e viva pela volta de Jesus Cristo, que o Senhor descreve da seguinte maneira: “Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo” (Mt 25.1).
Na época dos apóstolos e nos primórdios da Igreja, a Palavra ainda era tão viva e eficaz entre os crentes, que eles esperavam constante e intensamente pelo Senhor e por Sua volta. Era costume na época, por exemplo, cumprimentar-se com a saudação “Maranata”, que significa “Vem, nosso Senhor!”
Havia nesse tempo um movimento evangelístico, orientado pelo Senhor, indo em Sua direção como que com tochas acesas e brilhantes. Em quase todas as suas cartas, os apóstolos escreviam sobre a esperança viva da volta de Jesus, apresentando-a às igrejas como sendo possível a qualquer momento.
E NÓS COMO ESTAMOS ESPERANDO A VINDA DE JESUS?
ENTENDENDO A PROMESSA DA SUA VINDA
O arrebatamento. A qualquer momento os crentes serão arrebatados da terra e levados vivos ao céu por Cristo, transformados naquele momento. A expressão “seremos arrebatados juntamente com eles” em 1 Ts 4.17, significa o ato em que o Senhor Jesus arrancará deste mundo a sua Igreja, como o noivo que vem buscar a sua noiva (Ef 5.22,23; Ap 21.9). Arrebatamento é o encontro do Senhor Jesus com a sua Igreja para a grande festa nupcial: “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19.7,8). A Igreja já se ataviou como noiva para receber o seu esposo, o Senhor Jesus. Essas bodas, porém, só poderão ser realizadas no céu, e não na terra. Os que antes morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Os que estiverem vivos nesta ocasião terão seus corpos transformados e serão arrebatados com os santos de todos os tempos, para encontrar com o Senhor nos ares.
Paulo chama o arrebatamento de “bendita esperança” (Tt 2.12, 13). Para ele, a esperança de estar com Cristo no céu era a principal motivação para uma vida piedosa. Ao ensinar a respeito da Ceia do Senhor mediante o pão e o cálice, Paulo observou que isto seria feito “até que Ele venha” (1 Co 11.26). Esta é a esperança inabalável do Cristianismo.
Deus revelou a Paulo em detalhes este glorioso e enigmático acontecimento. Porém, a base da esperança do crente em relação a este assunto está nas palavras do próprio Senhor Jesus: “Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”, Jo 14.3. Esta promessa foi feita na noite em que Ele foi traído. 
Entre as últimas palavras de Jesus estão as da sua volta: “Eis que presto venho!” (Ap 22.7,12). Os zombadores podem dizer: “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pe 3.4). Deve-se lembrar, porém, que Deus não considera o tempo da mesma maneira que o homem: “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3.8). Para o crente, é melhor ocupar-se no Seu serviço, cumprindo as tarefas que Ele nos confia até que Ele volte (Mc 13.33,34; Lc 19.13).
Devemos, pois, estar alerta e vigilantes, cada um em sua própria posição (Mt 24.45-51; Mc 13.32-37; Lc 21.29-36) aguardando o glorioso dia da volta do Senhor Jesus. 
Aquele que professa uma religião formal, fria, sem vitalidade e sem fé, mesmo estando arrolado em uma igreja evangélica, poderá ficar aqui para o sofrimento da Grande Tribulação. O essencial para ser arrebatado é estar com Cristo no coração e permanecer fiel (Ap 2.10).
(site www,escoladominical.com.br)
O DIA DO SENHOR. Esta expressão refere-se aos eventos que começam com a volta de Cristo para arrebatar a sua igreja ao seu encontro nos ares e culmina com a destruição dos céus e terra atuais e com a criação dos novos céus e da nova terra (Ap 21,22; ver Jl 1.14 nota; Sf 1.7 nota; 1 Ts 5.2 nota). O início do dia do Senhor ocorrerá num tempo ainda ignorado e será assinalado por rapidez inesperada (Ver Mt 24.42-44)

Maranata = Expressão aramaica que significa Vem, Senhor nosso. Assim os cristãos primitivos professavam sua confiança na certeza da Segunda vinda de CRISTO.
Consciência = Voz secreta que temos na alma que aprova ou reprova nossos atos. É alimentada pelo direito natural que DEUS incutiu em cada ser humano. 
O ARREBATAMENTO DA IGREJA
1Ts 4.16,17 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de DEUS; e os que morreram em CRISTO ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

O termo “arrebatamento” deriva da palavra raptus em latim, que significa “arrebatado rapidamente e com força”. O termo latino raptus equivale a harpazo em grego, traduzido por “arrebatado” em 4.17. Esse evento, descrito aqui e em 1Co 15, refere-se à ocasião em que a igreja do Senhor será arrebatada da terra para encontrar-se com Ele nos ares. O arrebatamento abrange apenas os salvos em CRISTO. 
(1) Instantes antes do arrebatamento, ao descer CRISTO do céu para buscar a sua igreja, ocorrerá a ressurreição dos “que morreram em CRISTO” (4.16). Não se trata da mesma ressurreição referida em Ap 20.4, a qual somente ocorrerá depois de CRISTO voltar à terra, julgar os ímpios e prender Satanás (Ap 19.11-20.3). A ressurreição de Ap 20.4 tem a ver com os mártires da tribulação e possivelmente com os santos do AT (ver Ap 20.6).
(2) Ao mesmo tempo que ocorre a ressurreição dos mortos em CRISTO, os crentes vivos serão transformados; seus corpos se revestirão de imortalidade (1Co 15.51,53). Isso acontecerá num instante, “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15.52).
(3) Tanto os crentes ressurretos como os que acabaram de ser transformados serão “arrebatados juntamente” (4.17) para encontrar-se com CRISTO nos ares, ou seja: na atmosfera entre a terra e o céu.
(4) Estarão literalmente unidos com CRISTO (4.16,17), levados à casa do Pai, no céu (ver Jo 14.2,3), e reunidos aos queridos que tinham morrido (4.13-18).

