Monday, October 9, 2006

Curso de Escatologia – 3ª Parte

Atenção Visitantes do Blog Escola Dominical Virtual!!   Está disponível o curso de escatologia do Prof. Claudionor Correia de Andrade. Convidamos você a participar. O curso está dividido em seis partes.  

O Arrebatamento da Igreja

Nas duas primeiras lições deste curso, vimos que os sinais e profecias referentes à Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo estão se cumprindo de forma clara e insofismável em nossos dias. Isso significa que já estamos vivendo em plena era escatológica. Nesta lição, enfocaremos o Arrebatamento da Igreja - uma doutrina, cuja confiabilidade profética e teológica é atestada por mais de trezentas referências bíblicas.

Atenhamos-nos, pois, à lição. Leiamos os versículos citados; respondamos ao questionário; e, em espírito de oração e sincera humildade, meditemos em tudo o que o Pai Celeste, em seu infinito e insondável amor, preparou aos que aceitaram a Cristo como seu Salvador pessoal.

Não se esqueça, porém, de responder a esta pergunta: “Estou realmente preparado para o Arrebatamento da Igreja?”. Este é o momento propício para se renovar à aliança com o Senhor Jesus.

I - A VOLTA DO SENHOR JESUS

Houve tempo em que a palavra Arrebatamento era praticamente ignorada fora dos arraiais teológicos. A expressão mais usada era a Volta de Cristo. Os eruditos preferiam o vocábulo Advento. Também não se fazia muita questão de se detalhar os acontecimentos que se seguirão ao rapto dos santos. De modo geral, acreditava-se que, tão logo o Senhor Jesus levasse os salvos para o Céu, seria deflagrado o Juízo Final com a sumária punição dos ímpios. Com o incremento dos estudos bíblicos, todavia, o vocábulo Arrebatamento fez-se rapidamente conhecido. Hoje, é um dos termos mais populares na comunidade de fé pentecostal.

1) Sentido literal: A palavra arrebatamento, no contexto da escatologia cristã, é procedente do verbo grego harpazo, e significa tirar com rapidez e de forma inesperada. Quando o Novo Testamento foi traduzido para o latim, optou-se pelo vocábulo raptus que, originando-se do verbo raptare, comporta os seguintes significados: tirar, arrancar, tomar das mãos alguma coisa de forma violenta.

2) Definição bíblico-teológica: O Arrebatamento, por conseguinte, é a retirada brusca, inesperada e sobrenatural da Igreja deste mundo, a fim de que seja transportada às regiões celestes, onde se unirá eterna e plenamente com o Senhor Jesus. A essa doutrina, dedica o Novo Testamento dois capítulos: 1Coríntios 15 e 1Tessalonissenses 4. Nesta passagem, descreve Paulo a transladação sobrenatural dos santos; naquela, mostra como nossos corpos serão transformados. O evento constituir-se-á num dos maiores milagres de todos os tempos, por abranger, de maneira simultânea, diversos fatos que estarão a desafiar todos os precedentes históricos, científicos e lógicos do conhecimento humano.

II - QUANDO SE DARÁ O ARREBATAMENTO

Muitos são os que, interpretando extravagantemente alguns textos isolados das Escrituras Sagradas, ousaram marcar a data da Volta de Cristo. Além de se decepcionarem, caíram em descrédito. Hoje, servem-nos eles de advertência: não devemos especular com as coisas que Deus, em sua inquestionável soberania, reservou apenas para si (Lucas 21.34 e Atos 1.7).

1) O tempo do Arrebatamento: A Bíblia é clara e não admite tergiversações: o Arrebatamento dar-se-á a qualquer instante. Jesus Cristo virá como o ladrão da noite (1Tessalonicenses 5.4 e 2Pedro 3.10). Vigiemos, pois, para que este dia não nos surpreenda. Uma das bem-aventuranças do Apocalipse é endereçada justamente àqueles que se acham vigilantes à espera de Jesus: “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas”, Apocalipse 16.15. Virá o Senhor Jesus de improviso, e surpreenderá a muitos que, ao invés de estarem apercebidos, encontrar-se-ão embriagados com os desvelos e prazeres deste mundo.

2) Prenúncios do Arrebatamento: A maioria dos sinais e das profecias que nos deixou Jesus, prenunciando seu glorioso retorno, já está cumprida. O que dizer da criação de Israel? Comparado a figueira por nosso Senhor, já começa a enflorar (Mateus 24.32). Isaías foi mais do que preciso ao vaticinar o renascimento do Estado hebreu: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos”, Isaías 66.8. Não foi exatamente o que se deu em 14 de maio de 1948? Nesse dia, os descendentes de Abraão, após uma peregrinação de mais de dois milênios, proclamam o Estado de Israel como a sua nação soberana.

Ficaremos indiferentes às guerras e aos rumores guerreiros? E as fomes? E as pestes? Permaneceremos impassíveis diante da imoralidade que vai grassando nos lares e até entre os santos? E a apostasia que ameaça a pureza doutrinária da Igreja de Cristo? O capítulo 24 de Mateus adverte-nos quanto à proximidade da Volta de nosso Senhor.

III - COMO SE DARÁ O ARREBATAMENTO

De acordo com a Primeira Epístola de Paulo aos Tessalonicenses, o Arrebatamento da Igreja de Cristo dar-se-á da seguinte forma:

1) Soada a trombeta de Deus pelo arcanjo Miguel, descerá o Senhor Jesus dos céus com alarido (1Tessalonicenses 4.16).

2) Ato contínuo, os que estivermos vivos seremos transformados, arrebatados e levados ao encontro do Senhor (1Tessalonicenses 4.17).

A glorificação dos santos quer vivos, quer mortos, ocorrerá num momento (1Coríntios 15.52). A palavra grega que o doutor dos gentios usa para descrever este instante é mui expressiva: átomo. Trata-se de uma fração de tempo tão ínfima que não comporta nenhuma divisão. Buscando exemplificar essa fração de tempo, o apóstolo traz à tona uma imagem comum a todos nós: o abrir e fechar de olhos - ripe ophthalmou. Ou seja: um instante pequeno demais para ser dimensionado de acordo com a noção de tempo do ser humano.

Temos aqui um ato, não um processo. Aqui temos um milagre, não uma operação natural. É algo que desafia as leis da física e das demais ciências engendradas pelo ser humano.

CONCLUSÃO

A teologia liberal, que tantos males vêm causando à Igreja de Cristo, não reconhece nem a veracidade nem a iminência do Arrebatamento dos Santos. Desgraçadamente, este vírus acha-se a contaminar, inclusive, alguns doutores e mestres que, ao invés de postarem-se como guardiões da são doutrina, deixam-se enlevar pela velha mentira com que Satanás induziu nossos primeiros pais à apostasia.

É hora de nos acercarmos com mais firmeza e convicção das verdades bíblicas. Caso contrário, não tomaremos parte do glorioso dia do Arrebatamento da Igreja. E quão triste será para os que, desprezando os alertas do Senhor, vivem como se estivessem no período que antecedeu ao Dilúvio: comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento. E, assim, toda aquela geração foi surpreendida pelo castigo divino!

Você está preparado para a Volta de nosso Senhor Jesus Cristo?

Esta é a sua oportunidade! Não a desperdice.

QUESTIONÁRIO

1) O que é o Arrebatamento da Igreja?

2) Como se dará o Arrebatamento da Igreja?

3) Quem tomará parte no Arrebatamento da Igreja?

4) Quais as etapas do Arrebatamento?

5) Você está preparado para o Arrebatamento da Igreja?



 

 

 

Posted by Adailton Souza at 17:35:06 | Permalink | Comments (1) »

Aceita tíquete e vale-refeição?

Fazer doações na igreja deixando dinheiro numa cestinha pode virar coisa do passado caso Marty Baker, um pastor americano, consiga implantar seu novo método: caixas automáticos que aceitam o cartão de débito ou de crédito dos fiéis.

Baker, pastor do estado da Geórgia, teve a idéia divina de coletar dinheiro para sua igreja usando o que ele chama de “caixas de doação”, que permitem que os fiéis sejam generosos com sua congregação sem precisar botar a mão no bolso e mexer no dinheiro em espécie.

A idéia virou um sucesso na igreja comunitária protestante de Stevens Creek e outras paróquias do país estão ansiosas por se adaptar a essa nova tecnologia religiosa. “Acho algo muito conveniente”, afirmou o pastor de 45 anos. “Nossa cultura vive com um cartão de crédito à mão, por isso é conveniente usar de comodidade para que as pessoas possam servir ao Senhor.”

“Tem sido um sucesso e esperamos recolher cerca de 200 mil dólares”, disse Baker. “Não se trata apenas de coletar dinheiro e sim de ser progressista para nos conectarmos com nossa cultura”. Os doadores que usam os caixas obtêm um recibo com citações bíblicas e também têm direito a pontos ou milhas aérea em seus cartões.

Penny Oates, membro da congregação de Baker, acha o método muito conveniente. “É maravilhoso. Muito simples e fácil de usar”, afirmou. Baker indicou que sete igreja do país, todas protestantes, já compraram seus caixas e há muitas outras interessadas.

O pastor fez questão de esclarecer que as igrejas que não gostarem da idéia de ver seus fiéis endividados com cartões de crédito em nome de Deus podem optar apenas pelos cartões de débito.

fonte: Folha Online

Posted by Adailton Souza at 16:44:20 | Permalink | No Comments »

Thursday, October 5, 2006

Curso de Escatologia – 2ª Parte

 Atenção Visitantes do Blog Escola Dominical Virtual!!   Está disponível o curso de escatologia do Prof. Claudionor Correia de Andrade. Convidamos você a participar. O curso está dividido em seis partes.

Curso de Escatologia - 2ª Parte

Sinais da Volta de Cristo - fora da Igreja

Na lição anterior, vimos que a apostasia da Casa de Deus constitui-se num dos mais fortes sinais do Arrebatamento da Igreja. Desta feita, estaremos considerando as profecias concernentes a Israel, ao mundo e à natureza. Infelizmente, muitos são os que vêem os sinais e profecias sobre a Volta de Cristo de maneira pessimista e até ansiosa. Se nos voltarmos, todavia, às Sagradas Escrituras, passaremos a encará-los como a plenitude de nossa Redenção. Foi o que Jesus disse aos seus discípulos.

Louvemos a Deus! Dentro em breve, seremos levados deste mundo para estar para sempre com o Senhor. Você está preparado para este grande dia? Está atento aos sinais que, de forma tão clara e eloqüente, mostram quão inadiável é o retorno do Senhor? Então, apronte-se o mais depressa possível, a fim de recepcionar o Cordeiro de Deus, e tomar parte em suas bodas.

Enumeremos, a seguir, os principais sinais que estão a indicar a iminência da Volta de Jesus.

I - O QUE SÃO OS SINAIS DA VOLTA DE JESUS

Os sinais concernentes à Volta de Nosso Senhor Jesus Cristo, consistem numa série de profecias, cujo principal objetivo é alertar a estarem convenientemente preparados para o Arrebatamento da Igreja. No Sermão Profético, o Senhor faz-nos esta advertência: “Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas”, Mateus 24.33.

Ao todo, podemos apontar mais de trezentos sinais e profecias referentes ao aparecimento iminente de Cristo. Sendo o tema de maior relevância das Sagradas Escrituras, assim devemos considerar os referidos sinais:

1) Com amor: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”, 2Timóteo 4.8.

2) Com sobriedade e vigilância: “E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração”, 1Pedro 4.7.

3) Com paciência: “E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração”, 1Pedro 4.7.

4) Com discernimento: “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão”, Mateus 24.32.

Vejamos, pois, alguns sinais que estão a prenunciar o Rapto dos Santos.

II - OS SINAIS REFERENTES A ISRAEL


Israel é o mais forte sinal do eminente retorno de Cristo. E estes são os três momentos escatológicos mais importantes na vida do povo escolhido:

1) o renascimento de Israel como nação soberana;

2) a retomada de Jerusalém como a capital de Israel; e

3) a reconstrução do Santo Templo como lugar de adoração por excelência do povo judeu.

1) O renascimento de Israel como nação soberana: A volta dos judeus à terra dos seus ancestrais foi um dos maiores milagres de todos os tempos. Eis o que predissera Isaías acerca daquele 14 de maio de 1948, quando o fundador do Estado de Israel, David Bem Gurion, lia a declaração de independência da jovem nação hebréia: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos”, Isaías 66.8

Aliás, o próprio Messias antecipou a restauração de Israel, ao evocar o renascimento da figueira (Mateus 24.32). Leia com atenção os capítulos 36 e 37 de Ezequiel.

2) A retomada de Jerusalém como a capital de Israel: O fato mais extraordinário ocorrido durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, não foi à derrota infligida pelo exército de Israel às nações árabes. E, sim, a reconquista de Jerusalém que, desde que fora destruída por Nabucodonosor, em 586aC, vinha sendo pisada pelos gentios. Cumpria-se o que profetizara Cristo: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem”, Lucas 21.24.

3) A reconstrução do Santo Templo: Há fortes evidências proféticas de que, em breve, o Santo Templo será reconstruído (Daniel 9.27; Mateus 24.15 e 2Tessalonicenses 2.1-4). Não podemos afirmar se o Templo será reconstruído antes ou depois da Volta de Cristo. De uma forma ou de outra, temos certeza de que o sinal em breve se cumprirá.

III - OS SINAIS REFERENTES AO MUNDO

Conquanto os sinais referentes ao mundo e à natureza pareçam banais e repetitivos, devem eles serem bíblica e teologicamente considerados; revelam que a História é comandada por Deus (Daniel 4.17); é linear e não cíclica; ou seja: a História não se repete, pois comandada de conformidade com os decretos divinos (Daniel 2.44-45); e encaminha-se em direção do estabelecimento do Reino de Deus (Apocalipse 17.14; 19.16).

Consideremos os seguintes sinais que estão ocorrendo no cenário político e no âmbito da natureza, evidenciando, como os anteriores, a urgência da Segunda Vinda de Nosso Senhor:

1) Proliferação de falsos profetas e doutores: “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelei-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”, Mateus 24.4-5.

2) Guerras e conturbações internacionais: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”, Mateus 24.6-7.

3) Recrudescimento da perseguição contra os discípulos de Cristo: “Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome”, Mateus 24.9.

4) Aumento de escândalos na Igreja de Cristo: “Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos”, Mateus 24.10-11.

5) Multiplicação da iniqüidade: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo”, Mateus 24.12-13.

6) Fomes, pestes e terremotos: “E haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”, Mateus 24.7.

7) A propagação universal do Evangelho de Cristo: “E será pregado este evangelho do Reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. E então virá o fim”, Mateus 24.14. Apesar de existirem ainda muitos povos não-alcançados, não podemos ignorar que, em termos universais, o Evangelho já chegou aos confins da Terra. Além disso, essa profecia cumprir-se-á plenamente nas etapas posteriores ao arrebatamento da Igreja, conforme estaremos vendo nas próximas lições.

CONCLUSÃO

Apesar de não sabermos a data exata do Arrebatamento da Igreja, de uma coisa temos absoluta certeza: Jesus não tarda a voltar. Os sinais e as profecias estão a alertar-nos de que o dia de nossa redenção está mui próximo. E isso deve ser motivo de alegria para todos nós: “Olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim”, Mateus 24.6.

Alegremos-nos! Em breve, iremos ao encontro de Nosso Senhor!

QUESTIONÁRIO

1) O que são os sinais concernentes à Volta de Cristo?

2) Quantos sinais e profecias temos acerca da Volta de Cristo?

3) Quais os principais sinais no âmbito da história de Israel?

4) Quais os sinais no âmbito político mundial?

5) Quais os sinais no âmbito da natureza?

6) Como devemos encarar os sinais da Volta de Cristo?

 

Posted by Adailton Souza at 18:51:10 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, October 4, 2006

Curso de Escatologia – 1ª Parte


Atenção Visitantes do Blog Escola Dominical Virtual!!   Está disponível o curso de escatologia do Prof. Claudionor Correia de Andrade. Convidamos você a participar. O curso está dividido em seis partes.

Sinais da Volta de Cristo - dentro da Igreja

Com esta matéria, iniciamos uma série de estudos bíblicos que mostrará a urgência e a gravidade dos dias em que vivemos. Seu objetivo é alertar o povo de Deus a manter-se devidamente preparado para o Arrebatamento da Igreja que, de acordo com as profecias, dar-se-á a qualquer momento (1Tessalonicenses 5.2).

Dentre os sinais que prenunciam a iminente Volta de Jesus, há de se destacar a apostasia que, qual tumor maligno, ameaça enfermar a Igreja de Cristo. A apostasia atual foi profética e energicamente denunciada por Paulo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”, 1Timóteo 4.1.

Vejamos, pois, alguns aspectos da apostasia que já campeia pelo arraial dos santos.

I - O QUE É APOSTASIA

O termo apostasia vem da palavra grega apostasia, e significa, neste caso, o abandono consciente, público e ostensivo da fé que, uma vez por todas, foi concedida aos santos (Judas 3). A apostasia destes últimos dias visa atacar, principalmente, os seguintes artigos da fé:

a) A soberania de Deus (Judas 4);

b) A divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, e único salvador e redentor da humanidade (Atos 4.12);

c) A realidade da Vinda de Cristo (2Pedro 3.1-10).

Através da apostasia, objetiva o Diabo minar a resistência da Igreja, induzindo-a a deixar de ser Reino de Deus para tornar-se uma mera organização. Como a seguir veremos, um dos primeiros sintomas da apostasia é a perda do primeiro amor.

II - O ESFRIAMENTO DO AMOR CRISTÃO

Das igrejas da Ásia Menor, a de Éfeso era a mais conservadora e ortodoxa. Estava ela de tal forma sedimentada na Palavra, que era capaz, inclusive, de diferençar entre um apóstolo verdadeiro e um falso. Não obstante toda essa acuidade teológica, Éfeso estava prestes a perder a sua primazia: “Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras, quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”, Apocalipse 2.4-5.

A advertência de Cristo é gravíssima: se a ortodoxia bíblico-teológica não for acompanhada do primeiro amor, nenhum valor terá. Pois a falta deste acabará por lançar a Igreja nas garras da apostasia, e esta terminará por instigar os santos a se rebelarem contra Deus. No Sermão Profético, Jesus nos previne: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará”, Mateus 24.12.

Que a Igreja de Cristo reavive o primeiro amor, observando todas as demandas da Grande Comissão: evangelizar, fazer missões, discipular; mantendo o amor fraternal; e, especialmente, devotando ao Senhor Jesus todo o seu amor.

A apostasia desta última hora não conseguirá resistir a uma Igreja amorosa e fundamentada na Palavra de Deus.

III - A DOUTRINA DE BALAÃO

Não foi somente Israel que teve problemas com a doutrina de Balaão; teve-os também a igreja em Pérgamo. Havia lá os que agiam como aquele profeta venal que, por pouco, não levou os israelitas à ruína, conforme adverte o Senhor Jesus ao pastor daquela igreja: “Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem”, Apocalipse 2.14.

Não é o que estamos a presenciar? Muitos são os mestres que, torcendo as Escrituras, buscam introduzir o mundo na Igreja, sob a alegação de que esta não pode viver alheia à modernidade. Ora, ser contemporâneo da própria época não significa compactuar com este século nem se conformar com este mundo (Romanos 12.1-2). Significa, antes de mais nada, falar de Cristo com eficácia e poder à nossa geração.

Cuidado! A doutrina de Balaão continua a fazer estragos! Seu objetivo é comprometer a Igreja com a cultura e com os costumes deste século, rompendo-lhe todos os laços que, estreitando-a nas Sagradas Escrituras, levam-na a ser e a agir como a agência por excelência do Reino de Deus.

IV - O MISTICISMO HERÉTICO

A apostasia dos últimos tempos vem sendo caracterizada também por um misticismo herético extra-bíblico. Embora pareça espiritual, é extremamente nocivo à Obra de Deus. Assim o Senhor Jesus o desmascara: “Mas tenho contra ti o tolerares Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”, Apocalipse 2.20. Esta profetisa em nada diferia de Balaão. Seu objetivo era, através de uma postura falsamente piedosa, induzir os crentes a um comportamento mundano. Infere-se, do texto bíblico, que a tal profetiza já havia conseguido as rédeas do governo eclesiástico de Pérgamo. Até o pastor achava-se em suas mãos.

O misticismo herético tem como principais características:

a) Culto aos anjos (Colossenses 2.18).

b) Falsas profecias (Mateus 24.11).

c) Prodígios de origem demoníaca (Mateus 24.24). 

d) Doutrinas de demônios (1Timóteo 4.1 e 1João 4.1). Estejamos, pois, precavidos: nem sempre fervor significa espiritualidade. Quando a congregação de Israel apostatou da fé, no deserto, aquele fervoroso movimento até parecia uma festa espiritual, não passava, todavia, de uma orgia desenfreada (Êxodo 32.6, 18).

V - A PROSPERIDADE FATAL

Laodicéia é um tipo perfeito da Teologia da Prosperidade que, desgraçadamente, vem infelicitando a Igreja de Cristo. No auge de sua riqueza, ousou o líder daquela igreja afirmar: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”, Apocalipse 3.17. O que vem isto nos mostrar?

A Teologia da Prosperidade é o braço econômico da apostasia destes últimos tempos. Ensinando os santos a endeusar os bens materiais em detrimento dos eternos, vão os seus proponentes ajuntando incalculáveis fortunas, a fim de financiar mentiras, enganos, heresias e apostasias. Consciente, ou inconscientemente, arrimam eles a estrutura demoníaca sobre a qual o Anticristo acha-se a construir o seu império.

Desgraçadamente, este arremedo de doutrina vem encontrando generosos espaços em nossos púlpitos. E, assim, com a nossa conivência, vai a Teologia da Prosperidade e suas congêneres produzindo uma geração de crentes cegos, nus (literal e figurativamente falando) e imperfeitos. Eles supõem, à semelhança dos amigos de Jó, serem os bens materiais a evidência maior das bênçãos e da aprovação divinas.

Eles amam a bênção mais que o abençoador; não têm a fé em Cristo, mas a fé na fé; a mente de Cristo, trocaram-na eles por um pensamento enganosamente positivo; determinando tudo, achando-se em estado terminal.

CONCLUSÃO

Estejamos apercebidos, a fim de que não sejamos surpreendidos pelo grande e terrível dia da Volta de Cristo. Se não estivermos vigilantes, certamente seremos subvertidos pela apostasia destes últimos tempos que, de forma desabrida e ousada, vem substituindo a Palavra de Deus por doutrinas de demônios.

QUESTIONÁRIO

1) O que é a apostasia?

2) O que representa o primeiro amor?

3) O que é a doutrina de Balaão?

4) O que é o misticismo espiritual?

5) Qual o grande problema da Teologia da Prosperidade?

 

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Tuesday, October 3, 2006

Que volte o azorrague!

 Por: João A. de Souza Filho 
 
O azorrague não passa de um chicote de cordas que Jesus trançou para com ele expulsar os cambistas do pórtico do templo. Fiquei meditando neste texto de João: “… tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo” (Jo 2.15).
 
Jesus se deu o trabalho de trançar um açoite! Por que Jesus os expulsou dali? Por que eles inflacionavam a fé! Isso mesmo! Aproveitavam-se da necessidade dos judeus de oferecer sacrifícios e aumentavam o valor dos produtos.
 
Pela lei de Moisés era permitido aos judeus comprar e vender na área do templo. “Mas, se o local for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo SENHOR, o seu Deus, e não puderem carregar o dízimo, pois o local escolhido pelo SENHOR para ali pôr o seu Nome é longe demais, troquem o dízimo por prata, e levem a prata ao local que o SENHOR, o seu Deus, tiver escolhido. Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do SENHOR, o seu Deus” (Dt 14.24-26).
 
O que Jesus confrontou, portanto, não era a venda de animais, mas os cambistas, ou mercadores que inflacionavam o preço dos produtos a serviço da fé! Um judeu lá da cidade de Dã, no norte do país, vendia suas ovelhas e o cereal, porque o caminho era demasiadamente longo, e esperava comprar os mesmos produtos pelo mesmo preço em Jerusalém, mas não podia oferecer o que a Deus pertencia, porque os cambistas aumentavam o preço dos produtos! Alguém que chegava de Roma, de Atenas, do Egito ou da Síria para ofertar ao Senhor tinha que se submeter ao exorbitante preço exigido no comércio local. E Jesus percebeu que os que estavam ali negociando haviam perdido o respeito à fé; queriam apenas enriquecer!
 
Muitos usam esse texto para impedir que produtos quaisquer sejam vendidos no templo - suas igrejas -, mas não é disso que trata o texto! Claro que cabe uma parte aqui aos novos vendilhões de templos, aos que também inflacionam o preço de seus livros, cds, vídeos e DVD’s. Houve um tempo em que os livros evangélicos eram os mais baratos no comércio, em que os “discos” podiam ser comprados, porque os preços eram baixos quando comparados aos dos cantores mundanos, mas hoje os livros das editoras seculares estão incrivelmente mais baratos que os evangélicos! No entanto, não é disso que quero tratar agora.
 
Cambistas da fé
 
Hoje os vendilhões ou cambistas da fé vendem ministérios! Li na revista Eclésia que uma pregadora chegou a manter dois escritórios, um no Rio e outro
em São Paulo para agendar seus compromissos e a cifra de produtos que vendia era astronômica! Ouvi de outro pregador famoso que teria afirmado, que nem completara trinta anos de idade e estava rico, para o resto da vida! Agenda lotada. Uma equipe ao seu lado e uma mídia cristã para o promover!
 
E outro dia descobri, que para continuar no ministério que Deus me deu, eu teria que utilizar os agenciadores! E me foi apresentada uma lista de mídia cristã que poderia me colocar cada dia da semana em qualquer lugar do país! Veja bem! Agenciadores de dons ministeriais. Pensei que a pessoa brincava comigo, até que me mostrou um anúncio numa revista evangélica de circulação nacional, de alguém se oferecendo como agenciador entre pregadores e igrejas! Um intermediário, que ganha para agenciar seus compromissos! Ele estabelece as condições, o preço, etc. e leva sua parte! Achei ridículo. Ele não!
 
Mas aí meu interlocutor começou a me mostrar que a maioria dos cantores evangélicos e alguns renomados pregadores, mantêm agentes que “acertam” com a igreja, ou com a empresa promotora de eventos - isso mesmo, hoje a maioria das conferências é feita por promotores de eventos, empresas especializadas em conferências, congressos e shows - sua participação algures no país! E foi citando nomes de gente famosa, e o que cobram por uma noite de pregação!
 
Assim, o comércio de animais do antigo templo de Jerusalém virou comércio de dons. O preço varia de acordo com o dom que Deus lhe deu. Sua igreja precisa de avivamento de cura divina? O fulano é “usado por Deus” em cura, e tem um preço! Você quer um bom evangelista? Se ele também orar pelos enfermos o preço é um pouco mais alto. E as exigências de hospedagens aumentam! Claro, nunca incluem a cerveja e o uísque no frigobar, porque estes o Hotel repõem automaticamente! Privacidade total durante o dia (para ficar vendo tevê?), e transporte de luxo que o deixe no local da conferência na hora da pregação.
 
Você tem o dom de profeta? O preço é outro, porque afinal, você irá gastar tempo impondo as mãos sobre as pessoas, falando do futuro delas, anunciando coisas boas e ruins… E existe um preço para esse ministério! Claro que no passado o preço de um profeta era outro! Levava uma surra, era jogado no fundo de um poço, andava desnudo, não tinha onde dormir. Mas os tempos mudaram! Hoje os profetas modernos, profetizam sonhos! São arautos da prosperidade! Encontrei um desses num vôo pelo Brasil que me afirmou que não aceita passagens em vôos da GOL e da BRA! Vivem bem. Por isso o preço é mais caro! E o agenciador sabe disso. E o pastor também.
 
E as pessoas que me ligam, logo perguntam: “Pastor quanto você cobra para vir até aqui?”. Quando lhes digo que nada cobro - que preciso apenas de uma oferta de amor para meu sustento e de minha família - entendem que não sirvo para o que têm em mente; que não vou fazer muito sucesso! Porque hoje os cambistas não são apenas os agenciadores de dons; são também os pastores de igrejas que precisam de alguém que lhes cobre bem caro, para que possam cobrar mais de seus membros e dos que vêm à conferência! Assim, conseguem dividir os recursos entre seus projetos e o preletor! Haja azorrague, Senhor!
 
E quando digo que nada cobro, também nada recebo! Às vezes me endivido pagando as passagens ou o combustível com o cartão, imaginando que serei ressarcido! E, então me dou conta de que os vendilhões do templo não são apenas os agenciadores; nem os camelôs de produtos evangélicos. Não, hoje os vendilhões armaram suas vendas dentro dos templos! São pastores comerciantes de dons! Você tem dons de Deus? Você motiva a igreja? Você atrai multidões? Então aproveite! Porque o azorrague está quase pronto! E que dizer dos agenciadores que agem de má fé, cobrando taxas exorbitantes dos congressistas, e compensando o pregador ou o cantor com uma oferta irrelevante?
 
Terei que me corromper?
 
Por que a igreja chegou a esse nível? Será que para continuar abençoando meus irmãos com os dons que Deus me deu terei que me corromper? Terei que me corromper vendendo bem caro meus livros para compensar o déficit, já que as igrejas não sabem ofertar? Ou serei obrigado a exigir uma certa quantia, porque as igrejas que me convidam não têm idéia do que seja “oferta de amor”, confundindo-a com esmola? Pois quero lhe dizer que muitos homens de Deus já se corromperam!
 
Tenho em mente, neste momento, o último pregador que veio, como profeta de Deus, à nossa cidade. Foi ele que se ofereceu para vir. Avisou-nos que tinha uma mensagem de Deus para nossa cidade! Foi aqui que, anos atrás Deus falou com ele, etc. e tal. Todos dissemos: - bem-vindo em nosso meio! Até que nos deparamos com a exigência de seus coordenadores. Para nós era impossível conseguir trinta mil reais para uma noite de conferência! Oito mil dólares - livres - mais as despesas de hospedagem no melhor hotel da cidade para ele e sua equipe, alimentação, aluguel de som e de ginásio! Era muito dinheiro!
 
Mas ele não é apenas um profeta: é um especialista em levantar ofertas! Veio, levantou uma grande oferta que deve ter coberto o dobro das despesas, tomou seu avião particular e regressou ao seu país! Os pastores? Eles gostam disso, porque movimenta o povo! O povo? O povo gosta de novidades e paga por elas!
 
Os novos cambistas não vendem animais, vendem dons! Quer dizer, são como qualquer comerciante, vendem seus serviços. A bem da verdade, a palavra ministério, no grego é serviço, exceção feita ao texto de 1 Coríntios 4.1. Mesmo assim a NVI fez bem em traduzi-la como “servos” porque este é o sentido de huperetes, um auxiliar de remador!
 
Assim, os novos cambistas da fé oferecem seus dons a preços e condições razoáveis! E como uma boa parte dos “sacerdotes” aderiu ao câmbio, estes não vêem problema algum em participar do comércio. Sim. Comércio da fé. Comércio de dons!
 
Às vezes tenho a impressão de ver Jesus tecendo seu azorrague, seu açoite de cordas. Está quase pronto! Prepare-se, porque ele voltará a exclamar: “Parem de fazer da casa de meu Pai um mercado!”. “Tirem esses homens daqui!”.
 
“Portanto, visto que temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada, não desanimamos. Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus. Ao contrário, mediante a clara exposição da verdade, recomendamo-nos à consciência de todos, diante de Deus” (2 Co 4.1-2). À Luz do que expus, que texto ridículo! Não para os que mantêm boa consciência diante de Deus!
 
Que volte o azorrague
 
Devo confessar que estou indeciso! Até pensei em “expor” o meu ministério numa dessas feiras de produtos cristãos que acontecem pelo Brasil; de “me” anunciar na mídia nacional comprando meia página da revista mais lida; de contratar agências para me levarem para o exterior. Mas, recuo diante do que meus olhos vêem. Vejo o Senhor preparando um açoite de cordas! E não é para expulsar os camelôs que vendem produtos evangélicos junto aos nossos templos e casas de oração. Essa gente sincera faz isso pra poder sobreviver! O azorrague não é para eles! É para os comerciantes dos dons. Afinal, ele os deu gratuitamente, e os homens os utilizam para se enriquecerem à custa da fé!
 
Corruptores e corruptos. Preparem os lombos! O azorrague está quase pronto! A casa de Deus será purificada! Vai ser aquela correria!
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Monday, October 2, 2006

A importância da Bíblia para os dias atuais


                 A Palavra de Deus - viva, infalível, eterna - é totalmente fidedigna. É somente ela que deve nortear as decisões, que sacia a fome do coração e preenche as lacunas da alma. Ela revela quem é o Criador, quem é Satanás, exibe o plano de Deus para salvação dos perdidos e expõe os erros que vão surgindo, frutos dos pecados e imperfeições humanas.             

 Os fatos históricos demonstram que os relatos e os ensinos bíblicos são de origem divina. A Bíblia contém uma revelação divina. Não se trata de uma fé cega, calcada no subjetivismo. Trata-se de uma fé objetiva que pode ser analisada e explicada. A pessoa que abraça o cristianismo não precisa aposentar a cabeça. Ela deve continuar pensando e exercendo o seu senso crítico. A fé cristã, embora transcenda a razão, não é irracional. Ela faz sentido. Alguém (não me lembro quem) até colocou isso muito bem com a seguinte frase: “O meu coração não consegue se alegrar totalmente com aquilo que a minha mente não entende a contento”.

Existem aqueles que afirmam não crer na Bíblia por que ela foi escrita por homens. Quando alguém me diz isso, pergunto logo: “E você, queria que ela tivesse sido escrita por um cavalo? Aí sim, não daria para crer”. A Bíblia foi de fato escrita por homens, e o próprio apóstolo Pedro não negou isso ao escrever: “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.20, 21).

UM LIVRO INCOMPARÁVEL

O que vem a seguir sãos algumas declarações que demonstram ser a Bíblia Sagrada um livro sem paralelo, diferente de todos que já foram escritos:

  • A Bíblia é o único livro no mundo que oferece provas objetivas de ser a Palavra de Deus. Somente a Bíblia fornece provas reais de ser divinamente inspirada.
  • A Bíblia é a única Escritura sagrada que oferece salvação eterna como um Dom totalmente gratuito da graça e da misericórdia de Deus.
  • A Bíblia contem os mais elevados padrões morais dentre todos os livros.
  • Somente a Bíblia apresenta o mais realístico ponto de vista sobre a natureza humana, tem o poder de convencer as pessoas de seus pecados e a habilidade de transformar a natureza humana.
  • Somente a Bíblia oferece uma solução realística e permanente para o problema do mal e do pecado humano.
  • As características internas e históricas da Bíblia são excepcionais em sua unidade e consistência interna, apesar dela ter sido produzida por um período de mais de 1,500 anos, por mais de 40 autores diferentes, em três línguas, em três continentes, discutindo uma enorme quantidade de assuntos controvertidos, e ao mesmo tempo mantendo uma harmonia entre eles.
  • A Bíblia é o livro mais traduzido, mais comprado, mais memorizado e o mais perseguido em toda a história.
  • Somente a Bíblia tem resistido dois mil anos de intenso escrutínio pelos seus críticos, não apenas sobrevivendo aos ataques, mas prosperando e tendo a sua credibilidade fortalecida por tais críticas.
  • A Bíblia tem moldado a história das civilizações mais do que qualquer outro livro. A Bíblia tem tido mais influência no mundo do que qualquer outro livro.
  • Somente a Bíblia tem uma Pessoa específica (centrada em Cristo) como assunto em cada um de seus 66 livros, detalhando a vida dessa Pessoa através de profecias e tipos, por um período de 400 - 1,500 anos antes dela nascer.
  • Somente a Bíblia proclama a ressurreição de sua figura central (Jesus Cristo), provada na história. [1]

A IMPORTÂNCIA DA HERMENÊUTICA

O mundo vive cercado de um desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes na história da humanidade. E apesar de todos os avanços conseguidos até agora, o ser humano continua sendo um fracasso moral e espiritual desde o Éden. Por esta razão, a Bíblia Sagrada tem sido, e sempre vai ser, um livro indispensável.

Por se tratar de um livro de extrema importância, é preciso, ao mesmo tempo, interpretá-lo de acordo com as regras da hermenêutica, a ciência que estuda a interpretação de textos. Assim, pode-se dizer que a Bíblia é como uma navalha. Com ela se faz a barba, mas com ela se corta também o pescoço. Depende da maneira como ela é usada. Quando os princípios da hermenêutica e da exegese bíblica são abandonados, os abusos, as manipulações e os ensinos controvertidos começam a se multiplicar ao redor da Palavra de Deus. A ética desaparece do ministério cristão e da vida dos adeptos do cristianismo. Infelizmente, a situação atual reflete bastante este abandono da fidelidade bíblica, gerando mau testemunhos, suspeita, heresias e transtorno para o progresso do evangelho. Parte disso será tratado, a partir de agora, neste artigo. O leitor vai constatar que vários segmentos do evangelicalismo brasileiro abandonaram os princípios sólidos de interpretação bíblica, sucumbindo as pressões do marketing, do mercado e do capitalismo, em suas formas de atuar e de desenvolver o ministério cristão.