(5) Estarão livres de todas as aflições (2Co 5.2,4; Fp 3.21), de toda perseguição e opressão (ver Ap 3.10), de todo domínio do pecado e da morte (1Co 15.51-56); o arrebatamento os livra da “ira futura” (ver 1.10; 5.9), ou seja: da grande tribulação.
(6) A esperança de que nosso Salvador logo voltará para nos tirar do mundo, a fim de estarmos “sempre com o Senhor” (4.17), é a bem-aventurada esperança de todos os redimidos (Tt 2.13). É fonte principal de consolo para os crentes que sofrem (4.17,18; 5.10).
(7) Paulo emprega o pronome “nós” em 4.17 por saber que a volta do Senhor poderia acontecer naquele período, e comunica aos tessalonicenses essa mesma esperança. A Bíblia insiste que anelemos e esperemos contínua e confiadamente a volta do nosso Senhor (cf. Rm 13.11; 1Co 15.51,52; Ap 22.12,20).
(8) Quem está na igreja mas não abandona o pecado e o mal, sendo assim infiel a CRISTO, será deixado aqui, no arrebatamento (ver Mt 25.1; Lc 12.45). Os tais ficarão neste mundo e farão parte da igreja apóstata (ver Ap 17.1), sujeitos à ira de DEUS.
(9) Depois do arrebatamento, virá o Dia do Senhor, um tempo de sofrimento e ira sobre os ímpios (5.2-10; ver 5.2). Seguir-se-á a segunda fase da vinda de CRISTO, quando, então, Ele virá para julgar os ímpios e reinar sobre a terra (ver Mt 24.42,44).
O PERÍODO DO ANTICRISTO
2Ts 2.3,4 “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, 
o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama DEUS ou se adora; de sorte que se assentará, como DEUS, no templo de 
DEUS, querendo parecer DEUS.”

Segundo a Bíblia, está para vir o Anti-CRISTO (cf. 1Jo 2.18); aquele que trama o derradeiro ataque furioso de Satanás contra CRISTO e os santos, pouco antes do tempo em que nosso Senhor JESUS CRISTO estabelecerá o seu reino na terra. As expressões que a Bíblia usa para o Anti-CRISTO são “o homem de pecado” e “o filho da perdição” (2.3). Outras expressões usadas na Bíblia são “a besta que sobe do mar” (Ap 13.1-10), a “besta de cor escarlate” (Ap 
17.3) e “a besta” (Ap 17.8, 16; 19.19,20; 20.10).

SINAIS DA VINDA DO ANTICRISTO. Diferente do arrebatamento da igreja, a vinda do Anti-CRISTO não ocorrerá sem sinais precursores. Pelo menos 
três eventos deverão ocorrer antes dele surgir na terra: (1) o “mistério da injustiça” que já opera no mundo, deverá intensificar-se (2.7); (2) virá a “apostasia” (2.3); (3) “um que, agora, resiste”, deve ser afastado (2.7).