 O QUADRO ATUAL

Uma das características de uma boa parte da Igreja Evangélica Brasileira é a sua avidez por novidades. Muitas igrejas hoje, ditas evangélicas, não se contentam mais com a sã doutrina pregada pelos apóstolos e pais da Igreja - mais tarde defendida pelos reformadores - e vivem numa busca constante de novidades e modismos doutrinários.                                            

 Uma das últimas novidades a invadir o arraial evangélico brasileiro chegou de Bogotá, na Colômbia.  Idealizado por César Castellanos Dominguez, o  G 12 (Grupo dos Doze) é um movimento que propõe o crescimento das igrejas através de células, com reuniões nas casas. Até aí, tudo bem! De fato, não existe nada de errado em dividir a igreja em células ou grupos familiares para reuniões nos lares ou outros locais. Muitos grupos ao redor do mundo tem feito isso e até com bons resultados. Pode dar certo para uma igreja, enquanto que para outra não. Depende das circunstâncias, do contexto geográfico, social ou de outros fatores.

Agora, o que preocupa em relação ao G 12 é o emprego de práticas e ensinos contrários a Palavra de Deus, tais como quebra de maldições hereditárias, cura interior, mapeamento espiritual e liberar perdão à Deus. O G 12 é ainda apresentado como o último avivamento de Deus na terra. É de fato, muita pretensão!

Outra coisa curiosa é a facilidade com que muitos líderes têm de criar os locais sagrados de peregrinação. Enquanto o catolicismo romano conta com Aparecida do Norte, Lourdes, Fátima, o movimento da Nova Era  com a  Fundação Findhorn, na Escócia, o Instituto Esalen, na Califórnia, Machu Pichu, no Peru, muitos evangélicos partiram em caravanas para Toronto, no Canadá, em busca da gargalhada sagrada. Outros foram em grupos para Pensacola, nos Estados Unidos, em busca de avivamento. E agora, por último, a febre virou-se para Bogotá, na Colômbia, em busca, segundo eles, da única fórmula capaz de fazer a igreja crescer aos milhões. Qual será a próxima onda?

A igreja evangélica hoje, em sua grande maioria, é uma igreja mundana, que segue os mesmos padrões de mercado e competição do mundo secular. Há uma mudança da visão bíblica para a visão empresarial. Antigamente, as qualidades valorizadas num líder cristão eram a sua vida de oração e ética, as suas habilidades e dons para interpretar e transmitir a Palavra de Deus, o seu convívio com as ovelhas, cuidando de suas feridas e levando as suas cargas.                        

     Hoje, o líder bem sucedido deve ser um animador de auditório, um especialista em marketing, sempre apressado, vestido com roupas de grife, freqüentando os melhores restaurantes e vivendo em mansões, com uma agenda cheia, sem tempo para orar, meditar e conviver com as ovelhas. Aliás, há muitos líderes hoje que amam a multidão e odeiam os indivíduos. Eles gostam da massa, mas nunca têm tempo para as pessoas. Os tempos realmente mudaram!

Assim, as pressões do mercado levam os líderes e as igrejas a se tornarem extremamente criativos na tarefa de arregimentar seguidores. Estes já não são vistos como uma vida, uma alma pela qual Cristo morreu, mas como uma fonte de renda para encher os cofres de uma instituição que vai saciar a ganância e a luxúria de seus dirigentes. Surgem assim as sete sextas-feiras do poder, as sete quartas-feiras da prosperidade, os cultos de libertação, a reunião dos empresários. Etc.

Outra coisa preocupante é o grande uso de símbolos, práticas e artefatos para se pregar o evangelho. Há de tudo: tapete ungido, arruda, sal grosso, corredor do amor, vassoura de fogo, mirra para embelezamento do corpo, cair, soprar, sandália de fogo, uma série enorme de correntes (da prosperidade, libertação, saúde, do amor etc.). Ora, o evangelho não foi feito para os olhos. O evangelho foi feito para o coração e para o intelecto, para a mente. Tanto que a fé cristã tem poucos símbolos. Ela tem os símbolos do batismo e da ceia. Não há preocupação com uma variedade de símbolos, pois o cristão adora a Deus em espírito (ou Espírito) e em verdade. Isto quer dizer que o nosso serviço a Deus deve ser segundo a orientação do Espírito Santo em dentro dos parâmetros da Palavra de Deus, que é a verdade (Jo 17.17). Assim, uma grande necessidade do momento no mundo evangélico é uma volta ao fundamento firme da Palavra de Deus.

DE VOLTA À BÍBLIA

Quando o apóstolo Paulo chegou a Mileto, enviou um recado aos anciãos de Éfeso para que se encontrassem com ele, pois queria falar-lhes. O texto de Atos 20.17-38 revela vários aspectos do caráter de Paulo e algumas de suas prioridades ministeriais. O texto também fala de sua humildade, suas lágrimas e tentações na pregação do evangelho.

Paulo relata aos líderes de Éfeso que, nas suas viagens, ele nunca sabe o que vai lhe acontecer, senão aquilo que o Espírito Santo lhe revela, de cidade em cidade, dizendo que lhe esperam prisões e sofrimentos (v. 23). Assim, pode-se perceber que não existe na vida do apóstolo a preocupação com o conforto, a busca do luxo ou de reconhecimento. Ele nem mesmo considera a sua vida importante. Para ele, o mais importante é cumprir a sua carreira e dar testemunho do evangelho (v.24). Por isso, Paulo nunca deixou de anunciar-lhes toda a vontade de Deus (v.27).

Em seguida, Paulo faz uma séria advertência: “Sei, que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, por três anos, jamais cessei de advertir a cada um de vocês, noite e dia, com lágrimas” (Atos 20.29-31).

  Por um lado, vejo hoje o crescimento das seitas e a infiltração de heresias no seio da igreja evangélica com muita tristeza. Por outro lado, sou obrigado a reconhecer de que se trata de um cumprimento profético. A Bíblia diz que isso iria acontecer. Ao escrever à Timóteo, Paulo declara: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Timóteo 4:1).                                 

    Na Segunda vez que escreveu a Timóteo, o apóstolo volta ao assunto. Mesmo sabendo que sua morte estava próxima, a preocupação de Paulo ainda é com a sã doutrina. Observe suas palavras: “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2Timóteo 4.1-4). Paulo não diz à Timóteo: pregue sonhos, visões, revelações ou experiências. Embora haja espaço para tudo isso na vida espiritual, a ênfase do apóstolo é na Palavra de Deus.

Não foi apenas Paulo quem se preocupou com a sã doutrina. O apóstolo Pedro também tratou do assunto na sua segunda carta, ao escrever: “Mas surgiram também profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos destes homens, e por  causa deles, será difamado o caminho da verdade” (2Pedro 2.1-2).

Talvez esteja aqui a resposta que muitos me têm feito ao redor do Brasil. Por que os movimentos religiosos controvertidos e as igrejas evangélicas que abrem suas portas para ventos de doutrinas crescem tanto? A resposta é: por que é bíblico. A Bíblia disse que muitos seguiriam os seus falsos ensinos. Muitos hoje querem dar validade bíblica a um movimento por causa do seu crescimento.

                             Ora, o crescimento numérico não é um critério válido para definir se algo é de Deus ou não. Se assim fosse, como ficaria o dilúvio, quando a maioria estava fora da arca e apenas uma minoria dentro dela? Se a quantidade fosse um critério válido, teríamos então que admitir que o Islamismo é a única verdade de Deus na terra, pois não há grupo maior ou que cresce mais.                    

    O argumento da quantidade é muito usado pelos líderes do G-12. Ora, se juntássemos todas as igrejas do G-12, o movimento não seria maior do que a Igreja Mórmon. Logo, quantidade não pode ser a evidência de que Deus esteja aprovando algum movimento.

Como é bom constatar que os líderes de Éfeso levaram a sério as palavras de Paulo em Mileto. Quando lemos a carta à Igreja de Éfeso, no Apocalipse, vamos encontrar a seguinte declaração do Senhor: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por cauda do meu nome e não tem desfalecido” (Apocalipse 2.2, 3).

                Diante dos textos mencionados aqui e ao olhar o cenário evangélico brasileiro hoje, nada se torna mais importante para igreja evangélica do que uma volta à Palavra de Deus. A Igreja no Brasil precisa, urgentemente, de voltar a pregar o evangelho da salvação e não da solução. A enfatizar os tesouros eternos e não o sucesso presente. Lamentavelmente, há igrejas hoje mais interessadas em fabricar milionários do que transformar pecadores em santos. Infelizmente, em muitos púlpitos evangélicos, Satanás já levou a melhor. Que Deus tenha misericórdia de nós!                        

  Fonte: Dr. Paulo Romeiro

Posted by Adailton Souza at 18:08:54 | Permalink | Comments (1) »

Primeira paciente feminina recebe implante de braço biônico

Claudia Mitchell é o nome da primeira mulher no mundo a receber o implante de um braço biônico. É o terceiro implante do braço robótico, que é neurocontrolado, podendo ser movido apenas com a força do pensamento do paciente. A cirurgia foi feita no Instituto de Reabilitação de Chicago, Estados Unidos.

Embora seja acionado com os pensamentos, a prótese robótica não exige a implantação de nenhum sensor diretamente no cérebro. Ao invés disso, o acionamento do braço biônico utiliza os próprios nervos do paciente.

Para isso, os nervos que iam para o braço que foi amputado são redirecionados e conectados em músculos sadios no tóxax do paciente. Esse processo cirúrgico é chamado de reinervação muscular dirigida. Quando o paciente pensa em mexer o braço que foi amputado, os sinais que saem do seu cérebro chegam até os músculos do tórax, onde estão os nervos redirecionados. Neste ponto, sensores superficiais captam os sinais cerebrais e os transmitem ao braço biônico, que faz o movimento.

O sentido inverso também é válido. Quando a paciente toca um objeto com a mão, os sinais são enviados para eletrodos nos mesmos músculos. Isto faz com que ela “sinta” o que a mão robótica está tocando. Significativos avanços na área de sensores permitiram que essa versão do braço biônico que acaba de ser implantada possibilite à paciente até mesmo saber se o objeto que ela tocando está quente ou frio.

O braço biônico, desenvolvido pela equipe do Dr. Todd Kuiken, em colaboração com pesquisadores de diversas partes do mundo, tem seis motores, o que dá ao paciente capacidade para movimentar simultaneamente as diversas partes do braço, tornando o movimento mais suave e mais natural.

 

Posted by Adailton Souza at 17:42:03 | Permalink | No Comments »

Análise bíblica dos pontos de contato: objetos que trazem bençãos e maldição

Fonte: http://www.thirdmill.org/  

Um Estudo sobre o Uso de Objetos e a Fé

Um assunto que tem provocado muita polêmica em nossos dias é o ensino do moderno movimento de batalha espiritual acerca de objetos que têm o poder de abençoar e amaldiçoar aqueles que os tocam ou possuem. Nesse pequeno artigo, procuro compreender esse ensino e oferecer uma avaliação.

* Objetos que Trazem Bênção

Nos cultos de muitas igrejas de libertação, objetos variados são empregados como canais de bênção. Eles são ungidos (abençoados) nos cultos com o objetivo de passarem ao fiel algum tipo de benefício. Os mais comuns são a água fluidificada (colocada sobre o rádio ou TV durante a oração do “homem de Deus”), a rosa ungida, ramos de arruda, sal grosso, óleo, água, vinho, pedrinhas trazidos da “terra santa” (Israel), fitinhas, pulseiras e lenços.

Embora os líderes dessas igrejas insistam que esses objetos abençoados funcionam apenas como apoio para a fé dos crentes, ao fim, acabam sendo usados como talismãs, fetiches e outros objetos “carregados” de poder espiritual. Os seus possuidores devem usá-los de acordo com algum tipo de ritual, após o culto. A água pode ser bebida em casa, após a oração de consagração. O “cajado de Moisés” deve ser usado para bater naquilo que o crente gostaria de ter (um carro novo, por exemplo). Lenços ungidos devem ser carregados junto ao corpo por determinado tempo, geralmente durante o tempo de uma corrente de oração.(1)

Muitas vezes objetos são “abençoados” nessas igrejas com o objetivo de espantarem e expelirem demônios. A idéia que está por detrás desse uso religioso de artigos e objetos é o de que as entidades espirituais (anjos e demônios) podem ser atingidas através dos sentidos como cheiros, cores, gosto e vozes. Nesse ponto os cristãos do primeiro século se afastaram significativamente das práticas exorcistas do Judaísmo da sua época, que foram desenvolvidos no período intertestamentário. Os métodos rabínicos de tratar com demônios incluía o uso de tochas de fogo à noite, amuletos, filactérios,(2) fórmulas mágicas, fumigações, entre outros. A idéia era que essas coisas teriam em si algum tipo de poder mágico contra os demônios.(3) No cristianismo primitivo, entretanto, a idéia de que demônios pudessem ser atingidos através de sons, cheiros ou coisas materiais e tangíveis, está ausente.

É importante dizer que não duvido da sinceridade e da boa-fé dos que empregam esses objetos. Entretanto, podemos estar sinceramente enganados no que diz respeito ao culto a Deus, como os judeus na época de Paulo (Rm 10.1-2). É minha convicção que o uso desses objetos como apoio para fé ou canal de bênçãos não faz parte do culto agradável a Deus que nos é ensinado nas Escrituras.

* Entendendo o uso de objetos na Bíblia

Salta aos olhos de quem conhece as práticas religiosas populares que o uso de objetos ungidos pelas igrejas de libertação é bastante semelhante ao benzimento de objetos no baixo espiritismo, artes mágicas e no ocultismo em geral. Entretanto, essas igrejas argumentam que a prática tem base na Bíblia. Provavelmente a passagem bíblica mais citada é Atos 19.12, onde se relata o uso dos aventais e lenços de Paulo para expulsar demônios em Éfeso. É preciso salientar, entretanto, que esse acontecimento é o único do gênero que temos registrado no Novo Testamento. Fez parte dos “milagres extraordinários” que o Senhor realizou em Éfeso pelas mãos de Paulo (At 19.11).

Devemos interpretar essa passagem da mesma forma como interpretamos os relatos do Antigo Testamento sobre o cajado de Moisés (Ex 8.5,16) e o manto de Elias (2 Re 2.8,14). Esses objetos foram veículos materiais do poder miraculoso desses homens. O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles foi mostrar o extraordinário poder de Deus nas vidas dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente da parte de Iavé. O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido.

Além dessas ocorrências no Antigo Testamento mencionadas acima, outros eventos são citados como justificativa para o uso de objetos como veículos do poder divino. Moisés fez uma serpente de bronze (Nm 21.9). Eliseu usou um prato novo com sal para miraculosamente sanar as águas de Jericó (2 Re 2.19-22), um pouco de farinha para purificar uma comida envenenada (2 Re 4.38-41), um pau para fazer flutuar um machado que caiu no rio (2 Re 6.1-7). Sob seu comando, as águas do Jordão serviram para curar a lepra de Naamã (2 Re 5.1-14). Seu bordão parece que era usado para realizar milagres (2 Re 4.29) e seus ossos ressuscitaram um morto (2 Re 13.20-21). O profeta Isaías usou uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Re 20.7).

Alguns eventos narrados no Novo Testamento são também citados como prova. As vestes de Jesus tinham poder curador. Não somente a mulher com um fluxo de sangue foi curada ao tocá-las (Lc 8.43-46), mas muitas outras pessoas doentes (Mt 14.36; Mc 6.56; cf. Lc 6.19). Em pelo menos duas ocasiões, Jesus usou saliva para curar cegos (Mc 8.22-26; Jo 9.6-7), e em outra, para curar um mudo (Mc 7.33). Aparentemente, a sombra de Pedro, após o Pentecostes em Jerusalém, acabava por curar a quem atingisse (At 5.15).

Devemos entender, entretanto, qual o objetivo dessas narrativas. Em todas elas, o conceito é sempre o mesmo. Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas. O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus em suas vidas, e assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, vinha de Deus. A prova eram os poderes miraculosos tão extraordinários que até mesmo vestes, bordões, ossos, saliva, sombra e lenços desses homens transmitiam o poder curador de Deus que neles havia. É dessa forma que devemos entender o relato de Atos 19 sobre o poder curador dos lenços e aventais de Paulo.

Evidentemente, essas passagens não servem como prova de que, hoje, as igrejas evangélicas podem abençoar objetos e usá-los para expelir demônios, proteger seus possuidores contra forças negativas e curar moléstias. Notemos as principais diferenças entre o uso destes objetos nos relatos bíblicos e o uso que é feito hoje pelas igrejas de libertação.

1. Foram usados como símbolos - Em vários casos, o papel de objetos na execução dos milagres bíblicos é melhor entendido como tendo sido simbólico. De alguma forma estavam relacionados à natureza do milagre: uma serpente de bronze para curar mordeduras de serpentes, um pedaço de pau para fazer um machado flutuar, sal e farinha para purificar águas e comida (os dois elementos eram usados nos sacrifícios), ossos para trazer vida e água do Jordão para “limpar” a lepra. Nas igrejas de libertação, muito embora se diga que os objetos funcionam simbolicamente como apoio para a fé, acabam sendo aceitos pelos fiéis menos avisados como possuindo em si mesmos alguma virtude ou poder.

2. A natureza dos milagres em que foram empregados - Os objetos fizeram parte de milagres que não vemos serem repetidos hoje. A melhor maneira de provar que o uso de objetos ungidos hoje opera a mesma liberação do poder divino como nos eventos relatados na Bíblia, seria abrir rios, ressuscitar mortos, curar leprosos, cegos e aleijados, sanear águas amargas e limpar comidas envenenadas usando objetos pessoais dos missionários e obreiros dessas igrejas. Entretanto, os “milagres” efetuados pelos objetos ungidos nas igreja de libertação nem de perto se assemelham aos prodígios extraordinários narrados nas Escrituras.

3. Seu uso limitou-se ao momento do milagre - Nenhum dos objetos empregados na Bíblia preservaram algum “poder” em si mesmos após o milagre ter ocorrido. A serpente de bronze, até onde sabemos, não foi mais usada para curar mordidas de serpentes após o incidente no deserto, muito embora os judeus supersticiosos passassem a adorá-la como a um deus. É natural supor que Eliseu, após usar o manto de Elias para abrir as águas, usou-o normalmente como peça do seu vestuário, sem que o mesmo exercesse qualquer poder mágico nas coisas em que tocava. O sal, a farinha e o pedaço de pau que ele usou para fazer milagres foram tirados da vida normal e retornaram a ela após seu uso. Não retiveram qualquer propriedade miraculosa em si mesmos. Semelhantemente, os lenços e aventais de Paulo tiveram um uso especial somente em Éfeso, e provavelmente somente durante um determinado período, ao longo dos três anos que o apóstolo passou ali. Em contraste, as igrejas da libertação ungem e abençoam objetos e atribuem a eles efeitos que permanecem muito tempo após a cerimônia. É algo bem diferente do uso ocasional feito pelos profetas e apóstolos.