(1) O “mistério da injustiça”, i.e., a atividade secreta dos poderes do mal, ora evidente no mundo inteiro (ver 2.7), aumentará até alcançar seu ponto máximo na total zombaria e desprezo a qualquer padrão ou preceito bíblicos. Por causa do predomínio da iniqüidade, o amor de muitos esfriará (Mt 24.10-12; Lc 18.8). Mesmo assim, um remanescente fiel permanecerá leal à fé apostólica conforme revelada no NT (Mt 24.13; 25.10; Lc 18.7; ver 
Ap 2.7). Por meio desses fiéis, a igreja permanecerá batalhando e manejando a espada do ESPÍRITO até ser arrebatada (ver Ef 6.11). 
(2) Ocorrerá a “apostasia” (gr. apostasia), que literalmente significa “desvio”, “afastamento”, “abandono” (2.3). Nos últimos dias, um grande número de pessoas da igreja apartar-se-á da verdade bíblica. (a) Tanto o apóstolo Paulo quanto CRISTO revelam um quadro difícil da condição de grande parte da igreja - moral, espiritual e doutrinariamente - à medida que a era presente chega ao seu fim (cf. Mt 24.5, 10-13, 24; 1Tm 4.1; 2Tm 4.3,4). Paulo, principalmente, ressalta que nos últimos dias elementos ímpios ingressarão nas igrejas em geral. (b) Essa “apostasia” dentro da igreja terá duas dimensões. (i) A apostasia teológica, que é o desvio de parte ou totalidade dos ensinos de CRISTO e dos apóstolos, ou a rejeição deles (1Tm 4.1; 2 Tm 4.3). Os falsos dirigentes apresentarão uma salvação fácil e uma graça divina sem valor, desprezando as exigências de CRISTO quanto ao arrependimento, à separação da imoralidade, e à lealdade a DEUS e seus padrões (2Pe 2.1-3,12-19). Os falsos evangelhos, voltados a interesses humanos, necessidades e alvos egoístas, gozarão de popularidade). (ii) A apostasia moral, que é o abandono da comunhão salvífica com CRISTO e o envolvimento com o pecado e a imoralidade. Esses apóstatas poderão até anunciar a sã doutrina bíblica, e mesmo assim nada terem com os padrões morais de DEUS (Is 29.13; Mt 23.25-28). Muitas igrejas permitirão quase tudo  para terem muitos membros, dinheiro, sucesso e prestígio (ver 1Tm 4.1). O evangelho da cruz, com o desafio de sofrer por CRISTO (Fp 1.29), de renunciar todo pecado (Rm 8.13), de sacrificar-se pelo reino de DEUS e de renunciar a si mesmo será algo raro (Mt 24.12; 2Tm 3.1-5; 4.3). (c) Tanto a história da igreja, como a apostasia predita para os últimos dias, advertem a todo crente a não pressupor que o progresso do reino de DEUS é infalível na sua continuidade, no decurso de todas as épocas e até o fim. Em determinado momento da história da igreja, a rebelião contra DEUS e sua Palavra assumirá proporções espantosas. No dia do Senhor, cairá a ira de DEUS contra os que rejeitarem a sua verdade (1Ts 5.2-9). (d) O triunfo final do reino de DEUS e sua justiça no mundo, portanto, depende não do aumento gradual da igreja professa, mas da intervenção final de DEUS, quando Ele se manifestará ao mundo com justo juízo (Ap 19-22; ver  2Ts 2.7,8; 1Tm 4.1; 2Pe 3.10-13; Jd). 
(3) Um evento determinante deverá ocorrer antes do aparecimento do “homem do pecado” e do Dia do Senhor começar (2.2,3), que é a saída de alguém (2.7) ou de algo, que “detém”, resiste, ou refreia o “mistério da injustiça” e o “homem do pecado” (2.3-7). Quando o restringidor do “homem do pecado” for retirado, então poderá começar o Dia do Senhor (2.6,7). (a) O que agora o detém é, sem dúvida, uma referência ao ESPÍRITO SANTO, pois somente Ele tem poder de deter a iniqüidade, o homem do pecado e Satanás (2.6). Esse que agora o detém ou resiste (2.7), leva no grego o artigo definido masculino e ao mesmo tempo o artigo definido neutro, em 2.6 (“o que o detém”). De modo semelhante, a palavra “ESPÍRITO” na língua grega pode levar pronome masculino ou neutro (ver Gn 6.3; Jo 16.8; Rm 8.13; ver Gl 5.17, sobre a obra do ESPÍRITO SANTO a restringir o pecado). (b) No começo dos sete anos de tribulação, o ESPÍRITO SANTO será “afastado” (v. 7). Isso não significa ser Ele tirado do mundo, mas que cessará sua influência restritiva à iniqüidade e ao surgimento do Anti-CRISTO. Todas as restrições contra o pecado serão removidas, e começará a rebelião inspirada por Satanás. O ESPÍRITO SANTO, todavia, agirá na 
terra durante a tribulação, convencendo pessoas dos seus pecados, convertendo-as a CRISTO e dando-lhes poder (Ap 7.9, 14; 11.1-11; 14.6,7).
(c) Retirando-se o ESPÍRITO SANTO, cessará a inibição à aparição do “homem do pecado”, no cenário terreno (2.3,4). DEUS então liberará uma influência poderosa enganadora sobre todos os que se recusam a amar a verdade de DEUS (ver 2.11); os tais aceitarão as imposturas do homem do pecado, e a sociedade humana descerá a uma depravação jamais vista. (d) A ação do ESPÍRITO SANTO restringindo o pecado é levada a efeito em grande parte através da igreja, que é o templo do ESPÍRITO SANTO (1Co 3.16; 6.19). Por isso, muitos expositores da Bíblia acreditam que a saída do ESPÍRITO SANTO é uma clara indicação de que o arrebatamento dos santos ocorrerá nessa ocasião (1Ts 4.17). Noutras palavras, a volta de CRISTO, para levar a igreja e livrá-la da ira vindoura (1Ts 1.10), ocorrerá antes do início do Dia do Senhor e da manifestação do “homem do pecado”  (e) Entende-se, nos meios eruditos da Bíblia, que o restringente em 2.6 (no gênero neutro) refere-se ao ESPÍRITO SANTO e seu ministério de conter a iniqüidade, ao passo que em 2.7, “um que, agora” (no gênero masculino) refere-se aos crentes reunidos a CRISTO e tirados daqui, i.e., arrebatados ao encontro do Senhor nos ares, a fim de estarem sempre com Ele (1Ts 4.17). 

AS ATIVIDADES DO ANTICRISTO. Ao começar o Dia do Senhor, “o iníquo” aparecerá neste mundo. Trata-se, no meios eruditos da Bíblia, de um governante mundial que fará aliança com Israel por sete anos, antes do fim da presente era (ver Dn 9.27).
(1) A verdadeira identificação do Anti-CRISTO será conhecida três anos e meio mais tarde, quando ele romper sua aliança com Israel, tornar-se governante mundial, declarar ser DEUS, profanar o templo de Jerusalém, proibir a adoração a DEUS (ver 2.4, 8,9) e assolar a terra de Israel (ver Dn 9.27 ; 11.36-45).
(2) O Anti-CRISTO declarará ser DEUS, e perseguirá severamente quem permanecer leal a CRISTO (Ap 11.6,7; 13.7, 15-18; ver Dn 7.8, 24,25). Exigirá adoração, certamente sediada num grande templo que será usado como centro de seus pronunciamentos (cf. Dn 7.8, 25; 8.4; 11.31, 36). O homem aspira tornar-se divino desde a criação (ver 2.8; Ap 13.8,12).
(3) O “homem do pecado” fará mediante poder satânico, grandes sinais, maravilhas e milagres a fim de propagar o engano (2.9). “Prodígios de mentira” significa que seus milagres são sobrenaturais, parecendo autênticos, para enganar as pessoas e levá-los a crer na mentira. (a) Tais demonstrações possivelmente serão vistas no mundo inteiro, pela televisão. Milhões de pessoas ficarão impressionadas, enganadas por esse líder altamente convincente, por não darem a devida importância à Palavra de DEUS nem ter amor às suas verdades (2.9-12). (b) Tanto as palavras de Paulo (2.9), quanto as de JESUS (Mt 24.24) devem despertar os crentes para o fato de que nem todo milagre provém de DEUS. Aparentes “manifestações do ESPÍRITO” (1Co 12.7-10) ou fenômenos supostamente vindos da parte de DEUS devem ser provados à base da obediência a CRISTO e às Escrituras, por parte da pessoa atuante. 