4. Os objetos estavam ligados à pessoa dos homens de Deus - Alguns dos objetos usados eram coisas pessoais dos homens de Deus, como a capa de Elias, o bordão de Eliseu, as vestes de Jesus, os lenços e aventais de Paulo e, num certo sentido, a sombra de Pedro. Eles só foram empregados por isso. O alvo era mostrar o extraordinário poder de Deus sobre tais homens. Quando refletimos no fato de que somente coisas pessoais dos profetas, do Senhor Jesus e dos apóstolos foram usadas, perguntamo-nos se nossos objetos pessoais teriam o mesmo poder. A resposta humilde deve ser “não”. Os profetas, o Senhor e os apóstolos foram pessoas especiais e pertenceram a uma época especial e única dentro da história da revelação. A suspeita de que nossos objetos pessoais são impotentes para realizar milagres fica ainda mais fortalecida quando não descobrimos nas Escrituras qualquer exemplo de coisas dos crentes comuns sendo usadas com esse fim.(4)

5. Nenhum dos objetos empregados foi ungido ou abençoado - Essa é uma diferença fundamental. Nas igrejas de libertação, os objetos são ungidos, abençoados, fluidificados e consagrados através da oração e da imposição de mãos dos pastores e obreiros, depois do que, passam supostamente a ter poderes especiais. No entanto, em nenhum dos casos mencionados nas Escrituras, os objetos empregados nos milagres passaram, antes, por uma cerimônia de consagração. A Bíblia desconhece totalmente a “unção” de coisas com o fim de serem empregadas em atos miraculosos, para atrair as bênção de Deus, ou ainda, para expelir demônios e doenças. É verdade que no Antigo Testamento alguns objetos, utensílios e mobília do tabernáculo, e depois, do templo, foram ungidos com sangue e óleo. Mas o propósito não era investir essas coisas de poderes especiais, e sim separá-las do seu uso comum para o uso sagrado nos rituais de sacrifício. Eliseu não ungiu nem consagrou, pela oração, o sal, a farinha e o pedaço de árvore que usou para operar milagres. Nem Isaías ungiu a pasta de figo para curar a úlcera de Ezequias. Nem mesmo a serpente de bronze passou por uma consagração, antes de ser erigida diante do povo envenenado pelas serpentes. Os lenços e aventais de Paulo não passaram pela imposição de mãos do apóstolo antes de serem levados aos doentes e endemoninhados. O que dava “poder” àqueles objetos era o fato de que pertenciam, ou foram manipulados, por pessoas sobre quem o poder de Deus repousava de forma extraordinária.

A conclusão inescapável é que não existe qualquer fundamento bíblico para que, hoje, unjamos e abençoemos objetos com o propósito de transmitir, através deles, uma medida do poder de Deus. Mais uma vez repito: creio que Deus faz milagres hoje. Creio que ele poderia usar o que quisesse para fazer isso. Entretanto, creio também que Deus nos revela em Sua Palavra os seus caminhos e seus meios de agir, para que não sejamos iludidos pelo erro religioso. E se vamos usar as Escrituras como regra da nossa prática, bem como critério para discernirmos a verdade do erro, acabaremos por rejeitar a idéia de que, pela oração e unção, determinados objetos repassam uma bênção de Deus aos seus possuidores.

* Objetos que Trazem Maldição

Tratemos agora de outro ensino ainda relacionado com o uso de objetos no campo religioso. Segundo adeptos do movimento de “batalha espiritual”, objetos utilizados em qualquer forma de magia, ocultismo ou religião idólatra ficam impregnados de emanações malignas, como se demônios de fato residissem nos mesmos. Para usar a linguagem de alguns do movimento, esses objetos estariam “demonizados”. Esse conceito é similar ao praticado na magia. Objetos magicamente “carregados” são considerados como transmissores do poder da mágica que representam, e afetam aos que os tocam.

Portanto, caso um cristão venha a ter em sua casa, escritório ou local de trabalho, qualquer um desses objetos, estará dando ocasião para que os demônios (as verdadeiras entidades espirituais associadas com esses objetos) prejudiquem sua vida material e espiritual. A idéia é que objetos como ídolos, imagens, esculturas, quadros e fotos se tornam pontos de contato para os demônios, que sempre estão procurando materializar-se através de alguma coisa e assim atormentar os homens.(5) Admitir tais coisas dentro de casa, seria convidar os demônios a entrar e nos atormentar. Nas palavra de Jorge Linhares,

Não basta que abençoemos os nossos bens, nossos pertences. precisamos verificar se não temos permitido adentrar em nosso lar objetos que são por natureza amaldiçoados - objetos que temos de lançar fora e de preferência, queimar ou destruir.(6)

Uma outra coisa que segundo o pensamento da “batalha espiritual” permite a entrada de demônios na vida da pessoa é o ingerir comidas “trabalhadas” em centros de umbanda. Num capítulo entitulado “Como os demônios se apoderam das pessoas”, do livro Orixás, Caboclos & Guias, Edir Macedo inclui comidas sacrificadas a ídolos como um desses meios. Ele conta o caso de um homem que ingeriu uma comida “trabalhada” e foi atacado por um espírito maligno que o fazia sofrer do estômago. Ele conclui dizendo, “Todas as pessoas que se alimentam dos pratos vendidos pelas famosas ‘baianas’ estão sujeitas, mais cedo ou mais tarde a sofrer do estômago.”(7)

Mark Bubeck, que ficou conhecido no Brasil por seu livro O Adversário, escreveu recentemente um outro livro sobre como podemos criar nossos filhos em meio aos constantes ataques que os demônios fazem ao nosso lar. Ao fim do livro, Bubeck adicionou um apêndice, contendo questionários cujas perguntas procuram levar os leitores a descobrir as portas pelas quais têm permitido aos demônios entrarem no lar e atacar os filhos. Uma das portas é a presença em casa de objetos amaldiçoados, como amuletos, fetiches e talismãs, livros sobre ocultismo, bruxaria, astrologia, mágica, adivinhação, e utensílios ou objetos usados em templos pagãos, rituais de feitiçaria, ou ainda na prática da adivinhação, mágica ou espiritismo. A sugestão de Bubeck é que a presença dessas coisas no lar permite aos demônios que penetrem na casa e atormentem os filhos.(8)

* Uso de objetos no paganismo

A lista de Bubeck é bem modesta. Os objetos considerados “amaldiçoados” por muitos cristãos são via de regra aqueles usados nas religiões afro-brasileiras, nas práticas ocultas e no catolicismo popular. Nas religiões populares que empregam artes mágicas e práticas ocultas, objetos religiosos desempenham importante papel no culto e na fé dos participantes. São usados, por exemplo, em despachos e trabalhos feitos pelos pais-de-santos da umbanda. Objetos como o sal grosso, a rosa ungida, a água fluidificada, fitas e pulseiras especiais (como a do chamado “Senhor” do Bonfim) e ramos de arruda são bastante populares. Ainda podemos incluir talismãs e amuletos do tipo “pé-de-coelho”. Para não mencionar ainda os fetiches usados na magia e no candomblé, as relíquias e imagens do catolicismo popular.(9) Na feitiçaria, velas coloridas são usadas para evocar vibrações energéticas das cores e promover transformações pessoais. Amuletos são empregados na proteção contra maus espíritos. Ainda são usados óleos especiais, incensos, cremes, pó, cristais, pirâmides, pêndulos, pulseiras, brincos e pendentes, colares contendo saquinhos com fórmulas mágicas e encantamentos, e muito mais.(10) As gárgulas (imagens de animais grotescos) são freqüentemente associadas com demônios.(11) Esses objetos são ungidos, benzidos, abençoados, purificados, fluidificados com o objetivo de passar ao seu possuidor alguma espécie de poder ou proteção. Ou ainda, são usados em rituais de magia associados com encantamentos, feitiços, despachos e trabalhos espirituais em geral. Em alguns casos, esses objetos são associados com os nomes das entidades espirituais aos quais são dedicados.(12)

* Maldições trazidas por objetos consagrados a demônios

Como dissemos acima, para os aderentes do movimento de batalha espiritual a ingestão, a posse e mesmo o contato com coisas que foram oferecidas e consagradas aos demônios trazem maldição aos crentes. Um caso sempre mencionado é o do missionário que, ao regressar ao seu país de origem, trouxe da tribo africana onde trabalhava um pequeno fetiche (objeto usado nos rituais religiosos) como recordação. O missionário, evidentemente, não tinha qualquer atitude religiosa para com o objeto, como os africanos; trouxe-o apenas como lembrança, um souvenir. O fetiche foi colocado na estante da sala, em sua casa. Não muito tempo depois, sua filha ficou doente. Sua situação financeira foi de mal a pior. Havia uma “opressão espiritual” no ar, dentro da casa. Nada mais dava certo. Vozes e ruídos eram por vezes ouvidos à noite. Um dia, uma profetiza de uma igreja carismática veio visitar a família. Dirigiu-se imediatamente à estante onde estava o fetiche. Sem hesitar, declarou que a casa estava amaldiçoada por causa do objeto. Era preciso quebrar a maldição. Os passos necessários seriam: confissão do pecado de trazer para casa um objeto amaldiçoado, a quebra do mesmo e a total renúncia dos laços com os espíritos malignos. Esses laços haviam sido estabelecidos, mesmo inconscientemente, no momento que o missionário trouxe o objeto para dentro de casa. Os demônios adquiriram a autoridade de invadir a casa e oprimir seus moradores.

Timothy Warner conta a história de uma estudante crente, por natureza uma pessoa bem ativa e enérgica, que começou a ficar mais e mais deprimida, tendo dificuldade em dormir e estudar, durante seus estudos de francês, em preparação para o trabalho missionário na África. Um missionário descobriu, após examinar o dormitório onde ela morava, que o ocupante anterior havia escondido no mesmo diversos objetos ocultistas. Warner então explica: “alguns dos demônios associados com os objetos haviam se apegado ao quarto e à mobília”. O missionário orou determinando aos demônios que fossem embora, e a moça pode voltar a dormir normalmente.(13)

O pressuposto por detrás desse tipo de relato é que esses objetos abrem a porta para os demônios, visto que foram consagrados a eles nos rituais de magia e ocultismo, e mesmo no catolicismo. O fato de que uma pessoa é crente não evitará que seja oprimida pelos espíritos associados a objetos deste tipo.

Existem algumas dificuldades com esse conceito. No que se segue, vamos explicar algumas delas.

1) O conceito da habitação de demônios em objetos físicos. Warner conta a história de uma família de missionários nas Filipinas cujo filho era assediado por um demônio que morava numa árvore do jardim da casa onde moravam.(14) O conceito de entidades espirituais morando em árvores remonta à mitologia grega e ao paganismo em geral. As Escrituras desconhecem esse conceito e falam dos demônios como atuando especificamente em seres vivos, humanos ou animais. Entretanto, é comum lermos na literatura do movimento de “batalha espiritual” que espíritos malignos podem habitar em coisas como árvores, imagens, objetos, casas, etc.

Às vezes Apocalipse 18.2 é citado como prova de que demônios podem morar em lugares amaldiçoados:

Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável.

Aqui temos o anúncio da queda de Babilônia feito por um anjo de Deus. Notemos, porém, o seguinte, antes de concluirmos que o texto prova que demônios moram em ruínas! (1) A passagem é evidentemente alegórica. Nos dias de João, Babilônia já não mais existia. (2) João está citando Jeremias 50.39 e Isaías 13.21. Esses dois profetas referem-se à queda e destruição da cidade de Babilônia que existiu em seus dias. A desolação que lhe haveria de sobrevir, como resultado do castigo divino, ia ser tão grande, que a grande cidade, outrora populosa e opulenta, iria se tornar em um grande montão de ruínas. Com o propósito de enfatizar a desolação, os profetas descrevem as ruínas como sendo habitadas por feras e animais do deserto: chacais, avestruzes, corujas e hienas. A Septuaginta, ao traduzir o texto hebraico de Isaías 13.21, traduziu “bodes” por “demônios”.(15) O apóstolo João, ao citar essas passagens e aplicá-las figuradamente à Babilônia espiritual, o reino das trevas que será destruído por Cristo, acrescenta, além dos animais mencionados pelos profetas, os demônios e espíritos imundos, seguindo a tradução da Septuaginta (Ap 18.2). (3) Evidentemente, a passagem não está dizendo que essas entidades habitam em ruínas de cidades. Seu sentido óbvio é que Deus entrega a humanidade ímpia e endurecida que o rejeita à desolação espiritual e aos demônios. (4) Lembremos ainda que o Senhor Jesus ensinou que os espíritos imundos não encontram repouso em lugares áridos (Mt 12.43-45). A conclusão é que não existe argumentos bíblicos suficientes para provar que espíritos imundos moram e habitam em coisas como objetos, casas, árvores, etc.

2) O estabelecimento de um pacto com esses demônios pela posse de objetos a eles consagrados. Nenhum adepto do movimento de “batalha espiritual” estaria disposto a admitir que um incrédulo entra em algum tipo de pacto ou concerto com Deus simplesmente por ter uma Bíblia em casa, ou mesmo por ter participado inadvertidamente da Ceia do Senhor numa igreja evangélica. Entretanto, está pronto a afirmar que cristãos verdadeiros podem ser atacados, amaldiçoados e demonizados se tiverem em casa livros sobre ocultismo ou objetos ocultistas, para com os quais não tenha nenhuma atitude religiosa. É óbvio que a simples posse desses objetos não nos expõe a ataques satânicos da mesma forma que a posse de uma Bíblia não expõe um incrédulo às investidas do Espírito Santo, a não ser que abra suas páginas e comece a ler, com seu coração aberto e desejoso de aprender as coisas de Deus.

3) Uma outra dificuldade é o conceito de que crentes, que nem estão conscientes de que esses objetos foram usados em rituais ocultistas, possam ser oprimidos pelos demônios associados com esses objetos. Não é suficiente escutarmos os relatos e as experiências, como a do missionário acima. Como já insistimos em quase cada capítulo desse livro, por mais sérias e válidas que sejam, experiências não podem servir como autoridade final nessa questões. É preciso examinar as Escrituras, seguindo as regras simples de interpretação, que procuram deixar o texto sagrado falar livremente. E o que encontramos nelas pode ser resumido nas palavras de Balaão, falando pelo Espírito de Deus: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Nm 23.23).

* Coisas amaldiçoadas na Bíblia

É preciso reconhecer que, para alguns defensores da “batalha espiritual”, existe suficiente apoio na Bíblia para defender o conceito de maldição através de objetos. Examinemos os dois principais argumentos.

1) Passagens que condenam o uso de amuletos. É defendido que os pendentes de ouro que as mulheres israelitas traziam nas orelhas, ao sair do Egito, e com os quais se fez o bezerro de ouro, eram amuletos (Ex 32.2-4), bem como as arrecadas (brincos) que Jacó arrancou das orelhas da sua família, junto com os ídolos (Gn 35.1-4).(16) O uso de cordões ou cadeias com pendentes é chamado pelo profeta Oséias de “adultério entre os peitos” (Os 2.2). A atitude das Escrituras em relação a esses objetos é de condenação e rejeição. O profeta Isaías, ao condenar a vaidade do vestuário das mulheres israelitas, faz referência às luetas que elas traziam em seu pescoço (Is 3.18). Eram cordões ou cadeias de ouro com o símbolo da lua crescente, usados para proteger contra maus espíritos. Esse era um costume pagão. Eles usavam amuletos assim até mesmo no pescoço de camelos (Jz 8.21,26).

É preciso notar, entretanto, que condena-se não tanto o uso em si desses objetos, mas a atitude religiosa que os israelitas tinham para com eles. Eles o usavam conscientemente como amuletos protetores, como fetiches mágicos, como se fossem encantamentos contra maus espíritos. Foi contra essa prática de magia e ocultismo que os profetas falaram. Evidentemente, ter objetos desse tipo em casa pode não ser conveniente ao cristãos por vários motivos (veja a conclusão desse capítulo). Entretanto, se eles não têm qualquer sentido, significado ou relação religiosos, o cristão não se enquadra na condenação emitida pelos profetas.

2) Passagens que condenam imagens. Existem inúmeras passagens nas Escrituras que condenam a idolatria, isso é, o ato de prestar culto à imagens bem como às realidades espirituais que elas representam. Um fator que contribui significativamente para essa condenação é a relação entre a idolatria e os demônios. Nos tempos antigos, mágica, adivinhação, feitiçaria, bruxaria e necromancia (invocação de mortos) estavam tão intimamente ligados à idolatria, que era quase impossível separar uma coisa da outra. Moisés identifica os deuses pagãos com demônios (Dt 32.17; cf. Sl 106:36-37). O mesmo faz Paulo (1 Co 10.19-20) e o apóstolo João (Ap 9.20). Acredito que o mesmo é verdade ainda hoje. Por detrás da moderna idolatria estão os antigos demônios.

Entretanto, mais uma vez é preciso observar que as Escrituras condenam propriamente o confeccionar e possuir imagens de entidades pagãs com propósito religioso:

Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Ex 20.3-6).

Os puritanos entenderam esse mandamento como determinando que nos livrássemos, se possível, de todos os monumentos à idolatria, e proibindo o culto a imagens representativas de Deus ou de falsos deuses e o possuir supersticiosamente artigos ou objetos.(17) A preocupação sempre é contra a idolatria em si. O mandamento contra a idolatria não dever ser entendido como proibindo esculturas, representações, quadros e outros objetos artísticos em geral. O fato de que o culto a Deus deve ser em Espírito (Jo 4.24) não quer dizer, nem mesmo, que Deus proíba a confecção de objetos representativos de realidades espirituais. Ele próprio determinou que os israelitas fizessem imagens de ouro de querubins, que deveriam ser colocadas sobre a tampa da arca, o propiciatório (Ex 25.18-20). Noutra ocasião, mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze (Nm 21.8-9). Ela foi mais tarde destruída somente por que os israelitas passaram a adorá-la, provavelmente como uma relíquia provinda dos tempos de Moisés (2 Re 18.4). O motivo pelo qual o Senhor determinou que os israelitas destruíssem totalmente as imagens dos deuses cananitas, ao se apossarem da terra, foram evitar que os israelitas fossem atraídos à idolatria (Dt 7.1-5) e evitar a cobiça para com o ouro e a prata que revestiam essas imagens. Por esses motivos, não deveriam meter esses ídolos dentro de suas casas, pois eram amaldiçoados por Deus e representariam uma tentação para praticarem a idolatria (Dt 7.25-26). Mais uma vez percebemos que é o perigo da idolatria que o Senhor queria prevenir. As imagens em si mesmo nada eram.

Preciso reiterar minha convicção de que os cristãos deveriam evitar possuir qualquer objeto relacionado com a idolatria e práticas ocultas. Entretanto, acredito que isso deve ser feito pelas razões corretas e não por mera superstição e crendice.

Atos 19 e a quebra de maldições de objetos: Talvez a passagem mais citada para justificar a quebra de maldições desses objetos seja Atos 19.18-19:

Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários.

As “artes mágicas” no mundo antigo incluíam a adivinhação, o exorcismo, o uso de fórmulas secretas, a conjuração e a invocação dos mortos, pactos com entidades espirituais, encantamentos e rituais com o objetivo de ganhar o favor dos espíritos. Essas coisas eram usadas tanto para atingir e ferir inimigos quanto para curar doentes. Elas são bastante populares ainda hoje.

Havia muitos magos e bruxos no mundo do século I, na época de Jesus e dos apóstolos. Um exemplo é Simão Mago, que iludia o povo de Samaria com artes mágicas (At 9.9). A cidade de Éfeso, por sua vez, era um conhecido centro dessas artes. Ali, no início do reinado de Nero, um homem chamado Apolônio Tianeo abriu uma escola e ensinava artes mágicas e coisas do gênero. Taciano, em sua obra Contra Graecos, menciona que a deusa Diana dos efésios era considerada como sendo praticante de magia.

Lemos em Atos 19 que os ex-adeptos da magia em Éfeso que haviam se convertido ao cristianismo pela pregação de Paulo, queimaram seus livros publicamente. Esses “livros” eram obras onde se ensinava a prática dessas artes. Continham encantamentos, símbolos secretos e mágicos, passos para a invocação de mortos e métodos para esconjurar demônios. Provavelmente continham tabelas e fórmulas essenciais para a prática da astrologia. Os “Papiros Mágicos”, encontrados no Egito na década de 50 desse século, continham pedaços de pergaminhos com símbolos e fórmulas mágicas chamados “cartas de Éfeso”, que eram usados como amuletos ou talismãs.(18)

É alegado por alguns da “batalha espiritual” que a queima dos livros de magia em Éfeso foi necessária pois a posse de tais livros continuaria a dar validade aos pactos feitos pelos efésios com entidades malignas e a dar autoridade a essas entidades sobre suas vidas, mesmo que eles agora se tornaram cristãos. Queimar os livros fazia parte da quebra das maldições que pesavam sobre eles por terem praticado artes mágicas antes da sua conversão. Na cerimônia da queima dos livros, eles renunciaram publicamente a todos esses compromissos e pactos que fizeram com os espíritos malignos.

Evidentemente, a queima dos livros de magia representou o rompimento oficial e público dos efésios crentes com seu passado de ocultismo. Entretanto, nada há no texto que apoie a idéia de que o evento foi uma espécie de cerimônia de quebra de maldições. A queima dos livros foi o resultado da consciência que os efésios agora tinham de que tais artes mágicas era iniquidade diante de Deus, e que os livros que ensinavam essa coisas eram perniciosos à humanidade e que, por mais caros que fossem (cerca de cinqüenta mil moedas de prata), deveriam ser destruídos para não causar mais danos a outros. O verso 19 que narra a queima dos livros deve ser entendido à luz do verso 18, onde se diz que os efésios vieram confessar seus pecados e revelar as suas obras más. A queima dos livros foi uma amostra de seu genuíno arrependimento.

Comentando nessa passagem, John Gill, um estudioso puritano, diz o seguinte:

Eles queimaram seus antigos livros de mágica para mostrar o quanto agora os detestavam. Também, para mostrar a genuinidade de seu arrependimento pelos pecados cometidos nessa área, para evitar que esses livros não se tornassem uma armadilha para eles no futuro e para que não fossem usados por outros.(19)

Os livros, portanto, não foram queimados porque possuíam qualquer poder maléfico intrínseco em si mesmos. Os motivos mencionados por Gill para a queima estão em harmonia com o ensino das Escrituras em geral, com o bom senso e com o que tem sido a prática normal da Igreja na história, além de ser a interpretação mais natural e óbvia da passagem.(20)

Existe ainda um outro motivo para a queima dos livros. Uma parte essencial da prática de artes mágicas daquela época era o exorcismo, a expulsão de espíritos malignos. Acreditava-se (como também se acredita hoje em alguns círculos protestantes) que todas as doenças - particularmente as mentais - eram causadas por espíritos maus que entravam nos homens. Grande parte do trabalho dos exorcistas era tentar curar essas doenças pela expulsão dos espíritos maus que as infligiam. Nos seus livros mágicos haviam fórmulas especiais para esconjurar esses espíritos.

Quando Paulo chegou em Éfeso, duas coisas aconteceram que vieram contribuir para a queima dos livros: (1) Ele curou as enfermidades e expulsou demônios usando apenas o nome de Jesus (At 19.11-12), em contraste com os rituais elaborados e complicados dos exorcistas da época, como se encontravam nos livros; (2) quando alguns exorcistas tentaram usar o nome de Jesus e de Paulo para expelir um demônio de um homem, fracassaram redondamente. O próprio demônio atestou a autoridade que havia no nome de Jesus (At 19.13-16).(21) É possível que alguns dos efésios que haviam se convertido ainda mantinham algum tipo de contato com artes mágicas. O episódio dos exorcistas acabou por convencê-los. Ficou evidente a todos que a mágica ensinada nos livros não passava de fórmulas vazias e inúteis. Como escreve Marshall,

A demonstração da futilidade das tentativas pagãs de dominarem os espíritos maus levou muitos dos convertidos efésios de Paulo a reconhecerem que a magia pagã, com a qual ainda tinham contatos, era tão inútil quanto pecaminosa. Como conseqüência, trouxeram os vários manuais de magia e as compilações de invocações e fórmulas que ainda tinham, e fizeram com eles um rompimento final.(22)

O verdadeiro poder contra Satanás estava apenas no nome de Jesus. A queima dos livros, portanto, foi um testemunho do poder inigualável de Jesus Cristo sobre as obras das trevas. Somente ele era o Senhor. Quanto a isso, os efésios cristãos não tinham mais qualquer dúvida.

* O ensino de Paulo sobre coisas sacrificadas a demônios
Examinemos, agora, 1 Coríntios 8-10, a passagem da Bíblia que aborda de forma mais direta e clara a questão que estamos discutindo. Nesses capítulos, o apóstolo Paulo trata da atitude dos cristãos para com a carne de animais sacrificados como oferendas aos deuses pagãos. A questão que Paulo tratou nessa passagem era bem complexa. Os cristãos em Corinto (bem como nas demais cidades do mundo greco-romano) sempre corriam o risco de comer esse tipo de carne. O sacrifício de animais e o consumo da sua carne fazia parte do ritual religioso nos templos pagãos da época. Corinto não era exceção.

Modernamente, podemos nos referir ao caso das comidas “trabalhadas” nos terreiros de umbanda. De acordo com as crenças do candomblé, umbanda e quimbanda, os orixás exigem comidas variadas, que devem ser preparadas de acordo com rituais apropriados. Por exemplo, Exú gosta de cebola e mel entregues no mato com velas acesas e aguardente. Ogum gosta de feijoada, xinxim, acarajé e milho branco. Oxóssi, de peixe de escamas, arroz, feijão e dendê.(23) Essas comidas são feitas de acordo com as indicações dos demônios e a eles oferecidas. Para muitos cristãos, é uma questão aguda se algum mal vai lhes ocorrer se acabarem por ingerir uma comida que foi “trabalhada”. Os coríntios estavam perturbados por um problema similar. Eles escreveram uma carta a Paulo com várias perguntas, entre elas, se era lícito comer carne de animais que haviam sido consagrados aos deuses pagãos.(24) Os coríntios tinham em mente três situações:

1. Era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Na antigüidade, o sacrifício de animais aos deuses fazia parte da vida pessoal, familiar e social. O sacrifício ocorria nos templos e a carne do animal sacrificado era dividida em três partes. Uma parte, geralmente simbólica (podendo ser até uma mecha dos pelos!), era queimada no altar em homenagem aos deuses. A segunda parte, incluindo costelas e músculos, ia para o sacerdote. A terceira parte ficava com o ofertante, e com ela, oferecia um banquete, geralmente em casamentos. Muitas vezes, essas festas ocorriam no templo, no qual o sacrifício fora feito.(25) Os crentes de Corinto certamente mantinham relacionamentos com amigos não-crentes, e sempre havia a possibilidade de serem convidados a participar de uma destas festas no templo, onde havia muita carne e bebida. Alguns daqueles cristãos não tinham quaisquer escrúpulos de consciência em participar e comer carne dos ídolos no templo dos ídolos, uma atitude que estava provocando os de consciência mais fraca.

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? A carne ali comprada poderia ser de animais sacrificados aos deuses, cujo excedente dos altares havia sido repassado pelos sacerdotes aos açougueiros da cidade. Devido à enorme quantidade de animais sacrificados, uma parte deles acabava no mercado público, onde eram vendidos como carne boa e barata.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Como na situação anterior, um crente poderia ser convidado por um amigo pagão para comer um churrasco em sua casa. A carne provavelmente seria de um animal que o amigo havia primeiro consagrado ao seu deus, lá no templo. Um papiro grego muito antigo contém um convite para uma dessas festas, nos seguintes termos: “Antônio, filho de Ptolomeu, convida-o para cear com ele à mesa de nosso senhor Serápis.”(26) Quem quer que tenha sido o convidado, ele sabia que ao sentar-se à mesa de Antônio, estaria comendo carne de um animal que havia sido sacrificado ao deus Serápis.

A questão aguda era se um crente poderia comer carne em Corinto, correndo assim o risco de contaminar-se. William Barclay, um autor bastante conhecido e citado, sugere que o problema era a crença, muito difundida na antigüidade, de que os demônios estavam sempre procurando uma brecha para entrar nos homens, para destruir seus corpos e mentes. Uma das maneiras pela qual faziam isso era através da comida. Tais espíritos se alojavam na comida e quando a pessoa a engolia, os demônios entravam nela. Por esse motivo, diz Barclay, as pessoas consagravam os alimentos - especialmente a carne - a algum deus bom. Acreditava-se que a presença de um deus bom na carne formava uma barreira contra os maus espíritos.(27)

O assunto dos sacrifícios de animais aos deuses é bem complexo, e não poucos estudiosos discordariam de Barclay. Essa não parece ser a razão primordial pela qual os pagãos consagravam comida aos seus deuses. Sacrifícios eram praticados nas religiões de quase todas culturas antigas, e no geral, visavam honrar uma divindade, apaziguá-la ou santificar a oferta. Em algumas destas culturas, os sacrifícios estavam relacionados com o culto aos ancestrais, alimentar os deuses e mesmo “comer os deuses”.(28) Paulo, ao discutir o assunto, em momento algum sugere que haveria o risco de demônios penetrarem mesmo naqueles que comessem a carne consagrada aos demônios nos próprios templos dos deuses pagãos. A questão que incomodava os coríntios não era se estariam comendo demônios, mas se não estariam participando direta ou indiretamente do culto ao ídolo. Note ainda que quem introduz o conceito de que os demônios estão por detrás da idolatria é Paulo. Provavelmente os coríntios nem estavam pensando nesses termos. A explicação de Barclay, portanto, é menos do que convincente.(29)

Os crentes de Corinto estavam divididos quanto ao assunto. Um grupo deles estava passando por grande aflição. Eram ex-freqüentadores dos templos, recém convertidos ao Evangelho. Por vezes, acabavam caindo no velho costume de comer carne, encorajados pelo exemplo dos que achavam que não havia nada de errado com isso. Como resultado, suas consciências os acusavam: eles haviam acabado de consumir carne espiritualmente contaminada, consagrada aos demônios em um templo pagão. Paulo, no tratamento que faz do assunto, considera-os como “fracos”, pois suas consciências eram “fracas” (1 Co 8.7,9-12). O grupo contrário, a quem Paulo chama de “dotados de saber” (1 Co 8.10), tinha já plena consciência de que os ídolos dos templos pagãos nada eram nesse mundo, e que os animais a eles ofertados, na verdade, continuavam a ser de Deus, o criador e Senhor de todas as coisas. Assim, sentiam-se livres para comer carne, até mesmo nos festivais pagãos nos templos. Os “fracos”, estimulados por esse exemplo, tentavam usar da mesma liberdade, mas com resultados desastrosos - suas consciências não eram fortes o suficiente para permitir que comessem carne livremente.

O problema parece que girava em torno de duas questões. Primeira, a relação entre os animais e os deuses, diante de cujas imagens os animais eram consagrados, oferecidos e sacrificados. A carne desses animais continuava a “pertencer” aos deuses após o ritual no templo, quando estava pendurada no açougue público para ser vendida? Quem comesse dessa carne estaria, mesmo de forma inconsciente, fazendo um pacto com os deuses? Segunda, comer essa carne não implicaria numa espécie de participação à distância dos crentes na adoração pagã e no culto aos deuses? Não deveríamos evitar a todo custo aquilo que tem relação com os cultos idólatras?

As respostas de Paulo são surpreendentes. O apóstolo concorda com os “fortes” quanto ao conhecimento de que Deus é o Senhor de tudo e que não há outros deuses ou senhores (1 Co 8.4-6). Mas condena a falta de amor dos “fortes” para com os “fracos” (1 Co 8.9-13). Deveriam limitar sua liberdade pela consideração à consciência dos outros. Após dar o exemplo de como abriu mão dos seus direitos como apóstolo de receber sustento por amor do Evangelho (1 Coríntios 9), e após alertar os “fortes” contra a arrogância, usando o exemplo de Israel no deserto (1 Co 10.1-15), Paulo responde às três principais indagações dos Coríntios já mencionadas acima.

O fato de que Paulo não invoca aqui a decisão do concílio de Jerusalém (Atos 15) para resolver o assunto de vez tem intrigado os estudiosos. Conforme lemos no livro de Atos, o concílio havia se reunido para tratar das condições sob as quais os não-judeus poderiam ser salvos e recebidos na Igreja. A polêmica havia sido causada por alguns judeus cristãos da Judéia que foram até as igrejas gentílicas forçar os gentios a se circuncidarem, e a guardar as leis de Moisés (naquela época, as mais importantes eram as leis dietárias e o calendário religioso). Paulo e Barnabé resistiram e houve uma grande discussão. O assunto foi levado aos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Alguns fariseus que haviam crido em Cristo insistiam na circuncisão e nas leis de Moisés para os gentios, mas Paulo, Pedro e Tiago, através de seus testemunhos e do apelo às Escrituras, convenceram o concílio de que os gentios eram salvos pela fé sem as obras da lei (como também os judeus o eram), e que não precisavam se tornar judeus para poder pertencer à Igreja de Cristo. O concílio, entretanto, em sua decisão, resolveu incluir algumas condições éticas, entre elas, a de os gentios se absterem das coisas sacrificadas aos ídolos (At 15.29).

O concílio havia acontecido uns poucos antes de Paulo escrever 1 Coríntios. O apóstolo estava perfeitamente consciente do conteúdo da sua decisão. A pergunta é, por que não invocou aquela decisão para acabar de vez com o problema em Corinto? Algumas respostas tem sido dadas. Peter Wagner, por exemplo, sugere que Paulo não havia ficado satisfeito com essa decisão, considerando-a inadequada e superficial. Para Wagner, a decisão do concílio havia sido equivocada por tratar o comer carne sacrificada aos ídolos como algo imoral, quando na verdade era algo neutro.(30) Entretanto, a melhor solução tem sido observar que as condições éticas requeridas pelo concílio eram para ser observadas num ambiente onde houvesse judeus e gentios. Eram regras a ser seguidas pelos gentios cristãos numa igreja onde houvesse judeus cristãos. Elas não eram uma lei moral geral e válida em todas as circunstâncias, mas uma orientação para quando a abstinência se fizesse necessária para preservar a unidade, conforme sugere Calvino em seu comentário em Atos 15.

A situação de Corinto era diferente. O problema lá não era o mesmo tratado no concílio de Jerusalém. O problema não era os escrúpulos de judeus cristãos ofendidos pela atitude liberal de crentes gentios quanto à comida oferecida aos ídolos. Portanto, a solução de Jerusalém não servia para Corinto. É provavelmente por esse motivo que o apóstolo não invoca o decreto de Jerusalém.(31) Antes, procura responder às questões que preocupavam os coríntios de acordo com o princípio fundamental de que só há um Deus vivo e verdadeiro, o qual fez todas as coisas; que o ídolo nada é nesse mundo; e que fora do ambiente do culto pagão, somos livres para comer até mesmo coisas que ali foram sacrificadas.

1. A primeira pergunta dos coríntios havia sido: era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e ali comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Não, responde Paulo. Isso significaria participar diretamente no culto aos demônios onde o animal foi sacrificado (1 Co 10.16-24). Paulo havia dito que os deuses dos pagãos eram imaginários (1 Co 10.19). Por outro lado, ele afirma que aquilo que é sacrificado nos altares pagãos é oferecido, na verdade, aos demônios e não a Deus (10.20). Paulo não está dizendo que os gentios conscientemente ofereciam seus sacrifícios aos demônios. Obviamente, eles pensavam que estavam servindo aos deuses, e nunca a espíritos malignos e impuros. Entretanto, ao fim das contas, seu culto era culto aos demônios. (32) Paulo está aqui refletindo o ensino bíblico do Antigo Testamento quanto ao culto dos gentios:

Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus… (Dt 32.17).
…pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios (Sl 106.37).

O princípio fundamental é que o homem não regenerado, ao quebrar as leis de Deus, mesmo não tendo a intenção de servir a Satanás, acaba obedecendo ao adversário de Deus e fazendo sua vontade. Satanás é o príncipe desse mundo. Portanto, cada pecado é um tributo em sua honra. Ao recusar-se a adorar ao único Deus verdadeiro (cf. Rm 1.18-25), o homem acaba por curvar-se diante de Satanás e de seus anjos.(33) Para Paulo, participar nos festivais pagãos acabava por ser um culto aos demônios. Por esse motivo, responde que um cristão não deveria comer carne no templo do ídolo. Isso eqüivaleria a participar da mesa dos demônios, o que provocaria ciúmes e zelo da parte de Deus (1 Co 10.21-22). Paulo deseja deixar claro para os coríntios “fortes”, que não tinham qualquer intenção de manter comunhão com os demônios, que era a atitude deles em participar nos festivais do templo que contava ao final. Era a força do ato em si que acabaria por estabelecer comunhão com os demônios.(34)

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? Sim, responde Paulo. Compre e coma, sem nada perguntar (1 Co 10.25). A carne já não está no ambiente de culto pagão. Não mantém nenhuma relação especial com os demônios, depois que saiu de lá. Está “limpa” e pode ser consumida.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Sim e não, responde Paulo. Sim, caso não haja, entre os convidados, algum crente “fraco” que alerte sobre a procedência da carne (1 Co 10.27). Não, quando isso ocorrer (1 Co 10.28-30).

O ponto que desejo destacar é que para o apóstolo Paulo a carne que havia sido sacrificada aos demônios no templo pagão perdia a “contaminação espiritual” depois que saia do ambiente de culto. Era carne, como qualquer outra. É verdade que ele condenou a atitude dos “fortes” que estavam comendo, no próprio templo, a carne sacrificada aos demônios. Mas isso foi porque comer a carne ali era parte do culto prestado aos demônios, assim como comer o pão e beber o vinho na Ceia é parte de nosso culto a Deus. Uma vez encerrado o culto, o pão é pão e o vinho é vinho. Aliás, continuaram a ser pão e vinho, antes, durante e depois. A mesma coisa ocorre com as carnes de animais oferecidas aos ídolos. E o que é verdade acerca da carne, é também verdade acerca de fetiches, roupas, amuletos, estátuas e objetos consagrados aos deuses pagãos. Como disse Calvino,

Alguma dúvida pode surgir se as criaturas de Deus se tornam impuras ao serem usadas pelos incrédulos em sacrifícios. Paulo nega tal conceito, porque o senhorio e possessão de toda terra permanecem nas mãos de Deus. Mas, pelo seu poder, o Senhor sustenta as coisas que tem em suas mãos, e, por causa disto, ele as santifica. Por isso, tudo que os filhos de Deus usam é limpo, visto que o tomam das mãos de Deus, e de nenhuma outra fonte.(35)

CONCLUSÃO

Ao fim desse capítulo, espero ter dado evidências claras de que não há como justificar hoje a prática no culto cristão de ungir e abençoar objetos, quaisquer que forem os propósitos. Também, que não há como provar biblicamente que objetos usados e consagrados aos demônios nos cultos idólatras e ocultistas têm algum poder especial de “amaldiçoar” os crentes verdadeiros que os tocam, ingerem, usam ou acabam por possui-los fora do contexto de adoração e devoção a essas entidades.