A DERROTA DO ANTICRISTO. No fim da tribulação, Satanás congregará muitas nações no Armagedom, sob o comando do Anti-CRISTO, e guerrearão contra DEUS e o seu povo numa batalha que envolverá o mundo inteiro (ver Dn 11.45; Ap 16.16). Quando isso ocorrer, CRISTO voltará e intervirá de modo sobrenatural, destruindo o Anti-CRISTO, seus exércitos e todos os que não obedecem ao evangelho (ver Ap 19.15-21). A seguir, CRISTO prenderá Satanás e estabelecerá seu reino na terra (20.1-6).
FONTES DE CONSULTA
Fontes diversas: Lições Bíblicas CPAD, folhetos, revistas seculares e principalmente a Bíblia Sagrada, que é a Palavra de DEUS. (Bíblia de Estudo Pentecostal). www.cpad,com.br
Israel, Gogue e o anticristo…………………………………………………………………………            Abraão de Almeida
O arrebatamento……………………………………………………………………… Wim Malgo
Sinais da próxima vinda de CRISTO…………………………………… Gordon Lindsay
Norbert Lieth
Filhinhos
  1 Jo 2.18 Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora.
QUATRO PERGUNTAS:
1.       O QUE É E QUANDO SERÁ A ÚLTIMA HORA?
2.       POR QUE SABEMOS QUE É JÁ A ÚLTIMA HORA?
3.       ONDE VOCÊ ESTARÁ APÓS A ÚLTIMA HORA?
4.       QUE FAZER A RESPEITO?
1. O QUE É E QUANDO SERÁ A ÚLTIMA HORA?
A ÚLTIMA HORA É A VINDA DE NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO PARA BUSCAR SUA IGREJA, SUA NOIVA; SANTA, PURA, SEM MÁCULA E NEM RUGA. É A HORA DO ARREBATAMENTO DA IGREJA (RAPTO). A HORA E O DIA NINGUÉM SABE, SENÃO O PAI (É TAMBÉM A HORA DA ANGÚSTIA E TORMENTO PARA OS QUE FORAM REBELDES AO SEU CHAMADO); SABEMOS OS SINAIS E A ESTAÇÃO:
Mt 24:32-36
32 Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão.33 Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas. 34 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram. 35 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão. 36 Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.
A FIGUEIRA É ISRAEL, OS RAMOS SÃO POVOS E TRIBOS, FRUTOS SÃO OS JUDEUS ESPALHADOS PELA TERRA Ez; Is E Mq E MUITOS OUTROS PROFETIZARAM A ESSE RESPEITO (VALE DE OSSOS P/ EXEMPLO).
A figueira, que é Israel, está agora mesmo brotando em cumprimento à Palavra de DEUS. Esta nação milenar é como o relógio de DEUS a revelar “o horário” em que nos encontramos dentro da presente dispensação da graça (Ef 3.2). Particularmente o retorno dos JUDEUS à sua pátria, depois de quase vinte séculos, constitui um extraordinário sinal de que estamos vivendo no “tempo do fim”, nos dias que antecedem a volta em glória do Senhor JESUS CRISTO, a Cabeça da Igreja e o Messias de Israel.
“Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque A VOSSA REDENÇÃO ESTÁ PRÓXIMA”.(Lucas 21.28) 
2. POR QUE SABEMOS QUE É JÁ A ÚLTIMA HORA?
2.1-   MESQUITA DE OMAR ( Rachaduras nas paredes, conserto impossível )
2.2-  TEMPLO PRÉ-MOLDADO PRONTO ( Judeus já prepararam os utensílios e pedras para reconstrução )
2.3-   REINOS MERCOSUL; ALCA;  M.C.E.(EURO); CHIP LOCALIZADOR E CONTROLADOR; TUDO PRONTO. 
2.4-   DICAS DE JESUS PARA A ÚLTIMA HORA:
Mc 13:3-13 : Vv 6: MUITOS VIRÃO EM MEU NOME E ENGANARÃO A MUITOS:
 (REVERENDO  MOON  E  OUTROS FANÁTICOS QUE SE FAZEM PASSAR POR JESUS, OU PELO MENOS TENTAM  INFLUENCIAR AS PESSOAS COM FALSAS PROMESSAS DE PARAÍSO TERRESTRE);
Vv 7: GUERRAS E RUMORES DE GUERRAS;
Vv 8A: TERREMOTOS;
Vv 8B: FOMES E PESTES;
Vv 9A: ENTREGANDO-SE UNS AOS OUTROS;
Vv 9B: TESTEMUNHO A PRESIDENTES E REIS;
Vv 10: EVANGELHO A TODOS (FRONTEIRAS ABERTAS: ALEMANHA, CUBA E CHINA) 
Vv 12: DIVISÃO NA FAMÍLIA, IGREJA E NÃO CRENTES.
Vv 13: ABORRECIDOS POR TODOS
 2. 5-    MAIS SINAIS EM LUCAS 21:25-28
Vv 25A: SINAIS NO SOL, LUA E ESTRELAS (NO CÉU, ECLIPSE)
Vv 25B: SINAIS NA TERRA, BRAMIDO DO MAR, TUFÕES, MAREMOTOS, TERREMOTOS, VULCÕES, RACHADURAS POR TODA PARTE.
O aumento geral do número de terremotos tem sido um dos notáveis fenômenos dos últimos cem anos. Os registros dos quinhentos anos passados mostram um aumento constante dessas convulsões terrestres:
SÉCULOS:
- XV………………… 174
- XVI………………. 253
- XVII……………… 378
- XVIII……………. 640
- XIX……………. 2.119
LUCAS 21:31 QUANDO VIRDES ACONTECER TODAS ESSA COISAS…
LUCAS 21:34 NÃO SE CARREGUEM DE GLUTONARIAS….
3. ONDE VOCÊ ESTARÁ APÓS A ÚLTIMA HORA?
LUCAS 13:19 NAQUELES DIAS (APÓS ARREBATAMENTO) AFLIÇÃO QUAL NUNCA HOUVE Am 8:11-12 FOME E SEDE DE OUVIR A PALAVRA DE DEUS, PROCURARÃO, MAS NÃO ENCONTRARÃO. Ap 9:6 NAQUELES DIAS OS HOMENS MORARÃO EM CAVERNAS E BURACOS SOB A TERRA E BUSCARÃO A MORTE E NÃO A ACHARÃO; E DESEJARÃO MORRER, E A MORTE FUGIRÁ DELES. DIRÃO AOS MONTES: CAIAM SOBRE NÓS…( É AÍ QUE VOCÊ DESEJA ESTAR? OU É COM JESUS, NA GLÓRIA? )
LEMBRAMOS AO CARÍSSIMO LEITOR QUE A ÚLTIMA HORA PODE SER TAMBÉM A HORA DE SUA MORTE, O QUE VOCÊ TEM PREPARADO? E PARA QUEM SERÁ?
4. O QUE FAZER A RESPEITO?
Dt 30:19 DOIS CAMINHOS
Jo 14:6 JESUS É O ÚNICO CAMINHO
1 Tm 2:5 JESUS O ÚNICO MEDIADOR
Mt 11:28 CONVITE DE JESUS
1 Jo 1:9 SE CONFESSARMOS
Rm 10:9 CONFESSAR COM A BOCA E CRER COM O CORAÇÃO
Mt 10:32 DIANTE DE TESTEMUNHAS
Rm 8:1 NENHUMA CONDENAÇÃO PARA OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS
Ap 3:10 TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO
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Monday, September 18, 2006

Lição nº 13 - Espírito Santo e a vinda de Jesus.

 

                                   O Espírito Santo tem um papel primordial na vinda do Senhor para arrebatar a Sua Igreja, ato que encerrará a dispensação da graça ou dispensação do Espírito.

INTRODUÇÃO

-          Como temos visto nas lições deste trimestre, vivemos a dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de “dispensação do Espírito”.

-          Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a).

I. A VINDA DE JESUS NOS TEMPOS APOSTÓLICOS

-          Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14).

-          Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18).

-          Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois “os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pe.1:21, “in fine”).

-          Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que dEle testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor.

-          Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação.

OBS: “…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…” (Osmar José da SILVA. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86).

-          Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira (Cf. ESTUDO 6. A maior festa da humanidade. pequenosgrupos.com.br /Downloads/ESTUDO%206.doc). Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado “sermão escatológico”, que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas): Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36. João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às ” coisas que devem brevemente acontecer” (Ap.1:1).

-          No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21).

-          Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas(I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que “amava a vinda do Senhor” (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14).

-          O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas(Jd.14,15).

-          Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que “…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas ‘profícuas’ mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…’(CARVALHO, Ailton M. de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14).

II. A MANUTENÇÃO DA NOSSA LÂMPADA ACESA PELO ESPÍRITO SANTO

-          O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor.

-          Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus.

-          A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fossem construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21).

-          Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revela que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus.

-          As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como “os sete espíritos de Deus” (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). 

OBS: “…Outros vêem na expressão os ’sete Espíritos de Deus’, uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59).

-          Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja(cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade.

-          O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo(Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-lo (Jo.14:17).

-          O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja(i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja ” a luz do mundo” (Mt.5:14).

-          Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada.

-          O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor.

OBS:  Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica.

-          Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1).

-          Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e nEle não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b).

-          Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30) e, em virtude disto, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais.

-          O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17).

-          Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal.

-          Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2).

III. A VIDA ESPIRITUAL QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA

-          Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra.

-          É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos dEle visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17).

-          Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive nEle (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma seqüência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29).

-          Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, como vimos em lição anterior, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6).

-          Em primeiro lugar, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós.

-          Em segundo lugar, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos.

-          Em terceiro lugar, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro.

-          Em quarto lugar, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades já estudadas em lição anterior. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas(Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João. Quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10).

-          Em quinto lugar, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro: “nossa esperança é Sua vinda” (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25).

OBS: “…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranqüilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda marvilha que pôde observar estaria à sua espera…” (CARVALHO, Ailtom M. de.. O Messias está voltando, 2.ed., p.69).

-          Em sexto lugar, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados(I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor.

OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de “virtudes teologais“.  Diz o Catecismo da Igreja Romana que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813).”…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…” (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212).

            “…As ‘coroas’ falam, figuradamente, do ‘avanço espiritual’ e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …” (SILVA, Osmar J. da.. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32).

IV. RENOVANDO O ÓLEO DO ESPÍRITO

-          Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16)

-          Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um “eterno presente”. Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antigüidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus.

-          Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus.

OBS: “…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…” (Ailton Muniz de CARVALHO. O Messias está voltando, 2.ed., p.63).

-          A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como conseqüência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho…), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor.

-          A respeito da renovação espiritual do crente, aliás, já estudamos na lição 8 deste trimestre, cuja leitura recomendamos. Não nos esqueçamos, que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. “Vigiar é ordem santa”, como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: “E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai.” (Mc.13:37). Que esta vigilância esteja em cada crente, como esteve nos tempos apostólicos e tem estado entre os crentes pentecostais genuínos desta “chuva serôdia”, que é o avivamento centenário iniciado na rua Azusa, cuja celebração se fez mediante o estudo deste trimestre. Amém!

Prof. Caramuru Afonso

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Friday, September 15, 2006

Esboço da Lição 12 - Conservando o verdadeiro Pentecostes


Introdução

I.                    A condição espiritual da igreja de Sardes

II.                 Conselhos e advertências para a renovação

III.               Promessas aos conservadores e vencedores

IV.                Desafio aos fiéis conservadores

V.                  A conservação do verdadeiro pentecostes

Conclusão


Tema deste Subsídio

Espiritualidade, avivamento e equilíbrio

Autor

José Gonçalves éé ministro é líder da AD em Senhora dos Remédios (PI), conferencista, escritor e professor de Grego, Hebraico e Religiões Comparadas.

Palavras Chaves

Avivamento; Arrependimento;  Pneumatismos anárquicos.

Introdução

“Deus estava perto de nós no culto. Na oração, o Espírito Santo se manifestou Poderosamente. Alguns riam debaixo do poder, outros falavam em línguas, outros  profetizavam, e todos se alegraram muito. Nunca vi o poder de Deus derramado num culto como hoje na Vila Correia. O Espírito Santo fez, Ele mesmo, por meio de uma irmã, o convite para os pecadores se converterem. Uma grande multidão se reuniu ao ver esta manifestação maravilhosa do poder de Deus. Também durante a pregação, as bênçãos de Deus caíam sobre os crentes! Aleluia!”1. 