Devemos sempre nos lembrar da diferença fundamental entre o conceito pagão e o conceito cristão quanto ao emprego de “coisas” com sentido religioso. As religiões empregam objetos e utensílios em seus cultos ou práticas como símbolos de realidades espirituais ou portadores de poderes mágicos. O culto cristão, em contraste, é bem mais simples. Ele emprega apenas dois símbolos materiais, a água do batismo e os elementos da Ceia (pão e vinho). A atitude do paganismo para com esses objetos é também diferente da atitude dos evangélicos para com seus símbolos (batismo e Ceia). Enquanto que para os evangélicos a água, o pão e o vinho são símbolos que têm seu valor e sua função apenas no momento da ministração dos sacramentos, na prática da magia, no ocultismo, nas religiões afro-brasileiras e no catolicismo popular, os objetos cúlticos continuam a manter uma relação vital para com as entidades e realidades espirituais aos quais estão associados, mesmo após a sua consagração durante os rituais. Por exemplo, uma rosa que foi ungida continua a emanar forças positivas mesmo após o ritual de consagração. Um amuleto que foi “carregado” de fluidos positivos continuará a emaná-los ad infinitum. Uma comida que foi “trabalhada” por uma mãe de santo num terreiro de umbanda vai afetar quem a comer, fora do terreiro. Para os evangélicos, em contraste, uma vez encerrada a Ceia, o pão é pão comum e o vinho, vinho comum. Na verdade, eles permaneceram sendo vinho e pão comuns durante a celebração da Ceia. Aquele uso especial para o qual foram separados, cessa após a celebração. Nenhum pastor pode, fora do momento da celebração (suponhamos, durante o jantar em casa de amigos), tomar pão e declarar: “Disse Jesus, isso é o meu corpo, comei deles todos”. Água, pão e vinho perdem sua simbologia fora do culto. Para o paganismo, entretanto, a profunda relação entre objetos cúlticos e as realidades e entidades espirituais associadas a eles é permanente.

Portanto, os evangélicos que conhecem a sua Bíblia não são superticiosos quanto a objetos oriundos de outras religiões. Entretanto, acredito que devemos ter bastante cautela quanto a objetos assim. Eu mesmo não guardo em casa ou no ambiente de trabalho nenhuma dessas coisas. Não que tenha receio que elas poderão dar aos demônios, a quem foram oferecidas, algum tipo de poder sobre mim e minha família. Estou seguro e protegido no poder do meu Salvador Jesus Cristo. Mas, pelas seguintes razões, que ofereço como orientação geral quanto ao uso desses objetos:

1) Devemos evitar ter e exibir esses objetos quando os mesmos forem uma tentação real para a idolatria ou ocultismo. Novos convertidos egressos da idolatria e cultos afro-brasileiros poderão ser tentados a retornar às práticas antigas, estimulados pelos símbolos do seu passado religioso. Devemos evitar toda e qualquer possibilidade de sermos tentados nessa área, bem, como evitar sermos causa de tropeço para outros. Foi isso que o apóstolo Paulo recomendou aos “fortes” de Corinto (1 Co 10.31-33).

2) Devemos evitar esses objetos se os mesmos evocam lembranças do nosso passado. Muitos de nós gostariam de esquecer períodos e eventos acontecidos nos tempos de ignorância. Deus nos deu a bênção do esquecimento. Livremo-nos, pois, de tudo que mantém vivas lembranças assim.

3) Devemos evitar esses objetos se os mesmos servirem de estímulo a outros a que façam o mesmo, sem que estejam firmes em suas consciências de que tais objetos, em si, nenhum mal trazem.

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Notas

1 Para um estudo mais detalhado das práticas das igrejas de libertação, veja a análise feita por Leonildo Silveira Campos, ‘Teatro’, ‘Templo’ e ‘Mercado’: Uma análise da organização, rituais, marketing e eficácia comunicativa de um empreendimento neopentecostal - Igreja Universal do Reino de Deus, tese publicada pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, 1996. Veja também o relatório da Comissão de Doutrina da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a Igreja Universal do Reino de Deus (Igreja Universal do Reino de Deus [São Paulo: CEP, 1998] 58-61).

2 Filácterio era uma pequena caixa de couro, quadrangular, contendo cédulas de pergaminho com passagens da Escritura, que os judeus traziam atadas uma na cabeça e uma no braço esquerdo durante a oração da manhã.

3 Cf. Merril Unger, Biblical Demonology (Wheaton, IL: Scripture Press, 1952; 7a. edição, 1967) 33.

4 Os milagres operados pelo Senhor Jesus eram sinais que apontavam para Sua pessoa e obra (Jo 20.30-21). A promessa de que seus seguidores fariam obras similares e até maiores parece que não incluía curas através de saliva e vestes por parte de todos os crentes. Somente os apóstolos - e mesmo assim, somente Pedro e Paulo - realizaram sinais similares, que por sua vez, eram sinais dos apóstolos, visavam autenticar seu apostolado e estabelecer a mensagem (2 Co 12.12). A passagem de Marcos 16.17-18 (sem considerarmos os problemas textuais) não se refere ao uso de objetos.

5 Essa idéia estranha é defendida por Robson Rodovalho, Por Trás das Bênçãos e Maldições (Brasília: Koinonia, 1995) 32. Ele conta uma história na qual atribui a objetos amaldiçoados o poder de rachar uma ponte do Plano-Piloto em Brasília, mesmo após a quebra de maldições (Ibid., 33).

6 Linhares, Bênção e Maldição, 41.

7 Cf. Edir Macedo, Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios? (Rio de Janeiro: Universal, 1996; 13a. edição) 48.

8 Mark I. Bubeck, Raising Lambs Among Wolves: How to Protect Your Children from Evil (Chicago: Moody Press, 1997) 237-39.

9 Ver a excelente discussão de Loraine Boettner sobre o uso de objetos no culto católico, incluindo rosários, crucifixos, escapulários, e relíquias que vão desde pedaços da cruz de Cristo, da coroa de espinhos e o Santo Sudário, até roupas e frascos de leite da Virgem Maria!!! (Roman Catholicism [Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1962; 9a. edição de 1980] 284-95).

10 Kurt Koch afirma que alguns mosteiros católicos na Suíça distribuem amuletos ou fetiches ao povo, para protegê-los contra doenças e epidemias. Esses amuletos são geralmente pequenos sacos, contendo, em alguns casos, pedaços de unhas e de casca de ovos. Cf. Kurt Koch, Between Christ and Satan (Michigan: Kregel Publications, 1962) 87.

11 Existem lojas virtuais pela Internet onde toda a parafernálias usada nos rituais mágicos e de bruxaria estão acessíveis e podem ser facilmente adquiridos com cartão de crédito.

12 O conceito pagão por detrás dessas práticas é o de transferência de poderes espirituais para objetos. James Fraser argumenta que essa idéia está presente nas religiões mais antigas e primitivas e consiste basicamente em transferir para objetos ou animais toda dor, culpa e sofrimento, bem como os maus espíritos que os produzem. Fraser dá vários exemplos interessantes, como por exemplo, a prática de povos indianos de curar epilepsia aplicando folhas de determinadas plantas ao paciente e depois lançando-as fora. Acredita-se que a doença passa para as folhas e depois vai embora com elas (James G. Fraser, The Golden Bough: A Study in Magic and Religion [Nova York: Mcmillan, 1925] 538-40)

13 Warner, Spiritual Warfare, 94.

14 Ibid., 94-95.

15 A palavra hebraica para “bodes”, ocorre mais de 40 vezes no Antigo Testamento. Em 4 dessas ocorrências, foi traduzida pela versão Almeida Atualizada (bem como outras versões importantes) como “demônios” ou “sátiros”:

Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais eles se prostituem; isso lhes será por estatuto perpétuo nas suas gerações (Lv 17.7)
Jeroboão constituiu os seus próprios sacerdotes, para os altos, para os sátiros e para os bezerros que fizera (2 Cr 11:15)
Porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas; ali habitarão os avestruzes, e os sátiros pularão ali (Is 13.21)
As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; fantasmas ali pousarão e acharão para si lugar de repouso (Is 34.14)

O sátiro era um figura da mitologia grega, uma fera do deserto, metade homem e metade bode. Na antigüidade, era associada ao deus Dionísio. É provável que no período do Antigo Testamento existisse um culto aos sátiros, tendo origem no Egito, e com o qual os israelitas tivessem alguma familiaridade quando ali estiveram como escravos (cf. Js 24.14). Segundo Harrison nos informa, essa seita egípcia floresceu na região oriental do Delta e seu ritual incluía bodes copulando com mulheres adeptas (cf. R. K. Harrison, Levítico: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica [São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1980] 165-166). Assim sendo, a tradução de Levítico 17.7 poderia ser simplesmente “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros (ou, deus-bode)”. A tradução “demônios” é interpretativa, e pode dar a sugestão de que realmente existiam demônios em forma de bode que assombravam os desertos. O texto hebraico não se refere a demônios, mas ao culto aos sátiros praticado naquela época por alguns israelitas.

16 Warner, Spiritual Warfare, 113.

17 Ver Catecismo Maior, pergunta 109.

18 Cf. G. Adolf Deissmann, Bible Studies (Edimburgo: T. & T. Clark, 1901), 323.

19 John Gill’s Expositor, in loco.

20 Por outro lado, não quero com isso apoiar irrestritamente os movimentos entre os jovens para queimar discos e fitas de rock evangélico, considerados espiritualmente perniciosos por alguns líderes evangélicos (cf. Rick Lawrence, “Gothard slams Christian rock”, em Group, Set. 1990, 41-42). Em geral, sou emocionalmente contra a iconoclastria (destruição de ídolos) por cristãos, como por exemplo, a ocorrida na Escócia, sob os auspícios de John Knox, quando o povo entrou nas igrejas católicas e quebrou todas as imagens, utensílios e objetos ligados ao culto idólatra. Se tivermos, porém, de queimar alguma coisa, a queima de horóscopos poderia fazer algum bem - numa pesquisa de 1992, 11% dos crentes americanos disseram consultar horóscopos e acreditar em astrologia (“Most Americans believe in moral absolutes…”, em National & International Religion Report, 13 de Julho de 1992, p. 8).

21 Segundo Barclay nos informa, um dos métodos usados pelos exorcistas era conhecer o nome de um espírito mais poderoso do que aquele que estava no doente, e invocá-lo contra esse espírito de doença. Cf. William Barclay, “Hechos de los Apostoles”, em El Nuevo Testamento Comentado por William Barclay, vol. 7 (Argentina: La Aurora, 1974) 154-55.

22 I. Howard Marshall, Atos: Introdução e Comentário, em Série Cultura Bíblica (São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1982) 294.

23 Ver a descrição detalhada (inclusive com fotos) em Macedo, Orixás, Caboclos & Guias, 106-8.

24 Aparentemente, a comunidade havia preparado algumas perguntas para Paulo sobre questões práticas Esta carta havia sido possivelmente trazida por uma delegação (1 Co 16.17). Em 1 Coríntios Paulo responde algumas dessas perguntas. Podemos detectá-las nas partes da carta que Paulo começa com a expressão “com relação à….”, ver 7:1, 25, 8:1, 12:1, 16:1, 16:12.

25 Barclay, I & II Corintios, 83-84.

26 Ibid., 84. Serápis era uma divindade do Egito, importada da Grécia. Era o deus dos mortos e da cura. Um dos seus adoradores mais famosos foi o rei Ptolomeu I, considerado também o iniciador do culto a esse deus.

27 Ibid.

28 Cf. Fraser, The Golden Bough, onde ele discute esse assunto em relação ao culto de Diana.

29 Os que estão familiarizados com os comentários de Barclay percebem como freqüentemente ele apela para a antiga crença pagã em um mundo povoado de demônios para explicar passagens bíblicas onde demônios são mencionados, sugerindo que os cristãos primitivos, bem como os autores bíblicos, partilhavam das superstições pagãs quanto aos demônios, as quais seriam, diz Barclay, incompatíveis com os conceitos modernos de psicologia e da ciência. Infelizmente, ao fim de sua carreira, Barclay abandonou as principais doutrinas do cristianismo histórico, revelando que esse tipo de tendência tinha raiz mais profunda. No seu livro, A Spiritual Autobiography (Grand Rapids: Eerdmans, 1975) onde ele narra sua vida e ministério, os evangélicos ficarão desapontados ao ver o quanto ele se distancia do Cristianismo ortodoxo. Ele se declara universalista (p. 58); declara que o Novo Testamento nunca identifica Jesus como Deus (p. 50); nega a ressurreição literal e física de Jesus (p. 108); identifica o Espírito Santo com o Cristo ressurrecto (p. 109); e declara que “os milagres geralmente não foram histórias do que Jesus fez, mas símbolos do que ele ainda pode fazer” (p. 45). Evidentemente podemos aprender muitas coisas de suas obras, mas o leitor deverá lê-las com discrição e discernimento.

30 C. Peter Wagner, Se Não Tiver Amor (Curitiba: Luz e Vida, 1982) 67-68.

31 Note que Paulo não teve qualquer problema em anunciar o decreto em Antioquia, o que produziu muito conforto entre os irmãos (At 15.30-31).

32 Não somente Paulo, mas os cristãos em geral tinham esse conceito. João escreveu: “Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar” (Ap 9.20).

33 Cf. Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1857; reimpressão 1978) 193.

34 Hodge (1 & 2 Corinthians, 194) chama a nossa atenção para o fato de que o mesmo princípio se aplica hoje aos missionários que, por força da “contextualização”, acabam por participar nos festivais pagãos dos povos. Semelhantemente, os protestantes que participam da Missa católica, mesmo não tendo intenção de adorar a hóstia, acabam cometendo esse pecado, ao se curvar diante dela.

35 João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, em Comentário à Sagrada Escritura, trad. Valter G. Martins (São Paulo: Paracletos, 1996) 320.

36 Essa diferença fundamental não foi notada por Kurt Koch em seu livro sobre magia e ocultismo. Ele diz que “O uso de fetiches, isto é, objetos carregados de magia, corresponde talvez ao uso da água no batismo ou do pão e vinho na Ceia do Senhor” (Between Christ and Satan, 85).

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Lição nº 2 - Deus, o ser supremo por excelência

                  Deus Se revelou ao homem, seja pela criação (revelação geral), seja pelas Escrituras (revelação especial).

INTRODUÇÃO

- Deus, por definição, é o Ser Supremo, o Ser Soberano. Por isso, nós, seres humanos, jamais conseguiríamos atingi-lO e conhecê-lO (Is.55:8,9). Por isso, fez-se preciso que o Senhor Se revelasse ao homem.

- Todos os homens têm condição de perceber a existência de Deus, porque o Senhor criou todas as coisas e a criação manifesta a Sua existência (Sl.19:1-3; Rm.1:19,20). Mas, além da criação, o Senhor Se revelou de forma especial ao homem através da Bíblia Sagrada, a Sua Palavra. Por isso, podemos muito bem saber quem é Deus e, nesta lição, aprendermos o ensino bíblico a respeito deste excelente Ser.

I – A EXISTÊNCIA DE DEUS

- A primeira doutrina de que se deve tratar ao se estudar a Bíblia Sagrada é, sem dúvida, a que diz respeito ao seu próprio autor, ou seja, a Deus. Sendo a Bíblia, como é, a Palavra de Deus, tem-se como até certo ponto evidente que se deva iniciar o estudo dos ensinos bíblicos pelo que a Bíblia diz a respeito do seu autor, dAquele que Se revela ao homem através das Escrituras, isto é, do próprio Deus. Este ensinamento é o que se convencionou chamar de “Teologia propriamente dita” ou “Teontologia”, ou seja, a “doutrina de Deus”.

- O primeiro ponto que devemos deixar bem claro é que a Bíblia não se preocupa, em momento algum, em demonstrar ou querer provar a existência de Deus. Deus é um dado que surge logo no início do relato da Criação: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1). Deus, assim, surge como o único existente, o único que sempre existiu, que não tem princípio nem fim. Esta mesma circunstância, para quem entende que o primeiro livro da Bíblia a ser redigido foi o livro de Jó, também se apresenta naquele livro, que, no seu início, também revela um ser que já existia ao tempo dos demais (Jó 1:1,6).

- Tem-se, aliás, neste ponto, uma das principais diferenças entre a teologia, que é o estudo racional a partir da revelação divina, e as demais atividades do conhecimento humano (filosofia, ciência, arte, mitologia), que têm como ponto de partida a razão humana e não a revelação divina. Os homens buscam, de todas as formas, uma forma de se provar a existência de Deus por intermédio da razão, mas isto é totalmente dispensável para quem se baseia nas Escrituras, que, já no seu intróito, mostra Deus como o Ser que existe, Aquele que é o que é (Ex.3:14). Daí porque não haver qualquer sentido em se ficar indagando sobre provas de que Ele exista ou não, pois a Bíblia se contenta em apenas revelar que Deus existe e ponto final (I Co.8:6; II Co.4:4; Hb.11:5).

- A Bíblia Sagrada, também, mostra-nos, com absoluta clareza, que, além de existir, Deus é único, sendo, esta, aliás, uma peculiaridade da revelação divina que causa espécie nos homens até hoje. Os estudiosos e historiadores ficam a indagar porque o povo hebreu chegou, ao contrário de todos os povos à sua volta, à concepção de um único Deus, mas, a verdade, como sabemos, é que isto não foi fruto de qualquer mente humana, mas o resultado da revelação divina, que, desde quando chamou Abrão para que saísse de Ur dos caldeus, revelou-Se ser um único Deus. Deus é um só, é outra lição que aprendemos a respeito do Senhor (Dt.4:35; Is.42:8; 44:6,8; I Rs.18:39).

- A despeito de a Bíblia não se preocupar em provar se Deus existe ou não, temos que apresenta diversos fatores que fazem com que percebamos a existência de Deus, ou seja, embora não seja preocupação das Escrituras trazer argumentos pelos quais possamos conceber a existência de Deus, há circunstâncias que nos revelam que Deus existe.