Foi dessa forma que o missionário Gunnar Vingren descrevia um culto realizado no Estado do Pará no dia 2 de maio de 1913. Percebemos na seqüência alguns termos que já são bem populares no vocabulário pentecostal moderno. São eles: ri debaixo do poder, falar em línguas e profetizar. Fenômenos como esses aconteciam com freqüência entre os primeiros pentecostais. A bem da verdade, esses fenômenos que faziam aflorar as emoções dos crentes não se limitavam aos avivamentos pentecostais, ou ao que outros movimentos avivalistas experienciaram de forma diferente, mas com semelhantes emoções. A questão não deve ser focalizada, portanto, na existência ou não desses fenômenos, mas na maneira como se reage a eles.

Os Perigos dos Pneumatismos Anárquicos

Muito se tem falado na teologia pentecostal moderna sobre os “modismos”, “inovações” e os “excessos” no exercício dos dons espirituais. Pesquisadores sérios como Esequias Soares, Paulo Romeiro e Ricardo Gondim têm demonstrado os perigos doutrinários a que se pode chegar quando um avivamento é divorciado dos princípios bíblicos.

            Há o perigo dos “pneumatismos” que conduzem à anarquia espiritual. Na gênese das seitas que dizem ser criação do Espírito de Deus, encontra-se com abundância as mais insidiosas aberrações teológicas. Esse é um problema que não pode ser simplesmente ignorado por se desejar preservar um evangelicalismo ou um suposto avivamento.

Um fato de fácil observação e que merece ser destacado é que uma dicotomia extremada parece querer dominar todos os campos das verdades teológicas. Os dons espirituais, portanto, não são exceções à regra. Já no período de 1742 a 1743, Jonathan Edwards pregou uma série de sermões que, em 1746, veio a se tornar um Tratado Sobre Afeições Religiosas, no qual ele tratava desse problema.

N. R. Needham observa que Jonathan Edwards “teve que lutar em duas frentes. Por um lado, tinha que argumentar contra aqueles que descartavam todo o avivamento como histeria irracional; por outro, tinha que argumentar contra aqueles que pareciam pensar que tudo o que aconteceu no avivamento era (de Deus), não importa quão estranho, extremista ou desequilibrado isso fosse. Essas duas posições antagônicas parecem familiares?”2. 

Uma das faces dessa dicotomia é vista por um lado naqueles que estão prontos a acreditarem e defenderem qualquer fenômeno espiritual sem a mínima preocupação de dar-lhe uma fundamentação bíblica e teológica. Para estes, a regra da validação dos dons espirituais parece ser a sobrenaturalidade. As perguntas que validam tais fenômenos costumam ser: É sobrenatural? É fenomenal? É tremendo? Donde se chega à conclusão: Então é de Deus! Uma outra coisa que precisa ser dita sobre esse modelo de “avivamento” é que ele além de não ser bíblico produz apenas uma espiritualidade superficial nos crentes. 

A.W.Tozer observou: “Creio que a imperativa necessidade do momento não é apenas de reavivamento, mas de uma reforma radical que atinja a raiz dos nossos males morais e espirituais e que trate mais das causa que das conseqüências, mas do mal que dos sintomas. Minha sincera opinião é esta: nas atuais circunstâncias não estamos desejando de todo um reavivamento. Um vasto reavivamento, do tipo do cristianismo de que hoje temos conhecimento (…) pode bem provar ser uma tragédia moral da qual não nos recuperaremos dentro de cem anos.”3

Os Perigos de uma Ortodoxia Engessante

Por outro lado, as teologias que engessam qualquer manifestação do Espírito Santo caracterizam a outra face da dicotomia. O Espírito Santo parece perder o seu direito de falar para a Igreja hoje. A.W.Tozer já demonstrava uma grande preocupação com essa maneira de enxergar os dons espirituais. Em seu livro O caminho do poder espiritual, ele diz: “Por toda uma geração, certos mestres evangélicos nos têm dito que os dons do Espírito cessaram por ocasião da morte dos apóstolos ou quando se completou o Novo Testamento. Certamente esta doutrina não tem a seu favor sequer uma sílaba de autoridade bíblica. Os que defendem tal idéia devem assumir inteira responsabilidade por essa aberrativa manipulação da Palavra de Deus.”4 

Será que na nossa teologia pentecostal de hoje não há mais espaço para as manifestações carismáticas do Espirito Santo? Como obreiro pentecostal, tenho me preocupado com a forte reação negativa aos dons espirituais demonstrada por alguns setores dentro do pentecostalismo. A desculpa de que os fenômenos espirituais no pentecostalismo são pura meninice ou excesso parece muito simplista e não toca no cerne da questão. O teólogo Martin Lloyd Jones já dizia, ao se referir a um avivamento: “E assim temos esta curiosa, estranha mistura, de grande convicção de pecado e grande alegria, um grande

senso de temor do Senhor, ações de graças e louvor. Sempre, num avivamento, há o que alguém definiu como uma divina desordem (…) Há ocasiões em que as pessoas estão tão convictas e sentem o poder do Espírito de tal forma que desmaiam e caem no chão, e têm até convulsões, convulsões físicas. E às vezes as pessoas parecem cair num estado de inconsciência, numa espécie de transe, e podem permanecer assim por horas”.5

As manifestações “estranhas”, “meninices” que ocorrem durante a manifestação dos fenômenos espirituais em avivamentos não devem constituir motivo para que não os desejemos. As manifestações periféricas existem e devem ser devidamente tratadas, mas a essência do avivamento é outra. Quem já conviveu e presenciou o exercício dos dons espirituais sabe exatamente o que significa o que o apóstolo Paulo quis dizer: “Assim vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja”, 1Co 14.12. Os dons espirituais edificam e tornam o avivamento proveitoso.

Mapeando os Fenômenos de um Avivamento 

Dois autores têm se destacado no estudo dos fenômenos espirituais do pentecostalismo e do neopentecostalismo. São eles Jack Deer e John White, respectivamente. Como psiquiatra, Jonh White procura dar explicações sobre as manifestações das emoções nesses avivamentos. Por outro lado, Jack Deer, que possui uma sólida formação teológica (Deer é Doutor em Teologia e ex-professor de Antigo Testamento e hebraico do Dallas Theological Seminary, onde foi instrutor de mestrado por alguns anos), faz um resgate histórico desses fenômenos na história da igreja, procurando sempre mostrar o lado positivo dos fenômenos pentecostais. As obras desses autores foram publicadas no Brasil. Surpreendido pela voz de Deus, Jack Deer (Vida); Surpreendido pelo poder do Espírito, Jack Deer (CPAD); e Quando o Espírito vem com poder, John White (ABU Editora).

Cair no Espírito

Tanto Deer como White têm dado forte ênfase aos dons espirituais. Infelizmente, é justamente na manifestação exterior dos fenômenos espirituais que a batalha tem se concentrado. 

John Wesley enfrentou forte oposição de outros líderes cristãos justamente porque durante a sua pregação algo incomum acontecia. No seu diário há vários casos relatados. Wesley registrou nele algo que ocorreu durante a sua pregação do dia 25 de abril de 1739: “Imediatamente um, depois outro e outro caíram no chão; eles caíam em toda parte, como atingidos por um raio”. Em outra parte do seu diário, o pai do metodismo registra: “Um, depois outro e mais outro foram lançados ao chão, tremendo excessivamente na presença do Seu poder. Outros gritaram, em voz alta e amargurada: O que devemos fazer para ser salvos?’”.6 

O cair sob o poder de Deus ao qual Wesley se refere é conhecido hoje na  teologia pentecostal como “cair no Espírito”. A obra The New International  Dictionary of Pentecosta and Charismatic Movements observa que essa é “uma expressão moderna para denotar o fenômeno religioso de uma queda individual, sendo que a causa é atribuída ao Espírito Santo. O fenômeno é conhecido entre os pentecostais modernos e na renovação carismática sob vários nomes, incluindo ‘caindo sob o poder’, ‘dominado pelo Espírito’, e ‘descanso no Espírito’’.7 

William W. Menzies acrescenta: “Nessas reuniões ardentes (dos pentecostais), não era raro uma pessoa – ou muitas – cair numa espécie de transe, às vezes agitando-se violentamente. ‘Cair no Espírito’ era também um fenômeno muito difundido”. 8 

Alguns autores querem diferenciar o “cair sob o poder” no avivamento wesleyano do “cair no Espírito” do pentecostalismo clássico ou moderno, afirmando que em Wesley isso ocorria como conseqüência de uma convicção de pecado, enquanto essa prática no pentecostalismo não apresenta essa mesma evidência.

Sem desmerecer essa tese, ela parece muito subjetiva e carece de fundamentação mais sólida. Não há elementos que nos garantam afirmar que alguns fenômenos de “cair no Espírito” hoje não ocorram como conseqüência das mesmas convicções que experimentaram os seguidores de Wesley. Contudo duas observações sobre a ocorrência desse fenômeno parecem ser oportunas agora, e isto se deve ao fato da grande confusão criada em torno desse assunto. 

A primeira é que existe um fenômeno de “cair no Espírito” como manifestação de uma autêntica experiência espiritual bem documentada na história do pentecostalismo clássico; a outra é que existe a manipulação grosseira dessa mesma experiência.

Ao se referir aos abusos causados por essa prática, Paulo Romeiro relembra que as Escrituras não oferecem qualquer apoio a esse fenômeno como algo a ser esperado ou buscado na vida cristã normal. Em seguida, Romeiro cita o Dicionário dos Movimentos Pentecostal e Carismático em sua antiga edição, que corrobora o seu pensamento: “A evidência para o fenômeno de ‘cair no Espírito’ é, portanto,  inconclusiva. Do ponto de vista experimental, é inquestionável que, através dos séculos, os cristãos têm experimentado um fenômeno psicológico no qual as pessoas caem; além disso, elas têm atribuído o fenômeno a Deus. É igualmente inquestionável que não exista qualquer evidência bíblica para a experiência como algo normal na vida cristã.”9

Rir no Espírito

Apenas relembrando o que disse Gunnar Vingren em seu diário de 1913: “Na oração, o Espírito Santo se manifestou poderosamente. Alguns riam debaixo do poder”. Outra vez é oportuno enfatizar que tal fenômeno de “rir” não se limita ao movimento pentecostal. Jonathan Edwards registra que “sua regozijante surpresa fez com que seus corações estivessem a ponto de dar um salto, de forma que se condicionaram a dar vazão a risadas, lágrimas muitas vezes ao mesmo tempo fluindo numa enxurrada, e em meio a um choro audível”.10.

 Deve ser dito, no entanto, e com tristeza, que essa prática tem ido a extremos. As bizarrices do “rir no Espírito” veiculadas pela mídia chega a causar náuseas. Ainda possuo comigo uma fita de vídeo que recebi dos Estados Unidos. O conteúdo da fita é de um Seminário de Inverno ocorrido na tarde de terça-feira do dia 23 de fevereiro de 1995. A fita fora intitulada When the Spirit Gets to Movin” (Quando o Espírito de Deus se Move). Isso aconteceu no auge daquilo que os apologistas chamam de a “unção do riso”. Após um estudo bíblico, o preletor começa a ministrar a cada pessoa individualmente. Ele encoraja as pessoas a se alegrarem no Senhor. A princípio as coisas acontecem dentro de certa normalidade, mas por fim ficam fora de controle. Há pessoas rindo como numa histeria coletiva por todo o auditório. Outros se contorcem em movimentos bruscos, enquanto outros riem até cair. O excesso e abuso das coisas espirituais ficam em evidência. 

John White reconhece que essa experiência pode ser imitada, mas argumenta que esse não deve ser o motivo para negarmos a genuinidade da verdadeira. Ao falar do “rir no Espírito”, diz: “Em alguns círculos traz prestígio. Cair no riso do Espírito ou fazê-lo acontecer em outras pessoas pode tornar- se um marco de uma conquista espiritual. Nessas circunstâncias pode-se sentir uma certa pressão. As risadas ficam forçadas e desagradáveis. Mas não podemos desprezar as verdadeiras por temermos as falsas”. 