- O primeiro fator que nos mostra que Deus existe é o fato de que há uma crença universal em um Ser Supremo. A idéia de Deus, mesmo para aqueles que a rejeitam, é uma idéia que exsurge em todas as civilizações, em todos os povos, em todos os tempos e lugares. O apóstolo Paulo, quando se encontrava perante os maiores sábios de seu tempo, os filósofos do Areópago, atestou esta realidade ao afirmar que, os atenienses, do alto de sua filosofia, honravam a um “Deus desconhecido”, prova de que, mesmo de uma forma até certo ponto inconsciente, os homens buscam ao Senhor, como os cegos buscam um caminho a seguir tateando os objetos que estão à sua volta e que são incapazes de enxergar.

OBS: A propósito, interessante é a leitura da obra de Don Richardson, “o fator Melquisedeque”, onde se demonstra como, em todas as culturas, as mais primitivas, há a noção de um Deus único que está no controle de todas as coisas criadas.

- O segundo fator que nos mostra que Deus existe é a consciência, esta faculdade do espírito humano que nos indica o que é o certo e o que é o errado, verdadeira “filial” divina em nosso ser. Com efeito, a consciência dá-nos a demonstração clara e evidente de que existe alguém que está acima de nós, indicando o que é o correto e o que não o é, ou seja, a consciência traz-nos a vontade de um ser que comanda todas as coisas e que a todos julgará pelas suas ações. A compreensão que temos de que fizemos algo justo ou injusto, bom ou mau, ao contrário do que dizem muitos “sábios” do nosso tempo, não é resultado puro e simples de nossa educação ou do ambiente em que vivemos, pois, se assim fosse, não haveria o arrependimento ou a convicção interna, muitas vezes não confessada, de que erramos ao tomarmos esta ou aquela atitude, ainda que tal gesto tenha tido a aprovação do ambiente em que vivemos. A consciência é uma verdadeira “lei escrita nos corações” (Rm.2:15), que nos indica a presença de um Ser superior, a dizer o que se deve, ou não, fazer. Este ser outro não é senão o próprio Deus.

OBS: Neste passo, é a constatação de que existe injustiça no mundo e de que, portanto, há de se ter um julgamento na vida além-túmulo, que levou o filósofo alemão Immanuel Kant a demonstrar a existência de Deus, ainda que no campo da ética.

- O terceiro fator que nos evidencia a existência de Deus, segundo as Escrituras, é a criação do mundo. A grandeza da criação de todas as coisas, a imensidão do universo e, no nosso planeta, de tudo o que foi criado, tem por finalidade mostrar ao homem a glória de Deus (Sl.19:1). A natureza, dizem os estudiosos da doutrina de Deus, é o primeiro livro escrito por Deus ao homem, de tal maneira que a criação, por si só, é suficiente para revelar Deus ao ser humano e torná-lo sem desculpa diante de uma eventual rejeição ao Seu senhorio (Rm.1:20).

- Estes dois últimos fatores relativos à revelação divina ao homem, combinados entre si, trazem o que se conhece por “revelação geral de Deus”, ou seja, é uma forma de Deus mostrar-Se ao homem e dar sinal de Sua existência e soberania, de modo absolutamente uniforme a todos os homens. Todo ser humano consegue, assim, perceber que Deus existe, seja pela criação do mundo, seja pela consciência. Esta revelação é a todos os homens e, por isso, a Bíblia diz que jamais nenhum ser humano poderá dizer que nunca teve a oportunidade ou a possibilidade de perceber que Deus existia. É por isso que não devemos achar que, no julgamento do Trono Branco (o chamado “juízo final”), haverá pessoas que possam apresentar a Deus esta desculpa, pois todo ser humano foi capaz de perceber, por sua consciência e pela criação do mundo, que Deus existia e que era o Senhor de todas as coisas e a quem, portanto, se devia obediência e submissão.

- O quarto fator pelo qual tomamos consciência da existência de Deus é a própria Bíblia Sagrada. Com efeito, é ela a maior revelação de Deus aos homens, pois demonstra qual é a vontade de Deus e, desta maneira, faz com que O conheçamos (I Jo.1:7). Aliás, a Bíblia é a verdade (Jo.17:17) e, como Deus é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), vemos que a Bíblia é o meio para percebermos que Deus existe e quem Ele é.

- O quinto fator pelo qual se evidencia a existência de Deus é através da pessoa de Jesus Cristo, o Emanuel, ou seja, Deus conosco (Mt.1:23). Através de Cristo, sabemos quem é Deus (Lc.10:22; Jo.1:16; 14:6,9). Como disse o escritor aos hebreus, o Filho é “o resplendor da Sua glória, a expressa imagem da Sua Pessoa” (Hb.1:3). Por isso, Jesus foi bem claro ao afirmar que quem O conhecia, conhecia ao Pai.

- O sexto fator pelo qual se evidencia a existência de Deus é por intermédio da experiência pessoal da salvação. Quando somos salvos, Deus vem habitar em nosso interior (Jo.14:23) e, então, notaremos que Deus existe e que está disposto a estar conosco para sempre. Sentimos que Deus não está distante de nós, não mais tateamos, mas com Ele mantemos um relacionamento, um permanente diálogo, que nos traz a certeza de que não só Deus existe como também que somos Seus filhos (Ef.2:13; Gl.4:6; Mt.6:9).

- Estes três últimos fatores compreendem o que se costuma chamar de “revelação especial de Deus”, ou seja, uma revelação que Deus apenas àqueles que aceitam a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, ou seja, não é uma revelação a todos os homens, mas apenas aos que atendem ao chamado para a salvação. Esta revelação é o resultado do convencimento que o Espírito Santo faz no homem do pecado, da justiça e do juízo, conseqüência da fé que veio pelo ouvir pela Palavra de Deus.

II – A REVELAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DE SEUS ATRIBUTOS

- Dissemos que a preocupação da Bíblia Sagrada não é provar a existência de Deus, mas que, apesar disto, as Escrituras nos mostram várias evidências que demonstram que Deus existe, evidências estas que são gerais, ou seja, abrangem a todos os seres humanos, ou especiais, isto é, reservadas apenas àqueles que crêem em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador de suas vidas.

- No entanto, como vimos, o objetivo da Bíblia é revelar Deus ao homem e, através das páginas sagradas, podemos ver que Deus tem prazer em mostrar ao homem quais são as Suas qualidades, os Seus atributos, a fim de que o homem não tenha qualquer receio em servi-lO e perceba quão proveitoso é desfrutar da comunhão com o seu Criador.

- A primeira qualidade que a Bíblia dá de Deus é que Ele é um Deus vivo. O Nosso Deus é um Deus vivo, ou seja, que tem vida, não é um Deus morto, como os milhares e milhares de deuses criados pelos homens ao longo de sua triste e trágica história de pecados. Jeremias não teve dúvida ao afirmar que “Ele mesmo é o Deus vivo” (Jr.10:10), como o salmista ao dizer que “faz tudo o que Lhe apraz” (Sl.115:3). Deus é um Ser que vive, que tem vida, que existe independentemente da existência dos homens e que não está circunscrito à imaginação fértil dos homens, que sempre buscam suas invenções
(Ec.7:29).

- O fato de que Deus é vivo é de grande importância para nós que O servimos. Muitas vezes, por não ouvirmos a voz do Senhor, por parecer que Ele está calado, somos tentados ao desânimo e até a desistirmos da caminhada com Ele. Entretanto, nunca devemos nos esquecer que Ele é vivo e, portanto, tudo percebe, tudo sente, tudo observa, não podendo, vivo que é, permanecer indiferente ao que se passa conosco. Lembremo-nos: Deus é vivo! (At.14:15; Ii Co.6:16; I Ts.1:9; Hb.10:31; 12:22).

- A segunda qualidade divina é a de que Deus é a fonte da vida. Deus não somente é vivo, como, também, é a fonte de toda a vida. Só Deus pode dar a vida (Gn.1:11,12,20-22, 24-26), seja a vida biológica, seja a vida espiritual (Jo.5:26; At.17:25; Rm.6:23).
Apesar de todas as tentativas da avançada ciência, não se conseguiu criar a vida em laboratório e, a se ver pelos rumos da ciência na atualidade, em busca da “clonagem”, que é a obtenção de uma “vida” a partir de outra pré-existente, sem a necessidade dos processos de reprodução, tem-se uma verdadeira admissão de que é impossível criar-se a vida do nada, pois a única fonte de vida é o próprio Deus.

OBS: “…– A origem da vida por acaso – uma impossibilidade! Resume-se a seguir parte do livro de Fernando De Angelis intitulado A Origem da Vida, que tem trechos muito ilustrativos da impossibilidade estatística da origem da vida ao acaso:”Em 1953, Miller submeteu uma mistura de hidrogênio, água, metana e amônia a descargas elétricas, durante uma semana, e obteve uma mistura de pequenos compostos orgânicos, entre os quais uma discreta quantidade dos dois aminoácidos simples – glicina e alanina – presentes em todas as proteínas. Geralmente, a experiência de Miller é mencionada afirmando-se que nela se formaram “aminoácidos” (e não apenas dois aminoácidos simples), que representam a unidade constitutiva das proteínas, componentes fundamentais da matéria viva. Essa maneira de expor não leva em consideração os obstáculos que se devem superar para sintetizar os aminoácidos em proteínas, nem os obstáculos infinitamente maiores para passar das proteínas às células vivas. Ao leitor é transmitida, assim, a idéia enganosa de que a vida foi reproduzida em laboratório, ou quase! “À parte a suposição feita com relação à atmosfera ‘primitiva’, na experiência de Miller, e mesmo que, mediante outras experiências fosse encontrado um sistema mais eficaz para produzir aminoácidos ao acaso, haveria ainda numerosos outros problemas a resolver. Por exemplo, além dos 20 aminoácidos que constituem as proteínas, existem outros 150 não protéicos, que, se fossem misturados com os outros, criariam outro obstáculo praticamente insuperável para a formação das proteínas exatas. Seria como se quiséssemos escrever um livro tirando, ao acaso, letras do alfabeto latino que estivessem em uma caixa, juntamente com as letras de outros sete alfabetos! “Mas os problemas não cessariam aí. Todos os aminoácidos, com exceção da glicina, o mais simples deles, são assimétricos, existindo sob as formas levógira e dextrógira, e quando se formam externamente às células, ao acaso, metade deles é de uma forma, e metade da outra. Em contraste, todas as moléculas fundamentais, em todos os organismos vivos, apresentam a mesma forma – levógira. Em outras palavras, seria de esperar que, se os seres vivos tivessem se originado ao acaso, poderiam ser constituídos com compostos de uma ou de outra forma, ou da mistura de ambas as formas, o que não se verifica! “Outras dificuldades para a formação das proteínas ao acaso podem ser ilustradas com a resposta à pergunta: Que volume de proteínas seria necessário para compor determinada proteína ao acaso? Escolhendo-se uma proteína das mais simples, constituída apenas de 100 aminoácidos, seria necessário um volume de proteínas equivalente ao de um cubo de 1033 quilômetros de aresta para a obtenção daquela proteína determinada, pelos mecanismos do acaso! Como ilustração, para um foguete que se deslocasse com a velocidade da luz (correspondente a sete voltas em torno da Terra, por segundo), seriam necessários 100 quintilhões de anos para percorrer a distância igual à da aresta desse cubo imaginário! “Suponhamos que, no caldo primordial, por algum lance de sorte, tivessem sido formadas, além de numerosas outras substâncias semelhantes, também as substâncias que entram na constituição de uma célula. Nem por isso teria sido formada a primeira célula viva. As células são constituídas por milhares de substâncias estritamente coordenadas entre si. Se as substâncias que devem ser justapostas estiverem espalhadas em meio a uma infinidade de outras substâncias semelhantes, é difícil imaginar que exatamente aquelas, e somente elas, se juntassem ao acaso. E, mesmo que elas se juntassem, não teríamos ainda chegado a formar uma célula. De fato, se triturarmos células vivas em um liqüidificador, obteremos todas as substâncias necessárias para a sua constituição, mas não se formarão novamente células, porque os vários componentes não apresentam a “tendência espontânea” de novamente combinar-se entre si. Além do mais, devemos pressupor que no hipotético caldo primordial existissem muitas substâncias venenosas que, mesmo em pequenas concentrações, impedissem a ocorrência da vida. Portanto, mesmo que se tivesse formado uma célula, ela poderia não ter sobrevivido. “Os que apóiam a abiogênese mantêm em mente essas objeções, mas mesmo os mais bem-informados e equilibrados entre eles tomam as medidas necessárias para remediar o assunto, passando a falar de um evento que é estatisticamente improvável, mas que poderia ter ocorrido como evento praticamente único mediante uma combinação particularmente feliz de circunstâncias. Crick, famoso pela determinação da composição do DNA, exprime-se desta maneira: Um homem honesto, munido de todos os conhecimentos atuais, só pode afirmar, por ora, que, dado o enorme número de condições que seriam necessárias para que o mecanismo pudesse ser posto em ação, a origem da vida parece quase um milagre! Quando se passa a falar de evento praticamente único, e quase milagre, não mais estamos no campo da ciência, e sim da conjectura ou da especulação! …” (VIEIRA, Ruy. Comentários ao estudo 5 – Uma criação recente. In: Lições da Escola Sabatina. 3. trimestre de 1999. Disponível em: http://www.scb.org.br/htdocs/periodicos/licoes/indgcom399.html Acesso em 24 ago. 2006).

- A terceira qualidade de Deus que nos mostram as Escrituras é a Sua pessoalidade (Jó 13:8). Deus é pessoal, não uma força cósmica que não sente, que não pensa ou que não participa do que ocorre com Sua criação, mas, bem ao contrário, um Ser pessoal, que tem entendimento (Is.55:8,9), sensibilidade (Jo.3:16) e vontade (Ed.10:11; Sl.40:8; Mt.6:10; 7:21; Jo.5:30; 6:39). Por ser pessoal, Deus não Se confunde com a natureza que Ele criou.

- A quarta qualidade divina a ressaltar é a Sua eternidade, como acima ressaltado. Deus não tem princípio, nem fim, é o único Ser eterno que existe  (Sl.90:2). Deus é desde sempre (Hc.1:12), o princípio e o fim (Ap.1:8). Daí porque ter Se apresentado a Moisés como “Eu sou o que sou” (Ex.3:14). O tempo para Deus simplesmente não existe, havendo para Ele um eterno presente.

- A quinta qualidade de Deus é a Sua imortalidade, que é decorrência de Sua eternidade, mas que com ela não se confunde. Com efeito, quando vamos à civilização grega antiga, verificamos que os deuses gregos também eram imortais, embora não fossem eternos. Deus é eterno e, por isso, também é imortal, ou seja, sendo vivo jamais morrerá. Ao contrário do que afirmaram alguns pensadores, como o alemão Friedrich Nietzsche, que teve a petulância de afirmar que “Deus havia morrido”, Deus não é uma idéia que tenha tido origem na imaginação humana, mas um Ser que jamais deixará de existir, que vive para todo o sempre, como desde sempre existiu (Sl.102:12; I Tm.1:17; 6:16).

- A sexta qualidade de Deus é a Sua imutabilidade, ou seja, Deus não muda, nem pode mudar, pois, sendo eterno, sendo desde sempre, da forma como é, permanecerá a ser indefinidamente. Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Ml.3:6; Tg.1:17). Ele sempre é o mesmo (Sl.102:27; Hb.1:12). Esta imutabilidade de Deus é uma garantia para o homem, como se vê, por exemplo, quando do juramento que Deus fez a Abraão (Hb.6:17,18). Desta imutabilidade, decorre a fidelidade divina para com a Sua criação, como veremos infra.

- Ao se falar na imutabilidade de Deus, alguns poderão questionar tal qualidade pela circunstância de que, por mais de uma vez, a Bíblia nos fala que Deus Se arrependeu de ter feito algo, como, por exemplo, em passagens como Gn.6:7; I Sm.15:11,35, II Sm.24:16, I Cr.21:15, Jr.26:19; Am.7:3,6; Jn.3:10. Haveria, assim, uma contradição nas Escrituras, já que o arrependimento é incompatível com um Deus que não muda?

- Muitos procuram enxergar nestas passagens bíblicas um “furo” na Bíblia Sagrada, uma “contradição” bíblica, nesta busca insana que os inimigos da Palavra de Deus têm para tentar desacreditar o seu Criador. Entretanto, uma vez mais, são eles fracassados neste seu intento. A expressão bíblica de “arrependimento” em relação a Deus nada mais é que uma “antropopatia”, ou seja, uma expressão de nossa linguagem para tentar nos fazer compreender uma atitude divina. Deus está acima da nossa compreensão e, por isso, temos de nos valer da pobreza de nosso vocabulário para tentar compreender e entender as ações divinas. É o que acontece com a palavra “arrependimento”.

- Na verdade, todas as vezes em que a Bíblia menciona que “Deus Se arrependeu”, o que está em foco não é uma mudança de Deus em Suas atitudes, mas, sim, uma resposta de Deus em virtude da mudança proporcionada pelo comportamento humano. Deus criou o homem para servi-lO e adorá-lO, bem como para conviver com Ele. Porém, o homem pecou e, por isso, em virtude da própria imutabilidade de Deus, Deus, que não pode conviver com o pecado, teve de expulsar o homem da convivência conSigo. O homem prosseguiu no seu pecado, até atingir o limite da tolerância divina e, portanto, em virtude desta mudança do homem, Deus, para manter a Sua posição, teve de determinar a destruição de toda a carne sobre o planeta. Assim, o “arrependimento” de Deus não é uma mudança de Deus, mas a manutenção da posição de Deus, da sempre e mesma posição de Deus, diante da constante mudança do homem. E assim por diante. É o que ocorreu com Saul, com os juízos sobre Saul, o povo de Israel no tempo de Davi ou durante os ministérios de Jeremias e de Amós, o que ocorreu com o povo de Nínive durante o ministério de Jonas.

- A sétima qualidade de Deus é a Sua natureza espiritual. “Deus é Espírito”, disse Jesus em Seu diálogo com a mulher samaritana (Jo.4:23) e, como sabemos, “…ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt.11:27 “in fine”). Assim, se Jesus disse que Deus é Espírito, quem somos nós para discutir ou pôr isto em dúvida? Entretanto, muitos, até inconscientemente, não percebem que desconsideram esta afirmação de Jesus, a ponto de considerarem que Deus tem olhos, boca, dedo, mãos, pés, coração etc. só porque assim se encontram em algumas passagens das Escrituras. Temos aqui o chamado “antropomorfismo”, ou seja, a utilização de palavras próprias do ser humano para simbolizar o ser divino, a fim de que pudéssemos entender as ações de Deus, para que Sua revelação fosse eficiente e eficaz. Como alguém que tem interesse em nosso aprendizado, Deus vem até o nosso nível baixíssimo de compreensão e inteligência para que nós possamos entendê-lO e adorá-lO de forma plena e completa. Que Deus maravilhoso é o nosso Deus, que, mesmo sabendo quem somos, concede-nos tantos bens, em especial, o de poder conhecê-lO e compreendê-lO !

- A oitava qualidade de Deus é a Sua imensidão ou infinitude. Deus é imenso, é infinito, está além das dimensões de espaço que possamos imaginar. Se verificarmos que o universo é milhões e milhões de vezes maior do que o nosso planeta, que, para nós, já é gigantesco, que dizer de Deus, que mediu tudo a palmos (Is.40:12)? Como disse Zofar, as dimensões de Deus superam tudo o que conhecemos (Jó 11:8; I Rs.8:27). Os pensamentos de Deus são mais do que se podem contar (Sl.40:5, 139:17,18), Sua ciência não podemos atingir (Sl.139:6).

- A nona qualidade de Deus é Sua invisibilidade. Como Deus é Espírito, temos que é, mesmo, invisível (Rm.1:20; Cl.1:15). Esta invisibilidade de Deus explica a expressão bíblica segundo a qual ninguém viu a Deus (Jo.1:18 “in initio”; I Jo.4:12 “in initio”). Deus é invisível, embora possa ser conhecido por alguém, como, por exemplo, ocorreu com Moisés, de uma forma bem peculiar (Ex.33:18-23; Dt.34:10). Ao alcançarmos a glorificação, porém, desfrutaremos de um privilégio até hoje não concedido a pessoa alguma: o de vermos como o Pai é (I Jo.3:1,2). Aleluia!

- A décima qualidade de Deus é a Sua santidade. Deus é santo, ou seja, Sua natureza não permite a convivência nem a tolerância com o pecado. Deus é santo (Lv.11:44,45; 20:26), não abomina o pecado, nem o tolera, tanto que, quando foi achada iniqüidade no querubim ungido, foi ele lançado fora da presença do Senhor (Ez.28:15,17), bem como o mesmo ocorreu com o primeiro casal (Gn.3:22-24). Quando o nosso pecado foi lançado sobre o Senhor Jesus, Deus dEle Se apartou, desamparando-O (Is.53:6 “in fine”; Mc.15:34).

III – A REVELAÇÃO DE DEUS PELOS SEUS ATRIBUTOS EM RELAÇÃO À CRIAÇÃO

- Mas, além dos atributos de Deus referentes ao Seu próprio Ser, temos, também, os atributos que Se revelam no Seu relacionamento com as criaturas. De pronto, vemos que a Bíblia nos ensina que Deus é um Ser distinto daqueles que Ele criou. Deus não Se confunde com a Sua criação, ao contrário do que ensinam, equivocadamente, os chamados “panteístas”, aqueles que confundem Deus com a natureza, pensadores, aliás, que estão muito em voga nos nossos dias, principalmente entre os adeptos da Nova Era.

- Que Deus não Se confunde com a criação vemos logo no primeiro versículo do livro do Gênesis, que nos informa que “no princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1). Ao assim descrever o processo da criação, as Escrituras mostram que Deus é distinto dos “céus e a terra”, ou seja, da criação, seja dos seres celestiais, seja dos seres terrenos. Céus e terra tiveram princípio, mas Deus já era desde sempre. Céus e terra foram criados, Deus é o Criador.

- Como Deus não Se confunde com a Sua criação, temos que Deus e a criação se relacionam entre si, e, neste relacionamento, verificamos algumas qualidades divinas, que nos são também reveladas.

- A primeira dessas qualidades é a onipotência. No relato da criação, vemos que Deus do nada fez tudo, algo que ninguém jamais poderia nem poderá fazer. Deus tem todo o poder, daí porque um de Seus nomes é “Todo-Poderoso” (El Shadai- Gn.17:1; 28:3; Jó 5:17; 6:4,14), nome, aliás, que é abundante no livro de Jó, considerado o mais antigo livro das Escrituras, e que um título divino característico da época dos patriarcas.

- A onipotência de Deus ensina-nos que Ele tem todo o poder, ou seja, não existe ser mais poderoso do que Ele. Daí porque ter o Senhor, por boca do profeta Isaías, ter afirmado: “operando eu, quem impedirá?” (Is.43:13 “in fine”) ou ter o apóstolo Paulo, ao verificar esta verdade bíblica, ter indagado: “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm.8:31), bem como o apóstolo João ter ressaltado que “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” (I Jo.4:4).

- A onipotência de Deus ensina-nos que todo o poder pertence a Deus (Sl.62:11). Um dos graves equívocos do ser humano é tentar construir estruturas de poder fora de Deus. Em Babel, a rebeldia se iniciou quando Ninrode começou a irrogar o poder para si (Gn.10:8). O orgulho, a soberba e a arrogância do homem, que o levam a se achar poderoso e a querer a glória para si, ao invés de reconhecer a onipotência de Deus e a glória que só a Ele é devida, tem sido a principal causa de derrota e fracasso na vida de tantas pessoas. Que Deus nos guarde de assim agirmos, correndo o risco de virarmos animais (Dn.4:30-37), como Nabucodonosor ou sermos comidos de bicho como Herodes (At.12:21-23).

- A segunda dessas qualidades é a onisciência. Deus conhece e sabe todas as coisas (Sl.139:1-6; I Jo.3:20), nada se Lhe pode ocultar  (Sl.38:9; 139:15,23,24; Mt.6:6). Porque Deus sabe todas as coisas, é ele a fonte de toda a ciência, conhecimento e sabedoria, razão pela qual jamais as manifestações do conhecimento humano, quando verdadeiras, se chocarão com a Palavra de Deus, pois Deus é o próprio autor do conhecimento, da ciência e da sabedoria.

- A onisciência de Deus, aliada à Sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens.

- A onisciência de Deus traz-nos a necessidade de termos um comportamento distinto dos homens que não conhecem a Deus. Como Deus sabe todas as coisas e conhece tanto o passado, quanto o presente e o futuro, algo que não temos sequer condição de saber, pois nem sempre avaliamos bem o passado (e a memória pode trair-nos, fazendo-nos esquecer aspectos importantes e relevantes deste passado), muitas vezes ficamos atônitos com relação ao presente, sem saber o que fazer e o futuro a nós escapa totalmente, precisamos confiar nEle e, nas adversidades e momentos difíceis da vida, lembrar que Deus, e só Ele, sabe todas as coisas. Se bem avaliarmos a onisciência divina, certamente que poderemos marchar na dura caminhada pelo deserto desta vida certos de que, onde quer que as circunstâncias nos levem, a direção e orientação parte de quem sabe todas as coisas e que prometeu que somente nos daria o melhor (Rm.8:27-30).

- A terceira qualidade ressaltada pelas Escrituras no relacionamento entre Deus e as Suas criaturas é a onipresença, ou seja, Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz o Senhor. Porventura não encho Eu os céus e a terra? Diz o Senhor” (Jr.23:24).

- Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. Esta presença de Deus é total, pois, como diz a referência que transcrevemos, Ele enche os céus e a terra. Na verdade, como afirmou Salomão na oração que fez para a dedicação do templo, nem mesmo os céus e a terra O podem conter (IRs.8:27).

- Esta presença de Deus, porém, não se dá com o mesmo propósito. Deus está presente em todos os lugares, ao mesmo tempo, mas com diferentes propósitos e finalidades. Assim, por exemplo, Sua presença em Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, assim como no mundo antediluviano, tinha como propósito a verificação do abuso dos limites do pecado, com a determinação de destruição daqueles impenitentes. Já no que se refere ao povo de Israel, como testemunhou Moisés, a presença de Deus tinha o propósito de fazer o povo descansar (Ex.33:14). A presença de Deus é sempre uma bênção para aquele que dirige os seus caminhos segundo a vontade do Senhor (II Rs.3:14; 5:16; 13:23; II Cr.27:6). Seu objetivo, ao mostrar a Sua presença, é mostrar a Sua força aos Seus servos (II Cr.16:9) bem como criar oportunidades para que os que não O conhecem, venham a fazê-lo (At.17:27; Rm.10:6-8).

- A quarta qualidade ressaltada nas Escrituras no relacionamento entre Deus e Suas criaturas é a Sua fidelidade. Deus é fiel (Dt.7:9; Is.49:7; I Co.1:9; 10:13; I Ts.5:2; II Ts.3:3;  I Pe.4:19; I Jo.1:9; Ap.19:11). A fidelidade de Deus garante-nos que Ele cumpre todos os compromissos assumidos com o homem, que é leal em seus pactos e alianças. Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). Se o homem falhar, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13).

- A quinta qualidade divina em relação a Sua criação é o amor. Deus é amor (I Jo.4:8 “in fine”) e, por isso, Suas ações em relação ao homem sempre foram de amor. Todo o plano da salvação do homem é decorrência deste amor sem igual, sem qualquer comparação (Jo.3:16). O amor divino não é apenas um sentimento, mas um sentimento acompanhado de ações concretas e atitudes reais. Por isso, ao amar o mundo, enviou o Filho para que pudéssemos ter a vida eterna. Por isso, o Filho Se humanizou e morreu em nosso lugar. Por isso, Deus Se fez carne e preço para o pagamento dos nossos pecados e a nossa redenção. Isto é o verdadeiro amor, um amor de gestos, de atitudes, não de palavras ou sentimentos que não ultrapassam o campo das emoções (I Jo.3:18,19).

- A sexta qualidade divina em relação a Sua criação é a justiça. Deus não somente é amor, mas, também, é justiça. Como já dissemos, uma das maneiras de Deus Se revelar ao homem é por intermédio da consciência, este tribunal que Deus pôs em cada um de nós para nos dizer o que é o certo e o que é o errado, o que é o bem e o que é o mal. Ora, ao estipular o que é o certo e o que é o errado, Deus, também, determinou o que é o justo e o que é o injusto e, como Ser Supremo, assumiu a única posição que Lhe cabe, qual seja, a de justo juiz (Sl.9:8; 50:6; Jr.11:20; II Tm.4:8). Deus é justiça, ou seja, tem de dar a cada um o que é seu (Gn.18:25; Jó 8:3;Sl.31:1; 35:24).

- Muitos não conseguem entender como Deus pode ser amor e justiça ao mesmo tempo, porque, equivocadamente, acham que ter amor é “ser bonzinho”, é perdoar sempre e invariavelmente, sem jamais aplicar um castigo ou uma penalidade e, muito menos, lançar uma condenação eterna. Para estes, se Deus é amor, todos serão salvos ao final, todos alcançarão a bem-aventurança de viver eternamente ao lado do Senhor. Entretanto, não é isto que nos mostra a Bíblia Sagrada. Deus é amor, e isto provou ao pagar o preço dos nossos pecados, humanizando-Se, morrendo por nós. No entanto, exatamente porque tomou esta atitude radical, a de Se fazer homem para nos salvar, é que, por justiça, deve condenar a tantos quantos se neguem a obedecer-Lhe e a desfrutarem deste amor.

- Deus, Que não muda, afirmara que, em dando o livre-arbítrio ao homem, faria com que este respondesse pelos seus atos. Assim, todos quantos recusarem o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário terão de responder perante o justo juiz, que tem levado adiante a Sua misericórdia e a Sua verdade. Tendo vindo morrer por nós, tendo levantado um povo para pregar esta boa-nova e tendo enviado a Pessoa do Espírito Santo para convencer os pecadores, Deus mostra que a Sua iniciativa é de amor, que adiante dEle vão a misericórdia e a verdade. No entanto, dias chegarão, e estão muito próximos, em que esta oportunidade se findará e em que chegará o momento do acerto de contas, o instante do juízo e da justiça, em que cada um responderá pela opção que fez. Misericórdia e verdade foram à frente, mas a base do trono de Deus é de justiça e de juízo (Sl.89:14; 96:13). Aproveitemos, enquanto é tempo, o ano aceitável do Senhor, antes que chegue o dia da vingança do nosso Deus!

- A sétima qualidade de Deus em relação à Sua criação é a verdade. Deus é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10). “Verdade”, em hebraico, é “emunah”, cujo significado é o de garantia futura de imutabilidade, de invariabilidade. Ao Se afirmar como a Verdade, Deus mostra aos seres criados que Ele não muda e que o que prometeu, fará. Temos, assim, na Verdade, a demonstração, a um só tempo, da imutabilidade e da fidelidade divinas. Ora, a máxima demonstração da verdade para o homem está na Bíblia Sagrada, na Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17). As Escrituras são a suprema garantia que Deus dá ao homem de que é um ser verdadeiro. Por ser a Verdade, Deus abomina a mentira e só é mentiroso aquele que se apartou do Senhor. Daí porque o primeiro ser a se apartar dEle, ou seja, o diabo, ser chamado de o pai da mentira, precisamente porque não há verdade nele (Jo.8:44).

IV – AS LIMITAÇÕES DE DEUS

- Ao vermos quão maravilhosos e esplêndidos são os atributos de Deus, parece-nos ser um contra-senso falarmos nas limitações de Deus. Poderia, por um acaso, Deus ter limitações, Ele que é onipresente, onisciente e onipotente?

- A onipresença, onisciência e onipotência de Deus são atributos de Deus em relação à Sua criação, como vimos no tópico anterior. São qualidades que se mostram aos seres criados dotados de consciência e moralidade (os homens e os anjos), que os levam a adorar e a servir ao Senhor. No entanto, tais qualidades, em momento algum, podem entrar em contradição com a natureza intrínseca de Deus, ou seja, com o Seu Ser tomado em Si mesmo, não em relação com a criação. Neste aspecto, vemos que jamais o relacionamento de Deus com a criação poderá ferir as Suas qualidades essenciais, os Seus atributos que existem independentemente da existência da Criação.

- Desta maneira, quando dizemos que Deus é onipotente, ou seja, pode fazer todas as coisas, evidentemente não estamos a dizer que Ele possa pecar. Muito pelo contrário, por sabermos que Deus é santo, ou seja, um Ser que não pode jamais pecar, compreendemos que a onipotência não envolve a possibilidade de pecar, pois a onipotência tem a ver com os seres criados, não com o próprio Deus em Si mesmo(Sl.145:17). Tanto é assim que é a própria Bíblia quem nos diz que Deus não pode mentir (Hb.6:18; Nm.23:19; Tt.1:2), já que Ele próprio é a verdade.

- Em sendo Deus eterno, a própria auto-existência, Deus também não pode negar-Se a Si mesmo. Ele é o que é, como, pois, negaria a Si mesmo? Daí porque as Escrituras indicarem que Deus não pode negar-Se a Si mesmo, é algo impossível (II Tm.2:13).

- Como Deus é justiça, tem-se que Ele jamais pode fazer injustiça, jamais poderá perverter o direito, vez que a injustiça é algo que é totalmente contrário à natureza divina, pois o Deus que tudo pode (Jó 42:2), faz porém tudo que Lhe apraz (Sl.115:3). Assim, Deus não pode ser injusto, jamais pode perverter o direito (Jó 8:3; 34:12; Sl.145:7).

- Ainda dentro da justiça que é própria da natureza divina, vemos eu Deus é imparcial, não tem favoritismos nem parcialidades com os homens, não podendo, assim, fazer acepção de pessoas (II Cr.19:7; Rm.2:11).

- Ao ter criado o homem e os anjos com livre-arbítrio, Deus, por Sua soberana vontade, também lançou um limite para a ação sobre a vontade dos seres morais. Deste modo, não pode Deus, Que não muda, alterar o Seu propósito e impedir que homens e anjos optem entre o bem e o mal, entre servi-lO e negar-Lhe obediência. A perdição dos pecadores não é algo que tenha sido desejado por Deus, mas, indubitavelmente, por Sua vontade, Deus não impedirá que o pecador sofra a morte eterna, vez que resolveu criar os seres morais com livre-arbítrio, propósito que é imutável, dada a Sua natureza.

- Para encerramos este assunto, devemos ter muito cuidado com a chamada “teologia aberta” ou “neoteísmo”, concepção herética que tem ingressado sutilmente no meio evangélico de uns anos para cá, segundo a qual Deus teria Se autolimitado ao criar os homens e os anjos com o livre-arbítrio e, portanto, já não saberia o que decidiríamos fazer. Deus não saberia o futuro, não teria como saber, por exemplo, se seríamos, ou não, salvos. Trata-se, evidentemente, de uma heresia, pois Deus é onisciente, sabe todas as coisas, embora não violente o nosso livre-arbítrio, diante de Sua imutabilidade e de Seu propósito de criar seres morais. Não queiramos saber os desígnios divinos, pois Eles estão além da nossa capacidade de raciocínio, Seus caminhos e pensamentos estão acima dos nossos caminhos e pensamentos. Não podemos, como simples vasos, querer saber o que decide e determina o oleiro (Is.45:9; Rm.9:20-24). Por isso, não queiramos saber mais do que convém (Rm12:3; I Co.8:2).

OBS: Por ocasião da tsunâmi que matou milhares de pessoas na Ásia no Ano Novo de 2005, houve até pregadores evangélicos que, chocados com o evento, chegaram mesmo a questionar a onisciência divina. Tolice que, mercê do Senhor, foi duramente combatida por muitos, o que levou alguns a recuarem de suas posições. No mesmo ano de 2005, aliás, ficamos a saber que a tsunâmi teve, entre seus muitos efeitos, a abertura da pregação do Evangelho na província indonésia mais atingida pela catástrofe, que era totalmente fechada para o Evangelho. Quem foi que disse que nós, homens, podemos querer entender os desígnios de Deus?

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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Sunday, October 1, 2006

AS CINCO MANEIRAS DE AFASTAR O SEU FILHO DA IGREJA

1º - Diante das menores dificuldades, tais como, indisposição, chuva, frio, cansaço, não vá aos cultos. Com isso seu filho vai crescer com a idéia de que freqüentar as reuniões não é assim tão necessário.
 
“… e considerem-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.
 
( Hebreus 10:24,25 )
 
2º - Quando estive à mesa ou reuniões da família, faça comentários ou críticas ao ensino do pastor ou líderes. Com isso seu filho crescerá não tendo respeito por eles, nem dando créditos aos seus ensinos.
 
“Ora, rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obras. Tende paz entre vós”.
 
( I Tessalonicenses 5:12,13 )
 
3º - Cuide para que seu filho cresça num lar que não seja diferente de qualquer outro. Afinal que valor há em aplicar princípios da palavra de Deus a todos os aspectos da vida familiar.
 
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
 
( Deuteronômino 6:6,7 )
 
4º - Gaste diante da TV todo seu tempo que passa em casa, ao invés de separar parte dele para a leitura da Bíblia e oração. Basta apenas orar na hora das refeições. Com certeza seu filho aprenderá que, orar e estudar a palavra de Deus não tem nenhum valor pra você.
 
“E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, e a guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, a fim de os cumprir..”
 
( Deuteronômino 17:19 )
 
5º - Comente a vontade a vida dos outros membros da igreja, depois ao encontrá - los na igreja, apresse - se a cumprimentá - los com um largo sorriso. Com isso seu filho terá a impressão de que a vida cristã é pura hipocrisia e não deseja seguir o mesmo caminho.
 
“…que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas moderados, mostrando
toda a mansidão para com todos os homens”.
 
( Tito 3:2 )
 
 
” Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”. ( Provérbios 22:6 )
 
autor: http://br.groups.yahoo.com/group/cristianismo_plen
 
 
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