Como citei Edwards anteriormente: “Embora haja falsas emoções na religião, e às vezes exaltadas, contudo sem dúvida há também verdadeiras, santas e boas emoções; e quanto mais estas são exaltadas, tanto melhor. E quando são exaltadas a uma altura extremamente elevada, não devem ser objeto de suspeita por causa do seu grau, mas, pelo contrário, devem ser estimadas”. 11

Evitando os Abusos

Seguem algumas diretrizes que julgo serem úteis para um obreiro buscar e se  conduzir frente ao avivamento: 

1) Cuidado para que o centro do avivamento esteja em Cristo e não numa manifestação espiritual exterior;

2) Tenha sempre como fundamento a Palavra de Deus. Tenho observado que muitos pregadores quando ministram numa reunião de avivamento abandonam a Palavra de Deus (ou usam como pretexto nos seus sermões), para se concentrarem nos dons espirituais.

3) Cuidados devem ser tomados com os pregadores que em nome de um suposto avivamento atuam como artista de púlpito, apenas animando o auditório e valendo-se de técnicas psicológicas para provocarem um emocionalismo superficial. Na verdade, esses pregoeiros estão buscando a autoglorificação. 

4) Cuidado com os avivamentos induzidos. Os estudiosos dos avivamentos observam que um avivamento acontece em primeiro lugar como resultado da vontade soberana de Deus. Os avivamentos ocorrem também como conseqüência da busca sincera de um coração puro e ardente pela manifestação da glória de Deus. Foi assim com o avivamento de 1904 no país da Gales com Evans Robert e no grande avivamento pentecostal de 1906 nos Estados Unidos da América.

5) Cuidado com os pregadores sensacionalistas. Há relatos de pregadores que durante a ministração da Palavra de Deus param de pregar para atender Jesus no celular! Outros fazem coreografia para impressionar a Igreja.

6) Cuidado com o avivalista que geralmente usa o nome de missionário e profeta, para exibir uma espiritualidade que não possui com objetivo de manipular a igreja e colocá-la sempre contra o seu pastor.

7) Acompanhe de perto as reuniões de oração em busca de avivamento para que, quando este chegar, você possa canalizá-lo na direção certa.

8) Julgue todas as supostas manifestações espirituais pela Palavra de Deus, não importando o quão espetacular pareçam ser. 

9) Procure ser sensível ao Espírito Santo, pois, quando em um avivamento acontecer alguma manifestação espiritual, Ele lhe dará convicção se aquilo é Dele ou não. 

10) Observe os efeitos do avivamento. Se ele não glorificar a Jesus Cristo, não produzir mudança de vida, não promover a derrubada de ídolos, então não é do Espírito de Deus.

É o Reavivamento Moderno Profundo?

Fiquemos como reflexão final com as palavras de Donald Gee, um dos mais importantes representantes do pentecostalismo clássico, que ao analisar o avivamento moderno disse: “Pode ser que eu esteja errado, mas uma das coisas que percebo no reavivamento moderno é a grande tendência de manter

a congregação feliz (…) se eu entendo a minha Bíblia, um reavivamento verdadeiro começa por fazer todos infelizes. A verdadeira felicidade começa com a infelicidade, com a preocupação dos pecadores. Outra coisa que me preocupa é a apostasia fácil hoje em dia. Meu receio é que da mesma maneira

rápida como as pessoas vêm, elas se vão”.  

A terceira pergunta a respeito do reavivamento moderno, e que me está causando a mais grave preocupação, é o declínio do sobrenatural. Que Deus conserve o Pentecoste pentecostal! Acredito firmemente que devemos receber a manifestação do Espírito de Deus em nós. 

Tenho notado, em toda parte, como as reuniões estão seguindo uma rotina: começam com três hinos, depois vêm os pedidos de oração e tudo o mais segue de acordo com o programa.

A liturgia é boa. “Todavia, numa igreja pentecostal livre, verdadeira, nunca se sabe o que poderá acontecer em seguida. Se o leitor me perguntasse o que considero a mais profunda necessidade entre nós, eu diria que é o arrependimento. Se o arrependimento não estiver no reavivamento, este não terá profundidade suficiente. O arrependimento é o requisito do batismo no Espírito Santo. Fico a pensar se a falta de arrependimento não é a razão dos nossos batismos atuais serem tão superficiais. 

Oremos por um novo derramamento do Espírito Santo sobre o pregador e sobre todos nós, até que a terra amoleça com uma chuva serôdia, até que tenhamos um profundo reavivamento, reavivamento que nos conservará quebrantados, derretidos e amaciados diante do Senhor.” 12

Revista Obreiro, Ano 27, n.29, jan-mar, 2005, p.40-45.

 

BIBLIOGRAFIA

1 VINGREN, Gunnar. O Diário do Pioneiro. 5ª edição, Casa Publicadora das Assembléias de Deus, Rio de Janeiro, RJ, 1993.

2 NEEDHAM, N. R. no prefácio do livro de Jonathan Edwards: “A Genuína Experiência Espiritual”.PES – Publicações Evangélicas Selecionadas. São Paulo, SP.

3 TOZER, A. W. O Caminho do Poder Espiritual Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP. 

4 TOZER, A. W. op.cit. 5 JONES, D.M. Lloyd. Avivamento. PES – Publicações Evangélicas Selecionas, São Paulo, SP. 

6 BURGESS, Stanley M. & MAAS, Eduard M. Van. The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. Zondervan, Grand Rapids, Michigan, U.S.A, 2002.

7 MENZIES, William W. No Poder do Espírito – fundamentos da Experiência Pentecostal. Editora Vida, São Paulo, SP.

8 ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise. Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP pág. 791. 

9 EDWARDS, Jonathan. The Works of Jonathan Edward. Citado por John White em Quando O Espírito Vem Com Poder. ABU – Aliança Bíblica Universitária.

10 WHITE, John. Quando o Espírito Vem Com Poder. ABU Editora. São Paulo, SP, 1998. 

11 GEE, Donald. Depois do Pentecostes. Editora Vida, São Paulo, SP. 

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